Estágios do Crescimento Cristão

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I João 2
12 Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados.
13 Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai.
14 Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.

A primeira coisa que vem em minha mente é que há uma sequência aqui: filhinhos, jovens e pais. Ele começa no versículo 12 com a menção de crianças pequenas (filhinhos). E, em seguida, nos versículos 13 e 14 são feitas referências a pais e jovens.
Ele acrescenta uma menção adicional de filhinhos no final do versículo 13, e sobre três categorias do desenvolvimento espiritual.

Quando você pensa sobre a vida espiritual, você tem que pensar sobre o crescimento. E isso não deveria nos surpreender, porque quando você pensa sobre a vida de qualquer forma, a vida é igual a crescimento.
O crescimento é evidência da vida. Você planta uma semente no solo, e então ela cresce e se torna uma planta de completa estatura. Essa é a natureza da vida.
Você tem um pequeno filhote de cachorro em sua casa e ele cresce e torna-se um cachorro grande. Você tem um bebê em sua casa e ele cresce para tornar-se um adulto. E essa é a forma como a vida funciona.
A vida essencialmente pode ser definida como a dinâmica do desenvolvimento ou a dinâmica do crescimento. A vida é igual a crescimento. Onde há vida, há crescimento. Onde há crescimento, há vida.

Esta verdade aplica-se no reino espiritual. Deus que nos deu a vida espiritual em Cristo e pretende que esta vida cresça rumo à maturidade.
Eu acho que uma das coisas mais difíceis no reino humano é o retardo, ou seja, algum tipo de deformidade que impeça a criança de se desenvolver fisicamente ou mentalmente. E nós vemos isso como uma triste realidade na vida.
A incapacidade de crescer espiritualmente é igualmente uma tragédia, na verdade, é mais trágico, porque sem crescimento não se pode usufruir de todas as bênçãos espirituais que o Senhor tem para aqueles que amadurecem em Cristo.
O crescimento espiritual é, então, um privilégio, é também uma obrigação, uma responsabilidade para nós. E a meta do desenvolvimento espiritual é ser como Cristo. E nós sabemos isso porque a Bíblia nos diz assim.

Paulo declarou: “Uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13-14).
Qual é o objetivo? O objetivo é o prêmio da soberana vocação. Qual é o prêmio a que você foi chamado? Ser como Cristo.
Quando chegarmos ao céu, seremos como Cristo. Romanos 8:29 diz que fomos chamados para sermos conformes à própria forma de Cristo, o Filho de Deus.
Assim, o objetivo da vocação é ser como Cristo. Esse é o prêmio. Isso é o que seremos quando chegarmos ao céu.
Paulo quis dizer: “Sendo esse o meu prêmio que algum dia Deus vai me dar, ele se torna o meu objetivo nesta vida. Eu quero ser como Cristo”.

Então, quando eu penso sobre a maturidade, eu penso sobre Cristo. Quando eu penso sobre ser um crente maduro, penso em ser como Cristo.
Isto concorda com as palavras de João: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (I João 2:6). Tornar-se como Cristo é o objetivo, é também o objetivo do processo de maturidade espiritual.

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:11-15).

“Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações, desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (I Pedro 2:1-2)

O crescimento espiritual é uma outra maneira de descrever o que chamamos de santificação. Há realmente diferentes elementos de santificação.
Há um tipo de santificação posicional. Esta ocorre quando você foi salvo e separado do pecado para um novo estado em que está coberto pela justiça de Cristo. Isto está no passado e aconteceu na salvação.
Há um tipo de santificação futura: A santificação final. Esta terá lugar quando finalmente você for totalmente e eternamente separado do pecado em sua glorificação.
No meio há esse processo de santificação, que é uma separação crescente do pecado, quando você se move mais e mais para a maturidade espiritual, tornando-se cada vez mais como Jesus Cristo. Este é o desenvolvimento e crescimento espiritual.

Agora eu quero dar-lhe algumas declarações sobre o crescimento espiritual, porque eu não quero que você tenha quaisquer mal-entendidos sobre o assunto.
Em primeiro lugar, o crescimento espiritual não tem nada a ver com a sua posição diante de Deus em Cristo.
Isso está resolvido: “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Filipenses 3:9).
Portanto, sua posição diante de Deus está definida. Você foi coberto com a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo. Onde quer que esteja no seu crescimento espiritual, não altera a sua posição diante de Deus.
“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:21).
Jesus morreu na cruz, como se Ele tivesse vivido nossa vida pecaminosa e, em seguida, Deus imputou Sua vida perfeita para a nossa conta, como se tivéssemos vivido sem pecado. Essa é a glória da grande doutrina da substituição, justiça imputada.

Em segundo lugar, o crescimento espiritual não tem nada a ver com o amor de Deus por você.
Deus não te ama mais ou gosta mais de você se você é maduro.
Em João 13: 1, quando Jesus estava reunido com os discípulos no cenáculo, diz que “como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim (ou com perfeição)”.
O Senhor ama todos os Seus com perfeição. E os discípulos, naquele momento, eram imaturos, céticos e orgulhosos. Naqueles momentos eles estavam discutindo entre eles quem seria o maior.
Éramos estranhos e inimigos por nossas más obras, mas em seu amor, Deus nos reconciliou através da cruz de Jesus Cristo (Colossenses 1:20-22).
Ele nos ama com um amor perfeito. Ele não nos ama de acordo com a nossa maturidade. Ele nos ama para a salvação eterna e Ele nos ama na glória eterna.

Em terceiro lugar, o crescimento espiritual não tem nada a ver com o tempo.
Não é medido pelo calendário. Infelizmente há muita gente no meio da igreja por um longo tempo e ainda muito imatura.
Foi o que Paulo disse sobre muitos em Corinto: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo” (I Coríntios 3:1).
E esta é uma acusação a eles. Eles foram todos apanhados na inveja e contendas e assim eles eram imaturos.
Foi a mesma situação que o escrito aos Hebreus relatou:

“Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hebreus 5:12-14). É muito comum encontrarmos pessoas que são cristãs por décadas e permanecem como crianças.

Em quarto lugar, o crescimento espiritual não está relacionado, por si só, ao conhecimento.
Há pessoas que acumularam informações bíblicas e que mantêm níveis trágicos de imaturidade.
A menos que o conhecimento seja puro e que seja aplicado de modo a conformar a sua vida a Cristo, ele não faz nada além de encher sua mente com fatos.
E isso é muito perigoso, porque as informações bíblicas recebidas, e não aplicadas, tornam o homem severamente enganado quanto a seu verdadeiro estado de imaturidade.
Se o conhecimento não trouxe uma mudança de vida, tornou-se um fator de amortecimento espiritual.

Em quinto lugar, o crescimento espiritual não tem nada a ver com atividades, inclusive na igreja ou no ministério cristão.
Algumas das pessoas mais tragicamente imaturas que eu já conheci, são as cabeças de alguns dos maiores ministérios do mundo. As atividades, por si mesmas, não são evidências de maturidade.

Em sexto lugar, o crescimento espiritual não tem nada a ver com o sucesso temporal, os bens materiais, o tamanho da igreja, o tamanho da classe, o nível de influência etc.
Essas coisas não são sinais de maturidade. Elas não têm nenhuma conexão com a maturidade.
O apóstolo Paulo disse: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade” (Filipenses 4:12).

Agora eu quero dizer mais alguma coisa. A maturidade espiritual não é absoluta, é relativa.
Quando você fala sobre a espiritualidade ou a carnalidade, você está falando sobre algo que é absoluto. A qualquer momento no tempo, ou você está no Espírito ou na carne. Isso é um absoluto em qualquer ponto no tempo.
Pode-se dizer que em qualquer momento na vida de um crente, ou ele está no Espírito ou na carne. Se ele está no espírito, anda em obediência, se na carne, em desobediência.

Mas a maturidade é algo relativo. Não é um absoluto em que você é não é. Somente quando andamos no espírito é que crescemos. O andar na carne traz o retrocesso.
O crescimento espiritual é o desenvolvimento espiritual relativo de uma pessoa através de todos os tempos acumulados de andar no Espírito. Assim, quanto mais você anda no Espírito, mais você crescerá.
Há uma série de maneiras em que a Bíblia define o crescimento espiritual. Ela o chama de “seguir a justiça” (I Timóteo 6:11). “Ser transformado pela renovação da sua mente” (Romanos 12: 2) .
“Aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1) . “Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças” (Colossenses 2:7).

Este é o crescimento espiritual. Não é místico, sentimental, devocional e psicológico. Não é devido a uma experiência, a um evento, a uma decisão ou a uma nova dedicação.
O crescimento físico é um processo de alimentação de seu corpo, de modo que possa desenvolver-se. E isso é o mesmo na dimensão espiritual, é um processo de tomar a verdade de Deus e crescer na base de crer e responder a essa verdade.
Você não pode crescer espiritualmente, a menos que você cresça em sua compreensão da verdade de Deus. Essa é a única maneira de chegar lá.
Jesus disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4). A vida espiritual é crescimento, e crescimento através do pão, não da terra, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
O crescimento espiritual está diretamente relacionado a um aumento da sua compreensão da revelação de Deus.
Agora, no nosso texto, em 1 João, isto é maravilhosamente tratado em três estágios de crescimento espiritual.

Nesta carta, João trata de testes doutrinais. Há o teste de se crer no verdadeiro Cristo, o teste de se você reconhece seu pecado, ainda os testes sobre a obediência e o amor.
João usa esses testes para que a condição espiritual seja verificada, avaliada, para dar provas de que a salvação é real.
João não estava duvidando da salvação deles (a quem a carta foi primeiramente direcionada), estava simplesmente ajudando-os a entender como eles poderiam discernir quem eram os falsos mestres que estavam no meio deles.
A carta não foi escrita para criar dúvida na mente dos verdadeiros crentes: “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I João 5:13).

Ele não escreveu esta carta para fazer você duvidar, ele escreveu a carta para confirmar a sua salvação.
Porque você vai ler esta carta e, quando ele diz que um verdadeiro crente reconhece o pecado, você vai dizer: “Eu reconheço o meu pecado”.
E quando ele diz que um verdadeiro crente reconhece que Cristo é o Senhor, você vai dizer: “Eu reconheço isso”.
E quando ele diz que um verdadeiro crente tem um desejo no coração para obedecer a Deus e amar os outros, você vai dizer: “Eu experimento esta realidade”. E assim por diante, você vai confirmando a sua salvação.
E o que esta carta faz é expor as pessoas que negam a Cristo, que negam seu pecado, que odeiam os outros, que não obedecem a Palavra de Deus, que amam o mundo e as coisas do mundo. Isso é o que ele pretende fazer.
Ela foi destinada a ajudar os crentes a serem capazes de discernir. É por isso que ele começa no versículo 12, com isso: “Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados”.
E lá no capítulo 1 verso 4, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”.

Então, ele diz, em outras palavras: “Eu quero que você compreenda que por você não ser um pai espiritual, ou mesmo um jovem espiritual no processo de crescimento espiritual, não significa que você não seja um cristão”.
Também disse, em outras palavras: “Olhe, há espaço no reino para bebês espirituais, para homens jovens espirituais e para os pais espirituais”.

Ele sabe para quem escreve. Ele sabe que são verdadeiros crentes, perdoados. Ele inclui todos aqueles que têm a sã doutrina sobre Cristo, sobre a condição pecaminosa deles e cujas vidas foram transformadas, de modo a que eles vivem em obediência à Palavra de Deus.
Ele escreve a esses verdadeiros crentes e todos eles são as crianças pequenas. Agora, quando ele diz “filhinhos” no versículo 12, ele está falando de todos os crentes. Ele usa a palavra “teknia”, que significa simplesmente “os nascidos”, sem levar em conta a idade.
Eu sou um filho e eu serei um filho até que eu morra, no sentido de que eu serei sempre o filho de meus pais. Somos todos filhos de nossos pais.
Então João está dizendo: “Eu estou escrevendo para todos vocês que são filhos de Deus, todos vocês ‘teknia’”. Uma palavra bíblica comum para os salvos, os filhos de Deus.

E uma coisa é verdade para todos vocês, ele diz: “Os seus pecados estão perdoados”. Você foi perdoado. E como eu disse antes, não é sobre o seu relacionamento ou sua posição diante de Deus, que é fixo.
O crescimento espiritual não é sobre Deus te amar mais ou menos, você já está totalmente amado, seus pecados estão perdoados, porque Cristo pagou a pena por esses pecados.
E esta é a grande realidade da salvação: perdão, perdão, perdão: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).

João disse: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7).
Pedro disse: “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (Atos 10:43).
É por isso que Jesus disse, no final do evangelho de Lucas, que o arrependimento e o perdão dos pecados devem ser pregados em seu nome, entre todas as nações.
É sobre o perdão. A Escritura é preenchida com estas declarações que a salvação é o perdão dos pecados.

E assim, João começa a falar de maturidade espiritual pelo reconhecimento de que não é uma questão da sua salvação, é uma questão de sua santificação.
É para a glória de Deus que Ele perdoou seus pecados. A propósito, essa é a razão para tudo. Tudo o que Deus faz, Ele faz para Sua glória, incluindo toda a Sua obra redentora. É tudo para a Sua glória.

“Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” (Salmo 25:11). Ou seja, eles quis dizer: “Não por minha causa, mas por causa da glória, para que ela seja manifesta”. Essa é uma oração feita por um homem maduro.

“Não te lembres das nossas iniquidades passadas; venham ao nosso encontro depressa as tuas misericórdias, pois já estamos muito abatidos. Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome” (Salmos 79:8-9).

“Nossos pais não entenderam as tuas maravilhas no Egito; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias; antes o provocaram no mar, sim no Mar Vermelho. Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder” (Salmos 106:7-8).

“Mas tu, ó Deus o Senhor, trata comigo por amor do teu nome, porque a tua misericórdia é boa, livra-me, Pois estou aflito e necessitado, e o meu coração está ferido dentro de mim. Vou-me como a sombra que declina; sou sacudido como o gafanhoto. Ajuda-me, ó Senhor meu Deus, salva-me segundo a tua misericórdia. Para que saibam que esta é a tua mão, e que tu, Senhor, o fizeste” (Salmos 109:21-23;26-27).

Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem” (Isaías 48:9-11).

Não somos perdoados por algum merecimento próprio. Nós não somos perdoados porque há algo em nós que valha a pena perdoar. Somos perdoados porque o perdão testemunha a graça de Deus.
Então, de volta ao nosso texto. João diz: “Estou escrevendo para vocês, todos vocês, cristãos, porque vocês são perdoados, não porque algum mérito, mas para manifestação da glória de Deus”.
Quando João diz “pelo seu nome” ou “por causa de seu nome”, significa simplesmente tudo o que Ele é. Quem Ele é? “Eu Sou o que Sou” (Êxodo 3:14). Deus nos perdoa porque lhe agrada exibir a glória do Seu perdão.

João não está questionando se eles eram cristãos, não está falando de perfeição absoluta, mas falando de direção, progresso. E isso nos leva às três categorias de crescimento espiritual nos versos 13 e 14.
Não é seu propósito aqui exortá-los para o desenvolvimento espiritual, embora isso certamente está embutido no que ele diz.
É simplesmente para definir a realidade de que, embora você não seja um pai espiritual, ou mesmo um jovem espiritual, você ainda é uma criança que foi perdoada. Portanto, há aqui uma grande medida de graça.

Temos de olhar em seguida, para estas três categorias. Precisamos entender que há bebês espirituais. Só porque você tem sido um cristão há muito tempo, não significa que você não seja um bebê.
Nem todos os bebês espirituais se tornam jovens sou pais espirituais. Deveriam, mas não é isto que acontece.
Todos deveriam crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (II Pedro 3:18) . Eles deveriam crescer na medida da estatura da plenitude de Cristo. Eles deveriam se alimentar da Palavra e crescer por ela. Mas nem sempre é assim.

Filhos

No final do versículo 13, ele diz: “Eu escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai”. Aqui ele não está se referindo às mesmas crianças às quais se refere o versículo 12.
Todos os crentes que foram perdoados estão no versículo 12. Nós somos todos filhos de Deus. Aqui, no verso 13, ele deixa a palavra “teknia” e usa a palavra “paidia”.
“Paidia” é uma palavra que significa uma criança ainda sob a instrução dos pais. O problema com um “paidia” é a ignorância.
O elemento definidor da imaturidade espiritual, “paidia”, refere-se simplesmente a uma criança que precisa ser treinada, ensinada e instruída.

O que é uma criança espiritual? A criança espiritual conhece a Deus. Um conhecimento básico.
Na vida natural, a primeira coisa que acontece na vida de um bebê, em termos de relacionamento, é o reconhecimento dos pais. Assim, é na esfera espiritual.
O ato que caracteriza um bebê em Cristo é o reconhecimento de Deus como Pai, Cristo como Senhor. Eles expressam sua alegria na nova vida e dependência.
Tal como em Romanos 8:15 e Gálatas 4:6 , o bebê espiritual diz: “Abba, Pai”, que é “papai”. Há uma novidade de vida, há uma familiaridade maravilhosa, um relacionamento pessoal com Deus.
As criancinhas são mais reguladas por seus afetos do que por seu conhecimento, não é verdade? Elas são mais afetadas por suas emoções e seus sentimentos do que pela informação.

Eu penso nisso como o amor incondicional. Elas não analisam você. Elas só amam você, se você é o pai delas. Elas se deleitam em você. Elas encontram segurança, proteção e amor em você.
Da mesma forma, em uma criancinha espiritual há uma certa emoção com a nova vida. Há uma alegria no fato de que Deus é seu Pai, Cristo é seu Salvador. Deus é protetor e zeloso, tanto que providenciou uma casa para a eternidade.
Há uma afeição por Deus. Há um prazer em sua vida espiritual. Há uma alegria porque seus pecados estão perdoados. Há uma quase euforia na medida em que o Espírito de Deus a despertou para as realidades da bênção da salvação. É onde tudo começa. Não se trata de informações. Não se trata de teologia. É sobre o relacionamento.

Bebês espirituais estão associados mais ao relacionamento do que com a doutrina. É por isso que, em 1 Coríntios capítulo 3, o apóstolo Paulo diz: “Olha, vocês estão como bebês, porque um diz que eu sou de Paulo, outro diz que eu sou de Apolo”.
Bebês espirituais tendem a se vincular àqueles que eles têm por heróis. Eles estão mais atraídos por seu afeto do que pela informação. São bebês típicos. Mas há algo sério sobre bebês espirituais:

“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Efésios 4:13-14).

Crianças espirituais são afetuosas e são atraídas a relacionamentos, mas elas não têm discernimento.
Quando você diz a seus filhos: “Não fale com estranhos”, é porque eles são facilmente enganados e seduzidos. Eles tendem a acreditar em qualquer coisa.
Quando eles são pequenos, rastejam no chão e pegam qualquer coisa e a colocam na boca. E esse é o ponto final em que tudo é testado: Na boca.
E você luta em torno disso: “Tire isso da boca!”. Eles começam a descobrir o mundo dentro de suas bocas. E você tem que protegê-los.
Mesmo quando eles crescem, você tem que continuar orientando na escolha entre comidas nutritivas e imprestáveis. Eles não têm nenhum discernimento. Eles vão tender a erros graves, são facilmente desviáveis, vulneráveis.

Apreciamos seu amor incondicional, sua atração pelas pessoas e relacionamentos, o fato de eles olharem para o mundo através de óculos cor-de-rosa, sua felicidade e a alegria vai junto com a ignorância e falta de experiência.
Mas, por trás disto há uma vulnerabilidade, falta de sabedoria e discernimento. Eles vivem em perigo de ser levados a sérios extravios.
Os falsos mestres gostam das crianças espirituais como suas presas, suas vítimas. Você olha para essas enormes multidões que se atraem por falsos mestres e você percebe que há uma combinação de imaturos espirituais e de não convertidos.

Jovens

Ele diz no meio do versículo 13: “Estou escrevendo para vocês, jovens, porque já vencestes o maligno”. E acrescenta no verso 14: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno”.
Crianças regozijam-se na relação que têm com o Pai. Mas, este segundo nível de crescimento espiritual é realmente importante, pois temos uma relação de conhecimento da Palavra.
A característica principal de um jovem espiritual é o conhecimento da Palavra de Deus. Ele conhece a Palavra de Deus e esta Palavra permanece nele. Ele é equipado com conhecimento espiritual.
Uma das características da criança espiritual é a ignorância da Palavra. A característica de um jovem espiritual é o conhecimento da doutrina bíblica. A Palavra de Deus permanece nele.

Um bebê espiritual é absorvido com novos sentimentos, necessidades, problemas, tudo é pessoal. Um jovem já superou isso e olha para o mundo exterior, olha para a verdade.
Homens jovens, espiritualmente falando, são os cristãos que têm adquirido o conhecimento da verdade. Eles estão bem estabelecidos na área da doutrina, resultando em força espiritual.
“Vencestes o maligno”, Isso é uma declaração surpreendente. Sabemos que Satanás está envolvido no engano, nos sistemas religiosos falsos. Ele se transfigura em anjo de luz (II Coríntios 11:13-15).
Doutrinas de demônios têm sido proclamadas pela falsa religião (II Timóteo 4). Em I João 4, a Palavra nos ensina a testar os espíritos para verificar se são da parte de Deus ou de Satanás.

O jovem espiritual, fortalecido pela Palavra de Deus, pode discernir o que procede de Deus e o que não procede de Deus. Ele vence o engano do maligno.
É maravilhoso ver alguém chegar a esse ponto em seu desenvolvimento espiritual. Pessoas assim são soldados de combate contra as heresias malignas disfarçadas.
Ele conhece a Palavra e sabe defender a pureza do Evangelho contra as mentiras que circulam no mundo e no meio religioso. Ele se delicia com a verdade e não são mais vulneráveis a serem desviados pela falsa doutrina.
Eles ainda são vulneráveis à carne e ao pecado. Mas, à medida que você amadurece, há uma frequência decrescente de pecado, e há um ódio crescente pelo pecado. Isto faz a menor quantidade de pecados parecer pior.

Pais

Versículo 13: “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio” e no versículo 14: “Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio”.
Você tem progredido de força em força. Você já passou de experimentar a relação de conhecer a doutrina para se tornar um pai espiritual.
“Conhecestes aquele que é desde o princípio”. O que é isso? Quem é aquele? O eterno Deus. A Bíblia foi escrita para lhe dar informações a respeito de Deus? Sim. Qual era o propósito dessa informação? “Para conhecê-lo” (Filipenses 3:10).

A terceira etapa do desenvolvimento espiritual é quando você não apenas conhece a doutrina, mas conhece o Deus que revelou a doutrina. Você começou a sondar as profundezas do caráter de Deus.
Isto é, quando sua vida se torna uma experiência de adoração. Não é só a batalha sobre a doutrina, mas quando você entende o que o escritor do hino quis dizer quando falou sobre estar perdido em maravilha, amor e louvor.
Quando você chegar ao ponto em que sua alma está eufórica no conhecimento de Deus, você conhece além da doutrina, conhece Deus. É o profundo e íntimo conhecimento de Deus.

Se você é apenas um bebê, tudo que você está fazendo é comemorar o relacionamento e isso é maravilhoso. Você está gostando da experiência do amor incondicional. Mas você é muito vulnerável à falsa doutrina.
Você precisa aprender a Palavra de Deus de modo que você possa se tornar um jovem espiritual e proteger-se de ser desviado e levado ao redor por todo vento de doutrina, por enganos de Satanás.
Quando você começa a ser um jovem espiritual, você vai chegar a um ponto emocionante em sua experiência espiritual.
Mas não há nada como chegar a ser um pai espiritual, onde não basta conhecer a doutrina, você conhece o Deus que está por trás dela.
Não é apenas que você entenda a carta que Deus lhe deu, é você entender o coração do Deus que escreveu a carta. Há uma profundidade nisso que não pode ser explicada, só pode ser experimentada.

João quis dizer: Porque você não está totalmente amadurecido, não significa que você não está perdoado. Eu não estou escrevendo esta carta para levá-lo a duvidar sobre sua salvação.
Porque até mesmo um bebê espiritual crê no verdadeiro Cristo, sabe que é um pecador, quer obedecer, ama os outros, odeia o mundo.
Você pode ser um jovem espiritual quando você é forte na Palavra. E você vai se tornar um pai espiritual ao conhecer intimamente o Deus que escreveu a Palavra, e não só a Palavra que Ele deixou.
E nesse profundo relacionamento com Deus, o caráter de Deus começa a se desenvolver, crescer e expandir em você.

Você literalmente vive a sua vida em temor da maravilha de quem é Deus. A Palavra é sua própria vida. É a Palavra viva que dá vida. Somos gerados de novo e santificados pela Palavra.
A Palavra gera amadurecimento, crescimento na graça. A Palavra age transformando: “transformai-vos pela renovação da vossa mente”.
Ela é o pão da vida em que vivemos e crescemos. E a busca de todos nós deve ser nos tornarmos ‘pai espiritual’, tendo um conhecimento íntimo de Deus, como o conhecimento de que Cristo tem de seu próprio pai.

Em João 17, Jesus diz: “Dei-lhes a tua palavra… Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:14,17).
E logo depois, João registrou a oração que Jesus fez para todos aqueles que viriam a crer nele:

João 17
20 E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;
21 Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.
22 E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.
23 Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.
24 Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.
25 Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.
26 E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.

Ou seja, a oração de Jesus não foi apenas para termos uma doutrina, mas para nos conduzir a um conhecimento intimo do Pai. Ele diz: “E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lhe farei conhecer mais”.
Sua oração deve ser para que Deus te leve a uma gloriosa identificação com Ele. Para que você chegue ao conhecimento maduro de Deus.
E mesmo diante de suas limitações, conhecer a Deus, tanto quanto possível, da mesma forma que Cristo conhece.
Ou seja, você pode conhecê-lo com precisão, ao ponto de ser moldado à sua imagem. É neste conhecimento que vem a essência da profunda adoração.

Pai, oramos para te conhecer em profundidade.
Tu que és, desde o princípio, o Deus Eterno manifesto em Jesus Cristo.
Gratos somos por Tua graça para conosco, seja onde estivermos no caminho para a maturidade espiritual.
Faze-nos crescer rumo à maturidade. Faze-nos jovens espirituais.
Faze-nos pais espirituais, que atingem o nível de maturidade. Que te conhecem de alguma maneira consistente como quem Tu és.
Que possamos Te conhecer como Cristo te conhece.
Que privilégio sermos cheios de admiração, amor e louvor!
Que possamos entender que esse crescimento não vai acontecer por um evento, decisão ou uma experiência, mas através da Palavra ouvida, crida e aplicada em nossas vidas.
Oramos para que possamos desfrutar a plenitude da bênção espiritual, que vem para aqueles que são fortes na Palavra, que conhecem o Deus eterno.
Oramos em nome do Teu Filho. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “The Stages of Spiritual Growth”, de John MacArthur em 13/10/2002.

Você poderá ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/62-14/the-stages-of-spiritual-growth

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno (http://www.reieterno.com.br)


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1 Resultado

  1. Rafaella disse:

    Aleluía! Como Deus é bom!

    Salmos: 119. 33. Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim. 34. Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei, e a observe de todo o meu coração. 47. Deleitar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo. 72. Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro e prata. 73. As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me entendimento para que aprenda os teus mandamentos. 89. Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada nos céus. 103. Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais doces do que o mel à minha boca. 105. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho. 165. Muita paz têm os que amam a tua lei, e não há nada que os faça tropeçar.

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