Carta às 7 igrejas: Filadélfia

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Como temos visto, em Apocalipse 2 e 3, o Senhor, através do apóstolo João, enviou cartas às sete igrejas da Ásia Menor (hoje Turquia).
Aparentemente, os pastores dessas igrejas se reuniram na ilha de Patmos, para visitar o apóstolo exilado, receberam exemplares do livro de Apocalipse, levaram para suas cidades e assim começou a distribuição do livro de Apocalipse no final do primeiro século.

Apocalipse 3
7 E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:
8 Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.
9 Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.
10 Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
11 Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

É óbvio que não existe uma igreja perfeita, pela razão óbvia de que não há um cristão perfeito. Uma igreja é um conjunto de cristãos imperfeitos e, por consequência é, em si mesma, imperfeita.
Não existe um pastor perfeito. Todos nós somos imperfeitos. Nós todos ficamos aquém do padrão absoluto de santidade que Deus estabeleceu.
Mesmo diante da realidade da imperfeição, é possível ser fiel, obediente, diligente, e agradar ao Senhor como uma congregação.

É possível ser uma igreja que o Senhor abençoa por ser uma igreja que é realmente fiel a Ele. Era o caso da igreja de Filadélfia.
Conforme o verso 8, era uma igreja com pouca força, no sentido de ser pequena, com poucos cristãos, mas grande em fidelidade.
Esta era uma pequena igreja no primeiro século. Nesta carta, tal como a carta dirigida à igreja de Esmirna, não há alertas, condenações, ameaças e julgamentos. Era uma igreja agradável e aceitável ao Senhor.

Éfeso odiava as heresias e o mal, mas tinha abandonado o amor zeloso por Cristo. Ela foi ameaçada de juízo.
Pérgamo perseverava diante da perseguição, mas também foi ameaçada de juízo por se comprometer com o mundo, a idolatria e a imoralidade.
Tiatira teve reconhecidas as evidências de amor, fé e serviço, mas foi além de se comprometer com o mundo, abrindo as portas e deixando o mundo entrar. O pecado estava sendo aceito e defendido dentro da igreja. Jesus emitiu juízo contra ela.
Sardes não teve reconhecido nada de bom. Estava espiritualmente morta. Havia apenas um pouco de vida lá. O Senhor emite juízo e anima alguns a perseverarem.

Há uma progressão aqui. Há a perda do primeiro amor, depois vem o compromisso com o mundo, e o mundo vem e o pecado é aceito, então a igreja começa a morrer.
Em última análise, acaba como Laodiceia, uma igreja que o Senhor vai vomitar de Sua boca. Uma igreja onde Ele está do lado de fora, batendo na porta.

Mas antes deste trágico final, chegamos à igreja de Filadélfia, e há uma pausa nesta triste progressão.

Filadélfia ficava a 48 km ao sudeste de Sardes, na Ásia Menor (atual Turquia). Foi fundada por Eumenes, rei de Pérgamo, no século II A.C., tendo recebido nome de seu irmão, Atalo, cuja lealdade lhe conquistou o título de “Filadelfo”.
Então, ele foi apelidado de Filadélfia, porque era conhecido como tendo um amor especial por seu irmão, e que se tornou o nome da cidade que ele fundou. Significa “amor fraternal”.
A cidade de Filadélfia era rica em agricultura, devido ao depósito de cinzas vulcânicas, mas sofria frequentemente com terremotos devastadores.
Em 17 dC, um forte terremoto destruiu 12 cidades na área, incluindo Sardes e Filadélfia. E, novamente, em 60 dC, um terremoto destruiu Laodiceia. O imperador Cesar Tibério ajudou a reconstruir Filadélfia e Sardes. Assim, um monumento foi feito para ele em sua adoração.

Nós não sabemos nada sobre a igreja em Filadélfia. Era uma daquelas igrejas fundadas a partir da difusão do Evangelho em Atos 19:10.
Poucos anos depois que João escreveu o Apocalipse, no final do primeiro século, um dos pais da igreja primitiva, Inácio, passou por Filadélfia em seu caminho para o martírio em Roma.
Sabemos que alguns dos crentes de Filadélfia foram martirizados com Policarpo de Esmirna. Essa igreja durou firmemente por muitos séculos, até que toda a região foi invadida pelos muçulmanos no século XIV.

A carta começa dizendo: “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre” (v.7).
É a primeira descrição do autor que não é retirada a partir da visão no capítulo 1, mas que se encaixa bem nessa igreja fiel.

O autor descreve a si mesmo de quatro maneiras distintas. Usa um estilo bastante hebraico, típico do Antigo Testamento: “Aquele que é santo”.
Refere-se a nenhum outro, senão Deus. Jesus Cristo, que é a cabeça da igreja, é o autor da carta, e Jesus é Deus.

Os anjos proclamaram: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3).
Os quatro animais no Apocalipse diziam ininterruptamente: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Apocalipse 4:8).

Deus é santo, Jesus Cristo é Deus e, portanto, igualmente santo. Então, Jesus se apresenta como “Aquele que é santo”.
Até os demônios, ao serem repreendidos por Jesus, declararam: “Bem sei quem és: o Santo de Deus”. (Marcos 1:24).
Sobre sua santidade, Pedro declarou: “Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pedro 1:15).

Poderia ser uma introdução assustadora numa carta, porque a santidade divina não pode tolerar o pecado e olhar para a iniquidade e para o mal.
Ele é verdadeiro, e Sua verdade é um padrão absoluto. Ele é o verdadeiro Deus, em quem não tem lugar o erro ou a falsidade.
Mas, o Santo se apresenta como tal, e não dá nenhuma repreensão, ameaça, alerta, condenação e julgamento sobre esta igreja. É o Santo que fala bem dessa igreja.

Ele diz que é “o que tem a chave de Davi” (v.7). Ele é chamado “a raiz de Davi” (Apocalipse 5:5; 22:16). Aqui, Ele possui a chave de Davi.
Dizer que Jesus é a raiz de Davi significa dizer que Ele é Deus. Ele é a fonte de Davi. Davi lhe chama Senhor e também o identifica como Filho (Salmo 2:6-7).

Ele tem a chave de Davi. O que isso significa? Ele tem a autoridade messiânica. Na linhagem de Davi, Ele é o Messias.
Ele possui a chave. A chave é o emblema da autoridade, controle final, a soberania.
É uma referência direta a Eliaquim, filho de Hilquias, que tinha a chave de todos os tesouros do rei, que tinha autoridade sobre o tesouro real.

“E será naquele dia que chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias; E vesti-lo-ei da tua túnica, e cingi-lo-ei com o teu cinto, e entregarei nas suas mãos o teu domínio, e será como pai para os moradores de Jerusalém, e para a casa de Judá. E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e ninguém abrirá” (Isaias 22:20-22).

Jesus Cristo é, então, o Santo, o Verdadeiro, e quem tem acesso a todos os tesouros do céu, e que os derrama por Sua própria vontade soberana sobre Seu povo. Soberania e autoridade para abrir as riquezas do céu a qualquer pessoa.
Ele é a raiz de Davi, aquele que trouxe Davi para a existência. Ele é filho de Davi, nascido na linhagem de Davi. Ele é o Rei Ungido, o Messias. Ele tem toda a autoridade para dispensar todas as bênçãos do céu.

Por isso a Palavra diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3);
Ele tem o controle completo do reino e seus recursos. Quando Ele abre, ninguém fecha. E quando Ele fecha, ninguém abre.
Ele é o único que decide quem entra no reino. Ele possui as chaves. Ele tem as chaves para o céu e tem as chaves da morte e do inferno (Apocalipse 1:8).

Ele é o Senhor, Santo, Verdadeiro, aquele que dispensa todas as bênçãos do céu, aquele que abre a porta do reino, a porta da salvação, à Sua escolha soberana.
Somente Ele faz isso. Ele disse: “Eu sou a porta”. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai se não for por mim”.

No versículo 8, Ele diz para aqueles em Filadélfia: “Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar”. Ou seja, “Eu abri o reino para vocês”, “Eu dei-lhe acesso a tudo no reino”.
Temos aqui a graça de nosso Senhor em direção àqueles verdadeiros crentes.
O Senhor não os repreende em nada. Isso é encorajador, porque eles não eram uma igreja perfeita. Não pode haver uma igreja perfeita.
Mas eles eram uma verdadeira e fiel igreja. E, consequentemente, o Senhor abriu o reino a eles e todas as suas bênçãos, e todos os seus tesouros.
Ele diz: “Conheço as tuas obras”. Ele sabe tudo que há para saber sobre eles. Ele nunca diz nada específico sobre a igreja em Filadélfia. Só afirma que eles são uma igreja que Ele abençoará.

E o que os caracteriza? Primeiro de tudo, Ele diz: “Tendo pouca força” (v.8). Não era uma igreja fraca espiritualmente, mas uma pequena igreja, um pequeno grupo de pessoas.
Era uma pequena igreja de verdadeiros adoradores, que amavam a Cristo e estavam sustentando a verdade, e vivendo em obediência a ela.

“Tendo pouca força guardaste a minha palavra” (v.8). Eles estavam vinculados à Escritura. Eles não se afastaram da obediência ao Senhor.
A obediência é uma marca de um verdadeiro crente: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (João 14:23).
Eles também foram caracterizados pela lealdade: “E não negaste o meu nome” (v.8). Isto indica que eles viviam sob pressão.

Eles não se dobraram diante da perseguição. Não deixaram o seu primeiro amor, não absorveram o mundo e não toleraram o pecado.
Quando se diz: “Não negaste o meu nome”, quer dizer que nunca negaram qualquer aspecto do que Jesus é. A pregação do evangelho no livro de Atos foi a pregação do nome de Cristo, tudo o que Ele é.

Portanto, esta era uma igreja caracterizada por poder, obediência, resistência e perseverança.
O Senhor disse: “Guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome” (v.8) e “guardaste a palavra da minha paciência” (v.10).
Isso indica que eles enfrentavam perseguições e eram odiados pelos gentios e por falsos judeus, “que se dizem judeus, e não são” (v.9).
Mas eles tinham mantido a obediência ao Senhor e suportavam pacientemente todas as coisas. Isto é perseverança.

Foi o que João disse no início do Apocalipse: “Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo…” (Apocalipse 1:9).
Através de provas e perseguições, aqueles cristãos fiéis pacientemente nunca vacilaram em seu compromisso com Cristo. Esta é a verdadeira igreja, a igreja fiel. Há igrejas como essa hoje.

A igreja de Filadélfia, por causa do seu poder, obediência, lealdade e resistência, recebeu alguns privilégios surpreendentes.
Após o elogio, chegamos ao que poderíamos chamar de compromisso divino: “diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar” (v.8).
Em outras palavras: “Eu estou te dando acesso total ao reino e ninguém pode alterar isso. Eu estou te dando uma porta aberta para o reino”.
Esta ‘porta aberta’ tem uma conotação de oportunidade de avançar, testemunhar e pregar o evangelho, tal como vemos em I Coríntios 16:9, II Coríntios 2:12 e Colossenses 4:3.

Agora, o Senhor promete: “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo” (V.9).
Aparentemente havia uma população judaica grande o suficiente para ter uma sinagoga, formada por pessoas que se diziam judeus, mas não eram.

Os judeus sempre tinham sido uma sinagoga de Deus. Eles comemoravam o fato de que eles adoravam o único Deus verdadeiro.
Mas, eles rejeitaram o seu Messias; e em rejeitar seu Messias, o Senhor Jesus Cristo, o Judaísmo realmente se mostrou tão satânico quanto o culto ao imperador, ou o culto de qualquer outro deus falso, ou qualquer religião falsa.
Eles blasfemavam contra Cristo; portanto, eles odiavam Deus.

Eles se diziam ser judeus, mas não eram. Eles não eram verdadeiros filhos de Deus. Eles não eram verdadeiros filhos de Abraão.
Eles podiam ser judeus geneticamente, legalmente, cerimonialmente, mas eles não eram judeus espiritualmente.
Foi o que Jesus disse aos líderes que se diziam judeus: “Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão… Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (João 8:39,44).

Paulo diz que nem todo o Israel é Israel. Nem todos os judeus são verdadeiros judeus (Romanos 2:28-29).
Naquela época tínhamos os judeus, que não eram verdadeiros judeus, perseguindo os cristãos. Ao longo da história, até nossos dias, temos também cristãos, que não são verdadeiros cristãos, perseguindo os judeus.

O Senhor diz: “Vou fazê-los vir e se prostrarem a seus pés, e os farei saber que eu te amo”. Essa é a postura de um inimigo humilhado e derrotado.
É uma situação semelhante aos relatos de Isaias 45:14; 49:23 e 60:14, quando inimigos de Israel se prostraram diante dele por causa do Senhor.
Penso que, no caso de Filadélfia, Deus havia aberto portas que ninguém poderia fechar, para a pregação do evangelho, e muitos judeus se converteram. Muitos perseguidores foram salvos e puderam contemplar a obra de Deus naquela igreja.

Isto, naturalmente, faz-nos pensar no fato de que, através de igrejas fiéis, ao longo da história, Deus salvou judeus e gentios.
E, no futuro, no final dos tempos, os judeus crerão e “todo o Israel será salvo” (Romanos 11). Eles virão e se curvarão dizendo: “Bem-aventurados são os pés dos que anunciaram o evangelho”.

Os judeus verão que a bênção de Deus tem estado na igreja. Eles vão ver que Deus amou sua igreja.
E eles estão vendo isto. Aqui mesmo, em nossa igreja, temos muitos judeus que se converteram a Cristo, mas no final, toda a nação se curvará à verdade do evangelho proclamado pelos santos remidos.

E então o Senhor diz: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.
Nós não temos certeza a que se refere especificamente isto. Poderia ser algo que ocorreu, algum desastre natural, uma guerra, alguma perseguição elevada das quais aquela igreja foi preservada.
Algo que viria sobre todo o mundo. A palavra “mundo” pode estar expressando algo dentro da perspectiva deles, ou seja, algo muito forte dentro do mundo em que eles viviam.

Mas, pode haver algo mais aqui, porque a linguagem é muito, muito abrangente.
Não parece soar como uma angústia presente apenas na cidade de Filadélfia. Não é um julgamento permanente ou eterno. Não parece ser apenas local. É algo que vem em todo mundo, mas não sobre a igreja fiel.

Olhando para o fim da história da redenção, quando um tempo de julgamento severo virá sobre a terra, algo que a Bíblia chama de a grande tribulação, a septuagésima Semana de Daniel, é um tempo que é descrito a nós, de Apocalipse 6 a 18, em sequências de julgamentos.
Poderia ser este o tempo da grande tribulação mencionado por Daniel, Ezequiel, Zacarias, o Apocalipse?
Isso pode significar que os cristãos fiéis não vão passar por esse teste final? Esta é uma das passagens que é usada para ajudar a entender o arrebatamento Pré-Tribulação.

Igrejas infiéis experimentarão julgamentos. Ele disse para a igreja em Éfeso que removeria seu castiçal.
À igreja em Pérgamo, Ele disse que batalharia contra ela com a espada de sua boca.
À igreja em Sardes, Ele disse que “virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”.

Mas aqui Ele diz: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.

Você pode acumular recompensa celestial (galardão) como um crente fiel. Ter um tesouro no céu, colocando, por assim dizer, ouro, prata, pedras preciosas lá.
Os verdadeiros crentes em Cristo, os vencedores, conforme descritos em I João 5, manterão sua salvação, mas poderão perder a recompensa celestial.

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (I Coríntios 3:11-15).

Não podemos afirmar, mas é bastante consistente nas Escrituras quanto aos acontecimentos finais.
Poderia muito bem estar nos dizendo que vamos ser retirados desta terra em um arrebatamento descrito na Palavra:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” ( I Tessalonicenses 4:16-17).

Ele faz uma promessa final, onde quatro bênçãos eternas são dadas:

Primeiro: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá” (v.12). O que isso significa? Exatamente o que Pedro disse:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.” (I Pedro 1:3-7)

Nos tempos antigos, os templos eram construídos com pilares.
As pessoas importantes eram homenageadas pela colocação de um pilar em um dos grandes templos. Eles doavam o dinheiro para a construção da coluna e seu nome era colocado em cima desse pilar.
Muitas vezes esses pilares eram cobertos com mármore, e, em seguida, com ouro e o nome da pessoa estava lá. Era feito assim para ser um memorial perpétuo àquela pessoa.

Filadélfia era uma cidade localizada perto de um grande campo vulcânico, sujeita a muitos terremotos que destruíam os templos e suas colunas, onde eram gravadas as honrarias humanas.
Mas os vencedores daquela cidade celestial terão seus nomes eternamente gravados em colunas eternas.

Segundo: “E escreverei sobre ele o nome do meu Deus” (v.12). É o equivalente a posse, a propriedade.
Uma coluna nesse templo terá seu nome nela, e Deus vai escrever Seu nome em você. É algo incrivelmente gracioso. Nós seremos para sempre de Deus, para sempre honrados.

Terceiro: “[Escreverei] o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus” (v.12).
Teremos uma coluna com o nosso nome, mostrando que seremos cidadãos permanentes do céu. Deus vai colocar Seu nome em nós. Nós pertencemos a Ele.
E também teremos o nome da nova Jerusalém, que desce de Deus do céu, o que indica a nossa pátria eterna. Sempre seremos cidadãos do céu, com todos os direitos e privilégios na Cidade Eterna.

Quarto: “[Escreverei] também o meu novo nome” (v.12). Ele vai escrever sobre nós o Seu novo nome.
O que poderia ser esse nome? Bem, quando Ele morreu, o Pai O ressuscitou dentre os mortos e Lhe deu um nome que está acima de todo nome.
Não sabemos qual é este novo nome, mas é um nome que expressa a plenitude de Sua majestade eterna.

Esta era uma pequena igreja com poder, lealdade, obediência, resistência e fidelidade. O Senhor disponibilizou a ela as riquezas do seu reino.
Foi uma igreja que foi usada pelo Senhor para alcançar muitos, inclusive muitos que a perseguiam.
Ela foi livre de uma tribulação final que vem em todo o mundo. E quando o Senhor vier, não será para julgar, mas para recompensá-la.
Ele lhe dará uma coluna com seu nome nele no templo celestial, escreverá o Seu próprio nome nele, escreverá o nome da cidade santa, indicando a sua cidadania.
E até mesmo escreverá o novo nome que pertence a Cristo. Um nome que expressa a plenitude de Sua majestade eterna.
Nós somos de Deus, somos de Cristo somos cidadãos do céu, seremos para sempre honrados lá.

Este é o conforto além da imaginação. Qual a liderança, verdadeiramente espiritual, que não gostaria de ler algo assim sobre sua igreja? Qual igreja não gostaria de ouvir esta avaliação de si mesma?
Ele diz: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v.13).
O santo, verdadeiro, soberano, poderoso Senhor sabia tudo sobre esta igreja. Eles não eram perfeitos, mas eram fiéis. E Ele derramou privilégios eternos do céu sobre eles.

Pai, nós somos gratos pela Tua Palavra.
Esta é uma parte poderosa e enriquecedora da Escritura.
Sentimo-nos um pouco esmagados por todas essas verdades; isso é tão incrível!
Agradecemos-Te. Obrigado do fundo de nossos corações por Tua bondade para conosco.
Vivemos na esperança, uma esperança viva, que temos ao olhar para o futuro. Senhor, fazei-nos continuar a sermos fiéis, leais, obedientes, amorosos, perseverantes em meio à perseguição.
E que os nossos perseguidores se curvem diante de nós, ao ouvirem o Evangelho, e que sejam quebrantados em arrependimento e fé em Cristo.
Continue a usar esta igreja, como Tu tens feito, a derramar Tuas bênçãos.
E nós Te agradecemos pelo privilégio. O que estamos desfrutando agora é uma pequena amostra do que Tu tens preparado para nós em glória.
Estamos tão ansiosos para ver a realidade de tudo isso. Maranata, vem, Senhor Jesus. Amém.


Este sermão é uma série de 7:

Carta às 7 igrejas: Éfeso
Carta às 7 igrejas: Esmirna
Carta às 7 igrejas: Pérgamo
Carta às 7 igrejas: Tiatira
Carta às 7 igrejas: Sardes
Carta às 7 igrejas: Filadélfia
Carta às 7 igrejas: Laodiceia


Este texto é uma síntese do sermão “The Lord’s Word to His Church: Philadelphia”, de John MacArthur em 18/10/2015.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-477/the-lords-word-to-his-church-philadelphia

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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