Carta às 7 igrejas: Pérgamo

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Hoje à noite, vamos fazer uma viagem. Decolaremos no livro de Levítico, voaremos por toda a Bíblia e pousaremos em Apocalipse.
Por que estudar o livro de Apocalipse começando no livro de Levítico? É uma pergunta justa. A maioria das pessoas não sabe muito sobre o livro de Levítico.
O livro de Levítico é a instrução para os sacerdotes em Israel, para que pudessem conduzir o povo de Deus em adoração adequada.

Todo o livro de Levítico foi dado por Deus a Moisés para a nação de Israel, enquanto eles estavam acampados ao pé do Monte Sinai (Levítico 27:34).
Foi escrito no segundo ano do êxodo do Egito, quando Israel ainda estava muito distante de entrar na Terra Prometida.
O livro de Levítico é a instrução de Deus para o Seu povo recém-resgatado do Egito. O povo foi escravo no Egito durante centenas de anos e havia sido envolvido em uma cultura pagã.

O Egito era uma terra de divindades quase infinitas. O conceito de culto, por parte de Israel, foi distorcido e obscurecido. Israel tinha sido exposto à loucura da adoração de ídolos no Egito.
Sua tendência, como um povo, era manter a crença em vários deuses (politeísmo), apesar de declarar que obedeceria a Deus, tendo cumprido as ordens divinas, a fim de se prepararem para o anjo da morte, e por causa desta obediência foi que o povo sobreviveu e foi conduzido para fora do Egito por Moisés.
Mas, enquanto Moisés recebia a Lei de Deus (Êxodo 20), os hebreus construíram um bezerro de ouro (Êxodo 32), para praticar a idolatria.

Bem, Deus não iria lhes permitir viver e adorar como os egípcios. Deus não toleraria qualquer idolatria ou imoralidade, e assim Deus dá a revelação do livro de Levítico, para definir detalhadamente o culto aceitável a Ele.
Os capítulos 1 a 16 de Levítico (em mais de 125 vezes), Deus instrui o povo a ser puro, e ao mesmo tempo o acusa por qualquer impureza.
Assim, nesta porção do Livro de Levítico, o assunto é a pureza. Trata-se de confrontar o pecado, ordenando o arrependimento e o sacrifício apropriado.

Dos capítulos 17 a 27 temos a instrução sobre os assuntos de santidade pessoal.
Então, no capítulo 18, estamos na seção que dá instruções sobre matérias relacionadas com a santidade pessoal. O motivo é sempre o mesmo: “Santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus. E guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor que vos santifica” (Levítico 20:7-8).
Isso aparece de novo e de novo e de novo. Na verdade, cerca de cinquenta vezes no livro de Levítico a santidade é ordenada às pessoas, porque Deus diz: “Eu sou santo”. Então, Levítico é essencialmente um manual para a verdadeira adoração.

Agora, por que eu estou dizendo tudo isso? Entenda bem o contexto:
Aquele povo (cerca de 2 milhões de pessoas) foi resgatado do Egito por Deus. Deus operou maravilhas diante deles e de Faraó.
Então, Deus trouxe aquele povo ao deserto e deu-lhe a Sua lei e todas as instruções de adoração.

“Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou o Senhor vosso Deus. Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor vosso Deus. Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Senhor” (Levitico 18:1-5).

Deus está dizendo: ‘Agora vocês são povo do Deus vivo e verdadeiro. Vocês só podem adorar um só Deus, o único Deus verdadeiro. Vocês não podem se comportar como os egípcios ou como cananeus’.

Na sequência, temos uma série de advertências de Deus sobre pecados e impurezas sexuais, tais como homossexualismo, adultério, bestialidade, incesto, sensualismo e nudez.
Por que tudo isso? Porque este era o comportamento visto no Egito. Este era o comportamento dos povos que ocupavam Canaã.
Deus disse: “Portanto guardareis o meu mandamento, não fazendo nenhuma das práticas abomináveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com elas. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 18:30).

E logo adiante, Deus diz: “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. Não vos virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 19:2,4).

O que é isso? Esta é uma chamada para separação: uma separação da cultura pecadora, pagã, da imoralidade sexual especificada no capítulo 18.
E a razão era porque aquele povo pertencia a um Deus Santo, Santo, Santo. E Deus quis definir isso em suas mentes, para sempre.

Quando você vem para o Novo Testamento, você lê coisas como estas:

“… A amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (I João 2:15).

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).

Infelizmente, a igreja moderna está trabalhando muito duro para ser parecida com a cultura mundana, em vez de fugir dela.
A igreja tornou-se amistosa ao pecador, em vez de confrontá-lo. A igreja moderna parece ter tomado o caminho de se tornar um ambiente familiar ao pecador nas trevas.

O projeto de Deus para seu povo redimido é de uma postura que se opõe completamente ao mundo.
Este povo não fala como o mundo fala e não tem os hábitos e valores do mundo. O ambiente no meio do povo de Deus tem que ser um ambiente completamente estranho àqueles que estão separados de Deus.

Como chegamos a isto? Bem, eu acho que nós poderíamos dizer que existem correntes filosóficas que nos empurraram nessa direção, como o pragmatismo e o utilitarismo.
O pragmatismo é essencialmente uma corrente de ideias que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático. Ou seja, considera o valor prático como critério da verdade.
O utilitarismo diz: O que quer que traga felicidade tem utilidade. Qualquer coisa que apresente um obstáculo a essa felicidade é inútil.

A igreja, estranhamente, comprou a filosofia do pragmatismo e do utilitarismo e decidiu que se ela atrai uma multidão, capta a atenção das pessoas, é bom; e se essa estratégia funciona, vamos usá-la, mesmo que ela não implique uma separação do mundo.
Assim, a igreja se adaptou ao mundo pagão. Os líderes na igreja falam mais sobre métodos do que sobre a Verdade. Eles falam menos sobre doutrina e mais sobre a estratégia.

À medida que o mundo pagão torna-se mais hostil à verdade de Deus, mais hostil ao povo de Deus, as igrejas procuram se identificar com o mundo, abrindo mão da verdade. Essa igreja não quer ser perseguida, rejeitada e ignorada, assim corteja o mundo e se assemelha a ele.

Olhando para Apocalipse 2, vemos que a igreja de Pérgamo é a terceira igreja mencionada neste capítulo. As demais são Éfeso, Esmirna, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
Eram sete cidades importantes da Ásia menor (atual Turquia). Em cada uma dessas cidades, uma igreja tinha sido estabelecida.

O apóstolo João estava familiarizado com essas igrejas, porque ele era um pastor em Éfeso, que era uma espécie de igreja-mãe das outras igrejas.
O apóstolo João estava preso na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Apocalipse 1:9).
Naquela ilha havia uma colônia penal e João ficou lá quebrando rochas até a sua morte.
Ali o Senhor dá a João a revelação do livro do Apocalipse, incluindo uma carta a cada uma destas sete igrejas.

A carta a igreja de Éfeso, o Senhor a exaltou sobre tantas coisas boas, mas finalizou dizendo:
“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Apocalipse 2:4-5).
A igreja de Éfeso estava deixando de ser um incômodo para as trevas. E seu castiçal foi de fato removido.

A Esmirna o Senhor diz: “Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico)… Nada temas das coisas que hás de padecer… Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:9-10).
Essa foi uma igreja fiel; nem uma repreensão. Eles foram perseguidos até a morte. Seu pastor, um homem chamado Policarpo, foi queimado na fogueira. Eles foram fiéis.

Apocalipse 2
12 E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios:
13 Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.
15 Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio.
16 Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.

Pérgamo ficava cerca de 160 quilômetros ao norte de Éfeso, na Ásia Menor (atual Turquia). Esmirna ficava quase na metade do caminho entre Éfeso e Pérgamo.
Pérgamo não estava em alguma rota comercial importante. Não era uma cidade portuária, no entanto, foi considerada, por alguns, como maior cidade da Ásia.
O escritor romano Plínio, chamou-a de ‘a cidade mais ilustre na Ásia’. Séculos antes de Cristo, Pérgamo tinha sido a capital de um império independente por 250 anos, quando o último rei independente legou à cidade para Roma.

Pérgamo sobrevive até hoje. Na Turquia você vai encontrar as suas ruínas perto de um lugar chamado Bergama.
O que era mais notável em Pérgamo era a existência de 200.000 volumes em sua biblioteca, escritos à mão. Diz-se que a biblioteca em Pérgamo perdia apenas para a biblioteca em Alexandria.
Devido à sua enorme biblioteca, foi um importante centro de cultura e aprendizagem.
O médico Galeno de Pérgamo, que só perdeu em importância para Hipócrates, nasceu e estudou em Pérgamo.

A cidade viu-se como uma defensora da cultura grega na Ásia Menor. Havia um altar enorme para Zeus lá.
Foi um importante centro de culto. Havia uma série de divindades lá do mundo greco-romano.
Havia templos dedicados a Athena, Asclepius, Dionísio, e Zeus. Mas, ofuscando todos aqueles, havia um edifício enorme dedicado ao culto de adoração ao imperador romano Domiciano.
Pérgamo, aparentemente, havia construído o primeiro templo dedicado ao culto ao imperador na Ásia, em 29 aC, em homenagem ao imperador Augusto.

Os cristãos estavam em grave perigo. A cidade estava cheia de idolatria e imoralidade. Os cristãos eram alvos de dura perseguição.
Um dia por ano, as pessoas eram obrigadas a oferecer um sacrifício ao imperador; e se não o fizessem, morreriam.
Se um cristão dissesse “Jesus é o Senhor” e não oferecesse sacrifício a César, poderia ser assassinado. É provável que Antipas, no versículo 13, foi martirizado por recusar-se a adorar o imperador.
Pérgamo era um lugar vil, idólatra, embrutecido e imoral. Mas era altamente educado e satisfeito consigo mesmo.

Não temos nenhum registro da fundação da igreja em Pérgamo. De acordo com Atos 16: 7-8, Paulo, em sua segunda viagem missionária, passou por Mísia, lugar que era muito próximo a Pérgamo.
Atos 19:10 fala sobre dois anos de Paulo em Éfeso e diz que “todos os que viviam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos”. Talvez tenha sido neste momento que a igreja tenha se estabelecido ali.

A igreja foi estabelecida ali, num ambiente envolto de paganismo, imoralidade, idolatria e perigo iminentes.
Eles haviam sido resgatados para fora daquela cultura maligna, mas a pressão exercida pelo mundo era muito forte.
Naquela cidade não havia separação entre a religião idólatra e a vida social. Era tudo a mesma coisa. Todos os eventos, festivais, festas, cerimônias, e celebrações estavam ligados à adoração de falsos deuses e a imoralidade.
Levantar-se contra isto e sair fora disto era uma coisa dramática, muito dramática.

E assim, eles estavam vivendo neste ambiente infestado por forças maciças do paganismo, lutando contra seduções e perseguições, em cumprimento do que Pedro havia escrito trinta anos antes:

“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (I Pedro 4:17).

Pedro disse que o julgamento começa primeiro pela igreja; e o julgamento iria começar com a igreja de Pérgamo.
Este tom de julgamento aparece aqui pela primeira vez. Claro, há uma declaração sobre a igreja em Éfeso, que deixou seu primeiro amor, mas isso é muito diferente. Esta carta inteira veio por meio de uma forma muito marcante desde o início.

Para a igreja em Éfeso, Jesus se identificou como “Aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro”. Isso é muito encorajador.
Ele detém os pastores da igreja em sua mão e ele se move entre os castiçais de ouro, representando a sua igreja. O Senhor está vivo e trabalhando em Sua igreja, e que sustenta os líderes.

À igreja de Esmirna, outra introdução encorajadora: “o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”. Ou seja, Aquele que tem o poder de vida. Aquele que é o princípio e o fim. Outra introdução encorajadora.

Mas, Jesus se apresenta a Pérgamo de outra forma: “Aquele que tem a espada aguda de dois fios”, mesma descrição encontrada no verso 16 do primeiro capítulo. Isto não é um tanto encorajador.
Pense se você recebe uma carta desta. Naturalmente você se perguntaria o que seria aquela espada.
E a resposta sobre a finalidade daquela espada está no mesmo livro do Apocalipse, numa descrição sobre Jesus.

“E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso” (Apocalipse 19:15).

É uma arma. Esta não foi uma introdução promissora. Jesus se identifica a Pérgamo como Aquele que empunha uma arma mortal. É uma ameaça. Uma introdução aterrorizante.

Pérgamo não estava apenas em perigo por causa do mundo, mas Pérgamo estava em maior perigo diante do Senhor, por não se separar do mundo.
Desastres e perigos estavam ao redor deles naquela cultura, mas um temível desastre pairava sobre eles, vindo do céu.
Pedro escreveu que o julgamento começa pela casa de Deus, portanto esta é uma carta de julgamento para uma igreja mundana, uma igreja que não se separou do mundo.

Agora, vamos dar-lhe quatro pontos para se pensar. Primeiro, é elogio, louvor.
“Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” (v.13).

Você diz: “Bem, o que é isso?”. Satanás é proeminente lá, muito proeminente. Seu trono está lá, o Senhor diz.
A igreja de Esmirna teve de lidar com a sinagoga de Satanás, que era de judeus. A igreja de Pérgamo tem de lidar com um trono de Satanás, que era de gentios.
Satanás é o arqui-inimigo da igreja. Ele implacavelmente assalta a igreja com hipócritas, falsos mestres, tentação e perseguição.
Aquela pequena igreja estava literalmente travando uma guerra na sede de Satanás.

O que exatamente isso significa? O que o Senhor está dizendo? Havia ali um altar a Zeus, o deus romano da guerra.
Era algo muito mais que um altar. Era enorme. Era um grande tribunal em forma de ferradura.
Tinha um altar real no meio. Sua estrutura descrevia a batalha dos deuses e gigantes. Era um edifício enorme para Zeus. Uma das grandes obras de arte do mundo grego.
Tudo aquilo era dedicado a Satanás. Não há Zeus; há apenas Satanás. É um altar para Satanás. Foi o trono de Satanás.

Havia também um monumento incrível para Asclépio, o deus da cura.
A ideia era que esse deus poderia curar as pessoas de todas as suas enfermidades, e as pessoas vinham de todo o mundo para o templo de Asclépio.
Asclépio foi descrito como uma serpente (uma figura de Satanás). Você pode vê-lo hoje na figura que representa a medicina, que tem como símbolo uma serpente.
Nesse templo, cobras não venenosas viviam por toda parte. Se você quisesse ser curado, você deveria ir ao templo, dormir no chão, na esperança de que as cobras rastejassem sobre você, invocando o poder de cura de Asclépio.

Havia também o culto ao imperador, que realmente dominou tudo. Era a influência mais poderosa em Pérgamo.
Durante o reinado de Diocleciano, alguns cristãos foram executados, por não obedecerem ao imperador e não esculpirem imagens de Asclépio.
A combinação de toda essa massa de idolatria formava “O trono de Satanás”.

Apesar de todo o poder e influência satânica, há uma declaração maravilhosa, por parte de Jesus: “Reténs o meu nome, e não negaste a minha fé”.
Eles se firmaram em Cristo e não negaram a fé. Estavam sofrendo por causa do testemunho de Cristo.

Isso não é subjetivo. Essa é a fé. Eles foram fiéis a Cristo e à sã doutrina. Eles amavam a Cristo, tal como João amava.
Na verdade, eles eram tão fiéis a Cristo e à sã doutrina, que, Antipas, provavelmente seu pastor, foi morto por causa do testemunho fiel. A morte de Antipas aconteceu no reinado de Domiciano (anos 81 a 96).

Registros dizem que Antipas foi capturado e levado para o templo de Ártemis, onde foi lançado dentro de um ardente touro de bronze vermelho, onde usualmente ocorriam os sacrifícios.
Pérgamo era um lugar terrível para um cristão viver. A cruel oposição à igreja era uma realidade ininterrupta.

Mas, depois do elogio vem uma condenação, versículo 14-15:
“Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem. Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio”.

“os que seguem a doutrina de Balaão”. Balaão significa “um corruptor de pessoas”; “um tragador de pessoas”. Balaão significa “um louco”.
De acordo com Deuteronômio 23:4-6, é um personagem do Antigo Testamento. Ele era um famoso feiticeiro, vindo de um lugar chamado Petor, na Mesopotâmia.

Ele estava ciente do Deus de Israel, por causa do que Deus tinha feito em libertar o Seu povo do Egito.
Mas, Balaão era um típico feiticeiro, fazia tudo por dinheiro. Os capítulos 22 a 24 do livro de Números relata bem sua ação. Ele foi morto em uma batalha com os midianitas (Números 31). Ele teve uma carreira curta.

Israel havia chegado, em suas andanças pelo deserto, nas fronteiras de Moabe. Estava no final de sua caminhada.
O rei de Moabe era um homem chamado Balaque, que tinha medo de Israel e que sabia o que Deus tinha feito por Israel.
E assim, Balaque considerou buscar auxílio de um feiticeiro para lançar uma maldição sobre Israel. Ele recorre a Balaão, temendo perder as terras que Deus havia prometido para Abraão.

Você se lembra da história. Três vezes Balaão tenta amaldiçoar Israel, mas não obteve sucesso, pois Israel estava sob a benção divina (Números 22 a 24).
Assim, ele desenvolve uma outra estratégia: corromper os hebreus, usando mulheres moabitas para seduzir os homens em casamentos mistos.
Assim, ele conseguiu introduzir a idolatria e a imoralidade. Eles voltaram a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a cometer idolatria, coisas que tinham visto no Egito.

A maldição não funcionou, mas a corrupção sim. A união blasfema com o mundo, com as trevas, com os falsos deuses, com a imoralidade e o pecado destruiu o poder de Israel e retirou a sua proteção.
O plano foi bem sucedido. No entanto, não na medida em que o rei de Moabe esperava. Deus interveio, severamente castigando Israel e os líderes (Números 24).

Assim, o que nosso Senhor está dizendo para os crentes em Pérgamo é: ‘Vocês têm algumas pessoas lá que estão agindo como Balaão, e eles estão seduzindo alguns a voltar para a cultura mundana e participar de sua idolatria e imoralidade’.
Alguns em Pérgamo estavam caindo nos chamados enganadores da cultura do diabo.

Em termos práticos, o que lhe parece? Alguns na igreja de Pérgamo estavam frequentando festas pagãs com a devassidão, imoralidade, o incesto, homossexualidade, bestialidade, e, em seguida, reunindo-se com a igreja.
E, aparentemente, a igreja não tinha tomado medidas para enfrentar e corrigir isto.

E, em segundo lugar, versículo 15: “Tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio”.
A melhor maneira de descrever os que seguiam a doutrina dos nicolaítas é que incorriam no mesmo pecado que aqueles que seguiam o erro de Balaão. O objetivo era atrair as pessoas de volta para o mundo.
Ou seja, trazê-los de volta de onde tinham sido resgatados; de volta para a cultura mundana, de volta para a idolatria, de volta para as formas de pensamento e comportamento de onde tinham sido libertos.
Eles queriam a igreja corrompida pelo compromisso com o mundo, ou seja, cristãos que participam dos pecados do paganismo, cristãos envolvidos com o mundo.

Dois dos primeiros Pais da Igreja, Irineu e Clemente de Alexandria, escreveram o seguinte sobre os nicolaítas:
“Eles vivem uma vida de indulgência desenfreada, abandonando-se ao prazer como cabras, levando uma vida de autoindulgência (perdoando seus próprios pecados)”.
A igreja de Pérgamo continha pessoas que viviam como os pagãos. A igreja tinha tolerado este ensinamento, corrompendo a casa do Senhor. Eles não foram separados.

Em seguida, vem uma advertência: “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (v.16).
Ou seja, “arrepende-te, pare de tolerar o mundanismo, pare de tolerar o jugo desigual”.

Se há pessoas no meio da igreja comprometidas com a cultura mundana, elas devem ser confrontadas.
A igreja não pode deixar de excluir incrédulos da comunhão do corpo de Cristo.
A igreja deve se alegrar quando os perdidos vêm a ela ouvir a mensagem do Evangelho, mas somente os verdadeiros filhos de Deus podem ter comunhão com a igreja.

E a igreja deve enfrentar professos crentes que estão vivendo pecaminosamente e que adotam os costumes do mundo. Eles têm que ser confrontados.
A igreja deve fazer isso. E se ela não fizer, estará diante da espada do juízo.
Ela não somente terá que enfrentar os danos do mundo dentro dela, mas também o Senhor virá sobre ela com duro juízo.
A igreja não pode deixar de proclamar a verdade e de aplicar esta verdade na vida das pessoas.

Finalmente, depois de um elogio, uma condenação e uma ordem, vem agora um compromisso:
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (v.17).

No final de quase todas as cartas, o Senhor diz: “Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Ou seja: ‘Todos os crentes, em todos os tempos, em todos os lugares, em toda a história, ouçam isso. Se seus ouvidos estiverem abertos para o Senhor, escute. Arrependa-se’.

E depois vem aqui esse magnífico compromisso: “Ao que vencer”. O que é isso?
“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (I João 5:4).
Esses são os vencedores, em virtude da verdadeira fé. Não são apenas crentes professos, mas crentes verdadeiros.
E O Senhor faz um compromisso com esses vencedores para lhes dar três bênçãos ou recompensas.

Primeiro: “Comer do maná escondido”. O maná era o pão de mel que o Senhor colocava no deserto, diante do povo hebreu, dia após dia, para alimentá-los.
É o sustento sobrenatural, alimento sobrenatural. Ele encontra o seu ponto culminante em Cristo, que é o Pão da Vida (João 6:35,48).
A promessa tinha relação com o pão no deserto que alimentou Israel através da sua peregrinação no deserto. Esse pão foi preservado em um frasco, como um memorial, que foi então colocado dentro da arca da aliança para que as pessoas não esquecessem do maná (Hebreus 9:4).
Deus proverá todo o seu sustento, pois o Pão da Vida é o Senhor Jesus Cristo. A promessa garante que seremos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Efésios 2:6).

Em segundo lugar: “Eu lhe darei uma pedra branca”. A melhor compreensão disto é no mundo antigo do atletismo, onde vencedores recebiam uma pedra branca, como o símbolo de sua vitória.
O verdadeiro crente receberá, como mais que vencedor, um prêmio sem igual, o acesso pleno a toda glória eterna.

Mas há mais uma observação: “e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (v.17).
Já me perguntaram: “O que é esse nome?”. Ninguém sabe. Por quê? É um novo nome que o identifica.
O vencedor terá seu nome gravado sobre a pedra, e que seria o seu acesso a toda a regalia que pertence àqueles que triunfaram. O Senhor vai dar-lhe um novo nome.

“Quando Cristo se humilhou, Deus O exaltou e Lhe deu um nome acima de todo nome” (Filipenses 2:8-9). Os vencedores em Cristo terão um novo nome dado por Deus. Eles terão acesso à ceia das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19:7-9) e a todas as alegrias do céu.
Cada um de nós é uma pessoa conhecida do Senhor. Como Ele diz o verso 13: “Antipas, minha fiel testemunha”.
O Senhor conhece os que são seus. E, a propósito, pode ser o nome que Ele escreveu no Livro da Vida do Cordeiro, antes da fundação do mundo.

Assim, a igreja de Pérgamo enfrentou uma crise. A igreja apegou-se a Cristo e à sã doutrina, mas permitiu o mundo dentro dela.
Foi dito a ela: ‘Arrependa-se, remova o mundo, caso não, virei com a espada do juízo!’. Que advertência!

É tremendo sabermos que o Senhor promete, àqueles que confiam verdadeiramente em Cristo, uma pedra com um novo nome, e que através dela, teremos acesso a todas as alegrias eternas. Seremos conhecidos com um nome que será apenas nosso.

Pai, nós Te agradecemos por termos sido capazes de olhar para este texto esta noite.
As implicações, é claro, são de longo alcance; e, certamente, como uma igreja, queremos ser a igreja que é fiel apesar de estar no meio do paganismo.
Nós não queremos ser uma igreja onde as pessoas deixam seu primeiro amor.
Nós não queremos ser uma igreja onde as pessoas participam do mundo e de suas corrupções e idolatrias.
Queremos ser fiéis. Queremos ser penitentes. Queremos confrontar o pecado, lidar com o pecado graciosamente, amorosamente, felizmente, mas diretamente.
Não posso nem imaginar que o Senhor possa vir e fazer guerra contra nós, porque temos cortejado o mundo.
Que possamos ser tão distintos do mundo, de modo que possa ser manifestamente evidente que fomos resgatados dele e de todos os seus ídolos, e de toda a sua imoralidade, e de toda a sua corrupção.
Esta é a igreja que desejamos ser para a Tua glória. Nós Te pedimos em nome de Cristo. Amém.


Este sermão é uma série de 7:

Carta às 7 igrejas: Éfeso
Carta às 7 igrejas: Esmirna
Carta às 7 igrejas: Pérgamo
Carta às 7 igrejas: Tiatira
Carta às 7 igrejas: Sardes
Carta às 7 igrejas: Filadélfia
Carta às 7 igrejas: Laodiceia


Este texto é uma síntese do sermão “The Lord’s Word to His Church: Pergamum”, de John MacArthur em 06/09/2015.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-474/the-lords-word-to-his-church-pergamum

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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