Sublime testemunho de Deus – 1

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Nota do site: Esta é uma série de duas preciosas mensagens sobre o sublime testemunho de Deus sobre Jesus. Veja os links no fim deste texto.


I João 5
6 Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.
7 Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.
8 E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.
9 Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou.
10 Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.
11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.
12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

Este texto deixa muito claro que o assunto aqui é o testemunho de Deus a respeito de Jesus Cristo.
Há um grupo religioso que afirma ser “as testemunhas de Deus”, precisamente “as testemunhas de Jeová”. Eles afirmam propagar a verdade que Deus quer que seja revelada. Eles afirmam estar ecoando o testemunho de Deus.
Mas, a verdade que Deus revelou, o verdadeiro testemunho de Deus é que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Deus encarnado.
Mas este grupo religioso autodenominado “As Testemunhas de Jeová” é um grupo mentiroso, porque nega este sublime testemunho de Deus revelado em Sua Palavra. Este grupo religioso diz que Jesus pode ser chamado de “um deus”, “d” minúsculo, mas não “o Deus”.

Este grupo diz que Jesus é poderoso, mas não o Todo-Poderoso. Diz que Jesus foi criado pelo Senhor, não é um membro da Trindade e que não há Trindade. Afirma que “Elohim” que é uma palavra hebraica no plural, significa plural em majestade, não em pessoa.
Eles dizem que Jesus, antes da encarnação, era o arcanjo Miguel e que Ele nem sequer possui imortalidade. Ele foi criado e pode morrer.
Ensina que, quando Cristo nasceu de Maria, tornou-se apenas um ser humano, vivendo como Adão vivia antes da queda.

“As Testemunhas de Jeová” também ensinam que Jesus assumiu o papel do Messias quando foi batizado. E foi neste momento que Deus fez daquele ser humano, Seu filho espiritual.
Então, segundo essa falsa doutrina, Jesus foi um anjo criado, que se tornou um homem criado, que se tornou filho de Deus. Negam também que Jesus tenha ressuscitado dos mortos fisicamente.
Alegam que Jesus não ressuscitou em um corpo, que Ele só ressuscitou como um espírito. Seu corpo nunca mais voltou à vida. Na verdade, uma vez que Ele tinha sacrificado seu corpo, eles dizem, Ele nunca poderia obtê-lo de volta.
Judge Rutherford (1869-1942), um homem que, inspirado por demônios, criou esta religião, disse que somente Deus sabe onde está o corpo de Jesus e que ele será exposto em algum museu milenar.
Eles dizem que Cristo era um anjo mortal, em seguida, um homem mortal, e, finalmente, um espírito imortal, e vai viver para sempre como um ser espiritual.

Bem, fica muito claro que essas pessoas não são Testemunhas do verdadeiro Jeová e Deus verdadeiro. Eles não refletem o testemunho de Deus acerca de seu Filho.
Eles são mentirosos e são representantes do pai da mentira, ou seja, de Satanás.
E eles têm muitas heresias que vêm do antigo gnosticismo.

Se você quer ser uma verdadeira testemunha de Deus, ecoando o testemunho divino, não há realmente um lugar melhor para ir do que neste texto de I João.
Aqui está o testemunho de Deus: “o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou” (v.9).
Este testemunho de Deus é completamente diferente do que as autodenominadas “testemunhas de Jeová” dizem a respeito de Cristo.
Para estar no Reino de Deus é preciso crer no Filho de Deus (João 3:18). Para ser um vencedor, é necessário crer no Filho de Deus (I João 5:4-5).

A própria essência da fé nos leva de volta à sua cristologia, que leva você de volta para a base de um entendimento correto de Cristo.
Crer em Jesus como o Deus Eterno encarnado e na sua obra redentora é absolutamente essencial para toda a eternidade.

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai” (I João 2:22-23).

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” (I João 4:1-3).

“Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (I João 4:9-10).

Este é o testemunho de Deus acerca de seu Filho: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem não crê, faz de Deus um mentiroso, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (v.10).
E assim temos neste texto este importante tema do testemunho de Deus. Deus aqui resume seu testemunho acerca de seu Filho.

João aqui escreveu em uma única declaração o motivo pelo qual escreveu seu Evangelho: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (João 20:31).
O Evangelho de João é fiel ao testemunho do Pai sobre o Filho. Ele começou dizendo, resumidamente, o que detalhou ao longo de todo seu Evangelho, através da vida e obra de Cristo:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram criadas por Ele, sem Ele nada do que foi foi feito se fez. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. (João 1:1-3,14)

A referência a testemunha aparece várias vezes em I João 5:6-12. O que é uma testemunha? Bem, a raiz da palavra significa “aquele que se lembra” ou “aquele que tem conhecimento de algo em sua memória e pode nos falar sobre isto”.
Isso é uma testemunha. O termo tem uma ampla utilização em grego, mesmo fora das Escrituras. Desde situações cotidianas da vida até definições militares e em tribunais.
Temos um bom exemplo de seu uso no contexto judaico:

“Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor; eu sou Deus. Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” (Isaías 43:10-13).

Deus está aqui falando que Israel tem a oportunidade, e privilégio, de declarar a verdade sobre Deus, ou seja, de que nunca houve, nem há e nunca haverá outro Deus ou Salvador. E que ninguém pode escapar de sua autoridade.
Israel deveria ser testemunha fiel desta tremenda verdade irrevogável e eterna. Ele foi o criador de Israel e libertou seu povo por um caminho através do Mar (Isaías 43:15-16).

“Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Isaías 44:6).
Aqui Deus se refere ao Redentor, Seu Filho, e mesmo sendo dois: O Senhor, o Rei de Israel e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos, Ele fala como se fossem um. E diz:
“E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça.” (Isaías 44:7-8).

No Novo Testamento isto é ainda mais abrangente. A palavra grega “martus”, que quer dizer “testemunha”, aparece 168 vezes no Novo Testamento, é a raiz da palavra “mártir”.
Muitas das pessoas que deram testemunho do Evangelho da verdade de Deus foram martirizadas, e, eventualmente, a palavra para o testemunho tornou-se a palavra para mártires.

O Novo Testamento é o testemunho de Deus com relação a Seu Filho. Os Evangelhos são testemunhos de Deus sobre o Seu Filho. O livro de Atos é testemunho de Deus sobre o poder da verdade que há em seu Filho.
As epístolas apostólicas são um testemunho de Deus sobre o significado da vida, morte, ressurreição, ascensão e segunda vinda de Seu Filho.
O livro do Apocalipse é o ápice do propósito redentor de Deus e o plano para o Seu Filho. Assim, o conjunto do Novo Testamento é o testemunho de Deus sobre o Seu Filho.

Deus testemunhou, no Antigo Testamento, de várias maneiras, que Seu filho estava chegando. Às vezes, diretamente, como no Salmo 2, Isaías 43, 44, 53, e em outros tantos lugares, como também indiretamente, por meio do sistema de sacrifício.
Se você negar o Novo Testamento e o testemunho que Deus dá acerca do seu Filho, você está chamando Deus de mentiroso. Este é um pecado tenebroso, é a blasfêmia de todas as blasfêmias.

No Antigo Testamento havia a necessidade da confirmação feita por duas os três testemunhas para que algo fosse tido como verdadeiro (Deuteronômio 19:15).
Jesus repetiu este princípio para uma situação de disciplina na vida da igreja (Mateus 18:16).
O mesmo princípio foi usado concernente a acusação contra um ancião da igreja (I Timóteo 5:19) e para confirmações de fatos (II Coríntios13:1).
Então, Deus faz a mesma coisa, o próprio Deus escolheu o máximo de três testemunhas, a água, o sangue e o Espírito para afirmar Seu testemunho sobre Jesus Cristo.

O maior testemunho dado sobre Cristo vem de Deus, sem dúvida.
É maravilhoso ouvir um centurião dizer: “Verdadeiramente este homem é o Filho de Deus” (Marcos 15:39) . Mas não é o testemunho do centurião que é poderoso, é o testemunho de Deus que convenceu o centurião.
É maravilhoso que as pessoas tenham visto os milagres e concluíram que Jesus era o Cristo e o Messias, o Filho de Deus e Salvador. Mas, realmente não é o testemunho daquelas pessoas que carrega o poder, é o testemunho de Deus que os convenceu.

“Disse-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque isto não te foi revelado pela carne e o sangue, mas por meu Pai, que está nos céus” (Mateus 16:15-17).

No Evangelho de João, por exemplo, existem algumas categorias de testemunho divino.
Há o testemunho da Escritura.
Jesus disse: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (João 5:39).
Ele está falando sobre o Velho Testamento. O testemunho de Deus sobre Cristo começou com os registros do Antigo Testamento.

Há também testemunho de João Batista.
“Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz” (João 1:6-8).
Este foi o testemunho de João Batista:
“O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:35-36).

Temos o testemunho dos discípulos de Jesus.
“E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” (João 15:27).
Os discípulos disseram a Jesus: “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus” (João 16:30).

Há o testemunho de Deus através das palavras de Jesus.
Foi através do Filho que o Pai deu testemunho da verdade:
“Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro. Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou” (João 8:13-18).

Há o testemunho das obras de Jesus:
“Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim” (João 15:36-37)

Também há o testemunho do Espírito Santo.
“Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (João 15:26).

O testemunho vem do Pai. É o Pai que inspirou a Escritura, deu a mensagem para João Batista, entregou a verdade aos discípulos para que fosse anunciada, colocou as palavras na boca de Jesus, deu-lhe o poder de fazer as obras, enviou o Espírito e falou e fala por meio do Espírito.
Tudo vem do Pai: “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim” (João 5:37).

O Evangelho de João, então, é o testemunho de Deus. Se você quer ter a visão de Deus sobre Cristo, você tem que busca-lo onde Deus revela Seu Filho.
Se alguém tem uma visão defeituosa de Cristo, o melhor caminho é estudar o Evangelho de João.
Este foi o propósito de João: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).
O testemunho de Deus sobre Jesus Cristo é inconfundível, sem ambiguidades, e absolutamente supremo.

Vamos olhar com João para o testemunho de Deus, nos versículos 6 a 12 de sua primeira carta. O que vimos até aqui foi uma introdução.
A questão imediata é: Por que deveríamos crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus? Por que devemos acreditar que Ele é Deus, o segundo membro da Trindade? Por que devemos acreditar que Ele é eterno, eternamente perfeito e incriado?

Seu povo o chamou de mentiroso, enganador, bêbado, farsante, rebelde, infrator da lei, fanático, louco e endemoninhado. Os menos agressivos diziam que era apenas um bom professor.
Por que devemos acreditar que Ele é o Messias prometido do Antigo Testamento? Os judeus, para quem primeiro Ele veio, até hoje não acreditam.
Por que devemos crer Nele como o Filho de Deus, Deus Eterno, possuidor e doador da vida eterna e Salvador dos pecadores? Por que devemos acreditar nisso?

Cremos por causa do infalível, incontestável, e inatacável testemunho do próprio Deus. Temos o testemunho de Deus. Vamos ver este testemunho em três partes.
“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade” (I João 5:6).

Isto introduz o fato da encarnação, a grande verdade a ser afirmada e provada pelo testemunho divino.
Agora marque isto: “Este é aquele que veio”. Esqueça o resto do versículo neste momento.
“Este é aquele que veio”, Jesus Cristo. Este é o fato central e glorioso da história da redenção. Este é o fundamento da fé cristã.
Jesus Cristo não passou a existir a partir de seu nascimento em Belém. Ali Ele estava encarnando e veio a este mundo. Esta é uma verdade repetida muitas vezes no Novo Testamento, e muito especialmente por João.

No primeiro capítulo de seu Evangelho, João fala de Jesus como o Deus Eterno, o criador, Aquele que estava no princípio com o Pai. A fonte da luz e da vida.
João diz que o Verbo Eterno se fez carne, veio habitar entre nós, cheio de graça e verdade. Ele veio para os seus, mas eles o rejeitaram, mas a todos que creram Nele deu-lhes o poder se se tornarem filhos de Deus.
Isto é fundamental no Evangelho. O Evangelho é baseado na encarnação do Filho de Deus, o Verbo Eterno, o Filho de Deus.

Quando João escreveu “Este é aquele”, no original grego, há uma posição enfática, destacando singularidade e exclusividade. Isso quer dizer que “este” e não há outro, é único, o Filho de Deus.
Há um só Deus e há uma só encarnação de Deus, Jesus Cristo. É aí que você tem que começar.
Antes de chegar ao testemunho do Pai, você tem que entender o que o Pai está tentando dizer: Jesus Cristo é o único que veio. Ele é único. O Pai dá testemunho da vinda de Seu Filho.

Agora, o testemunho é confirmado, pois João diz que Ele “veio por água e sangue”. Esta é uma daquelas passagens da Escritura que produz problemas de interpretação. O que significa “água e sangue”? Há uma série de sugestões sobre isto.

Alguns vinculam com sua morte. Já morto, sangue e água saíram de Jesus após um soldado tê-lo furado com uma lança (João 19:34).
É verdade que o sangue e água saíram do seu lado quando ele foi perfurado, mas nisso não parece haver qualquer testemunho divino para qualquer coisa.
Não é nenhuma declaração divina, é uma afirmação muito humana. Poderia ser válido para outros fenômenos físicos que podem ocorrer na morte.

Há um segundo ponto de vista, que ganhou alguma popularidade, relacionando com duas ordenanças da igreja. Água, referindo-se ao batismo; e sangue, referindo-se ao serviço de comunhão (ceia).
Bem, no texto não há nenhuma relação com o batismo e a mesa do Senhor. Não há nenhuma maneira de se fazer esta ligação, porque não é um testemunho divino, mas uma função da igreja.
O batismo é uma confissão de fé do cristão diante dos homens e a mesa do Senhor (ceia) é uma proclamação da igreja sobre a morte de Jesus até que Ele volte.

Há realmente apenas uma maneira possível de se interpretar isso. Água aqui se refere ao batismo de Cristo e o sangue se refere à Sua morte na cruz.
Nestes dois grandes eventos, o Pai dá testemunho. Estes dois eventos são fundamentais para a compreensão da vida e ministério de Jesus. Um ocorreu no início de seu ministério e outro, no final.

No início de seu ministério, em seu batismo, o Pai declarou ser Ele Seu Filho. Uma voz saiu do céu em Seu batismo e disse: “Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo” (Marcos 1:11)
Ali Deus não somente fez uma espécie de lançamento do ministério de Jesus, mas fez uma perfeita definição.
No batismo de Cristo, Ele se identificou com os pecadores. O batismo de João era de arrependimento, mas Ele não tinha nada a se arrepender.
João resistiu: “Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?” (Mateus 3:14). Mas Jesus sempre cumpriu tudo que era justo. Seu batismo foi uma identificação com os pecadores e definiu a razão pela qual Ele veio.
E o Pai deu testemunho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

E o segundo testemunho divino foi dado pelo Seu sangue, por assim dizer, ou na Sua morte, no final de Seu ministério.
Ele tinha se identificado com os pecadores ao entrar nas águas do batismo de arrependimento, e identificou-se plenamente com os pecadores na cruz, tomando o castigo que era deles.
Esses são eventos tremendos, duas experiências monumentais de Seu ministério de redenção. O Pai deu testemunho em Seu batismo e na Sua morte.
E, então, João acrescenta: “Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue” (v.6).

No final do primeiro século, uma grave heresia havia entrado na igreja. Esta heresia dizia que Jesus era o Filho de Deus no Seu batismo e não na cruz.
Dizia que o Espírito desceu sobre Jesus em Seu batismo, nas águas, mas saiu Dele, na cruz. Ou seja, o Espírito veio a Cristo pela água e não pelo sangue.
Dizia que Seu batismo foi uma revelação de que Ele era o ungido de Deus, mas o Cristo que foi batizado era muito diferente do que foi morto na cruz.
O Espírito que veio sobre o homem Jesus, em Seu batismo, partiu antes da cruz. Essa heresia afirmava que o Jesus crucificado não era nada mais que um homem.

Como vimos anteriormente, as cartas de João foram escritas para combater heresias que estavam entrando na igreja.
Na época, o gnosticismo ganhou forte adesão entre muitos. Esta heresia propugnava que o espírito era bom e a matéria era má, e assim, eles negavam a doutrina completa da encarnação de um membro da Trindade Santa na pessoa de Jesus.
Eles aceitavam a ideia de que o Espírito de Cristo desceu sobre o homem Jesus no batismo e que nos momentos de seu sofrimento ele já tinha partido.

Então, eles pensavam que no batismo, esse divino Cristo desceu, entrou no homem Jesus, que era simplesmente homem. Isso é parte do que as Testemunhas de Jeová dizem hoje.
Eles pensam que o Espírito veio a Jesus na figura de uma pomba e, depois disso, Jesus trouxe a mensagem de Deus ao homem. E então, o Espírito partiu e só o homem Jesus foi crucificado.
Então, segundo essa doutrina herética, o melhor que podemos receber de Jesus são os ensinamentos éticos que Ele nos deu. Eles desprezam a expiação substitutiva e eficaz de Jesus Cristo.

Qualquer doutrina que relativiza a morte de Cristo, o sangue de Cristo como Deus, levando os pecados dos homens é satânica.
João disse: “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (I João 4:10).
Jesus não veio apenas nos ensinar coisas boas e depois morrer como qualquer outro homem. Ele veio para oferecer a Si mesmo como um sacrifício expiatório, satisfazendo a justiça de Deus por nós.

Todos os que negam qualquer aspecto da encarnação do Verbo Eterno e da morte substitutiva de Jesus Cristo pervertem a grande verdade do Evangelho e são hereges tentando minar o fundamento da nossa salvação.
Se na cruz Cristo tinha perdido a sua natureza divina, Ele não poderia ter nos reconciliado com Deus.

Eu vou continuar este assunto no próximo domingo e mostrar-lhe especificamente como no batismo e na Sua morte, Deus dá testemunho.
Mas deixe-me apenas mencionar o terceiro: “E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade” (v.6).
O terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo, dá testemunho do Filho, porque Ele é o Espírito da Verdade. Ele sempre fala o que é verdadeiro.

Por que Ele chamou o Espírito da Verdade? Ele é o agente de revelação. Dentro do funcionamento da Trindade Santa, a obra do Espírito é de revelar.
É por isso que lemos tão claramente na Escritura que ela é inspirada pelo Espírito Santo.

Por isto Pedro diz: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pedro 1:21).
Onde quer que haja a revelação da vontade de Deus, onde quer que haja o testemunho de Deus em Sua revelação, é do Espírito Santo.
Veja o que Pedro disse após a ascensão de Jesus: “Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus” (Atos 1:15).
Pedro compreendeu que toda a Escritura foi revelada pelo Espírito Santo. E muitas outras passagens falam sobre esta mesma grande realidade, que o Espírito Santo é a fonte de revelação.

Em toda a Bíblia o Espírito fala, o Espírito é o revelador. E, em particular, isso é algo muito importante de notar, neste contexto, em particular. Ele fala a respeito do Filho, em nome do Pai.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” (João 14:16-17).

E qual é o trabalho do Espírito Santo?

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14:26).
“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (João 16:13).

O Espírito é o revelador. E assim, em todos os lugares que você olhar nas Escrituras e encontrar o testemunho de Cristo, este é o testemunho do Espírito Santo.
Então, João descreve as três testemunhas: O testemunho do Pai, no batismo de Jesus. O testemunho do Pai na cruz, e nos eventos em torno da cruz. E o testemunho do Espírito em toda a revelação da verdade.

“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num” (I João 5:7-8).

Literalmente do grego diz: “Os três são em um só”. Juntos, eles estabelecem a verdade. Eles concordam em uma só coisa.
Da próxima vez, vamos falar sobre aqueles três com mais detalhes e chegar a uma compreensão mais profunda, mais enriquecedora do testemunho do Pai e, em seguida, vamos falar sobre o propósito do testemunho e a resposta adequada a esse testemunho.

Pai, nós Te agradecemos novamente por esta noite, pois nos sentimos como o mais rico dos ricos, com o maior tesouro do mundo, porque temos em nossas mãos, e mais importante, colocamos em nossas mentes, a Tua verdade.
Como somos ricos! Nada é mais maravilhoso do que conhecer a verdade. Nós cemos que Jesus é o Filho de Deus, porque acreditamos no Teu testemunho. Acreditamos no testemunho dado pelo Espírito Santo nas Escrituras.
Cremos em Teu testemunho no batismo e no Teu testemunho tão poderoso na cruz. E nós concluímos que Jesus é o Cristo e que nEle e somente nEle há salvação.
O Teu testemunho é verdadeiro e nós nunca iríamos blasfemar o Teu nome, chamando-Te de mentiroso. Liberta nessa hora qualquer alma que, porventura, se encontre na posição de negar o Teu testemunho, antes de que venha a ser, irremediavelmente, perdida. Desperte cada pessoa aqui que ainda não chegou à verdadeira compreensão de quem é Jesus Cristo.
E que eles possam avidamente e ansiosamente se arrepender de seus pecados e abraçar o Teu testemunho acerca de Teu Filho.
E que possamos ser fiéis em proclamar o Evangelho, como verdadeiras testemunhas.
Esse privilégio é nosso por Tua graça. E queremos cumpri-lo fielmente. É isso que pedimos em nome do Teu Filho. Amém.


Este sermão é uma série de 2:

O testemunho de Deus (1)
O testemunho de Deus (2)


Este texto é uma síntese do sermão “The Witness of God, Part 1”, de John MacArthur em 31/08/2003.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/resources/sermons/62-38/the-witness-of-god-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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