Carta às 7 igrejas: Tiatira

Imprimir
Vivemos em um mundo hostil. A igreja sempre viveu em um mundo hostil, porque o mundo é sempre hostil para com a igreja. E esse é o contexto das cartas que lemos nos capítulos 2 e 3 do livro do Apocalipse.
Há sete cartas contidas no livro de Apocalipse nestes dois capítulos, cartas que o nosso Senhor escreveu a sete igrejas na Ásia Menor (hoje Turquia).

Para cada uma dessas igrejas, o Senhor escreveu uma carta específica, com base na condição de cada igreja e suas necessidades. Em cinco dessas cartas o Senhor trouxe sérias advertências e ameaças.
Essas igrejas eram reais, mas também servem como uma demonstração dos vários tipos de igrejas que existiram ao longo dos séculos, inclusive em nossos dias.

As igrejas podem diferir em alguns aspectos práticos e ênfases doutrinárias, mas não podem diferir na busca pela santidade.
A igreja representa o Senhor Jesus e o Senhor deve ser honrado e glorificado através dela.
A igreja é o povo santo de Deus. Ela deve ser conhecida por exaltar a justiça e condenar a injustiça, por enfrentar o pecado e buscar a santidade.
Mas, infelizmente, esta não tem sido uma realidade, e Tiatira era um exemplo de igreja que estava fraquejando nisto.

A igreja deve ser o lugar onde o Senhor Jesus é exaltado. Ela deve ser “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:27).
A igreja tem que ser intolerante com o pecado. Mas, ao longo dos séculos, o padrão normal da igreja tem afrontado a vontade do Senhor e tem sido de tolerância com o pecado. Foi o caso da igreja em Tiatira.
Existem inúmeras igrejas como Tiatira, que toleram o pecado. E tolerar o pecado, em qualquer grau, é um problema sério para com o nosso Senhor Santo.

Em Tiatira, os males da idolatria e imoralidade sexual não só foram aceitos e tolerados, mas defendidos.
Não apenas permitia o pecado, mas também o incentivava. A gravidade da situação é vista quando Jesus se refere a um envolvimento de muitos com ‘as profundezas de Satanás’.
Havia lá muita coisa louvável, mas também havia essa falha fatal, e esta carta tem por principal finalidade abordar essa falha fatal. Não apenas para eles, mas para todas as igrejas até nossos dias.

Apocalipse 2
18 E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente:
19 Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.
21 E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu.
22 Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.
23 E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.
24 Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei.
25 Mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,
27 E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai.
28 E dar-lhe-ei a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Tiatira não era apenas uma igreja infiltrada pelo mundo, mas uma igreja que tinha absorvido o pecado e o erro, e vivia feliz com ele.
Esse tipo de igreja é comum hoje em dia, como tem sido através de todos os séculos, completamente desobediente às exigências do Senhor da igreja.
O Senhor ordena que a sua igreja seja pura e santa. A tolerância com o pecado, tal como era visto em Tiatira, é uma violação direta do mandamento do Senhor.

A carta para a igreja em Tiatira começa o segundo grupo de mensagens para as igrejas da Ásia.
No primeiro grupo, a igreja de Éfeso foi caracterizada pela lealdade a Cristo e a sã doutrina, mas havia perdido o amor.
Na igreja de Esmirna, a lealdade foi testada pelo fogo e provou ser verdadeira.
Na igreja de Pérgamo, a lealdade era carente de paixão moral, mas essas três igrejas foram fiéis à fé e não haviam se rendido às agressões do pecado.

Não foi assim com a igreja de Tiatira e as igrejas de Sardes e Laodiceia. Não apenas uma minoria tornou-se indiferente à vontade do Senhor, mas a maioria cedeu às influências mundanas e satânicas.
Em Tiatira, os males da idolatria penetraram muito profundamente. E parece ter vindo, aparentemente, através da influência de uma mulher que exerceu alguma liderança.

Esmirna era agredida por uma sinagoga de Satanás. Pérgamo era agredida pelo trono de Satanás, mas Tiatira, como diz o verso 24, mergulhou nas profundezas de Satanás.
Há um fluxo de progressão. Quando o amor é deixado para trás, a transigência progride para a tolerância do pecado.
Quando você diminui seu amor pelo Senhor, você passa a amar mais o mundo, e o mundo se infiltra em sua vida e você passa a tolerar o pecado.

Esta carta é a mais longa das sete, e foi escrita para a menor das sete cidades. Mas ela precisa ser lida muitas vezes em nossos dias, num tempo em que tolerar o pecado é comum.
A tolerância ao falso ensino é comum e o falso ensino é a idolatria, o pecado é a imoralidade. E não pode haver muitas coisas boas em uma igreja assim, há apenas um crescimento numérico.

Em Tiatira houve um crescimento de obras: “… as tuas últimas obras são mais do que as primeiras (v.19).
Em outras palavras, a igreja estava fazendo mais, porém se encontrava em sérios problemas.
Vejamos alguns pontos importantes desta carta.

Primeiro de tudo, Jesus se apresenta como o “Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente (v.18).
“Olhos como chama de fogo, como uma tremenda visão divina, enxergando as falhas fatais da igreja.
“Pés semelhantes ao latão reluzente movendo-se sobre tudo para julgamento. Vimos no capítulo 1 que é uma imagem do juízo.
Não há uma única diferença entre a imagem no capítulo 1 e o que o nosso Senhor diz aqui.

No capítulo 1, Ele não se identifica como o Filho do Homem, mas como o Filho de Deus. Qual é a diferença?
Sendo identificado como o Filho do Homem, temos a questão da sua humanidade, da Sua compaixão, cuidado, intercessão, Seu interesse em nós e Sua compreensão de nossas fraquezas, fracassos e lutas.
Mas agora, de repente, a linguagem é sobre o pleno conhecimento de seus olhos, onisciência e julgamento. Ele se identifica como o Filho de Deus.
Isto enfatiza Sua santidade, transcendência, divindade, e, consequentemente, o seu julgamento.

Este não é um começo encorajador. O poder divino estava prestes a ser lançado contra uma congregação imoral e idólatra. Sua paciência estava esgotada.
O Salvador tornou-se o juiz; o Intercessor tornou-se o carrasco. Isto não é reconfortante, mas ameaçador e temível.

“Tem seus olhos como chama de fogo, é a mesma descrição em Apocalipse 1:14. E em 19:12 temos novamente, quando Ele vem para juízo.
Sua onisciência e aguda visão penetram tudo, consomem toda oposição, destroem toda oposição e exercem um poder invencível para trazer julgamento.
A mesma imagem é dada em Daniel 10:6, onde Deus é descrito com olhos que são como tochas de fogo.

Agora você sabe que está em apuros quando o Senhor te envia uma carta que começa assim.
Tais são os olhos do Filho de Deus que vêem os mais remotos lugares de nosso interior, cada canto do coração e da mente. Não há nada que se oculte a seus “olhos como chamas de fogo.

E os “os pés semelhantes ao bronze reluzente (ou latão reluzente). Temos isto em Apocalipse 1:15. E em 19:15 diz:
“E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.

É uma imagem do juízo devastador. Esta é uma carta que nenhuma igreja gostaria de receber. Este é o julgamento sobre uma igreja que começou a tolerar as coisas profundas de Satanás.
É um texto terrível. Deus não vai tolerar o pecado em Sua igreja. “O julgamento deve começar na casa de Deus” (I Pedro 4:17).

Tiatira estava entre Pérgamo e Sardes, a 40 quilômetros de Sardes e a 65 quilômetros de Pérgamo.  Tinha sido uma cidade romana por algumas centenas de anos. Sua história é uma história de destruições e reconstruções.
Hoje, se você for para esse local, você encontrará uma pequena cidade de cerca de 25.000 pessoas.
Economicamente, a cidade era conhecida pela produção e comércio de um valioso corante chamado púrpura.
Religiosamente, Tiatira não era o centro de qualquer coisa em particular. Havia alguns santuários de adivinhação e um templo a Apolo, considerado o deus principal.

A igreja deve ter sido iniciada a partir do progresso do Evangelho em toda a Ásia (Atos 16 a 19). Temos este relato, durante a estadia de Paulo em Filipos:

“E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:13-15).

Todas as igrejas são uma mistura do real e o falso. Isto é um fato. Mas, neste caso, havia uma tolerância ao comportamento dos pecadores.
Esta igreja desapareceu em algum momento no final do século 2, talvez até antes. O problema era uma mulher que havia trazido a idolatria e a imoralidade.

Antes de olharmos para o problema, temos um elogio no verso 19: “Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.

Não houve nenhuma menção aqui à sã doutrina, como houve em Éfeso. Eles tinham amor, fé, e uma indicação de que eles tinham uma fidelidade à verdade. Eles foram caracterizados por serviço (diakonia).
Havia uma certa perseverança lá. E eles estavam fazendo obras em uma maior extensão do que eles tinham feito antes. A igreja foi crescendo e as suas obras também. Havia vida e obras boas lá.

Mas o pecado era tolerado, aparentemente, pela maioria. Eles tinham um certo ardor e havia um crescimento, mas estavam tolerando o pecado. Eles estavam em grave perigo.
Algumas pessoas consideram legalismo a ênfase na busca da santidade e de se confrontar o pecado, mas isto é apenas o que o Senhor nos pede, nada mais. E, apesar de tudo o que era indicativo de vida lá, a condenação é devastadora.

“Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria (v.20).

A igreja deve ser intolerante para com o pecado, com o falso ensino e com a imoralidade.
Aparentemente, aquela igreja sucumbiu a algum tipo de feminismo e não só tinha uma mulher na liderança, como uma mulher cheia de doutrinas de demônios.

O perigo para esta igreja não era externo, como foi o caso de Esmirna.  O problema era a tolerância para com os falsos mestres. Com o pecado.
Possivelmente Jezabel era o pseudônimo de alguma mulher que estava induzindo a igreja aos mesmos pecados que uma personagem do Antigo Testamento chamada Jezabel, mulher do rei Acabe, fez.

Jezabel, a mulher de Acabe, havia induzido o próprio rei de Israel e os judeus à idolatria e à imoralidade (I Reis 21:25-26).
Jezabel, cujo nome significa “Ball exalta era filha de Etbaal, o rei pagão dos sidônios, um adorador de Baal, casou-se com Acabe, rei de Israel (I Reis 16:31). Ela estabeleceu o culto a Baal em Israel.
Os sacerdotes de Baal eram malignos e pervertidos sexuais. Jezabel trouxe orgias para Israel em adoração a Baal.
Era uma mulher tão maligna que o Senhor disse: “Os cães comerão a carne de Jezabel… E o cadáver de Jezabel será como esterco sobre o campo… de modo que não se possa dizer: Esta é Jezabel (II Reis 9:36-37).

Do mesmo modo que Jezabel fez com Israel, aquela mulher em Tiatira se dizia profetisa, ensinava e enganava a igreja. Ela a conduzia às mesmas práticas idólatras e imorais da mulher de Acabe.
Ao longo da história, vemos que a maioria dos cultos malignos procedeu de mulheres proeminentes.

Como poderia uma igreja sucumbir a isso? Eles sucumbiram por não lidar corretamente com o pecado, com a falsa doutrina e a imoralidade.
E Senhor lhe disse: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu (v.21). Essa é a graça e misericórdia de Deus.

Como é possível que alguém pudesse entrar em uma igreja do primeiro século e convencer as pessoas a viverem uma vida imoral e adorar ídolos?
Como isso é possível? É possível. E continua a ser possível até hoje.

Nos três primeiros séculos, a igreja foi muito atacada pelo antinomianismo, uma heresia que é a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão.
Também foi muito atacada pelo gnosticismo, advindo de filósofos como Platão. Os gnósticos criam que a matéria é essencialmente perversa e que o espírito é bom.
Como resultado desse pensamento, os gnósticos acreditam que qualquer coisa feita no corpo, até mesmo o pior dos pecados, não tem valor algum, porque a vida verdadeira existe no reino espiritual apenas.

De alguma forma, aquela mulher convenceu a igreja que o paganismo dentro da igreja era algo que não causaria problemas à fé.
Em outras palavras, esse ensino era mais ou menos assim: ‘Somos todos pecadores, não podemos fazer melhor. Nós não podemos fazer nada sobre isso. Isto é o que nós somos. Nós estamos na carne, será sempre assim’.
Haverá sempre pessoas que pensam que a graça divina é uma licença para viver no pecado. O Senhor disse-lhe: “Dei-lhe tempo para se arrepender”. Mas não quis se arrepender.

A próxima declaração é muito chocante: “Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos…”. Que declaração!

O que quer dizer, seus filhos? Todos aqueles que seguiam o exemplo dela e praticavam seus atos. Cristo quer que Sua igreja seja pura e Ele pode matar pessoas para que isto seja uma verdade.

Em 1 Coríntios 11:29-30 alguns ficaram doentes e outros morreram por profanarem a mesa do Senhor.
Em 1 João 5:16 é dito que há pecado para a morte, e o Senhor pode decidir tirar a vida de pessoas na igreja, os crentes professos, e talvez mesmo de crentes reais, por causa do seu pecado.
Ananias e Safira foram mortos pelo Senhor no local do seu pecado (Atos 5:1-11). A Igreja não pode tolerar o pecado.

Aquelas heresias diziam que o homem nada pode fazer em relação à força do pecado que está em sua carne.
Eles justificavam seus atos pecaminosos usando hereticamente a Escritura que diz: “Onde o pecado abundou, superabundou a graça (Romanos 5:20).

Qual o impacto da graça de Deus na vida de seu povo?
“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tito 2:11-14).

O Senhor completou sua repreensão com uma afirmação fascinante: “… E todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras (v.23).

Por que Ele disse que “todas as igrejas saberão minha reação contra a tolerância para com o pecado”? Havia muitas outras igrejas como Tiatira e outras se movendo nessa direção.
A morte de Ananias e Safira foi um aviso para todos os outros do que poderia acontecer. E a morte de pessoas naquela igreja seria mais um aviso do que poderia acontecer.
É algo muito estranho o fato de existir igrejas tolerantes com o pecado. É uma afronta ao Senhor da igreja.

Mas o Senhor falou de forma muito clara: “eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras (v.23).
Deus manifestou exatamente isto através do profeta Jeremias:
“Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações (Jeremias 17:10).
Isso, é claro, engloba julgamento futuro e também mais do que isso, trata-se de um julgamento agora.

Falamos sobre a necessidade de reavivamento na igreja. O que seria um verdadeiro reavivamento e qual seu real impacto na igreja?
A igreja ficaria muito séria sobre a santidade e muito séria sobre em lidar com o pecado. Este seria o verdadeiro reavivamento.
Essa é a reforma que nosso Senhor pede. Um novo amor por Cristo, um fortalecimento do compromisso, um apelo muito sério à santidade e uma confrontação do pecado.
Haveria um afastamento da igreja do mundanismo e uma busca incessante de santidade. Esta seria uma verdadeira reforma e um verdadeiro reavivamento.

Agora, tudo isso leva a um mandamento final:
“Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei (v.24).

O Senhor conhece os que são seus, Ele os fará resplandecer como pedras de uma coroa (Zacarias 9:16).
Em Tiatira havia aqueles que rejeitaram as doutrinas malignas e a cultura mundana. O Senhor os conhecia muito bem.

Se você ensina que Deus é indiferente com o pecado e com a desobediência, se você ensina que Deus é tolerante com as manifestações mundanas, você literalmente está mergulhado nas profundezas de Satanás.
Você está ensinando algo que é satânico, profundamente satânico.

Você é salvo para a santidade e para a justiça. O velho homem com suas manifestações tem que estar crucificado. O mundo tem que estar crucificado para você e você para o mundo.
Em Tiatira havia muitos que criam numa fé impregnada com os valores do mundo, uma doutrina satânica que invadiu a igreja.

Nenhum outro encargo o Senhor deu àqueles que rejeitaram a doutrina maligna. Ele apenas ordenou que se mantivessem firmes, retendo a verdade, até que Ele viesse.
E depois vem uma promessa: “E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras…, ou seja, aqueles que têm uma verdadeira fé salvadora. São os vencedores apontados em I João 5:4-5.

A evidência da verdadeira fé em Cristo é a perseverança, obediência e boas obras até o fim. Então, se você demonstrar a autenticidade e a realidade de sua salvação, o Senhor diz que: “Eu lhe darei poder sobre as nações (v.26).
O que isso significa? Você vai reinar com Cristo. Você irá partilhar o seu governo milenar.

Em Apocalipse 1:6 diz que o Senhor “nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre.
Os verdadeiros crentes são um reino de sacerdotes. É reiterado ao longo do livro de Apocalipse que aqueles que pertencem a Cristo reinarão com Ele.
Ele vai governar as nações e a verdadeira igreja irá governar com Ele. Como será este governo?
“E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai (v.27). Uma declaração emprestada do Salmo 2:7-9

É uma coisa incrível pensar sobre este futuro. O mundo está uma bagunça. Cristo está vindo para estabelecer o Seu reino.
Ele virá governar (ou reger). A palavra traduzida como “governará” ou “regerá” (v.27), no original grego é o verbo “poimaino, que significa “apascentar.
Ou seja, Ele usará a vara de ferro para repelir os inimigos, e, como pastor, cuidará das ovelhas.
Ele está dizendo: “Se você for fiel, compartilharei a minha autoridade com você”. Que promessa incrível!

Mas há mais. Não só nos será dado o privilégio de autoridade, mas o versículo 28 diz simplesmente: “Eu vou dar-lhe a estrela da manhã”.
O que é isso? O que é a estrela da manhã? A resposta está em Apocalipse 22:16, que diz:
“Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”.
Ele nos dará tudo o que Deus tem, ou seja, o reino, o Rei.

Assim, Ele finaliza a carta dizendo: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas (v.29).
Você está ouvindo? Você está ouvindo? Se você estiver ouvindo, o que você ouviu nesta carta?

Você ouviu falar sobre uma igreja que estava em plena atividade e que estava crescendo. Uma igreja marcada pelo amor, fé e resistência. Mas uma igreja que deixou o mundo entrar nela.
Eles permitiram que um falso mestre trouxesse a idolatria pagã. E com ele veio a imoralidade.
Esta é uma igreja que está sob julgamento. Esta é uma igreja contra qual o Senhor diz: “Eu posso precisar matar alguns de vocês, para enviar uma mensagem às demais igrejas sobre justiça, santidade e pecado”.

Se você pode escutar, ouça sobre a gravidade de tolerar o pecado na igreja.
Se você estiver ouvindo, você também deve notar que a evidência de ser um verdadeiro crente é não sucumbir diante do que é falso, mas reter a verdade.
E você ouviu também que os verdadeiros crentes retêm a promessa de Deus, a promessa que fala sobre o reino e o Rei que lhe será dado.
Essa é a mensagem de Jesus para a igreja.

Em nossos dias, as igrejas em todo o mundo precisam dar uma olhada para si mesmas e perguntar:
“Será que estamos tolerando o pecado? Será que estamos aceitando a heresia? Será que estamos admitindo o mundo?”.
Se for isto que estamos fazendo, o Senhor está à porta com “olhos como chama de fogo”, o olhar soberano, pronto para julgar, e até mesmo a enviar a morte.
A igreja não pode sucumbir diante da heresia, ele deve ser um lugar de vida, alegria e santidade.

A oração de uma igreja hoje deve ser a súplica para que tenha: A intensidade do amor a Cristo que a igreja de Éfeso perdeu; livrar-se de qualquer comprometimento com o mundo, para não cair no mesmo erro de Pérgamo; e não ter qualquer tolerância com o pecado, como Tiatira passou a ter.
Se assim não for, nunca haverá uma verdadeira reforma, mas somente uma expectativa real do juízo que virá.

Pai, nós Te agradecemos esta noite pela oportunidade de, mais uma vez, abrirmos a Tua Palavra.
E todas as verdades que vimos hoje são muito fortes  e nós temos que proclama-las, porque são palavras Tuas.
E temos prazer de fazer isso, por um lado; mas, é um fardo doloroso do outro, como João no livro do Apocalipse, que disse que a verdade era ao mesmo tempo doce e amarga.
Ela tem que ser proclamada, mesmo que seja dolorosa.

Sabemos o que Tu queres que a igreja seja nesse mundo pagão e hostil.
Tu queres que ela seja marcada pelo amor por Ti, amor a Cristo – ardente, apaixonado, amor zeloso pelo Salvador – pela separação completa do mundo, pelo amor à santidade e pela intolerância para com o pecado.
Nós oramos, Senhor, que Tu nos conceda a graça e o poder de ser esse tipo de igreja que o Senhor recomenda, que sejamos os tipos de santos que, coletivamente, em conjunto, como uma congregação, podemos reivindicar a promessa de que um dia vamos receber o reino e o rei.
O reino será nosso e nós reinaremos com Ele; e o rei será nosso para sempre.
Agradecemos ao Senhor por essas promessas. Ajuda-nos a sermos fiéis. Nós te louvamos, em nome de Cristo. Amém.


Este sermão é uma série de 7:

Carta às 7 igrejas: Éfeso
Carta às 7 igrejas: Esmirna
Carta às 7 igrejas: Pérgamo
Carta às 7 igrejas: Tiatira
Carta às 7 igrejas: Sardes
Carta às 7 igrejas: Filadélfia
Carta às 7 igrejas: Laodiceia


Este texto é uma síntese do sermão “The Lord’s Word to His Church: Thyatira”, de John MacArthur em 04/10/2015.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-475/the-lords-word-to-his-church-thyatira

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *