O chamado de Pedro – 2

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Este texto é parte de uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos. Veja os links dos demais textos no fim desta página.

Bem, eu não sei sobre você, mas eu estou amando cada semana nesse vislumbre do Evangelho de Lucas. Para mim ainda é mais gratificante, porque o que compartilhamos aqui em cerca de uma hora, demanda cerca de quinze a dezoito horas de meditação e estudo de minha parte, no decorrer da semana.
E que alegria e prazer é estudar em profundidade este tremendo Evangelho!
Eu só gostaria de poder compartilhar com você tudo o que eu estou aprendendo.

Estamos no capítulo 6 do Evangelho de Lucas. Estamos aqui para a verdade, retendo a palavra da vida, que é a Bíblia, a Escritura. E proclamar a Palavra de Deus verso por verso.

Nós nos encontramos em Lucas 6:12-16, o ministério de Jesus está acontecendo. Ele tem muitos discípulos a segui-Lo agora.
Discípulo é a palavra “mathetes” em grego e Significa “um aprendiz”. Havia muitas pessoas seguindo e aprendendo com Jesus.
Mas, neste momento, Ele decide selecionar doze deles para torná-los apóstolos, treiná-los para serem pregadores, essencialmente.
A sua responsabilidade vai ser levar o Evangelho por toda a Jerusalém, Judéia, Samaria e os confins da terra.

Eles são identificados nesta passagem, a saber: Simão (chamado Pedro), André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu (Natanael), Mateus, Tomé, Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) Judas (filho de Tiago), e Judas Iscariotes, que se tornou o traidor.

E nós temos visto, através do estudo da Escritura, que Deus sempre tem que fazer Sua obra através de pessoas indignas e incapazes, porque esse é o único tipo de pessoas que Ele tem para usar.
A razão para isso é que a obra de Deus é espiritual, divina, sobrenatural, milagrosa e eterna.
E os seres humanos não têm capacidade natural para fazer esse tipo de trabalho. O melhor que podemos fazer, com nossas habilidades, são coisas terrenas que não têm impacto na eternidade.

Então, se Deus vai usar os humanamente incapazes para um trabalho espiritual, sobrenatural e eterno, algo dramático tem que acontecer a essas pessoas.
Tem que haver uma transformação real e tem que haver uma infusão de poder divino. E assim, Deus está no negócio da transformação.

Tendo determinado a fazer Sua obra através de pessoas, Deus tem de ultrapassar as limitações naturais delas, suas deficiências e realizar uma obra eterna através de um agente temporal.
E Deus não tem ninguém para trabalhar, senão os seres humanos. Isso foi planejado por Ele. E, curiosamente, de todos os seres humanos que Ele pode escolher para trabalhar, geralmente escolhe os menores.

“Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (I Coríntios 1:26-27).

Ao escolher aqueles que Ele chama para fazer Sua obra sobrenatural, divina, miraculosa, espiritual e eterna, Ele tem de lidar com seres humanos.
Mas, Ele ignora os escalões superiores, a elite, os nobres, os influentes e os ricos. Ele geralmente opta pelas pessoas no baixo escalão dos homens.
Dessa forma, Ele coloca em vergonha os sábios e traz glória a Ele, porque quando você olhar para as pessoas que Ele usa, a única conclusão será que é Deus quem está fazendo e não eles.
Tem sido sempre o caminho de Deus. Ele não tem ninguém para usar, senão homens e mulheres imperfeitos e pecadores. E ele parece escolher aqueles que são tão improváveis, para que o poder seja claramente de Deus e não nosso.

Quer dizer, basta olhar para história. Ele escolheu Noé para ser o pai da nova humanidade depois do dilúvio.
Mas, logo depois de Deus ter salvado Noé e sua família do dilúvio que julgou a humanidade, Noé ficou bêbado e agiu de forma grosseira e indecente.
E, então, houve Abraão. Deus escolheu Abraão para ser o pai de Israel, para ser o pai da raça de pessoas através das quais o Redentor viria e para quem a Palavra de Deus seria revelada.
Deus escolheu Abraão para ser o pai dos fiéis, mas foi Abraão quem duvidou de Deus, mentiu sobre sua esposa, cometeu adultério com sua empregada e trouxe conflitos no mundo que estão em curso até hoje.
Você pode ler sobre tais conflitos em todos os jornais, todos os dias, no Oriente Médio.

O filho da promessa nasceu para a família. Seu nome foi Isaque. Este era um outro indivíduo imperfeito, que disse uma mentira semelhante a do Pai, sobre sua esposa.
Em seguida veio Jacó, que se aproveitou da fraqueza de seu irmão, Esaú, e lhe extorquiu o direito de primogenitura.

E então, Deus escolheu um homem por quem, ou a quem, Ele revelaria a Sua lei, e, através dele, para seu povo. O nome do homem era Moisés e este era um assassino e orgulhoso.
De fato, em um ato de orgulho ele feriu a rocha e a água veio, quando Deus lhe disse para falar para a rocha.
Ele estava tentando ganhar para si mesmo algum prestígio, em vez de falar como Deus lhe tinha dito e deixar as pessoas saberem que foi Deus quem abriu a rocha e trouxe a água.

Em seguida, houve o seu irmão Arão, a quem Deus escolheu para ser o primeiro sumo sacerdote. E foi Arão quem conduziu o povo de Israel a erigir um bezerro de ouro para uma adoração idólatra.
Ao descer do monte, Moisés quebrou as tábuas da lei, em um ato de ira conta o que seu irmão tinha feito.

Moisés foi substituído como líder por Josué. Este desobedeceu ao Senhor, fazendo um tratado com os gibeonitas, em vez de destruí-los como Deus lhe havia dito.
Então, mesmo Gideão, que tinha tão pouca confiança em si mesmo e muito menos confiança no plano e no poder de Deus, ainda é conhecido como um grande líder.
E então houve Sansão, que foi um herói em quase todas as medidas no Antigo Testamento, mas foi enganado por Dalila, por causa de seu grande desejo por ela.

Davi, foi o escritor das doces canções de Israel, mas cometeu adultério e assassinato, foi um fracasso quase total como pai, nunca teve permissão para construir o templo de Deus, porque ele era um homem de sangue.
E então houve Elias, o grande profeta, alguns dizem que o maior profeta, que destemidamente estava diante de 850 falsos profetas de Baal. Era invencível, mas covarde diante de uma mulher, Jezabel.
Em seguida, houve Ezequiel que era impetuoso, duro e rápido para dizer o que pensava.
E então houve Jonas, o profeta relutante que desafiou o chamado de Deus para pregar aos ninivitas. E quando ele finalmente pregou, todos eles se arrependeram, mas ele ficou bravo com Deus.

Depois, houve o apóstolo Paulo, no Novo Testamento, que, mesmo no final de sua vida, disse que ele era o principal dos pecadores.
E houve Pedro, que será nosso tema nesta manhã, o líder dos doze que foi tão fortemente influenciado por Satanás, que Jesus o chamou de Satanás.
E foi Pedro, que negou Jesus, na negação mais flagrante e ultrajante registrada no Novo Testamento.

Isso é como é no reino. Estes são apenas seres humanos. E como todo o resto de nós, eles têm todos os elementos da natureza caída.
Além da breve história do Filho de Deus na Terra, Deus só tem trabalhado através de pecadores indignos e incapazes.

João Batista foi o maior homem que havia vivido, segundo disse Jesus (Mateus 11:11). Ele estava acima de todos os demais do Velho Testamento.
Sem dinheiro, sem poder político, sem status social, nenhuma posição religiosa, sem guarda-roupa, sem casa, ele vagava nos desertos como um nômade sem-teto, vestido de pele de camelo, comendo gafanhotos e mel silvestre.
E Jesus disse que ele era o maior homem que já havia vivido.
A Bíblia não diz nada sobre o seu intelecto, sua metodologia e sobre suas técnicas. Ele foi o maior homem que já viveu simplesmente porque a ele foi dado o maior ministério que qualquer homem já teve, que era de anunciar a chegada do Messias.

Você vê, a definição da grandeza tem a ver com a mensagem que se anuncia. O maior homem seria aquele que proclamou a maior mensagem.
Tem pouco a ver com o homem e tudo a ver com a sua mensagem. Tem pouco a ver com a capacidade do homem e talentos, e tudo a ver com a maneira como Deus lhe usou.
Foi a maneira que Deus usou Noé que o fez grande, assim como a Abraão, Isaque e Jacó, Moisés, Arão, Josué, Gideão, Sansão, Davi, Elias, Ezequiel, Jonas, Paulo e Pedro e os demais apóstolos.
Foi a maneira como Deus lhes usou que os fez homens notáveis, lembrados na história. Não é o próprio homem, é a maneira que Deus usa o homem.

E o Novo Testamento não ensina a líderes cristãos seguirem os métodos ou os estilos dos apóstolos. Ele não diz isso.
Ele mesmo não dá quaisquer detalhes sobre suas estratégias para a evangelização ou para outros tipos de ministério.
A verdade é que todos aqueles que Deus usou, através das Escrituras, inclusive os apóstolos, a questão nunca foi metodologia, estratégia, mas a questão sempre foi poder, poder, e o poder sempre vem do Senhor.

O que fez os apóstolos poderosos é o mesmo que fez o resto dos heróis da fé poderosos, todos aqueles que são listados no capítulo 11 de Hebreus.
O que os fez todos heróis não foi o que eles eram em si mesmos, mas o que Deus os fez ser.
E tudo se resume a duas coisas: eles tinham um tremendo poder espiritual e foram os agentes da verdade. E isso é essencialmente resume um ministério.
É tudo sobre a verdade divina pelo poder do Espírito. É tudo sobre a Palavra e ação do Espírito em nós.
É tudo em torno da Palavra de Deus, a Bíblia, o Espírito operando através de seu agente, o instrumento.

Enfatizando métodos, enfatizando técnicas, enfatizando estratégias… a literatura cristã está infestada com isto. E ao enfatizar tudo isso, inevitavelmente a igreja é enfraquecida.
Em nenhum momento da história esta ênfase equivocada tem sido mais dominante do que é na igreja de hoje. E, consequentemente, a igreja está tão fraca como nunca.

Quando os métodos dos homens são elevados, a Palavra de Deus é diminuída. Quando o poder dos homens é elevado, o poder de Cristo é reduzido.
E quando os homens e suas técnicas se tornam os padrões a seguir, a igreja é enfraquecida. A obra de Cristo é dificultada severamente.

É quando os homens não são nada que Cristo é tudo. É quando os homens não têm estratégia e nenhum método é que a verdade prevalece.
Como Paulo disse em II Coríntios 12, ele se alegrava em suas fraquezas porque em sua própria fraqueza, a força de Cristo foi aperfeiçoada.
O Senhor sempre parece se contentar em escolher os mais fracos e os mais humildes, porque é o que está mais disponível para Ele, para que Seu poder e Sua verdade prevaleçam.

Assim, quando olhamos para os doze aqui no capítulo 6 de Lucas, encontramos doze homens muito comuns, homens muito ordinários, sem estatura política e econômica.
O único que tinha dinheiro, provavelmente, era Mateus, fruto da extorsão, através de sua franquia de cobrança de impostos para Roma.
O resto deles eram homens muito comuns. Na verdade, não sabemos muito sobre eles. Mas sabemos que nenhum deles era um fariseu, saduceu, sacerdote ou escriba.
Eles não tinham estatura religiosa qualquer. Eles eram homens muito comuns.

Eles não eram proeminentes na sociedade, nem na religião, nem na política e nem na educação. Humanamente, eram desprezíveis.
Eles só precisavam ser pessoas que estavam disponíveis para falar a verdade de Deus no poder do Espírito de Deus. O poder está na verdade e no Espírito.

Então, aqui está uma coleção de homens comuns. E, no entanto, nunca houve um grupo tão importante para a história do mundo como estes doze.
Eles levaram o Evangelho para Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. Eles são fundamentais para os propósitos de Deus, essenciais para a extensão da verdade do Evangelho.
E eles serviram ao propósito divino muito bem. Tão bem, que no Reino Milenar, o reinado de mil anos de Cristo na terra, eles reinarão em doze tronos sobre as doze tribos de Israel.

E, além disso, eles serão lembrados eternamente, porque na Nova Jerusalém, a capital dos céus eternos, há doze portas e ao pé de cada porta há uma pedra fundamental. E, naqueles doze fundamentos dos doze portões da santa cidade, estão gravados os nomes dos doze apóstolos (Apocalipse 21:14).
No entanto, quando foram chamados por Cristo, eles eram os mais comuns das pessoas comuns. Eles ilustram como Deus usa pessoas comuns para chamados incomuns.

Agora, tão comum como qualquer um deles era um homem chamado Simão. Vamos olhar para Simão novamente. Ele é o primeiro.
E nós vamos gastar um pouco mais de tempo para conhecê-lo, porque ele realmente é o mais dominante dos doze e no Novo Testamento.

Jesus chamava Pedro de ‘Simão’, quando ele estava agindo conforme seu velho ego, e o chamava de ‘Pedro’, quando ele estava agindo conforme o Senhor queria que ele agisse.
Pedro é a palavra “Petros”, no grego, e significa “rocha”. Jesus o chamou de Rocha. Ele era o “Rocha Barjonas” (Bar = “filho de”).

Ele era um pescador do mar da Galiléia, nasceu na aldeia de Betsaida, juntamente com seu irmão André. Eles cresceram no negócio de pesca. Mudaram-se, eventualmente, para Cafarnaum que foi a grande cidade na costa norte do Mar da Galileia.
Jesus o chamou para segui-lo em algum momento antes disto.
Jesus estava reunindo discípulos. Alguns vieram por sua própria vontade, alguns Ele chamou para segui-Lo.
E Jesus deu a Pedro um nome que Ele poderia usar para ajudá-lo a crescer e tornar-se o homem que Ele queria que ele fosse.

Simão era ousado, arrojado, falador, vacilante, fraco e mutante. E isso não era bom para a responsabilidade de liderança que o Senhor queria que ele assumisse.
Então, Ele queria que Pedro fosse firme, forte, resoluto, inflexível e inabalável. E Jesus usou seu próprio nome nessa instrução.
No final de seu treinamento, ele não era mais o mesmo. Ele se tornou uma rocha. Ele precisava ser uma rocha e, então, Jesus o nomeou de Rocha.

Quando Jesus o chamava de Simão, ele estava agindo com a sua antiga natureza (ou quando o assunto eram coisas seculares).
E quando o chamava de Pedro, era porque ele estava fazendo a coisa certa, ou em processo em direção a coisa certa. Assim, seu nome tornou-se uma maneira em que o Senhor poderia gerenciar suas atitudes.
Há momentos em que o escritor bíblico o chama de Pedro, tal como em Mateus 16, quando Jesus o chama de Satanás.
Marcos também diz Pedro quando Jesus o chama de Satanás. O que os escritores dos Evangelhos fizeram, não segue o padrão que vemos Jesus fazer ao se referir a Pedro.

Como vimos no domingo passado, havia três grupos entre os apóstolos, Pedro era o líder de um desses grupos, que tinha também Tiago, João e André.
De acordo com Mateus 10, Pedro era também o líder de todos.
Ele foi o pregador principal, entre os apóstolos, nos primeiros doze capítulos de Atos.

Então, o Senhor tomou este homem vacilante, ousado, corajoso, impulsivo, autoconfiante e ao mesmo tempo fraco, e o transformou em um grande líder.
Esta foi a tarefa do Senhor, este era Seu objetivo: tomar um homem comum, fazê-lo o grande fundamento da igreja, o grande líder apostólico da igreja.
Este é um trabalho incrível de transformação. E, ao olharmos para Pedro, porque ele é o líder entre os doze, descobrimos como Deus molda um líder, como Deus constrói um líder.

No domingo passado, eu lhes disse que há três componentes, ou recursos necessários em um líder.
Um deles é uma certa matéria-prima. Os outros são: a experiência certa e caráter ou virtude.
Eu acredito que os líderes nascem líderes. Eu não creio que você possa pegar alguém e transformá-lo em um líder, a menos que tenha a matéria-prima correta.
Líderes nascem líderes, até certo ponto. Mas, depois de terem nascido com a matéria-prima necessária para serem líderes, eles têm de ser moldados, e molda-los é essencialmente duas coisas: experiência e o desenvolvimento do caráter. E estes vão juntos.

No último sermão, vimos a matéria-prima. Muito antes de Pedro ter nascido, na eternidade, Deus havia determinado seu plano de redenção.
O Senhor viria à terra como homem, Ele teria apóstolos. Seus nomes eram bem conhecidos diante de Deus desde a eternidade.
Pedro tinha a matéria-prima da liderança em si mesmo: curiosidade, iniciativa e envolvimento.

Os líderes são curiosos. Eles têm uma imensa curiosidade, porque um líder é um solucionador de problemas. Líderes resolvem problemas, e a maneira que os problemas são resolvidos é com mais informações.
Os líderes têm iniciativa. Não são apenas curiosos, não só resolvem os problemas, mas tomam a iniciativa de liderar, de conduzir.
Eles também têm envolvimento. Eles não lideram de longe. Eles não estão na parte de trás, eles estão na frente. Eles vivem suas vidas em uma nuvem de poeira.

Pedro era tudo isto. Esta é a matéria-prima certa. Quando você olha para um líder, isso é o que você tem que procurar.
Eu já digo isso há anos. Eu não preciso de pessoas em posições de liderança que vêm e dizem: “Eu acho que nós temos um problema”.
Eu preciso de alguém que venha e diga: “Tivemos um problema. Isto é como eu o resolveria”. Isso é liderança.

Vamos dar uma olhada nas experiências.
A matéria-prima estava muito crua e tinha que ser refinada. E o Senhor vai refiná-la e moldar sua vida através de experiências, para Pedro se tornar o homem que ele precisava ser.
Os líderes nascem com a matéria-prima, mas precisam ser moldados pela experiência.
Pedro iria receber uma tremenda responsabilidade de proclamar o Evangelho.
Jesus, morreria, ressuscitaria, quarenta dias depois voltaria para o céu, e todo o futuro do Evangelho está nas mãos dos doze e predominantemente nas mãos de Pedro. Uma tremenda responsabilidade.
Então, o Senhor tinha que colocá-lo em experiências que formam e moldam o homem.

Primeira experiência que eu quero que você perceba está em João 6. Há muita coisa que pode ser dita sobre João 6, porque é um capítulo importante no ministério de Jesus.
Começa com Jesus alimentando cinco mil homens, provavelmente mais de dez mil mulheres e crianças, pelo menos, talvez vinte mil. Uma enorme multidão.
Ele multiplica os peixes e pães. E depois ensina que aquele era o pão que perece, mas que Ele era o Pão da Vida, e quem Dele comesse nunca mais teria fome.
E Ele converge tudo para Si mesmo declarando que seus seguidores teriam que comer a Sua carne e beber o Seu sangue.
E o que Ele quer dizer com isso é que você tem que tomar Dele totalmente, você tem que recebê-Lo totalmente, se você quiser ter a vida eterna.

Bem, algumas das pessoas que o seguiam não estavam prontas para isso. E assim, no verso 66, elas se retiraram e abandonaram Jesus.
Ele tinha uma divisão na Sua congregação. A mensagem ficou muito séria, completa, exigente e singular. Eles disseram: “Nós não estamos interessados nisso”, e foram embora.
Jesus disse aos doze: “Vocês também não querem ir embora?”.

Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens a palavras de vida eterna e nós cremos e conhecemos que Tu és o Santo de Deus”. Uma incrível declaração! Uma profunda declaração teológica.
Essa foi uma experiência reveladora e essa é a primeira experiência, a sua grande revelação.

Você sabe o que o Senhor queria que Pedro soubesse? Que ele levaria a mensagem vinda da parte de Deus. A mensagem não viria da mente de Pedro.

“[Jesus perguntou] Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro…” (Mateus 16:13-17).

Observe que, desde o início de sua formação, Pedro precisava saber que a ele seria dada uma mensagem divina. Você vê, isso é essencialmente o que o ministério é.
Nós apenas passamos a mensagem que recebemos de Deus. Nós não temos em nós mesmos esta mensagem e, se acharmos que temos, prostituiremos nossa vocação.
Pedro não teria que buscar a revelação em qualquer outro lugar, a não ser no próprio Deus.

Deus queria usar a boca de Pedro, falando através dele. E, assim, o Senhor deu-lhe a experiência da revelação.
Então, o grande dia veio quando ele se levantou no dia de Pentecostes, em Atos 2, e pregou uma grande mensagem.
Três mil pessoas se convertem. Ele prega novamente e milhares mais se convertem.
Ele não precisava se preocupar com o que ele ia dizer, Deus falaria através dele.

Algumas pessoas dizem que o maior medo que algumas pessoas têm é o medo de falar em público. A razão é que você não sabe o que você vai dizer.
Eu posso pregar com autoridade, porque a mensagem vem de Deus. Eu não tenho que obtê-la em meu cérebro. Eu a obtenho a partir das páginas da Escritura, porque o que veio a Pedro e aos demais apóstolos agora está escrito para nós.

Pedro poderia pensar: “Bem, eu sou um pescador. O que posso mais fazer?”.
Mas ele teria a revelação do alto, que tomou lugar em um simples pescador e o capacitou como um poderoso instrumento de Jesus Cristo.

Voltando a Mateus 16, temos novamente sua grande recompensa.
“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (v.18-19).

Quando Ele diz: “Tu és Pedro e sobre esta pedra” Ele está falando sobre Pedro e o que ele está dizendo.
No contexto, Pedro tinha acabado de fazer a declaração de que Jesus é o Filho do Deus vivo, o Cristo ou Enviado de Deus.
É sobre essa declaração, essa base, esse rochedo, que a Igreja seria edificada. Lembre que Jesus mudou o nome de Simão para Pedro, que significa pedra ou rocha.
No texto original, o Senhor diz ‘tu és petros’, que significa rocha ou pedra, e ‘sobre esta petra’, que significa um rochedo, uma rocha muito maior.
Então, o Senhor está dizendo a Pedro que ele era uma rocha, mas havia uma rocha muito maior, um rochedo sobre o qual a igreja seria construída.
E ‘esta pedra’ era justamente a declaração que Pedro tinha acabado de fazer sobre Jesus.

Também sabemos que Jesus estava falando, em termos proféticos, sobre o papel que o apóstolo Pedro iria desempenhar na abertura da porta do Reino dos Céus, uma vez que dentro de algum tempo Pedro seria o responsável por abrir o Reino aos judeus, quando pregou no pentecostes (Atos 2) e uma multidão se converteu, bem como por inaugurar o Reino aos gentios, visto que foi o primeiro a levar o Evangelho aos gentios, através da família de Cornélio, fato descrito em Atos 10.

E então Jesus diz, “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Isto é incrível. Esta é a sua grande recompensa.
Sua primeira lição foi sobre a sua grande revelação, então a sua grande recompensa. Este comum e simples pescador, teria em seus lábios uma revelação que barraria os portões do inferno e abriria as portas para o céu.

Por quê? Porque a verdade de Jesus Cristo fecha as portas do inferno e abre as portas para o céu. Um homem pode ter uma influência maior do que isso?
Quem tem influência? Qual é a influência real? Ninguém que não prega o Evangelho possui qualquer influência eterna.

Aqui está uma coisa incrível, o Senhor diz a Pedro: ‘Pedro, por meio da mensagem que você pregará como uma pedra, as portas do inferno vão ser barradas, no sentido de que ele não vai prevalecer, e as portas do céu vão ser escancaradas através de você. Esta é a sua grande recompensa’.

Deve ter sido gratificante, para Pedro, puxar uma pilha de peixes, mas nada poderia ser comparado a esta verdade. E Pedro desbloqueou as portas do céu para os judeus.
No dia de Pentecostes ele pregou aquele grande sermão. Três mil judeus creram e mais milhares e milhares nos próximos capítulos de sua pregação.
E, em seguida, no capítulo 10, ele pregou para o primeiro gentio, chamado Cornélio, e ele creu.
Ele abriu as portas do céu aos judeus e para os gentios. Isto não teve nada a ver com sua técnica ou formação, mas com o poder do Espírito de Deus e da verdade.

Mas, esse não era o Pedro que estava em Mateus 16… Logo após ouvir coisas tremendas como as que Jesus lhe falou, ele demonstrou como estava longe daquele Pedro do livro de Atos.
Jesus começou a falar sobre o sofrimento iminente, a cruz e sua ressurreição (Mateus 16:21).
Na mente dos discípulos não havia um cenário desse para o Messias. Ele deveria triunfar sobre os romanos e seus inimigos, estabelecendo um reino na terra.

E Pedro repreende a Jesus e diz: “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso” (Mateus 16:22).
Em outras palavras, ele disse: “Senhor, desculpe, eu sou o líder, não posso deixar que isso aconteça. Isso nunca vai acontecer, eu não permitiria isso”.
Você dá a um homem um pouco de liderança e isto logo sobe para a cabeça dele, não é?
Ele estava falando com o Criador do universo, com o Messias, o Redentor, o Salvador, Deus em carne. Inacreditável!

É um perigo real na liderança quando você não sabe onde são os seus limites. Você tem a sensação de que você é um tanto invencível.
E, então, você acaba ultrapassando seus limites. Você nunca vai liderar eficazmente com Deus até que você entenda que seu plano não importa, só o de Deus. Deus não quer sua estratégia e nem o seu plano.
Pedro pareceu não entender seus limites. Ele não poderia ter um plano melhor do que o de Deus.

Como as pessoas podem ir para o ministério e achar que elas podem fazer algo? Fazem os planos e vão em frente.
Bem, Jesus virou para Pedro e disse: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23).

Pedro superestimou sua força e habilidades, e acabou estando tão disponível para Satanás, como para o Senhor.
Quanto maior o potencial de um homem para ser usado por Deus, maior seu potencial de ser usado pelo diabo.
Em outras palavras, Jesus diz: ‘Não quero o seu plano, Pedro. Só quero que você me siga. Se você tentar frustrar meu plano, então você está do lado do diabo’.

Pedro estava sendo uma pedra de tropeço, tentando definir as coisas a partir de sua mente e não a partir de Deus. Ele estava olhando do ponto de vista humano.
Em outras palavras, Jesus lhe disse: “Oh, você tem um plano melhor, não é? Essa é a visão humana. Está dificultando meu trabalho. E o grande empecilho do meu trabalho é Satanás, então para trás de mim, Satanás”.

Jesus havia acabado de lhe falar sobre como Pedro seria tremendamente usado por Deus, mas, naquele momento, ele se sentiu forte e ultrapassou seus limites.
Devemos ter cuidado com isto. Somos suscetíveis a sermos usados pelo diabo tal como podemos ser usados por Deus. Isto deveria colocar temor em nossos corações.

Mas isso, aparentemente, não era suficiente. Há outra experiência que entrou em sua vida.
Vá para Mateus 26. Jesus disse a seus discípulos: “Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão” (v.31). Uma profecia de Zacarias 13:7.
E no verso 32 Jesus disse: “Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia”.

Verso 33: “Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em Ti, eu nunca me escandalizarei”.
Ou seja, ‘eu não sou como todos os homens. Eu estou acima dos demais. Eu não sei quanto aos outros, mas eu não faria isso. Nunca faria isso’.
“Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás” (v.34).

Bem, Pedro responde, como que dizendo: ‘Errado de novo, Senhor. Mesmo se eu tiver que morrer contigo, não vou te negar‘. E ele, como líder, leva os demais a dizerem o mesmo.
“Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo” (v.35).

Que tola confiança! Superestimar sua força espiritual é algo mortal.
O Senhor quis dizer: ‘Pedro, você tem que aprender a não confiar em si mesmo. Eu já tentei te ensinar que seus planos não substituem os meus. Não me ofereça seus planos, siga os meus. Não confie na sua força. Você me negará três vezes’.

No farsante julgamento diante de Anás e Caifás, havia um pátio na área da casa do sumo sacerdote.
E Pedro estava sentado fora, no pátio e havia uma certa serva, uma escrava. Era apenas uma menina e ela lhe disse: “Você também estava com Jesus, o galileu”. Ela o reconheceu.
Ele negou diante de todos eles dizendo: “Eu não sei o que você está falando” (v.69-70).
Ele se desviou para o portão. Outra criada o viu e disse aos que estavam ali: “Este homem estava com Jesus de Nazaré”. E ele voltou a negar que com juramento: “Eu não conheço esse homem” (v.71-72).

E um pouco mais tarde, os espectadores se aproximaram e disseram a Pedro: “Certamente tu também és um deles, tua fala te denuncia” (v.73). Ele tinha o sotaque galileu.
Isso é muito triste, versículo 74: “Então ele começou a praguejar e a jurar: eu não sei mesmo quem é este homem”.
E imediatamente o galo cantou, Pedro se lembrou das palavras que Jesus tinha lhe dito e saiu dali e chorou amargamente (v.75).

Será que o Senhor deixou isso acontecer? Certo. O Senhor fez isso acontecer? Não.
Por que Ele deixou isso acontecer? Porque nenhum homem é útil para o Senhor até que ele não tenha absolutamente nenhuma confiança em si mesmo.
Pedro chegou ao auge de sua própria autoconfiança: ‘Eu nunca vou Te negar. Todo mundo pode Te negar, mas eu nunca vou Te negar, Jesus.’

Isso é chamado de a “quebra do homem”. Este é o esmagamento de Pedro.
E nenhum homem é útil a Deus até que ele tenha sido tão esmagado. O fracasso de Pedro era necessário.

Agora, antes que você seja muito duro com Pedro, lembre que, pelo menos, Pedro teve coragem de estar lá.
Mas o Senhor permitiu a Pedro estar nessa posição, porque o esmagamento de sua autoconfiança era necessário.
Ele tornou-se um homem quebrado neste momento. Ele nunca mais foi o mesmo depois disso. Ele não foi mais o homem impetuoso, corajoso e autoconfiante.
Sua grande rejeição foi parte da experiência que o Senhor usou para molda-lo.

O Senhor precisava de um homem que receberia a revelação.
O Senhor precisava de um homem que, pela mensagem que ele iria pregar, pudesse barrar as portas do inferno e abrir as portas do céu.
O Senhor precisava de um homem que reconheceu o seu próprio pecado, mas o Senhor também precisava de um homem que seria esmagado e não teria absolutamente nenhuma confiança em si mesmo depois disto.

Você tem que chegar a esse ponto no ministério, onde você literalmente não confia em si mesmo, em suas ideias e seus pensamentos.
O Senhor precisava de um homem que iria seguir Seu plano e não de um homem com planos próprios. Ele tinha que ter um homem que não teria confiança em si mesmo.

Paulo foi útil, porque ele cria que era o principal dos pecadores (I Timóteo 1:15). Esta era a mesma convicção que Pedro deveria ter.
Penso que Pedro carregou esta experiência para o resto de sua vida. Ele foi quebrado pelo Senhor.

Em João 21, após a ressurreição de Jesus, os discípulos estavam ali, na Galileia, porque Jesus os havia ordenado que fossem para um monte e esperassem por Ele: “E os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado” (Mateus 28:16).
Pedro, como um líder, conduz os demais a uma pescaria, ou seja, desobedecendo ao que o Senhor tinha dito: “aguardá-lo num monte”. Mas Pedro diz: “Vou pescar”.

Você pode perceber muito sobre o que Pedro disse. Se você olhar para o texto grego, pode indicar que ele estava dizendo: “Eu estou voltando para fazer o que eu costumava fazer”.
E ele pode muito bem ter pensado: ‘Você sabe, eu tenho sido realmente um fracasso como apóstolo, eu neguei a Cristo três vezes com maldições. Eu falo demais. Eu já disse tantas coisas tolas. Eu quase me afoguei por falta de fé. Então, talvez seja melhor eu voltar a fazer o que costumava fazer. Vou pescar’.
E todos os outros discípulos, que vieram basicamente da mesma profissão de pescador, tornando-se impacientes e com uma fé falha, disseram: “Nós iremos também”. E foram. Pedro era, de fato, o líder deles.

Eles entraram no barco e naquela noite não apanharam nada. Claro, o Senhor afastou deles todos os peixes. Nenhum peixe chegou perto daquele barco.
E, claro, você sabe o que Pedro estava pensando: ‘Eu não sei como ser um apóstolo, mas pescar eu sei e posso’.
E o Senhor estava dizendo: ‘Oh não, você não pode. Você só pode pescar se houver peixes’. Eles saíram, trabalharam a noite toda e não pegaram nada. E isso é difícil de acontecer quando você pesca a noite toda.

Jesus disse, em outras palavras: “Filhos, vocês não têm qualquer peixe, não é?” E eles responderam-lhe: “Não”.
Jesus mandou que eles jogassem a rede do lado direito do barco, que eles achariam peixes.
Imagine você falando isto a pescadores experientes. Se eu fosse um deles, eu diria: ‘Será que ele pensa que os peixes escolhem um lado do barco para ficarem? Será que ele pensa que já não tentamos de tudo?’.

Mas eles fizeram o que Jesus disse, eles perceberam algo diferente naquela ordem. Os peixes, assim como os ventos na tempestade (Mateus 8:26-27), o obedeceram, e se aglomeraram em grande quantidade ao lado do barco.

Então, quando eles chegaram em terra, viram peixes já nas brasas e pão. Jesus tinha feito o café da manhã. Você sabe como Jesus faz ‘café da manhã’? Fogo, peixe e pão.
Jesus chegou ao encontro dos discípulos, que estavam em uma postura de desobediência.
E era essencial para Ele restaurar o relacionamento com eles, em particular com Pedro, porque Pedro era muito importante como líder.

Jesus diz: “Pedro, amas-me mais do que estes?” Alguns pensam que a palavra “estes” referia-se aos “peixes, redes e barcos”. Outros pensam que Ele quis dizer sobre os outros discípulos, afinal Pedro havia dito: “Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu” (Marcos 14:29).
Jesus poderia muito bem estar dizendo: “É realmente verdade que você me ama mais do que estes homens me amam?”.
Em qualquer caso, Ele está dizendo a Pedro: “Você me ama supremamente?”.
Ele disse: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo.” Ele disse: “Apascenta meus cordeiros”. Jesus repete a pergunta e ouve a mesma resposta.
Então, Jesus pergunta pela terceira vez, porque Pedro o tinha negado três vezes. Ele estava dando uma oportunidade para a restauração completa.

Quando Jesus pergunta para Pedro se ele o ama, Jesus usa o verbo grego “ἀγαπάω” (“Agapão”), querendo saber se Pedro é capaz de amá-lo com todo o seu coração, de forma profunda e incondicional. Contudo, Pedro responde que O ama com o verbo “Phileo” (afetuosa consideração, amizade), ou seja, Pedro O amava de forma incompleta.
Eu acho que Pedro estava dizendo: ‘Eu não posso dizer “Agapão”’. E ele estava tão triste, porque Jesus perguntou pela terceira vez, não porque era a terceira vez, mas era como se Jesus dissesse ‘Eu não penso que você tem o direito de afirmar que me ama, com base no modo que você tem agido…’
E assim, é como se Pedro respondesse: ‘Não olhe para a forma como eu agi, Tu sabes tudo, Tu sabes que te amo. Olhe para o meu coração’. E Jesus disse-lhe: “Então Apascenta as minhas ovelhas”.

Este é um recomissionamento de um homem que saiu de um estado de autoconfiança para um reconhecimento de fraqueza para o ministério.
Mas, porque se tornou muito fraco para o ministério, ele foi exatamente o que o Senhor queria ele fosse.
Quando ele era forte, era inútil. Agora que ele está esmagado, ele é útil. Então o Senhor o pegou e o usou. Mas ele é ele, ainda é Pedro.

No versículo 18 de João 21, Jesus diz a Pedro, em outras palavras: ‘Em sua juventude, Pedro, você basicamente fazia o que desejava, andava por onde queria e controlava a sua vida. Mas, quando você envelhecer, alguém vai amarrá-lo como prisioneiro e transportá-lo. Você não vai ter qualquer controle sobre ele. Em sua juventude você tinha o controle, na velhice não’.
Ele estava descrevendo a morte com que Pedro iria glorificar a Deus: crucificação.

E isso é essencialmente o que ele está dizendo a Pedro. Ele questiona se Pedro está disposto a dar sua vida por Ele.
Ele estava dizendo que Pedro pagaria o preço máximo, ou seja, uma morte sob muitos sofrimentos.

Sabe o que ele estava revelando antecipadamente a Pedro? ‘Pedro, você será fiel até o fim, você estará percorrendo um caminho até o fim e você será crucificado. Você pode apascentar as minhas ovelhas. Você finalmente se tornou o homem que eu queria que você fosse, porque você é um homem que não tem confiança em si mesmo’.
“E, dito isto, disse-lhe: Segue-me” (v.19).
Foi o que Paulo disse: “Porque quando estou fraco então sou forte” (II Coríntios 12:10).

Não demorou muito para que Pedro tenha se virado e viu o discípulo a quem Jesus amava (forma como João se referia a si mesmo), e questiona a Jesus: “O que acontecerá com este homem?”.
Agora Pedro já não está mais preocupado consigo mesmo, mas com João.
Ele quis dizer: “Bem, o Senhor me disse que eu serei morto, o que acontecerá com ele?”.

Jesus parece ter sido bem humorado com ele: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu” (v.22)
O que ele está dizendo é: “Se ele ficasse vivo até que eu volte, porque isto deveria te preocupar?”.
E assim um rumor ridículo circulou, o qual dizia que João viveria até a Segunda Vinda, o que não era verdade (v.23).

Este é Pedro. Nesta experiência antes de o Senhor ressurreto voltar aos céus, ele desobedece aquilo que o Senhor havia ordenado e vai pescar.
O Senhor o restaura. E ele sentindo-se bem, já estava questionando sobre João…

Mas ele se tornou o homem que o Senhor queria que ele fosse. Olhe para suas palavras:
“Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade. E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas” (II Pedro 1:12-15).

Pedro não só levou a verdade, mas estava preocupado em que esta verdade continuasse avançando, mesmo após sua morte.
E ele sabia que uma morte terrível estava próxima, mas sua preocupação foi apenas com a verdade e não consigo mesmo.

Ele se tornou o homem que o Senhor queria que ele fosse. Ele foi o líder da igreja nos primeiros doze capítulos de Atos.
Ele foi o único que se moveu para substituir Judas Iscariotes por Matias. Ele era o porta-voz da Igreja no dia de Pentecostes.
Ele operou milagres. Ele desafiou o Sinédrio. Ele lidou com o problema de Simão, o satânico, falso curandeiro em Samaria.
Ele lidou com a hipocrisia de Ananias e Safira. Ele curou Enéas e levantou Dorcas dos mortos.
Ele levou o Evangelho aos gentios. E ele escreveu duas epístolas, 1 e 2 Pedro. Ele foi o líder que Deus queria que ele fosse.

Ele se tornou o líder porque havia a matéria-prima dentro de si. E assim Deus trabalhou para dar forma a ela, transformando-o no homem que ele foi.
Todas as experiências que ele passou, acabou por leva-lo a ser, de fato, uma rocha nas mãos do Altíssimo.

Agora, para formar um líder, há um outro elemento. Você não só tem que ser quebrado e esmagado, mas deve ter o caráter certo.
Veremos como o Senhor desenvolveu o caráter certo e as virtudes certas naquele homem. Nós vamos fazer isso da próxima vez.

Pai, é muito encorajador e instrutivo para nós, ver este homem entre tantos através da história da redenção, que Tu usaste tão poderosamente.
Compreender a sua humanidade, sua fraqueza e sua fragilidade e ainda saber quão profundamente e poderosamente Tu o usaste, e ainda usa, através do exemplo da sua vida e testemunho registrado nas páginas dos Evangelhos, no livro de Atos e através de suas próprias epístolas.
Nós Te agradecemos por aprendermos que o que Tu estás procurando são aquelas pessoas que entendem que a sua utilidade vem através do poder divino, da verdade divina, quebrantamento, falta de auto-confiança, que devem ser esmagados com a própria fraqueza e pecaminosidade, para cumprir Teu plano e não o nosso.
Possas Tu levantar muitos desses líderes para a glória do Teu Nome e o avanço da Tua igreja. Por isso oramos. Amém.


Esta é uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos

01. O chamado dos doze apóstolos
02. O chamado de Pedro (Parte 1)
03. O chamado de Pedro (Parte 2)
04. O chamado de Pedro (Parte 3)
05. O chamado de André e Tiago (irmão de João)
06. O chamado de João
07. O chamado de Filipe
08. O chamado de Natanael (Bartolomeu)
09. O chamado de Mateus e Tomé 
10. O Chamado de Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) e Judas Tadeu 
11. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 1
12. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “Common Men, Uncommon Calling: Peter, Part 2”, de John MacArthur, em 27/05/2001.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-73/common-men-uncommon-calling-peter-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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