O chamado de Pedro – 1

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Este texto é parte de uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos. Veja os links dos demais textos no fim desta página.

Lucas 6
12 E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.
13 E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos:
14 Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;
16 E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

Aqui somos apresentados aos doze apóstolos, como vimos no domingo passado, é muito importante conhecermos a história desses homens-chaves do Evangelho.

Todos nós entendemos o que é ser “qualificado”, especialmente em nossa sociedade, que estabeleceu padrões e qualificações para quase tudo, seja para uma profissão, para dirigir, ter um cartão de crédito etc.
Entendemos que as pessoas têm de se qualificar ou apresentar qualificações evidentes. Isto é exigido de forma generalizada. Quanto maior for a responsabilidade, maior qualificação exigida.
Essas qualificações demandam preparo, habilidade, educação, caráter, experiência, automotivação, interação social, controle do stress etc.

E a Bíblia é muito clara que o padrão exigido por Deus, para aqueles que têm mais responsabilidades na Sua obra, é extremamente elevado.
Tanto em I Timóteo 3 como em Tito 1, temos uma grande lista de qualificações exigidas para um pastor:

Irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar, filhos convertidos.
Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento, que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia.
Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Retendo a Palavra da vida, a fim de ensinar a sã doutrina e refutar aqueles que se rebelam contra a verdade.

Hebreus 13:7 e 17 diz que eles têm de viver uma vida exemplar, uma vida a ser imitada pelo outros. Eles terão que prestar contas a Deus de como eles se comportaram. São padrões elevadíssimos.

E esso é o padrão para aqueles que lideram na igreja, porque eles são o modelo de padrão de Deus para todos os outros.
Deus não reduz seu padrão para os demais. Não é um padrão diferente, é o mesmo padrão.
Se você quer saber qual o padrão para todos, veja o que Jesus disse: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus 5:48).

Francamente, ninguém se qualifica. Humanamente falando, ninguém se qualifica. Ninguém tem condições de estar no reino de Deus ou no serviço de Deus.
A Escritura é muito clara de que ninguém, por si mesmo, pode atender ao mínimo dos padrões de Deus.
Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. Não há nenhum justo, nem um sequer, diz Romanos 3:23.

E mesmo depois que Paulo se tornou apóstolo e estava no meio do seu ministério, ele confessou: “Eu sei que nada de bom habita em mim, isto é, na minha carne” (Romanos 7:18); “Eu sou o maior dos pecadores” (I Timóteo 1:15). Surpreendente, não?

Bem, veja você, Deus tem um problema. Não há pessoas qualificadas. E assim, um aspecto surpreendente da graça de Deus é que Ele deve salvar os pecadores, santificar pecadores, e, em seguida, deve trabalhar seu ministério através de indignos e desqualificados.
Muito encorajador, então, olharmos para os doze homens escolhidos por Jesus, porque, como todo o resto de nós, eles são selecionados a partir dos indignos e não dos qualificados.

Eles são como Elias, o grande profeta. Tiago nos lembra que “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós” (Tiago 5:17).
Ele diz que Elias tinha o mesmo tipo de natureza que temos, ele era apenas como um de nós. Ele não foi usado por Deus porque ele era diferente de nós.
Deus não tem realmente escolha, Ele tem que usar os indignos e não qualificados. Mas Deus escolheu trazer aos pecadores a graça salvadora e a graça santificante, transformando os indignos e desqualificados em servos úteis.
E aprendemos isto quando olhamos para estes apóstolos: Nós somos todos iguais e esses são o tipo de pessoas que Deus usa, porque isso é tudo o que Ele tem para trabalhar.

Somos tentados ao desânimo quando a nossa vida espiritual e testemunho é afetada por causa dos nossos pecados e falhas. Pensamos que não somos nada.
Você sabe, por vezes damos passos de caranguejo, três passos para frente, dois passos para trás, enfrentamos tentações e queremos saber como é que Deus poderia nos usar.
Nós somos todos iguais e este é o tipo de pessoa que Deus usa, porque isso é tudo o que Ele tem para trabalhar.

Satanás pode até tentar nos convencer de que as nossas deficiências nos tornam inúteis para Deus e Sua igreja, mas Seu uso dos apóstolos atesta o fato de que Deus pode usar os indignos e não qualificados. Ele pode usar os “ninguéns”.
Aqueles apóstolos viraram o mundo de cabeça para baixo, não porque eram extraordinariamente talentosos, intelectuais, dotados, fortemente educados, excepcionalmente influentes ou porque tinham projeção social.
Apesar de todas as suas limitações humanas, apesar de tudo que eles não eram, Deus os usou.

Por quê? Reconheceram que não eram nada e se entregaram a Deus, cujo poder sempre se aperfeiçoa na fraqueza.
Há muitas pessoas que estão muito confiantes em serem úteis a Deus. Mas são orgulhosas demais para serem úteis a Deus.

Assim, Deus escolhe os humildes, os mansos e os fracos, de modo que nunca houve qualquer dúvida sobre a fonte de poder em suas vidas para mudar o mundo.
Não é o homem. É a verdade de Deus e do poder de Deus no homem. Temos certeza que precisamos lembrar aos pregadores de hoje sobre isto.
Não é sua inteligência, não é a sua personalidade. O poder está na Palavra. O poder está na verdade que pregamos, não em nós.

A história da obra de Deus na Terra é a história de Deus usando o inqualificável. E os doze não foram exceção a isso.
Jesus tomou os indignos, os não qualificados e os transformou em poderosos servos com poder espiritual. Eles viraram o mundo de cabeça para baixo e lançaram os fundamentos da igreja, sobre os quais ainda está sendo construída.

Tornaram-se grandes pregadores, operadores de milagres e sinais, e escritores do Novo Testamento.
Eles foram o verdadeiro fundamento da igreja, de acordo com Efésios 2:20.
Eles foram os agentes da revelação divina, de acordo com Efésios 3:5 . Eles eram os professores da verdadeira doutrina, de acordo com Atos 2:42 .
Em Efésios 4:11 nos é informado que eles foram os construtores da igreja. Eles são chamados de santos apóstolos em Efésios 3:5 e Apocalipse 18:20 .
Eles eram exemplos de santidade. A eles foi concedida a capacidade de fazer sinais e prodígios, de acordo com 2 Coríntios 12:11-12 .
Estes doze homens muito simples, foram elevados a um chamado incomum.

Eles eram galileus. Eles não eram da elite. Ser um galileu era pertencer à classe baixa, rural, sem instrução. Eles eram os plebeus, os ninguéns. Eles se reuniram em torno de Jesus como discípulos, como “mathetes”, ou seja, “aprendizes”. Eles O seguiram para aprender.
Mas, aqui Jesus escolhe doze desses alunos e diz: “Eu vou treiná-lo para serem apóstolos”. E aqui começa a formação deles. Eles sobem ao palco.

Isso era muito necessário. Em dois anos Jesus estaria na cruz. Ele ressuscitou e quarenta dias depois subiu ao céu e eles ficaram por conta própria.
O Evangelho ficou em suas mãos e o reino de Deus dependia do poder, convicção e veracidade da pregação desses homens.
O tempo de apenas dois anos é deixado para prepará-los e, assim, é por aqui que começamos a analisar o treinamento dos doze.

Eles não tinham ainda os dons sobrenaturais e nem sequer realmente tinham começado sua principal responsabilidade, que foi a pregação e proclamação do reino, tal como vemos a partir de Lucas 9.
No seu treinamento, eles fizeram algumas saídas, tendo sido enviados por Jesus, geralmente em duplas, e, finalmente, quando o Senhor voltou para o céu, tudo estava em suas mãos.

Então, aqui encontramos os doze homens escolhidos a dedo, os primeiros discípulos de Jesus, para se tornarem apóstolos, os verdadeiros apóstolos.
Deixe-me dar-lhe algumas observações gerais. Como eu disse, eles eram todos homens comuns. Todos eles eram da Galileia, com exceção de Judas.
Eram pessoas realmente rurais, da parte da nação de Israel que não tinha muito prestígio ou nobreza.
O Senhor tinha ignorado os fariseus. Nenhum deles era um fariseu, saduceu, sacerdote, escriba ou alguma pessoa proeminente.
Eram todos homens muito comuns. Quatro deles eram pescadores, um era cobrador de impostos, um era um terrorista [zelote] e um era um traidor.

Os apóstolos eram divididos em 3 grupos

Algumas observações gerais sobre a lista. Há quatro listas mncionando os nomes dos apóstolos no Novo Testamento: Mateus 10, Marcos 3, Lucas 6 e Atos 1.
Nestas listas, os nomes são sempre os mesmos, para que possamos saber exatamente quem eram estes doze. Porém, os nomes não estão em ordens idênticas nas listas, com algumas exceções que vou recordar-lhe.
O primeiro nome em todas as quatro listas é sempre Pedro. E então você tem três grupos de quatro.

O primeiro grupo: Pedro, André, Tiago e João. Em cada lista são os quatro primeiros. Eles se misturam na lista, Pedro é sempre o primeiro, mas eles estão sempre no primeiro grupo.

O segundo grupo: É sempre o mesmo: Filipe, Bartolomeu (ou Natanael), Mateus e Tomé, que é sempre o grupo dois em cada lista.
Seus nomes se misturam, mas Filipe é sempre o primeiro nome do grupo dois.

O terceiro grupo: Tiago, filho de Alfeu; Simão, o Zelote; Judas, filho de Tiago e Judas Iscariotes.
Os nomes se misturam, mas Tiago, filho de Alfeu, é sempre o primeiro nome no grupo e Judas Iscariotes é sempre o último nome dos doze.

O que podemos aprender com isso? Bem, aprendemos que os Doze foram divididos em três grupos de quatro. Estes grupos tiveram líderes.
O líder do grupo um, obviamente, Pedro. Do grupo dois: Filipe. Do grupo de três: Tiago, filho de Alfeu. E o nome no topo da lista é sempre Pedro, que era o líder de todos.

Estes grupos de quatro estão em ordem decrescente de intimidade com Cristo.
O primeiro grupo estava sempre em torno de Cristo: Pedro, Tiago, João e André. O grupo mais íntimo.
Eles foram os primeiros discípulos que Jesus chamou em João 1:35-42. O primeiro grupo que Ele chamou para ser Seu discípulo.
E em todo o resto da história do ministério e da vida de Cristo, Pedro, Tiago e João, em particular, são muito íntimos de Cristo, e André, está perto.

O grupo dois é um pouco mais distante, mas nós sabemos um pouco sobre Filipe e Bartolomeu (ou Natanael) e Tomé. Neste grupo também estava Mateus.
O grupo três aparece à distância. Nós não sabemos muito sobre eles. A única coisa que sabemos é sobre Judas, porque ele traiu Jesus.
Ou seja, havia graus diferentes de intimidade, mas aqueles dozes foram nomeados para estar com Jesus (Marcos 3:14).

Isto nos diz que mesmo em um grupo de doze, é muita gente para uma pessoa lidar com um nível igual de intimidade.
Jesus tinha muito perto Dele três daqueles homens. Em seguida, vinha André. E depois o próximo grupo e o próximo. Então, nós aprendemos com isso que tem de haver algumas decisões sobre com quem se gastar tempo íntimo, porque você não pode ser tudo para todos.

Aprendemos também que há líderes dentro dos grupos. Pedro, Felipe e Tiago (filho de Alfeu). E há um líder sobre todos eles: Pedro.
Estes são os homens do Mestre e isso se tornará evidente à medida que estudarmos cada um deles e compreender quem eles eram.
Mas, vamos ver que o Senhor usa os fracos e Ele usa o comum para o dever incomum. Ele faz isso para que possa desprezar os sábios e receber toda a glória para o que é feito.
Eles eram comuns, mas eles foram moldados pelo Senhor para mudar o mundo.

Eles tinham origens variadas e ocupações variadas. Eles também tinham temperamentos variados.
Pedro era ansioso, corajoso, agressivo, impulsivo, muito verbal. João, por outro lado, falava muito pouco. Os doze primeiros capítulos de Atos ele e Pedro são companheiros. João nunca diz coisa alguma.

Há Natanael (Bartolomeu), um verdadeiro crente, confessando abertamente sua fé em Cristo. E ele está meio que compensando com Tomé, que é um cético e tem que ter prova para tudo.
Houve Mateus, que era uma pessoa desprezível em Israel, pois era um cobrador de impostos para Roma, um império que não cria no Deus verdadeiro. Ele era visto como um traidor de seu próprio povo, por dinheiro.

Havia um homem chamado Simão, apelidado de ‘o Zelote’. Os zelotes eram aqueles que odiavam Roma e combatiam o império romano.
Muitos deles eram terroristas. Eles não tinham um exército para declarar guerra a Roma, mas faziam atos terroristas.
Ou seja, no mesmo grupo havia um cobrador de imposto para os romanos e um que praticava terrorismo contra Roma.
Sem a presença de Cristo em sua vida, Simão seria capaz de atirar uma lança em Mateus.

Deixe-me apenas dar-lhe outro pensamento aqui. Pedro, Tiago, João e André, que é um grupo, eles foram os primeiros discípulos que Jesus chamou a Si.
Outros O seguiam por conta própria. Estes foram os primeiros que Ele chamou para segui-lo. Veja João 1:35-42.
O segundo grupo que Jesus chamou para segui-Lo é o grupo de Filipe, Natanael (Bartolomeu), Tomé e Mateus. Isto está em João 1:43-51.
Assim, estes primeiros oito eram mais próximos a Jesus, até certo ponto, por um longo tempo.

Agora, o líder do primeiro grupo e líder geral foi Pedro. Ele é sempre o primeiro nome a encabeçar cada lista.
Não apenas presumimos que ele era o líder, mas Jesus disse que ele era o líder.
Em Mateus 10:2 diz que Simão Pedro foi o primeiro, o “protos”, palavra grega que quer dizer “principal”.
Isso significa que ele não era apenas o primeiro de uma lista, mas era o principal, o chefe. Não há dúvida sobre isso.

Simão Pedro

Ele era um pescador. Ele vivia com seu irmão André, também pescador. Eles tinham um negócio de pesca da família.
Eles pegavam peixes no mar da Galileia. Um certo tipo de peixe que só existe no Mar da Galileia, hoje chamado peixe de São Pedro [saint peter].

Eles viviam, originalmente, em uma pequena aldeia chamada Betsaida. Mais tarde, mudaram-se para Cafarnaum, que era a principal cidade no extremo norte do Mar da Galileia.
Eu visitei esse lugar muitas vezes. Existem apenas ruínas hoje. O Senhor disse que seria tudo destruído e nunca mais reconstruído, e isso é exatamente o que aconteceu.

Sabemos também que Pedro era casado. Em Lucas 4:38 Jesus curou sua sogra. Em I Coríntios 9:5 diz que Pedro, em sua missão apostólica, levou sua esposa. Isso pode indicar que eles não tinham filhos. Não temos certeza sobre isto.

Sabemos também que o seu nome era Simão Barjona, como Jesus o chamou em Mateus 16:17. Em João 21:16 Jesus o chama de Simão, filho de Jonas. “Bar” quer dizes “filho de”, por isto Barjona.
Seu pai o preparou para ser pescador de peixes, mas Jesus o chamou para ser um pescador de homens para o Seu reino (Lucas 5:10).

Eu estava curioso alguns anos atrás sobre o porquê de às vezes ele ser chamado Simão e às vezes ser chamado de Pedro.
Quando Jesus conheceu Pedro (João 1:42), Ele disse: “Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)”. Cefas é a palavra em aramaico para Pedro.
A palavra grega é “Petros”. Ambas as palavras significam “rocha”. Seu novo nome era rocha, ‘Rocha Barjona’.

Agora, por que Jesus fez isso com ele? Bem, o Senhor tem um propósito em mente.
Por natureza, Pedro era impetuoso, andava vacilando, fez grandes promessas de fidelidade que não conseguiu cumprir.
Ele era um daqueles tipos de gente que coloca todo o coração em algum projeto e, em seguida, recua e sai.

O Senhor mudou seu nome, eu acho, porque Ele queria trabalhar com Pedro e queria trabalhar com ele de maneira imediata.
E foi muito fácil de fazer, uma vez que Jesus deu-lhe o nome de ‘rocha’. Se Jesus dissesse para ele, “Rocha”, ele estava agindo da maneira que o Senhor queria que ele agisse. Se chamasse Simão, Jesus estava dizendo que ele estava agindo como ele era, com sua velha natureza.

Simão era vacilante, impulsivo, impaciente, mas ele precisava ser Rocha (Pedro). E pela forma como o Senhor se dirigiu a ele, o Senhor estava ensinando-lhe lições.
“Simão, Simão, tu és Rocha (Pedro) e sobre esta edificarei a minha igreja” (Mateus 16:17-18). Grande diferença, grande diferença.

Há dois contextos em que ele é chamado de Simão.
O primeiro é um contexto secular. Refere-se, por exemplo, em Marcos 1:29 , Lucas 4:38 e Atos 10:17. Isso é apenas um contexto secular, a casa de Simão, nada a ver com o Ministério do Reino.
A sogra de Simão (Marcos 1:30; Lucas 4:38) ; O barco de Simão (Lucas 5:3), os parceiros de pesca de Simão (Lucas 5:10) . Então, quando a Palavra está se referindo a Simão puramente do ponto de vista secular, ele é Simão.

A segunda categoria é por algo pecaminoso. Sempre que havia pecado, ele era chamado de Simão.
Veja em Lucas 5:4: “E, quando Jesus acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar”.
Agora Lucas 5:5: “E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos…”
Como se dissesse: ‘Nós sabemos o que estamos fazendo, para que lançar a rede novamente?’

Mas ele diz: “Mas, sobre a Tua palavra, lançarei a rede” (v5). Após a pesca milagrosa, ele tem um quebrantamento.
Veja agora Lucas 5:8: “E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador”.
Agora é Pedro, o homem que se vê da maneira que Deus quer que ele veja a si mesmo. Quando ele é chamado “Pedro” significa que está havendo uma boa experiência.

Após sua ressurreição, Jesus havia ordenado aos apóstolos para irem para um monte e esperar por Ele: “E os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado” (Mateus 28:16).
Pedro, como um líder, conduz os demais a uma pescaria, ou seja, desobedecendo ao que o Senhor tinha dito: “aguardá-lo num monte”. Mas Pedro diz: “Vou pescar” (João 21:3).

Se você olhar para o texto grego, pode indicar que ele estava dizendo: “Eu estou voltando para fazer o que eu costumava fazer”.
E ele pode muito bem ter pensado: ‘Você sabe, eu tenho sido realmente um fracasso como apóstolo, eu neguei a Cristo três vezes com maldições. Eu falo demais. Eu já disse tantas coisas tolas. Eu quase me afoguei por falta de fé. Então, talvez seja melhor eu voltar a fazer o que costumava fazer. Vou pescar’.
E todos os outros discípulos foram com ele. Pedro era, de fato, o líder deles.

Eles entraram no barco e naquela noite não apanharam nada. Claro, o Senhor afastou deles todos os peixes. Nenhum peixe chegou perto daquele barco.
Jesus chegou e mandou que eles jogassem a rede do lado direito do barco. Os peixes, assim como os ventos na tempestade (Mateus 8:26-27), O obedeceram, e se aglomeraram em grande quantidade ao lado do barco.
Então, quando eles chegaram em terra, viram peixes já nas brasas e pão. Jesus tinha feito o café da manhã.

Jesus olha para Pedro e Ele diz isso: “Simão, Simão, tu me amas?”. Pedro responde: “Sim, eu te amo”.
Segunda vez: “Simão, Simão, tu me amas?” Ele responde: “Sim, eu te amo”.
Terceira vez: “Simão, Simão, amas-me?” Ele responde: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).
Então Jesus diz para ele fazer o que ele estava lhe ordenando. Isto é Pedro.

Jesus disse a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo” (Lucas 22:31), imediatamente antes de Pedro afirmar que nunca O negaria.
Então, quando você vê “Simão”, você está vendo situações de pecado ou elementos da vida secular. Quando ele é chamado de “Pedro” significa que está agindo segundo com sua nova natureza.

Você se lembra de Jesus no Getsêmani? “E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não podes vigiar uma hora?” (Marcos 14:37).
Jesus só poderia chama-lo de “Rocha” quando ele agisse como uma rocha.

João o conhecia bem, muito bem. Então, dezessete vezes em seu Evangelho, João chama-lhe “Simão Pedro”. Eu amo isso. João viu ambos os lados o tempo todo. Assim, ele simplesmente decidiu “Simão Pedro”. Às vezes Simão, às vezes Rocha.

Pedro era como todos nós, ok? Carnal e espiritual, funcionando na carne, por vezes, e no Espírito, por vezes. Pecaminoso, por vezes, justo às vezes.
O Senhor mesmo deu-lhe um nome para tentar reforçar o que Ele queria que ele fosse. Ele queria que ele fosse uma pedra, uma rocha.

Então, este homem, Simão em alguns momentos e Pedro em outros, é o líder dos doze. Como o Senhor desprezou pessoas hipócritas! Nada em Pedro era hipocrisia.
Este é o maior e mais proeminente pregador dos doze. Este é o homem que, mais do qualquer outro apóstolo, colocou os fundamentos da igreja, o qual Paulo daria seguimento mais tarde.

Pedro é o herói nos primeiros doze capítulos do livro de Atos. E este homem era tão Simão quanto Pedro.
E eu digo novamente o que eu vou dizer ao longo de toda esta série sobre os apóstolos: se Deus não poderia usar os indignos e os não qualificados, Ele não usaria ninguém.

Uma poesia diz: “Não há nada em um homem que seja perfeito Não há nada que está completo; mas ele é um grande começo, desde sua cabeça até as solas dos seus pés…”
Pedro foi um grande começo, mas um grande fim pelo poder de Cristo.

Pedro era o líder, sem dúvida. O Senhor o escolheu para ser o líder. O Senhor o equipou para ser o líder. O Senhor o moldou para ser um líder.
E assim, quando você olha para Pedro, você pode ver como Deus constrói um líder. Esta é uma ilustração clássica e bíblica de como Deus constrói um líder.
Se você quer saber como o Senhor molda um líder, estude sobre Pedro, ele é a chave para entender essa questão.

Os Evangelhos, literalmente, são preenchidos com o nome dele. A exceção de Jesus, o nome de Pedro é mencionado nos Evangelhos mais do que qualquer outro nome.
Ninguém falou tão frequentemente como Pedro e ninguém chamou Jesus de ‘Senhor’ tão frequentemente como Pedro.
Nenhum discípulo foi tão repreendido pelo Senhor como Pedro. E nenhum discípulo censurou o Senhor, mas Pedro fez isto.
Nenhum discípulo confessou audaciosamente e abertamente o senhorio de Cristo como Pedro, e ninguém o negou como Pedro.
Ninguém foi tão elogiado e abençoado como Pedro, e ninguém foi chamado de Satanás, mas Pedro foi.

O Senhor disse mais coisas duras a Pedro do que a qualquer outro. E isto era parte de um processo fazer dele o homem que Jesus queria que ele fosse. O líder desejado por Cristo.
Deus tomou um homem comum, vacilante, impulsivo, ambíguo, insubmisso e forma-o para ser o líder dos doze.
Ele tornou-se o maior pregador dos apóstolos, e em todos os sentidos, o poder real dos doze primeiros capítulos de Atos, que trata do nascimento da igreja.

Há três elementos para que o Senhor produza um líder. Nesta manhã veremos apenas o primeiro. Vou dar-lhe o primeiro esta manhã.
O primeiro é: a correta matéria-prima. Há sempre essa velha questão, líderes nascem ou são produzidos? Inclino-me para o entendimento de que eles já nascem líderes e, em seguida, são formados.

O Líder

O Senhor pegou o material certo, o homem que poderia ser moldado para se tornar um líder.
Havia uma espécie de características intrínsecas em sua personalidade que são fundamentais para os líderes. Tais características não podem ser desenvolvidas, elas são inatas, nascem com o líder.
Esta “matéria-prima” que constitui um líder tem três aspectos.

O primeiro é a curiosidade.Quando você está à procura de um líder encontra alguém que faz um monte de perguntas.
É realmente importante. As pessoas que não fazem perguntas não acabam como líderes.
A curiosidade é fundamental para a liderança.

As pessoas que estão satisfeitas com o que elas não sabem, com o que elas não entendem, com o que elas não analisaram e com problemas que não resolveram, não podem ser líderes.
Os líderes têm que ter uma curiosidade insaciável de saber o que eles não sabem e entender o que eles não entendem.
Eles entendem que o conhecimento é poder. Quem tem o conhecimento tem a liderança.
Se você quiser encontrar um líder, procure alguém que faz um monte de perguntas.

Alguns de vocês têm filhos assim. Há aqueles que fazem tantas perguntas, a ponto de deixar você cansado em dar tantas respostas. Esse é o tecido da liderança.
Aquele que sempre fica tranquilo e nunca pergunta, crescerá sem apresentar traços de liderança. Os líderes têm uma enorme curiosidade.

Nos Evangelhos, Pedro faz mais perguntas do que todos os outros apóstolos juntos.
Eu amo as pessoas que fazem perguntas. Elas estão sempre tentando entender o que está acontecendo.
Dizemos que existem três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que veem as coisas acontecerem e as pessoas que dizem apenas ‘ei, o que está acontecendo?’ mas não se envolvem. Este último é o tipo de gente que eu não preciso.

Segundo ponto, a iniciativa. Alguém apontado para liderança tem que ter iniciativa. Ele tem que ser o tipo de pessoa que faz as coisas acontecerem.
Pedro não só fez todas as perguntas como sempre foi o primeiro a responder a qualquer pergunta feita por Cristo. E, agindo assim, Pedro mergulhou em águas onde nem os anjos ousariam colocar o pé. Ele tinha muita iniciativa.

Quando Jesus pergunta “Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” (Mateus 16:13-14).
Então Jesus pergunta a eles: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:15-16).
Os outros ainda estavam processando as informações. Pedro foi muito rápido. Essa é uma parte da liderança: ser rápido no gatilho.

No Jardim do Getsêmani, os oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, vieram para ali com lanternas, archotes e armas para prenderem Jesus.
Pedro imediatamente saca uma espada e fere o servo do sumo sacerdote, que estava à frente da multidão.
Ele queria combater aquela multidão com sua espada. O Senhor o repreendeu e o mandou guardar sua espada.
Eu penso que algumas vezes essa iniciativa na liderança não provém de uma visão geral e profunda da situação. É apenas uma reação explosiva. Mas, acontece quando alguém exerce a liderança.

Eu prefiro recuperar alguém assim do que tentar motivar alguém para tomar a iniciativa.
Há algumas pessoas que você só tem que arrastar chutando e gritando em qualquer direção para frente. Não era o caso de Pedro.

Ele sempre quis saber o que ele não sabia. Ele sempre quis entender o que ele não entendia. Ele foi o primeiro a fazer uma pergunta e o primeiro a responder a uma pergunta.
Tomar a iniciativa, seguir em frente. Isto é característica de liderança. Mas, tudo isso tem que ser moldado. O que eu estou falando até aqui é tudo sobre matéria-prima.

No dia de Pentecostes, Pedro levantou-se no meio de Jerusalém, cercado pelos que haviam matado Jesus, diante da liderança religiosa e prega o Evangelho.
Isso exigiu uma enorme coragem, mas esse é o tipo de homem que ele era. No momento em que o Senhor moldou essa iniciativa, ela foi transformada em ousadia.

Há um terceiro elemento na matéria-prima dos líderes: envolvimento.
Um verdadeiro líder está no meio da ação. Ele não está sentado no fundo dizendo a todos o que fazer enquanto ele vive uma vida de conforto, longe da briga.
Um verdadeiro líder atravessa a vida com uma nuvem de poeira ao seu redor. E é por isso que as pessoas o seguem.

Jesus vem uma noite. Ele está andando sobre a água. Quem salta fora do barco? Pedro.
Ele está andando sobre a água e os demais apenas olhando para cima, talvez tentando se certificar de que não cairiam ao mar na tempestade.
E Pedro está lá fora, na água. Este é o envolvimento, o envolvimento sério. Jesus estava lá, ele foi ao seu encontro.

Você diz, sim, as pessoas olham para este incidente, criticam a falta de fé de Pedro.
Ele saiu lá, olhou em volta e pensou: ‘Oh, o que estou fazendo?’ E começou a afundar. As pessoas dizem: ‘Ah, ele teve fé fraca’.

Deixe-me lhe dizer algo sobre a sua fé. Onde estavam os outros onze? Eles não saíram do barco.
As pessoas olham para a vida de Pedro e dizem: ‘Bem, ele era vacilante, ele negou Jesus’.
Mas, antes de condenar Pedro, pense, ele estava sozinho em uma posição onde a tal tentação poderia atingi-lo, porque ele estava fazendo o seu melhor para ficar perto de Cristo como podia. Isso é um líder.
Eu não estou interessado em líderes que querem enviar mensagens de longe. Eu quero ver as pessoas que têm uma paixão para o envolvimento.

Essa é a matéria-prima que estava em Pedro, esse tipo de curiosidade, de iniciativa e envolvimento.
Ele fez todas as perguntas. Ele foi o primeiro a seguir em frente, assumindo qualquer responsabilidade do que precisava ser feito e ele queria estar no meio de tudo.

Isso é o material de que os líderes são feitos. E assim o Senhor moldou aquilo que Pedro já tinha ao nascer.
Francamente, se ele não fosse moldado pelo Senhor, teria sido desastroso.

O Senhor teve que o arrastar através das experiências certas para moldar essa matéria-prima.
O Senhor teve que lhe dar as virtudes certas, para que esse grande potencial de liderança fosse controlado por virtude.

E, na próxima vez, vamos ver essas experiências, como o Senhor o levou através das experiências que o moldaram e desenvolveram as virtudes que fizeram dele o homem que ele se tornou.

Nosso Pai, nós certamente vemos em Pedro, sem instrução e sem influência no mundo, um homem comum; e ainda, tecidas no tecido da sua própria natureza, havia o potencial, a matéria-prima que Tu precisavas e Tu lhe deste a fé para crer, e assim Tu o salvaste, santificaste, e, então, Tu o formaste através das experiências certas, das quais vieram virtudes para torná-lo o grande pregador do Evangelho que ele se tornou.
Ele pregou não só para os judeus, mas aos gentios, e foi fiel até o fim de sua vida.
Obrigado, Senhor, pela confiança que temos que Tu ainda estás usando as pessoas comuns para chamados incomuns.
Nós somos os indignos e os não qualificados que queremos ser moldados pelo Senhor Jesus para sermos usados, alguns de nós como Pedro foi usado, alguns de nós como Tiago, ou João, ou André, Filipe, Bartolomeu, Tomé ou Mateus, Tiago, Simão, Judas.
Nenhum de nós certamente quer ser como Judas Iscariotes.
Mas, Senhor, nós agradecemos por teres chamado tipos diferentes de pessoas para avançar Teu reino e Tu tens tão profundamente sucesso em usar os indignos e os não qualificados e demonstrar Tua glória na salvação, santificação e serviço.
Para isso, oramos que o Senhor nos uses e continues a nos instruir, à medida que nós aprendamos mais sobre esses homens maravilhosos que são para nós exemplos a seguir.
Agradecemos ao Senhor por aquilo que ouvimos hoje, em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de 12 sermões sobre o chamado dos apóstolos

01. O chamado dos doze apóstolos
02. O chamado de Pedro (Parte 1)
03. O chamado de Pedro (Parte 2)
04. O chamado de Pedro (Parte 3)
05. O chamado de André e Tiago (irmão de João)
06. O chamado de João
07. O chamado de Filipe
08. O chamado de Natanael (Bartolomeu)
09. O chamado de Mateus e Tomé 
10. O Chamado de Tiago (filho de Alfeu), Simão (o zelote) e Judas Tadeu 
11. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 1
12. O chamado de Judas Iscariotes – Parte 2


Este texto é uma síntese do sermão “Common Men, Uncommon Calling: Peter, Part 1”, de John MacArthur, em 20/05/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-72/common-men-uncommon-calling-peter-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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1 Resultado

  1. Rafaella disse:

    Muito bom! Muito bom!!

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