A transfiguração de Jesus – 1

Imprimir
Lucas 9
26 Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.
27 E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus.

Este tremendo acontecimento na vida de Jesus centra-se monumentalmente na Sua glória.
Na verdade, a porção das Escrituras que veremos hoje e no próximo domingo, foi o evento mais importante na vida de Jesus entre seu nascimento e sua morte.
É entre seu nascimento e sua morte a revelação mais importante da sua pessoa.

Não demorou muito para que a atitude do mundo em direção a Jesus Cristo fosse de hostilidade e de planos malignos contra Ele.
Com trinta e três de idade, os judeus e gentios haviam se reunido para, finalmente, assassiná-lo.
E para o mundo, a última visão de Jesus foi vê-lo pendurado em uma cruz.
Apenas Seus discípulos o viram depois da ressurreição. Apenas Seus discípulos O viram subir ao céu.

O mundo o viu pela última vez como um criminoso que morreu de forma desprezível numa cruz, um tipo de morte para o refugo, os delinquentes, a escória da sociedade.
Do ponto de vista dos gentios, era a maneira de demonstrar o maior desdém para um tipo mais miserável de pessoa.
Do ponto de vista judaico, foi uma demonstração de que essa pessoa tinha sido amaldiçoada por Deus.

Essa é a última imagem que o mundo teve de Jesus, o Jesus crucificado.
E essa imagem é continuamente reforçada por milhões e milhões de crucifixos espalhados pela Igreja Católica Romana.
Mas essa não será a última visão que o mundo vai ter de Jesus. Ele estará aqui novamente.

Após Sua morte, Ele ressuscitou dos mortos, foi visto por mais de 500 testemunhas oculares. Testemunho que é dado no Novo Testamento.
Depois disso, ele se comunicou com seus discípulos por quarenta dias, e, em seguida, subiu ao céu diante deles.
Antes de ir, prometeu que voltaria. Ele falou sobre isto publicamente durante sua vida.

Quando o sumo sacerdote lhe disse: “Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Mateus 26:63), Jesus respondeu:
“Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64)

As duas vindas de Jesus: a primeira em seu nascimento como um bebê, a segundo em sua coroação como Rei.
A primeira em humildade, a segunda em glória. A primeira como um servo, a segunda como um soberano.
As duas vindas de Jesus são o foco da profecia. Elas são os dois grandes temas da profecia bíblica.

Há 330 profecias sobre Jesus, no Antigo Testamento, que foram cumpridas em sua primeira vinda.
Há mais de 1.500 profecias a serem cumpridas em sua segunda vinda.
Trezentos e dezenove versículos do Novo Testamento olham para a Segunda Vinda de Jesus Cristo.

No dia de natal, através de uma mistura de paganismo e materialismo, o mundo faz uma celebração simulada da primeira vinda de Jesus. O mundo vê apenas a primeira vinda.
O mundo tolerou a história de um humilde bebê em Belém, porém logo o perseguiu e o matou. E na sua volta, o mundo vai odiá-Lo.
Ele não voltará manso, humilde, gentil e amoroso, mas como juiz soberano para julgar o mundo.

A primeira menção da segunda vinda de Jesus, no evangelho de Lucas, vem dos lábios do próprio Jesus, quando Ele afirma que voltaria na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos (v.26).

A pergunta de muitos é: Jesus disse que voltaria, por que deveríamos crer Nele? Ele não era apenas um homem que fazia milagres tal como fizeram os apóstolos e outros homens no Antigo Testamento?
Por que deveríamos crer que Jesus é o Deus soberano do universo, aquele que vai voltar para estabelecer o reino eterno de Deus neste mundo. Por que deveríamos crer?

A Sua segunda vinda não aconteceu ainda, como você sabe.
Pedro registrou: “Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (II Pedro 3:3-4).

Os céticos e os escarnecedores deleitam-se em dizer que Jesus não voltou. Dois mil anos se passaram.
O que há em suas palavras para fazer-nos crer que Ele estava nos dizendo a verdade? Essa é uma pergunta muito importante.
Deus lidou com isso no Antigo Testamento. Por que você deveria crer quando alguém faz uma profecia para um futuro distante?
Então gerações vêm e vão, vivem, morrem e desaparecem e não veem o cumprimento dela.

Por que então devemos crer que Ele vai voltar?
Os profetas do Antigo Testamento profetizaram o reino milhares de anos antes de nós. Por que crer neles então, quando disseram que um reino estava por vir?
Por que crer nos profetas do Antigo Testamento, quando disseram que haveria um julgamento vindouro, em quem Deus iria mandar de volta o grande juiz, o Messias, para julgar os pecadores e condená-los?
Por que deveríamos crer nessas profecias de cumprimento em um futuro desconhecido por nós? Como sabemos que esses profetas falaram a verdade?

Deus tem uma maneira de lidar com isso. Enquanto você lê o Antigo Testamento, nota que os verdadeiros profetas não só fizeram profecias sobre um futuro distante, mas eles fizeram profecias sobre um futuro próximo.
Eles muitas vezes profetizaram sobre o distante futuro juízo de Deus, mas eles também falaram profecias que iriam acontecer na vida das pessoas que estavam os escutando.
Isto provava de que eles falavam a revelação de Deus e poderiam ser confiáveis sobre o que diziam sobre o futuro distante. É assim que eles provaram ser verdadeiros profetas.

E Jesus segue nesse mesmo padrão aqui:
“Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos. E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus” (v. 26-27).

Como se Ele dissesse: “Demonstrarei a confiabilidade desta verdade, dando a alguns, que estão aqui, um vislumbre da minha gloriosa volta. Antes de vocês morrerem, vocês verão a realidade do reino de Deus”.
Jesus havia dito antes: “Em verdade, em verdade vos digo”, dando um peso ao que estava por dizer.
Eles não “provariam a morte” antes desta revelação. “Provar a morte” (como em Mateus 16:28 e Marcos 9:1) era uma colocação hebraica, pois a morte era vista como o “cálice amargo do sofrimento, o pior gosto de todos”.

Aqueles homens estavam abalados por Jesus ter dito, momentos antes, que seria morto pela liderança religiosa dos escribas e fariseus, mas que ressuscitaria (Lucas 9:22).
Pedro turbou-se e disse-lhe: “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso” (Mateus 16:22). Jesus o repreendeu duramente (Mateus 16:23), pois a cruz fazia parte do plano eterno do Pai.

Eles não queriam que Jesus morresse. Isso não estava no plano deles. Eles esperavam que Jesus estabelecesse seu reino na Terra e eles seriam pessoas proeminentes naquele reino.
Jesus havia dito que iria morrer, mas acrescentou que “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23).
Ou seja, Ele iria perder a vida, mas quem o seguisse também perderia. Era o caso dos discípulos ali.

Isto foi chocante para aqueles homens. Eles pensaram em um caminho glorioso para o reino, mas agora descobrem que Jesus iria ser morto e eles iriam morrer também.
Em seguida, Jesus diz que voltaria em glória. Eles poderiam estar pensando: “Como é possível isto? Ele vai morrer e nós também, como podemos crer neste futuro glorioso?”.

Eles tinham visto o poder do Reino através de operações de sinais e maravilhas por Jesus. Além disso, Jesus havia dado a eles o poder de fazer o mesmo. Eles viram o reino operando no mundo físico.
Eles puderam contemplar o reino com seus olhos e ouvidos. O reino já havia sido manifesto a eles em termos humanos, visíveis.

Jesus fez algumas afirmações acerca de manifestações do poder do reino:
“E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” (Lucas 10:9).
“Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus” (Lucas 11:20).
“A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” (Lucas 16:16). Era como se Jesus lhes dissesse: ‘Vocês já ouviram o evangelho do reino, vocês já viram o poder do reino!’
“Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós”. Eles conheciam o poder do reino, porque viram os milagres.

Mas isso era ver o reino a partir da perspectiva humana. Seria como perguntar-lhes: – Vocês já viram o poder do Reino?
E eles responderem: – Bem, nós temos visto o poder do Reino sendo demonstrado pelo poder de Deus, transformando vidas, salvando pecadores. Esse é o reino de Deus. Nós vimos o poder do Reino operar sinais.
Mas, o que Jesus lhes disse significava: – Eu mostrarei mais do que a percepção física, vou mostra-los o próprio reino. Vocês verão a realidade deste reino. Você verão o reino eterno, sua glória e o poder que será exibido na Minha vinda’.

Lucas 9
28 E aconteceu que, quase oito dias depois destas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte a orar.

Muito importante esta referência ao tempo, para mostrar que este é o cumprimento do que Ele disse. “Quase” significa que não é uma indicação precisa de oito dias. Mateus e Marcos dizem seis dias (Mateus 17:1 e Marcos 9:2).
Mateus e Marcos contaram os dias excluindo o dia da profecia e o dia do cumprimento. Lucas incluiu ambos. Isso é comum na cronologia bíblica, ver o tempo contado em ambos os sentidos.

Naquele oitavo dia, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e os levou com Ele para cumprir o que Ele havia prometido.
Levando Pedro, Tiago e João, Ele fez o mesmo quando ressuscitou a filha de Jairo (Lucas 8:51-55) e no Jardim do Getsêmani (Mateus 26:37). Eram eles os três apóstolos mais íntimos.

Por que Ele escolheu três? A resposta está no Pentateuco:
“Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniquidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato” (Deuteronômio 19:15).

Tudo que é indicado para ser verdade deve ser confirmado pela boca de duas ou três testemunhas, para que seja crível. Pedro, Tiago e João estavam lá para isto.
Jesus escolheu esse três para liderar os demais e para cumprir a exigência que o próprio Deus estabeleceu sobre a validação do testemunho.
E, a propósito, ‘duas ou três testemunhas’ é uma expressão repetida no Novo Testamento, como um padrão de testemunho, para que algo seja crível (Mateus 18:16; II Coríntios 13:1; I Timóteo 5:19).

O texto diz que “subiu ao monte para orar”, uma atividade comum, Jesus fez isso muitas vezes. Lucas registra a vida de oração de Jesus e seus apóstolos mais do que os outros escritores.
Mateus diz que foi uma alta montanha (Mateus 17:1), em algum lugar perto de Cafarnaum. E o que vai acontecer lá é a maior revelação de Jesus entre seu nascimento e sua morte.
É um vislumbre da glória do reino eterno e o reino que se manifestará na sua gloriosa volta.
A glória de Cristo foi manifestada de quatro maneiras. Veremos duas delas hoje e duas na próxima semana.

A Transformação do Filho

Lucas 9
29 E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente.

Eu amo o jeito discreto em que a Bíblia expressa coisas em termos muito simples, e ainda assim o evento é tão profundamente inexplicável. As palavras são tão fáceis de entender.
Somente Jesus estava orando, o verso 32 diz que os outros dormiam. Eles dormiam em uma reunião de oração tão importante, tal como fizeram no Getsêmani (Lucas 22:45).

Eles pareciam ser vencidos pelo sono. Isso pode indicar algo de seu cansaço, mas, na verdade, em Lucas 22:45 diz que, no Getsêmani, eles adormeceram por causa da tristeza.
E eles estariam tendo um alto nível de ansiedade aqui, porque Jesus tinha acabado de lhes declarar que seria morto pelos líderes de Israel. Isto não se encaixava no sistema da mente deles.

E, no momento da sua oração, a aparência do seu rosto tornou-se “ἕτερον” (heteron), palavra grega que significa “diferente”.
Ficou diferente do que? Diferente do que sempre foi. Mateus explica como “transfigurado”, usando um verbo grego, “metamorphōthē”, significando que uma metamorfose ocorreu.
Você sabe o que isso significa, não é? Um exemplo de metamorfose é quando uma larva (ou lagarta) se transforma em uma borboleta. Ou seja, transformou-se em algo totalmente diferente.

Eles o haviam conhecido apenas como um ser humano. Seu corpo tinha sido um corpo como o corpo de qualquer ser humano.
Quando vieram os pastores à manjedoura, eles viram um bebê que se parecia com qualquer outro bebê.
Quando Maria pegou o bebê, Ele se parecia com qualquer outro bebê que ela tinha visto.
Quando José olhou para o rosto daquele garotinho correndo em volta da carpintaria, em Nazaré, Ele parecia com qualquer outro menino que José já tinha visto.
Ele tinha as mesmas características humanas que qualquer menino tem, quando estava no meio dos doutores, aos doze anos de idade, ouvindo-os e interrogando-os.

E essa era a maneira pela qual os discípulos O viam. Quando Ele ensinava, falava como um homem. Ele comia, andava, dormia como qualquer outro homem.
Eles sabiam que havia poder do reino nEle e um poder sobrenatural, mas que não era visível em sua forma física.
Ele não andava por aí com um “halo” sobre sua cabeça, como é visto nas artes medievais.
[“Halo” = áurea ou auréola sobre a cabeça, como costumamos ver nas pinturas e esculturas católicas].

Não havia nada na sua humanidade para distingui-lo de qualquer outro homem.
Mas, creio eu, sua aparência deve ter sido superior a de qualquer outro homem, pois não havia nEle a mancha do pecado e da queda.

Mas, de repente, uma metamorfose ocorre e Mateus diz que seu rosto brilhava como o sol (Mateus 17:2). Lucas diz que “sua roupa ficou branca e mui resplandecente” (Lucas 9:29).
No grego, o sentido é que de repente seu rosto ficou tão resplandecente como um sol do meio-dia e que Jesus tornou-se deslumbrante e brilhante como um relâmpago.

Isto é Deus. Esta é a “Shekinah” de Deus (Shekinah é uma palavra que aparece com frequência na Bíblia hebraica, indicando a presença de Deus).
Quando Deus se manifestou no Velho Testamento, Ele se manifestou como luz. “Deus é luz e nele não há treva alguma” (I João 1:5). E a luz é sinônima de vida eterna.

Deus tem manifestado a vida de seu Espírito na luz. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12).
E aqui foi uma visão incrível da vida eterna. Isto é o que a vida eterna parece quando é traduzida como sendo uma luz.
E é permeada através de seu corpo transfigurado. Literalmente Ele está em chamas, como o sol do meio dia.

No Antigo Testamento, a glória de Deus apareceu algumas vezes.
Quando a glória de Deus repousou no Sinai, o fez na forma de uma luz de fogo ardente (Êxodo 3:1-6).
A glória de Deus apareceu na montanha, quando Moisés disse: “Deixe-me ver a tua glória”.
Moisés não viu a face de Deus, mas Deus lhe permitiu ver um pouco de sua glória pelas costas (Êxodo 33:18-23).
E quando Moisés desceu da montanha, cheio da glória do Senhor, seu rosto estava como que em chamas com a luz refletida (Êxodo 34:29-30).

Quando o tabernáculo foi concluído (Êxodo 40), a glória de Deus desceu do céu, foi até a tenda e, em seguida, foi direto para o Santo dos Santos.
Havia o símbolo da morada de Deus lá como que em chamas de luz.
E quando chegava a hora de mover o tabernáculo, a luz subia e levava o povo como uma nuvem de luz durante o dia e como uma coluna de fogo durante a noite.

Quando o templo foi terminado (I Reis 8:10-11), a Palavra diz que a glória de Deus veio outra vez para dentro do Santo dos Santos, no templo. Deus se manifestou em chamas de glória.
Deus escolheu a luz como forma de revelar a essência de Sua eternidade espiritual para o homem.

Ele voltará em chamas de glória e luz (Mateus 25:31).
Ele é revelado no Apocalipse com “olhos como chama de fogo, pés semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, rosto como o sol, quando na sua força resplandece” (Apocalipse 1:14-16)

Em Apocalipse 21 é mais uma vez revelada sua glória em chamas de luz:
“E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. E as nações dos salvos andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite” (Apocalipse 21:23-25).

Se você já se perguntou quem é Jesus? Ele é o Deus eterno. Ele é a própria essência da luz. A luz não brilha sobre Ele, ela brilha a partir Dele. Ele é a luz.
Quando Ele disse “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12), Ele quis dizer isso. Não há dúvida sobre quem Ele é. Ele apareceu como um homem, mas ele é a eternidade.
Ele apareceu como um servo, mas é, essencialmente, a vida eterna, o Deus verdadeiro.

Por um momento Ele foi revelado. Pessoas que negam a divindade de Cristo têm um grande problema com esta passagem, porque aqui é glória que sai de dentro dele.
É a expressão mais verdadeira do seu ser essencial como Deus. Assim, a transfiguração do Filho prova que Ele é o Rei, prova que Ele é o Filho eterno.

A associação dos santos

Lucas 9
30 E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias,
31 Os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém.

Seria uma coisa ver apenas Jesus lá. Isso seria suficiente, mas, de repente, surgem mais dois homens. E novamente, eu penso que é reflexo do mesmo princípio de duas ou três testemunhas.
Dois homens a afirmar Jesus como o Messias prometido. E estes dois homens estão de pé lá, falando com Ele sobre a sua partida, sobre a sua morte.
Sua morte não foi uma violação de algum plano divino, mas aqui estão Moisés e Elias conversando com Jesus sobre a morte planejada na eternidade.

Moisés sabia qual era o plano. Afinal, Moisés havia sido o instrumento pelo qual Deus tinha ordenado todo o sistema de sacrifício.
Tudo veio através de Moisés, ele recebeu toda a instrução sobre o sistema sacrificial, que simplesmente era um símbolo daquele que viria a dar sua vida pelos pecadores.
Não surpreendeu Elias, pois a mensagem dos profetas foi que o Messias viria e traria salvação para os pecadores. Tanto a lei como os profetas confirmaram o Rei.

Moisés e Elias eram homens. Isso é interessante, porque no reino eterno, quando chegarmos lá, vamos ser quem nós somos. Se você é um homem, será um homem. Se mulher, será uma mulher.
Não seremos algum tipo de andrógino ou espírito flutuante. Mas não seremos como nós estamos aqui, seremos o que somos na absoluta perfeição divina.

E eles estavam conversando com Jesus sobre o perfeito cumprimento do plano eterno.
Por que Moisés e Elias? Olhando para o Velho Testamento, se formos pensar em dois personagens mais proeminentes, com saídas incomuns desta terra, os dois primeiros que vêm à minha mente são Moisés e Elias.
A maioria das pessoas morreu e foi sepultada junto a seus pais, certo? É um tipo de coisa rotineira, mas não com Moisés e Elias.

Moisés teve uma morte muito incomum e seu corpo nunca foi encontrado. Houve uma batalha sobre o seu corpo entre Satanás e o arcanjo Miguel (Judas 1:9).
Deus tomou o corpo de Moisés e o enterrou em local desconhecido (Deuteronômio 34:5-6).

Então alguém poderia levantar a questão: Bem, o que aconteceu com Moisés? Bem ele estava ali, do outro lado. Seu corpo nunca foi achado, mas ele está com Cristo. É tudo que sabemos.
E Elias? Este nem mesmo morreu. Ele teve um arrebatamento privado. Foi levado vivo para o céu numa carruagem de fogo (II Reis 2:11). Deus simplesmente o pegou na sua carruagem particular.

Eles estavam falando da partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém.
Moisés foi, e continua sendo, o mais reverenciado nome entre os judeus. O maior líder da história de Israel. Ele conduziu a nação para fora do cativeiro no Egito. Ele deu o Pentateuco.
Elias era uma pessoa tão piedosa e tão amada por Deus, que, como Enoque, foi levado vivo para o céu.

Moisés representa a lei e Elias, os profetas. O Antigo Testamento foi sempre chamado de “a lei e os profetas”.
Elias tinha lutado contra a idolatria. Moisés deu a lei, e Elias a guardava. Ele foi provavelmente o principal guardião da lei de Deus entre o povo.

Em I Reis 17 a 19 e II Reis 1 e 2, Elias lutou pela lei, lutou pela honra de Deus contra a idolatria. Deus validou suas profecias com milagres.
Moisés, o legislador proeminente, Elias, o profeta proeminente, eles representam o Antigo Testamento. Eles representam os santos.
E lá eles estão em pé na presença de Jesus, conversando com Jesus sobre a cruz.

Não poderia haver ninguém mais para dar mais segurança a Pedro, Tiago e João que Moisés e Elias.

Você diz: “Bem, como é que eles sabiam que eram Moisés e Elias?”.
Eles provavelmente se apresentaram ou foram revelados a eles pelo Senhor.

Você pode pensar: “Mas não é verdade que os santos só vão receber os seus corpos glorificados depois da tribulação?”.
É isso mesmo, os santos do Antigo Testamento são os espíritos dos justos aperfeiçoados (Hebreus 12:23), seus espíritos estão no céu, seus corpos ainda não ressuscitaram dentre os mortos.
Eles estarão no momento do final da grande tribulação, quando Jesus voltar para estabelecer Seu reino.

Você pode estar se perguntando: “Onde eles conseguiram seus corpos visíveis?”
Bem, do mesmo jeito que o Senhor os fez aparecer de um modo tão incomum, Ele tem poder e autoridade para fazer com que os dois aparecessem de forma visível naquele momento.
Eles podem ter recebido seus corpos visíveis apenas para aquela ocasião, ou apenas se manifestaram de forma visível, ou quem sabe eles podem ter já recebido seus corpos, antes do tempo da ressurreição.
Seja lá como for, o Senhor é Deus e cuidou dessa questão como quis.

Ali estavam os homens que muito bem representam a lei e os profetas do Antigo Testamento. Não é maravilhoso? O Senhor tem tudo ordenado em seus planos.
Os dois homens mais representativos do Antigo Testamento estão com Jesus em Sua glória. Foi uma confirmação da divindade de Jesus e de que Ele era o Messias.
Foi a confirmação de que o plano de Deus estava dentro do cronograma, a confirmação de que ele resultará em glória.

O verso 31 diz que eles apareceram em glória. Isso quer dizer que eles são uma parte de toda aquela majestade e glória.
O que eles falavam? “Falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” (v.31).
Isso é maravilhoso. A palavra “cumprir” significa que a cruz não foi um acidente ou uma violação. Foi o cumprimento do plano eterno.

Então, lá estavam eles com o tipo de corpo que cada redimido terá. Exatamente como a Palavra diz:
“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Filipenses 3:20-21).

O verso 32 diz: “E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua glória e aqueles dois homens que estavam com ele”.
Eles estavam dormindo e acordaram diante desta cena. Na próxima semana veremos o que aconteceu.

Pai, nós te agradecemos pela manifestação da glória de Cristo de forma tão gloriosa.
Quando pensamos, através das Escrituras, sobre onde vamos além do que é visível, para outro mundo, como se fosse para o reino eterno, além da nossa mortalidade, humanidade, além do espaço e do tempo, os vislumbres são raros.
Nós os vemos nas visões dos profetas. Nós os vemos nas visões de João no Apocalipse.
Nós vemos aqui de uma forma muito original, como se estivéssemos lá com Pedro, Tiago e João, a revelação do que Cristo realmente é.
E para sermos lembrados novamente que Tua partida, incluindo Tua morte, foi parte do plano eterno que se cumpriria em Jerusalém.
Somos lembrados como o reino eterno opera no tempo, no espaço, em um país, em uma cidade através de seres humanos, para alcançar resultados divinos e sobrenaturais.

Agradecemos-Te por esse vislumbre do que está por trás daquilo que é visível.
Ansiamos em abraçar a plenitude deste acontecimento quando nos reunirmos novamente na próxima semana, para ver a glória de Cristo na pré-visualização de Sua volta.
Nesse meio tempo, Senhor, nós Te honramos. Isso apaga qualquer dúvida sobre Teu reino eterno.
Tu levaste teus amados apóstolos para serem testemunhas oculares de Tua glória.
Assim que João disse: “Nós vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.
E assim que Pedro escreve: “Nós vimos a sua glória, quando estávamos com Ele no monte santo”.
E o registro fica do Cristo revelado, nosso Senhor e Salvador.
Nós nos curvamos a Ti, nosso Senhor e Deus, Redentor e Rei.
Amém.


Este sermão é uma série de 2:

A transfiguração de Jesus (1)

A transfiguração de Jesus (2)


Este texto é uma síntese do sermão “Glimpse of the King’s Return, Part 1”, de John MacArthur em 15/12/2002.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-124/a-glimpse-of-the-kings-return-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno (http://www.reieterno.com.br)


Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *