O cristão e a política

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No período eleitoral fica mais evidente a tragédia espiritual de parte dos cristãos. Poucas situações são mais claras para demonstrar como cresce um cristianismo sem Cristo, em que sua vida e os valores que ensinou parecem estar ausentes em um número cada vez maior de pessoas que dizem segui-lo.

Podemos destacar três grupos trágicos: 

1. Os que se envolvem de “corpo e a alma” em suas posições e preferências políticas, passando a ter um comportamento idêntico ao dos homens em trevas

A triste e lamentável situação destes é terrivelmente chocante. Eles se envolvem completamente em defesa de suas posições, passam a ter comportamentos afrontosos a Palavra de Deus e perdem completamente toda sensibilidade espiritual.

Os meios para defender suas posições incluem toda espécie de males, tais como: maldades, contendas, malignidades, invenção de males, malícias, chocarrices, mentiras, palavras torpes, gritarias, maledicências, detratações, injúrias, falta de respeito para com as autoridades etc. Não pensam duas vezes antes de lançar mãos das paixões da carne, às quais a vontade deles está presa, passando a depreciar a quem consideram seus opositores, usando argumentações próprias dos homens perdidos. Com suas línguas ferinas atacam autoridades, proferem acusações, envolvem-se em lamentáveis contendas e gritarias. Este envolvimento tem graus diferentes, mas nenhum deles deixa de ser perverso e abominável aos olhos de Deus (Rm. 1: 29-32 , Ef. 4: 25-32, 5: 1-7 ; Cl 3:8 , II Ped. 2: 9-10).

Parte deste grupo busca algo em troca de seu envolvimento político. Não mais depende de Deus, mas de dádivas que seu candidato pode lhe oferecerer se chegar ao poder. Em nome de seu próprio interesse viola os princípios básicos da fé que diz ter. Sobre estes a Bíblia diz: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado; Que descem ao Egito, sem pedirem o meu conselho; para se fortificarem com a força de Faraó, e para confiarem na sombra do Egito. Porque a força de Faraó se vos tornará em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em confusão”. (Is. 30: 1-3)

2. Os que colocam suas esperanças na força do homem e não em Deus

Evidente que o primeiro grupo também está incluso nesta outra lamentável situação. Mas há também aqueles que, embora não gritem por aí, estão com suas confianças depositadas nos homens. Discretamente ou não, imaginam que um político tem o poder de acrescentar algo de valor divino para sociedade. Seus corações não estão esperançosos no Reino Eterno de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas no reino do homem. Não vivem como súditos de um Reino que não pertence a este mundo condenado, por isso pensam que seu candidato tem o poder de melhorar o reino e o sistema que pertencem a Satanás. Perderam completamente o caráter de peregrinos e ficaram cegos (I Ped. 1:21 ;II Ped. 3:7).

3. Os que se envolvem como candidatos e usam o nome de Deus como mercadoria para ganhar votos

Estes mentem aos cristãos, tentando convencë-los de que Deus precisa de figuras no poder político do sistema mundano. Na verdade estão em busca de seus próprios interesses e usam o nome de Deus como mercadoria para ganhar votos. A maior parte está promovendo escândalos lamentáveis e blasfemam o Evangelho com suas condutas ímpias.

Ao aderir a um partido político, não se importam em dar aval à diretrizes que incluem posições de afronta à Bíblia e de meios maquiavélicos para conquista do poder. Eles frequentemente fazem uso distorcido da Bíblia para sugerir que Deus precisa deles no poder, como meio de “conquistar a sociedade”. São apenas mentirosos e distantes da verdade eterna. Agem como cidadões deste mundo e não como embaixadores da pátria celestial. Se andassem como Jesus (I João 2:6), não suportariam o ambiente sujo da política e também não seriam suportados.

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. (Salmo 1: 1-2)

Qual a posição política de um verdadeiro Cristão? 

O cristão genuíno, que vive sob controle do Espírito Santo, tem em mente algumas coisas bem claras:

O único poder que Deus precisa usar é o do Espírito Santo (Atos 1:8). Infelizmente, o cristianismo verdadeiro é mais comum nos países em que seus governantes perseguem os cristãos. Na relativa liberdade que temos, floresce um cristianismo vergonhoso.

O mundo e seus sistemas estão condenados. Quando Jesus estava na terra como homem, Ele observou todas as injustiças que o Império Romano lançava sobre Israel. Quando questionado sobre os injustos impostos, Ele simplesmente disse: “Daí a César o que é César e a Deus o que é de Deus.” (Mat. 22: 17-21). Isto decepcionou aqueles que esperavam um grande líder político que organizasse um levante ou que tivesse poder e influência política junto ao imperador. Jesus não cansava de dizer: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

A esperança do cristão não está em nenhuma forma de poder além de Cristo. Ele não anda ansioso por coisa alguma, pois entregou o seu presente e futuro aos cuidados do Pai Eterno, que é zeloso e amoroso com os seus filhos. Além disso, esse cristão vive a lei do contentamento, estando satisfeito com o seu sustento e por não seguir os modismos e o consumismo do mundo, não está louco para ter mais e mais. Não é um político que irá abençoar ou não o seu sustento material (I Tim. 6: 3-19).

O verdadeiro filho de Deus sabe que todo o mundo com seus sistemas políticos já estão julgados por Jesus. Assim, ele não busca tomar qualquer parte na cena que está destinada a destruição (II Ped. 3:7). Ele exerce seu direito (e/ou obrigaçao) de voto, mas sua esperança está no Reino de Deus.

O discípulo de Jesus tem o Espírito Santo que o ensina como viver e andar por este mundo. Por isso, sabe que estamos vivendo o tempo profetizado pela Palavra de Deus denominado como ‘princípio das dores’. Esse cristão sabe que nada vai melhorar daqui por diante e que toda promessa de paz e prosperidade é falsa e provém da atmosfera de engano que já envolve a terra nestes tempos de prenúncio do reino do anticristo (I Tess. 5:3). São tempos trabalhosos, angustiosos, de aumento do mal. Não há homem no mundo que possa alterar este curso. Deus tem operado já juízos sobre a terra, a fim de que os homens perdidos venham a se arrepender. O Senhor faz isso na esperança de que o homem entenda que não há nada de bom aqui nesta terra, nada que se compare a uma eternidade na presença de Jesus.

Por fim, o filho de Deus intercede por suas autoridades. Agindo assim, ele demonstra a sua qualidade de cidadão de um reino superior e eterno, um reino em que o seu Rei é justo, puro, bom, verdadeiro, amoroso. Um reino que em breve será estabelecido, quando a pedra cortada sem o auxílio das mãos aniquilará os reinos do mundo, espedaçá-los-á, para que seja estabelecido o Reino do Senhor (Daniel 2: 33-35 e 43-44).

Infelizmente, esta palavra é inacessível aos ouvidos de muitos dos cristãos. Amontoaram-se “doutores” para lhes ensinar coisas completamente contrárias. Os ouvidos desta geração estão tapados, marcando a triste situação dos últimos dias (II Tim. 4: 1-5). Mas, o Senhor está purificando alguns para o encontro com Ele.

Outrora já estive enlaçado neste mal, fazendo defesa de ideologias dos homens, acreditando na sua eficácia em melhorar a situação do nosso País. Um dia o Senhor abriu meus olhos e claramente demonstrou de onde procedia tudo: Do reino inimigo. Passei a compreender a extensão da esperança do cristão e do seu caráter de forasteiro neste mundo. Também compreendi que o mundo com seus sistemas está falido e condenado (João 3:19, 16:11) sendo impossível alguém alterar seu rumo desastroso. Quando fui liberto deste cativeiro, percebi o quanto afrontei a Deus e a sua Palavra, mas alegro-me por Deus ter encontrado em mim espaço para realizar sua obra.

O que podemos concluir de tudo isso?

Maranata, ora vem Senhor Jesus!!” (Ap. 22:20)

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