A origem do mal

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Nosso mundo está certamente preocupado com a questão das origens, de como tudo começou. Nós ouvimos sobre isso e lemos sobre isso o tempo todo.
A imprensa está sempre trazendo discussões sobre origens, como as coisas vieram a ser do jeito que são, quer em termos do universo físico, ou em termos do universo espiritual, em termos de sociologia humana ou anatomia humana.
Para saber a verdade sobre origens, temos que ir para a Bíblia. Deus nos deu a história das origens no livro de Gênesis. Em Gênesis 1 e 2 é revelada a origem do universo físico, tal como a conhecemos. Em Gênesis 3, a origem do mal.

Após os seis dias da criação, Deus descansou. Tudo o que Ele tinha feito, de acordo com Gênesis 1:31, foi muito bom e Deus descansou. Ele havia criado um universo perfeito.
Mas, vivemos em qualquer coisa, menos em um universo perfeito. E há uma razão. Quando você vem para o capítulo 3 de Gênesis, uma cena dramática ocorre e esta é a razão por que o mundo está do jeito que está.

O verdadeiro diagnóstico da condição humana decorre desse evento. Deus, o criador do universo, é inteiramente bom e somente bom.
E Sua criação original foi totalmente boa e somente boa. A bondade de Sua criação foi um reflexo da bondade de Sua natureza.

Agora, deixe-me ficar um pouco filosófico com você aqui. Deus não é o autor do mal. Se Deus tivesse criado o mal, então Deus seria tanto o bem e o mal.
E, se Deus era bem e mal, não haveria esperança para o triunfo final do bem que a Bíblia promete.
Se Deus fosse o próprio mal, Ele não poderia, portanto, triunfar sobre o mal, então o bem não poderia triunfar. Se Deus fosse a fonte do mal, Ele teria que ser o próprio mal.
E se Ele fosse o mal, em si mesmo, então não poderia haver nenhuma base para a salvação, pois Deus não poderia nos salvar do mal, se o mal estivesse em Sua natureza.

Assim, a revelação bíblica da bondade original da criação, protege a bondade de Deus. E isso nos informa que a fonte do mal está fora de Deus.
Como a fonte do mal está fora de Deus, Ele pode derrotar o mal e salvar os pecadores do mal.

A evolução, como é defendida pela ciência [e alguns ‘cristãos’ modernos chamados ‘evolucionistas teístas’], é dependente da decadência e morte, ou seja, de todos os efeitos ou reflexos do mal.
Então, se Deus tivesse usado qualquer tipo de evolução para criar, então Deus seria o autor do mal. Ele teria criado a decadência e a morte.

E se pensarmos que Deus usou qualquer forma de evolução, então Sua criação não seria perfeita, Ele não seria perfeito quando criou tudo, deixando a criação sujeita a decadência e a morte.
Se aceitarmos isto, teremos que aceitar que Deus também é a fonte do mal. Nosso Deus não é a fonte do mal. Deus é perfeito e inteiramente bom.

A questão então é: De onde veio o mal? Temos a resposta apenas através da Bíblia. É realmente inútil especular sobre isso. Ninguém nega a existência do mal, todos admitem a sua existência.
Nem todos admitem que o ser humano seja totalmente depravado e que tem o pecado original em si. Nem todo mundo admite que o ser humano seja mau e miserável em seu interior. Mas todos admitem a existência do mal.

E, de fato, o problema do mal no mundo ocupou as melhores mentes da história.
Um deles, Albert Einstein, um dos maiores cientistas da história, não tinha dificuldades para entender que o universo era um efeito e tinha que ter uma fonte.
E assim, Einstein concluiu que deveria haver uma mente por trás do universo. Ele rejeitou a ideia da matéria simplesmente batendo indefinidamente no espaço, até que, por acaso, formou o universo que agora existe.
Como ele disse: “O universo revela uma inteligência de tal superioridade que ofusca toda a inteligência humana”.

Não, Einstein não ficou perplexo por Deus como um criador. O que realmente o frustrou era algo muito mais resistente do que a doutrina da criação: o problema do mal e do sofrimento.
Ele sabia que tinha que ter um projetista para o universo, mas agonizava sobre o caráter desse projetista.
Como pode Deus ser bom e ainda permitir que coisas terríveis aconteçam às pessoas?
Einstein não podia resolver o problema da coexistência do mal com um Deus bom. Então, ele voltou-se completamente para longe do Deus da Bíblia.

Einstein era um determinista e isto o fez tropeçar. Ele via os seres humanos como máquinas complicadas, fazendo simplesmente o que eles foram programados para fazer por forças naturais e irresistíveis.
Na verdade, Einstein concluiu que os seres humanos eram como brinquedos de corda, você os enrola e eles fazem o que eles são fabricados para fazer.

Se é assim, concluiu, não pode haver tal coisa como moralidade, certo ou errado, pecado, culpa.
Se ações de uma pessoa são determinadas, se ele é apenas um brinquedo de corda, programado por uma mente cósmica para fazer o que foi projetado para ele fazer, então ele não pode ser responsável por aquilo que ele faz diante de Deus.
O homem, concluiu Einstein, não é mais responsável pelo que faz do que uma pedra é responsável por onde vai quando alguém a joga.

Quem é responsável? Bem, Deus tem que ser responsável, Einstein concluiu.
Mas se Deus é responsável, então Ele pode não ser um Deus bom se Ele for o responsável pelo mal.
E se Deus é responsável, o Deus do judaísmo ou o Deus do cristianismo, então Ele nos leva a fazer coisas ruins, assim como boas.

Se, Einstein disse, Deus fosse assim, Ele estaria constantemente julgando a Si mesmo como mau. Bem, ele não podia aceitar isso. Não podia aceitar que Deus poderia ser bom e mau.
E assim, ele determinou que Deus não é uma pessoa. E ele rejeitou o Deus do judaísmo, o Deus do cristianismo, o Deus da Bíblia, e ele concluiu que Deus existe como uma mente cósmica impessoal, como uma força racional que deu ao mundo sua estrutura racional.

Aqueles de vocês que estudaram filosofia, poderiam concluir que Einstein acreditava no Deus de Spinoza.
E a premissa de Einstein, de que os seres humanos eram apenas robôs, foi baseada na existência de uma mente impessoal e racional criadora daqueles robôs. Para ele, Deus não poderia ser uma pessoa com qualquer natureza pessoal.

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

Einstein estava errado. E como eu lhe disse algumas semanas atrás, quando eu estava falando sobre Einstein, em outro contexto, ele nunca conseguiu compreender totalmente a Deus como a força na criação.
Por isso que ele nunca estava satisfeito e morreu sem nunca ter realmente identificado o verdadeiro poder no universo.
Ele estava errado sobre Deus, pois Deus é um Deus pessoal. E Deus não é responsável pelo mal. E o problema com Einstein é que ele não cria nas Escrituras.

Agora, quando se trata da origem do mal, temos diversas opiniões proferidas por filósofos e pensadores no decorrer do tempo. E estas são as opções mais comuns:

Primeiro, você pode tomar a opção de Einstein , crendo que existe um poder cósmico impessoal, algum tipo de poder racional lá fora, sem personalidade, com nenhuma capacidade de se conectar a nós, mas com algum eterno poder cósmico.
Um poder racional impossível de ser compreendido por nós e que deu origem a tudo em nosso universo. Ou seja, Deus não é pessoal, não pode conhecer ou ser conhecido.

Segundo, você pode tomar a visão de que Deus nem mesmo exista.
Essa é a visão do ateu intelectual, que diz: não, não há força, não há poder, não há mente racional, não há absolutamente nada lá. E a realidade se fez por si mesma.
E já que não há Deus, não há mal e bem. Os conceitos de mal e bem são frutos da mente humana.

Terceiro: Você pode considerar que o sofrimento, o mal e a morte realmente não existem.
Deus é bom, e, portanto, tudo é bom, você apenas pensa que não é bom. Isso quer dizer que o mal, o sofrimento e a morte são ilusões.
Você diz: “Quem no mundo acredita nisto?” A chamada ‘ciência cristã’ crê assim. A ciência cristã não é nem cristã nem científica.
Os hindus também dizem que o universo inteiro é uma ilusão. Assim, você pode tomar algum tipo de abordagem mística esotérica para a realidade do mal e concordar com essas pessoas.

Em quarto lugar, você poderia dizer que Deus está além do bem e do mal.
Deus é transcendente e Ele não pode ser definido por qualquer conceito humano.
Isso fica muito perto de ponto de vista de Einstein, que Deus nem sequer mexe com essas coisas aqui em baixo. Talvez o deus dos deístas.

[Os deístas acreditam em um deus da natureza – um criador não intervencionista – que permite que o universo corra o seu próprio curso de acordo com as leis naturais].

Em quinto lugar, você pode considerar que Deus tem poder limitado.
Esta é uma nova teologia que está crescendo muito rapidamente, e, acredite, no meio do cristianismo evangélico.
Esta teologia diz que Deus está tentando chegar onde Ele quer chegar, assim como nós estamos tentando chegar onde queremos chegar.
Diz que as coisas ruins acontecem, porque Deus não pode detê-las, por isso acontecem coisas ruins a pessoas boas.
Ou seja, Deus realmente tem bons desejos, mas Ele não é soberano o suficiente para realizar Sua vontade.

Em sexto lugar, você pode dizer que Deus criou o mal.
E há pessoas que ensinam isso. Eu estava lendo alguns escritos delas esta semana.

Nenhuma dessas avaliações sobre o assunto é verdadeira. Nenhuma delas. Apesar do que pensava Einstein, Deus é pessoal, é relacional, e é bom. Deus existe como pessoa e não apenas como uma força.
O mal existe, assim como o sofrimento e a morte. Só um tolo vê isso como uma ilusão.
Deus não está além do bem e do mal. Ele não é tão transcendente que não esteja plenamente consciente do bem e do mal.
Deus tem poder ilimitado para fazer o que Sua vontade quer. Não há limitação para Seu poder.
E, finalmente, Deus não criou o mal.

Deixe-me colocar-lhe simplesmente. Deus não é responsável pelo mal; mas suas criaturas são.
Após a criação “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31).

Habacuque diz: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal” (Habacuque 1:13).
Paulo diz que “Deus não é Deus de confusão” (I Coríntios 14:33). A confusão é um produto do pecado.
João diz que “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (I João 1:5). Também diz: “Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (I João 2:16).

Tiago diz: “Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13).
O salmista diz: “Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal” (Salmos 5:4).
Os serafins proclamaram: “Santo, Santo, Santo é o Senhor…” (Isaías 6:3).

Você vê um vislumbre disto quando Jesus veio ao mundo. Deus em carne humana. Ele era santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores.
Deus não é mal e não fez o mal. Ele não pode ser tentado a fazer o mal. Ele nunca tenta ninguém a fazer o mal. Deus não é responsável pelo mal. A fonte do mal e do pecado está fora de Deus.
Quando Deus criou os anjos e criou os seres humanos, Ele lhes deu inteligência, deu-lhes razão, e Ele lhes deu escolha. E há uma sequência. Coloquei essas palavras nessa ordem para um propósito.

Inteligência: a capacidade de entender. A razão: a capacidade de processar esse entendimento em relação ao comportamento. E a escolha: a liberdade para determinar esse comportamento.
Inteligência, razão, e escolha. Resumindo: Com o que os seres criados por Deus sabiam, e com a capacidade que tinham de processar essas informações, eles seriam levados a uma escolha. E, sendo anjos ou homens, eles teriam a escolha, quer para obedecer a Deus ou não obedecer.

Ouça isto: Desobedecer a Deus foi iniciar o mal. Mal não é a presença de algo, o mal é a ausência da plena justiça.
Você não pode criar mal porque o mal não existe como uma entidade criada. Ele não existe como uma realidade criada.
O mal é um negativo. O mal é a ausência de perfeição. É a ausência de santidade. É a ausência do bem. É a ausência de justiça.
O mal se tornou uma realidade apenas quando a criatura escolheu desobedecer. O Mal entrou em existência, inicialmente, na queda de anjos e, em seguida, na queda do homem.

Basta colocá-lo desta forma em sua mente. O mal não é algo criado. Mal não é uma substância. O mal não é uma entidade. O mal não é um ser.
O mal não é uma força. O mal não é um espírito flutuante. O mal é falta da perfeição moral.
Deus criou a perfeição absoluta. Onde quer que exista a ausência da perfeição, o pecado existe. E o pecado não pode existir na natureza de Deus ou em qualquer coisa que Deus faz.
O Mal passou a existir quando as criaturas de Deus caíram abaixo do padrão da perfeição moral.

Agora, deixe-me dar um passo mais longe. Deus não criou o mal, Ele não é o autor do mal, Ele não fez mal.
Mas escute com cuidado, muito importante, Deus decretou usar o mal como parte do seu plano eterno. Ele não o trouxe o mal à existência. Isso seria impossível, porque Deus é bom, tudo de bom, e só é bom.
Portanto, tudo o que vem Dele é bom e só é bom. Deus apenas pode produzir o que é perfeitamente bom. O mal é a ausência do que é perfeitamente bom.

Mas, Deus não foi pego de surpresa. Ele decidiu que o mal seria parte de seu plano. Ele não é o criador do mal e não é a causa do mal.
Ele não é a causa do pecado, nem é a causa de pecados na vida das pessoas. Mas Ele usa o pecado para seus propósitos.

Muitos ficam intrigados com Isaías 45:7, que diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas”.
Isso é realmente uma má tradução e não é verdade. Se você ler o contexto de Isaías 45, é evidente que o assunto ali é o juízo.
Deus traz julgamento sobre o mal, criando assim uma calamidade pela qual o mal é julgado. É isto que o texto quer dizer.

Agora, ouça com atenção. As Escrituras sempre atribuem a culpa e a responsabilidade por todos os pecados às criaturas e não a Deus.
Gente, isso é tudo que sabemos. OK? Eu os levei tão profundamente quanto eu posso ir. Não há mais outro lugar para ir. Isso é tudo que sabemos. Além disso, atuamos em fé.

Nós sabemos algumas coisas. Sabemos que Deus é santo, certo? Sabemos que Ele é muito puro para contemplar a iniquidade e não pode tolerar o mal.
Sabemos que Ele não tenta nenhum homem, nem é tentado por qualquer homem. Sabemos que Ele é santo, santo, santo. Nenhum mal habita Nele. Ele é plenamente luz e não há trevas Nele.
Deus não é o autor da confusão. Ele não é a fonte do pecado. Sabemos que o pecado passa a existir quando a perfeição moral não é cumprida e que é um ato baseado no intelecto, razão e escolha feita por Suas criaturas.

Você diz: Por que Deus permitiria o pecado?
Não há nenhuma indicação específica, mas eu penso que podemos fazer uma especulação bastante razoável. Eu diria três razões, pelas quais eu acredito que Deus tenha permitido o mal.

Em primeiro lugar: o mal resultou na salvação de pecadores, certo? Deus teve que permitir o pecado em seu plano, embora não tenha sido o autor do mesmo, a fim de que pudesse salvar os pecadores.
Bem, por que Deus quer salvar os pecadores? Para colocar em evidência Seus atributos, que de outra forma nunca teria sido manifestos, certo?
Como é que Deus iria mostrar Sua graça, se não houvesse quaisquer pecadores? Como é que Deus iria mostrar Sua misericórdia, se não houvesse quaisquer pecadores?

Esses são uma parte ds atributos de Deus, que Ele quis revelar por toda a eternidade. Então, Deus providenciou um meio pelo qual poderia demonstrar graça e misericórdia.
Ele também queria mostrar Seu amor, que é de tão longo alcance que pode alcançar até mesmo Seus próprios inimigos que O odeiam.
Como é que Ele mostraria esse amor, se não houvesse inimigos?
Então, Deus permitiu o mal, a fim de que pudesse demonstrar graça, misericórdia, perdão e salvação.

Em segundo lugar: Ele permitiu o mal, a fim de que pudesse mostrar a Sua ira, o Seu juízo.
Como é que Deus revelaria parte de Sua verdadeira e eterna natureza, se não houvesse uma oportunidade para julgar os pecadores?
E assim, tudo o que você pode fazer é olhar para a história redentora e você verá a salvação de pecadores e a condenação dos pecadores.
Você vê, em última análise, um lugar preparado para aqueles que são condenados e um lugar preparado para aqueles que são salvos.
Você deve concluir, então, que o propósito eterno de Deus era poupar alguns e julgar alguns, a fim de que pudesse demonstrar tanto Sua graça, como a Sua ira.

Em terceiro lugar: Eu acredito que Deus permitiu o pecado, a fim de que pudesse eternamente destruí-lo.
Enquanto suas criaturas têm alguma medida de liberdade e inteligência (inteligência e razão), elas podem processar esse conhecimento para o comportamento e escolha, ou seja, elas podem escolher o que fazer, e têm potencial para fazerem a escolha errada.
Bem, não demorou muito para que fizessem isso. Não sabemos quanto tempo transcorreu desde a criação de Lúcifer até ele fazer a escolha errada diante de Deus, assim como não sabemos quanto tempo transcorreu entre a criação do homem até o mesmo fazer a escolha errada.
Só sabemos que Adão e Eva pecaram pela primeira vez quando ainda estavam no Éden e que não tinham filhos nessa época (eles tiveram Caim com aproximadamente cem anos de idade).

Assim, eles tinham que fazer uma escolha e o potencial de uma escolha errada hvia neles. Há uma dose de liberdade dada às criaturas através da qual elas podem escolher honrar ou desonrar a Deus.
A realidade do mal passa a existir quando a escolha errada é feita. E eu acredito que, uma vez que a escolha errada foi feita, Deus entrou em ação e pôde demonstrar Sua graça e salvação; bem como Sua ira em juízo; e então, finalmente, destruir o mal.

É quase como se Deus quisesse que o mal viesse à superfície para que Ele pudesse extirpá-lo.
Isso é o que vai acontecer quando toda a história da redenção for completada, quando todos os salvos estiverem com Ele e todos os perdidos sejam lançados no lago de fogo, juntamente com a morte e o inferno.
O que é que isso significa? Não haverá mais a morte, nem o inferno e nem o juízo. Por quê? Porque não haverá mais pecado.
Não há nada no céu que lembre um mundo pecaminoso, certo? Não haverá mais dor, tristeza, pecado e morte.
Então, eu penso que Deus, mesmo não tendo criado o mal, ordenou o mal dentro do seu plano eterno, por essas três razões: Salvar os pecadores, julgar os pecadores e destruir o mal eternamente.

Agora, ouça, podemos tecer algumas conclusões com base nessa explicação, e eu sei que parece simples para você, mas levei muito tempo para esclarecer isto em minha própria mente.
Resumindo: o pecado não tem existência autônoma, ou seja, o pecado existe nas criaturas, sejam anjos ou homens. Fora das criaturas, não há pecado. Não há nenhuma força flutuando por aí.
Pecado é a ausência da perfeição. O pecado é apenas uma escolha.
Dentro de seu decreto, Deus permitiu a escolha e sabia que essas escolhas seriam feitas da maneira que elas foram feitas.
Tudo estava previsto em seu decreto. Para quê? A fim de exibir tanto a Sua graça e Sua ira, e dar um eterno fim ao pecado.
Mas sempre, preste atenção nisto: aquele que escolheu o mal foi a fonte dele, sejam anjos ou homens.

No caso de Lúcifer, ele foi o agente iniciador do mal no reino angelical e, como veremos, ele trouxe consigo um terço dos outros anjos para segui-lo.
Agora, uma vez que os anjos não podem se reproduzir, Lúcifer não podia transmitir a semente do pecado.
Mas quando Satanás fez uma má escolha, ele conseguiu seduzir um terço do resto dos anjos. Mas eles caíram, por opção. Vamos ver essa escolha quando entramos nos profetas.

O mesmo aconteceu com Adão e Eva, só que agora teve um efeito diferente. Os anjos não poderiam se reproduzir e transmitir a semente do pecado. O homem poderia.
Quando Adão e Eva fizeram a escolha errada, toda a humanidade caiu junto com eles, porque todos nós descendemos dos lombos de Adão e Eva.
Assim, a fonte do mal está fora de Deus. A fonte do mal é a criatura.

Agora, vamos voltar a Gênesis 3. O que é essa serpente? O que é isso?
Você está no jardim, tudo é bom. Todos os tipos de criaturas de Deus estão lá.
Havia animais de vários tipos, tanto nos céus, na terra e na água. E Deus havia feito todos eles.
Havia aves e gado. Havia Animais de pernas curtas (o texto original em hebraico se refere a estes tipos de animais, não significando que se rastejavam literalmente no chão).

Bem, aqui encontramos uma serpente, “nachash” em hebraico. E é um nome para répteis. Nós não sabemos que réptil era este. A maioria entende ter sido uma cobra.
Você vai notar, mais tarde, no capítulo 3 versículo 14, que parte da maldição sobre esta serpente era que ela se moveria sobre seu ventre e comeria pó.
Então, quando a serpente apareceu pela primeira vez no jardim, ela não estava rastejando sobre seu ventre, pois isso foi parte da maldição.
Era algum tipo de réptil, de dragão ou algum tipo de serpente.

Quando você vem para o Novo Testamento, muito curiosamente, Satanás é chamado de serpente e dragão (Apocalipse 12:15-17 e 20:2), em ambos textos.
Então, em hebraico ele seria chamado “nachash” (serpente) e de “tannin” (dragão). Então, às vezes ele é um dragão; e às vezes é uma serpente. Então, temos de concluir que não sabemos o que era.

Mas a serpente é comparada a outros animais. Veja o versículo 1: “Era a mais astuta de todos os animais do campo”, o que indica que este animal pertencia ao reino animal.
Não era um tipo singular de criação. Foi um dos animais da criação (Gênesis 1:24-28 e 2:19-20). Não foi algum animal pré-amaldiçoado.
Era algum tipo de réptil falante, maior e diferente do que poderíamos supor ser uma cobra.
Eu li um comentário de que pode ter havido um monte de animais falantes no Éden. Bem, isto não está na Bíblia. Temos apenas a jumenta de Balãao (Números 22:28), mas ali foi o Senhor que a fez falar.
Porém, Eva não pareceu ter ficado muito chocada quando este réptil aparece e começa uma conversa com ela.

Mas há algo diferente sobre esta serpente em particular, porque ela disse à mulher: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?”.
Este animal em particular sabe sobre Deus, tem uma personalidade, fala com inteligência, tem uma má índole, desonesta e uma mente má.
Muitos dizem que esta história foi uma fábula ou uma lenda com um fundo moral [Inclusive no meio cristão]. Não é nem uma fábula e nem uma lenda.
Não há nenhum fundo moral nessa história. No verso 14, Deus amaldiçoou uma serpente e não uma fábula ou lenda.

Eu li de vários rabinos judeus que a serpente não estava realmente falando com Eva, mas o escritor, Moisés, usa uma serpente como um símbolo do mal crescente no coração de Eva.
Portanto, segundo esses rabinos, esta é apenas uma espécie de linguagem simbólica para se referir a coisas que se passavam na mente de Eva.
Não há como se pensar assim. Então, por que Deus amaldiçoou o réptil? E onde é que Ele diz que a serpente foi apenas um símbolo?
Por que não podemos, simplesmente, tomar a Bíblia e crer no que ela diz?
Eu creio que foi exatamente como a Bíblia diz que foi. E se achamos que não aconteceu dessa forma, então não poderemos confiar na Palavra de Deus.

Agora, esta criatura não era como qualquer criatura. Observe que “a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito” (3:1).
As cobras não são mais sutis ou astutas do que qualquer outro predador, qualquer outro animal que caça. A inteligência não é uma marca das cobras.

A Bíblia diz que aquela serpente era mais inteligente do que todos os animais. Um animal astuto, sutil, perverso e mau.
Ela estava sendo usada, por uma inteligência sobre-humana, para conduzir o homem a escolher o mal.
Uma escolha que ela já tinha feito e sofrido as consequência, mas Adão e Eva não tinham ideia do que aconteceria com eles após fazerem a mesma escolha.

Você vê, quando Lúcifer fez essa escolha, ele ambicionou ser como Deus, ter exaltação e a sua própria glória (Isaías 14:12-14).
Ele propôs a Eva: “Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (3:6).
Satanás descobriu imediatamente que ficou muito diferente de Deus. Deus é santo; ele se tornou miserável.
E ele diz a Eva que comer daquele fruto proibido a faria ser como Deus. Eva creu nisto e terminou na mesma situação, muito diferente de Deus quanto poderia ser.

Esta é uma serpente sutil. Esta é uma cobra que odeia Deus. Esta é uma cobra que está irritada sobre a circunstância em que ela se encontrava.
Satanás deve ter olhado para Adão e Eva, percebendo que era muito diferente de tudo o que ele conhecia.
Os anjos não se reproduzem, mas ali estava uma criatura que poderia se reproduzir e encher a terra da glória soberana de Deus.

Esta personalidade tinha um conhecimento mais natural. Ele sabia sobre a proibição. Ele sabia que Deus tinha dito, para não se comer daquela árvore.
Ele alegou não só saber o que Deus disse, mas afirmou conhecer mais do que Eva. Ele afirma: “Você certamente não morrerá” (v.4), desmentindo o que Deus tinha dito.
Seus pensamentos são moralmente desprezíveis. Serpentes comuns não têm pensamentos ou julgamentos morais.

Esta é uma criatura má em seus propósitos contra Deus e o homem. Ela promete a Eva dádivas sem igual, afinal ela promete que Eva seria como Deus.
Mas ela sabe que a escolha de Eva resultaria em vergonha, degradação, miséria e condenação. Ela já havia experimentado tudo isto.
O fato de que a serpente foi amaldiçoada, indica que ela era um ser moral responsável.

Agora, quem era essa criatura? Quem era esse? Satanás jamais é mencionado em Gênesis 3. Então, vamos para o fim da Bíblia para descobrir quem ele é.

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Apocalipse 12:9).

E aqui você encontra novamente estes dois termos, como que emprestados do hebraico: “nacash” e “tannin”, ou seja, serpente ou réptil e dragão (o mesmo relatado no capítulo 20:2).
Agora, há uma designação muito clara. Quem é aquela serpente? Quem é esse dragão? Ele não é outro senão o diabo e Satanás. Aqui, ele é claramente identificado.

E eu penso que a combinação dessas duas palavras que estão sendo usadas no Novo Testamento, juntamente com as duas palavras hebraicas, indica algum tipo de réptil que poderia ser chamado de uma serpente, por um lado e um dragão no outro.
Pensamos uma serpente como uma criatura sem pernas; e pensamos em um dragão como uma criatura com pernas. Talvez fosse algum tipo incrível de criatura inexistente hoje.

Temos um comentário no Novo Testamento sobre Gênesis 3, em dois lugares.

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (II Coríntios 11:3).

Há essa mesma ideia de astúcia, e aparece a serpente e Eva novamente. Aquilo não foi uma parábola, uma ilustração ou lenda. Foi real.
A serpente enganou Eva com a sua astúcia. A Escritura afirma e faz um comentário sobre a realidade de Gênesis 3.

“Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (I Timóteo 2:13-14).

O Novo Testamento afirma a história exatamente do jeito que aparece em Gênesis.
Isso é importante? É claro que é importante, porque além de confirmar o relato bíblico, estabelece o fato de que o homem é a cabeça da mulher, porque uma mulher fora da autoridade de seu marido, agindo de forma independente, é mais suscetível ao engano.
Assim, nós temos no Novo Testamento a identidade clara de quem a serpente era, e a afirmação dessa tentação pelo diabo.

Agora, o que podemos dizer ao resumir tudo isso? A personalidade, digamos, no réptil, não é identificada em Gênesis 3.
Mas podemos saber isto: há uma verdadeira personalidade lá. Há uma personalidade de oposição a Deus, colocando a Palavra de Deus em dúvida, questionando o caráter de Deus, desmentindo a Deus.
E mais, dizendo: “Deus não quer que você saiba tudo, porque Ele é egoísta, Ele quer dominar tudo”.
Então, aqui está uma personalidade má, que quer mergulhar a humanidade na mesma miséria que ele está.
Ele sabia das consequências desastrosas de sua escolha, mas ele procura somente o mal, e procura induzir o homem no mesmo caminho.

E assim, Satanás corre para destruir o homem. Ele é enganador. Ele está mentindo. Ele é hostil. Ele é mau. Ele é um assassino.
Ele quer provocar a destruição não só de todos os anjos que foram com ele, mas a morte de toda a raça humana.
Tão poderoso como ele é, tão mau quanto ele é, ouça isto, ele está sujeito ao controle soberano de Deus.
Agora escute, sua tentação a Eva não implica qualquer compulsão de sua parte. Ele não poderia fazê-la pecar. Ele não tem esse poder.

Agora, deixe-me dizer-lhe uma coisa: O diabo, mesmo hoje, ainda não pode fazê-lo pecar. Você ouviu isso? Ele não pode fazer você pecar.
Quando você peca, você arca com a sua própria responsabilidade. Ele não tem o poder de fazer você pecar.
Ele não tinha o poder de fazer Eva pecar. Ela pecou por sua própria escolha. E Adão e Eva são totalmente culpados por seus pecados.
Ele é um poder maligno, mas ele está sujeito ao controle soberano de Deus. Vamos ver isto na história de Jó, na próxima semana. O seu poder tem limites.

Pense nisso desta maneira, ele pensou que poderia ser como Deus. Mas adivinhem? Ele não é onisciente, não é onipotente, não é onipresente, não é imutável e não é soberano. Ele não conseguiu ser o que queria.
E, como Lutero disse: “O diabo é diabo do Senhor”. Ele trabalha dentro dos propósitos soberanos de Deus, para a salvação de pecadores, a condenação dos pecadores e o triunfo final e destruição sobre o mal.

Dando uma prévia do que veremos na próxima semana, Satanás é uma palavra que significa ‘adversário’ ou ‘oponente’. Ele é o adversário de Deus, e ele é o adversário do homem.
Ele poderia ser chamado de “o adversário”. Veremos na próxima semana como ele caiu e a razão de sua queda. Tudo bem, temos o suficiente para hoje.

Pai, Tua Palavra novamente dá luz e é a verdade aberta para nós.
Nós Te agradecemos pelo poder que há em nós em Cristo, que nos permite fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que poderíamos pedir ou pensar.
Agradecemos-Te que Satanás foi colocado sob nossos pés, como o livro de Romanos nos diz.
Agradecemos-Te que ele é um inimigo derrotado.
Obrigado que podemos resistir a ele e ele irá, literalmente, fugir de nós com medo.
Que grande confiança! Obrigado pelo poder interior do Espírito Santo.
Nós Te agradecemos pela espada do Espírito, a empunhar da verdade que nos faz triunfar.
Nós agradecemos por ter nos mostrado que Tu és um Deus bom, e só bom, e sempre bom, e tudo de bom, e que Tu não criaste o mal.
Embora Tu tenhas dentro de Teu plano um lugar para o mal, a fim de poder colocar a Tua glória em exibição.
E que, no final Tu destruirás o mal para sempre. Ansiamos pelo dia em que viveremos em um mundo perfeito, onde não haverá pecado, tristeza, sofrimento, morte, porque o pecado não existirá mais.
Até esse dia, que possamos continuar a sermos triunfantes em vencer o maligno pelo poder de Tua Palavra.
Agradecemos em nome do Salvador. Amém.


Esta é uma série de diversos sermões sobre Gênesis. Abaixo os links dos já publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The Origin of Evil”, de John MacArthur em 13/02/2000.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/90-235/the-origin-of-evil?Term=Why%20Does%20God%20Allow%20So%20Much%20Suffering%20and%20Evil

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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1 Resultado

  1. Rafaella disse:

    Nunca li algo como isto. Muito claro e muito explicativo.
    Se tivesse páginas e mais páginas continuaria lendo. Senti como da primeira vez que li o livro “O homem do céu”, não dá vontade de parar de ler.
    Tremendo.
    É mais tremendo ainda ver como a palavra de Deus é perfeita. O que Jesus disse é muito real: “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”…
    Como preciso conhecer mais a Deus através da Sua santa Palavra.
    Como Deus é bom.

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