Origem e fonte do mundanismo

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I João 2
15 Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

Temos estudado esta maravilhosa primeira carta de João. Esta noite eu quero apenas focar no versículo 16 do capítulo 2. É onde está o coração do mundanismo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Mundo aqui não quer dizer a criação ou as pessoas, mas o sistema de pecado ou o sistema do mal. Tudo que é anti-Deus e anticristo é composto de uma matriz da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Este é o diagnóstico, algo que expõe profundamente a essência do pecado, o porquê de pecarmos e o que nos obriga a pecar.

Salomão estava certo quando disse que não havia, no mundo, ninguém que fosse bom e justo (Eclesiastes 7:20). O pecado é um problema universal. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).
O pecado gerou o caos cósmico que existe nos céus entre Deus e Satanás, entre anjos santos e anjos caídos, bem como entre homens e mulheres, e entre os homens e Deus.
O caos do céu tornou-se o caos da terra. Todo o reino dos seres criados foi devastado pela realidade do pecado.
Em seu impacto sobre a vida humana, ele ataca cada bebê no momento da concepção e se oculta lá para dominá-lo quando ele deixar a proteção do ventre de sua mãe.

O pecado governa cada coração e pretende condenar toda a alma ao inferno. Ele transforma a beleza em feiura, integridade em deformidade, alegria em tristeza, felicidade em infelicidade.
Em Josué 7:13, a Bíblia chama o pecado de o anátema (maldito). Ele é comparado nas Escrituras com o veneno de cobras (Salmo 58:4) e o cheiro de podridão da morte (Mateus 23:27).
Compreender o pecado é fundamental para que possamos compreender a nossa necessidade de salvação do pecado.

O que é pecado? A resposta é simples: É transgressão da lei de Deus. “O pecado é iniquidade” (I João 3:4). Iniquidade quer dizer “contrário à justiça”. O pecado é a injustiça.
Qualquer ato, palavra, pensamento e motivo que viola a santa, justa e perfeita lei de Deus, constitui pecado. Não é uma categoria restrita, é muito abrangente e ampla.
E Deus tem o direito, como Deus santo, de estabelecer o que é justo. Ele é a autoridade. Ele estabeleceu as normas para o homem viver. Ele estabeleceu o que é certo e o que é errado. Tudo o que Deus diz que é errado constitui pecado.

Agora, qual é a natureza do pecado? Primeiro de tudo, o pecado contamina tudo. Não é apenas um ato de desobediência, é uma poluição no interior do homem.
O pecado torna a justiça do homem em trapos imundos, mesmo que o homem esteja fazendo o seu melhor.
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam” (Isaías 64:6).

Em I Reis 8:38 o pecado é comparado a feridas que vêm de uma praga mortal. Em Zacarias 3:3 é comparado a roupas imundas que cobrem alguém.
Ele mancha a alma. Degrada a nobreza do homem. Escurece sua mente. Faz com que ele seja pior do que um animal, do que uma besta.
Isto faz Deus odiar o pecador (Zacarias 11:8) e ainda faz o pecador detestar a si mesmo (Ezequiel 6:8). Assim, o pecado é um contaminador, isto é, mancha e polui. É por isso que Paulo chama de imundícia (I Tessalonicenses 4:7).

Thomas Goodwin, o puritano, escreveu: “O pecado é chamado de veneno, os pecadores de serpentes (Salmo 58:4; Mateus 23:33). O pecado é chamado de vômito, os pecadores de cães lambedores de vômitos (II Pedro 2:22). O pecado é chamado de o fedor dos túmulos, os pecadores de sepulcros podres (Mateus 23:27). O pecado é chamado de lama, os pecadores de porcos na lama” (II Pedro 2:22).

A natureza do pecado é rebelião. Não é justo você quebrar a Lei de Deus. É uma atitude de rebelião contra Deus. O que dizem os pecadores?
“Com a nossa língua prevaleceremos; são nossos os lábios; quem é Senhor sobre nós?” (Salmos 14:2).
“Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti?” (Jeremias 2:31)
“Mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca…” (Jeremias 44:17)
O pecado é tão rebelde que, se pudesse, destronaria e assassinaria Deus e colocaria um pecador no lugar de Deus.

O pecado é a ingratidão. Ele é, em sua própria natureza, a ingratidão. É Deus, afinal, que nos deu todas as coisas. O pecador é literalmente cercado da bondade de Deus. Mas ele abusa de seus privilégios.
Ele é como Absalão. Davi, seu pai, o beijou e o levou a seu coração (II Samuel 14:33). Logo após, Absalão liderou uma terrível rebelião contra seu pai (II Samuel 14-19).
E assim é que o pecador é beijado por Deus com graça e misericórdia, mas se junta a Satanás em rebelião contra Ele. O pecado é tanta ingratidão que obscurece o coração insensato e torna o homem louco (Romanos 1:21-22).

O pecado é incurável. O homem não tem em si a capacidade de fazer qualquer coisa sobre o seu pecado. Ele está envolvido no pecado até seus ossos. E ele não pode alterar isso.

“Ai da nação pecadora,, povo carregado de iniquidades… Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo”. (Isaías 1:4-6).
“Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” (Jeremias 13:23).

John Flavel, outro puritano, disse: “Todas as lágrimas de um pecador arrependido, mesmo que ele fosse capaz de chorar tantas lágrimas quanto as gotas de chuva que caíram na terra desde a criação, nem assim poderiam lavar sequer um pecado. As chamas eternas do inferno não podem purificar a consciência flamejante do menor pecado. Não há qualquer coisa nesta vida, e em todo o inferno eterno, que poderia expiar o pecado do pecador”.

O inferno é o lugar onde os homens pagarão uma dívida impagável. Não há cura humana para o pecado. Isto está fora de alcance das boas obras, reformas, educação etc.

O pecado é mortal. A Bíblia diz que a alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18:20). O salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).
O pecado contamina, faz do homem um rebelde, ingrato e transgressor da Lei de Deus. Ele também é incurável e mortal. Mas, mesmo assim, ainda é a escolha dos homens.

“A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3:19).
“Ai dos que se prendem à iniquidade com cordas de engano, e ao pecado com cordas de carroça” (Isaías 5:18).

As pessoas vão para o inferno transpirando em seus esforços para pecar. Isto é tudo o que sabem. Isto é tudo para o que eles são capazes. Esta é a vida deles. É onde buscam o prazer.

Quantas pessoas são afetadas pelo pecado? Toda a humanidade (Romanos 3:23). Não há um justo (Romanos 3:10). O mundo inteiro jaz no maligno (I João 5:19). Toda a raça humana está infectada com este vírus. Ninguém escapa.
“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).

Quais são os resultados do pecado? O que ele faz conosco?
Primeiro, o pecado tornou o homem completamente dominado pelo mal. Sua mente, vontade e afeições são dominadas pelo mal.
A vontade do homem está poluída pelo pecado, por isto ele é escravo do pecado. As afeições do homem estão poluídas pelo pecado, de forma que ele ama mais as trevas do que a luz.

Em segundo lugar, o pecado mantém todos os homens sob o controle de Satanás. Porque todos os homens são pecadores, eles estão, portanto, sob o poder do príncipe das trevas, o próprio Satanás.
“Satanás é o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2). Ele governa o sistema mundial em que o pecador é mantido em cativeiro.

Em terceiro lugar, o pecado resulta em deixar o homem sob a ira de Deus. E a Bíblia é clara sobre isso. Ela chama os pecadores, todos os homens que são pecadores, de filhos da ira (Efésios 2:3).
Deus vai trazer a retribuição a todos os pecadores. Todos vão passar a eternidade no inferno, se morrerem em seus pecados.

Em quarto lugar, o pecado submete os homens a todas as misérias da vida. É por isso que Jó 5:7 diz: “Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar”.
Romanos 8:20 diz que “a criação está sujeita à vaidade”. Isaías 48:22 diz que não há paz para os ímpios.
Salomão, que tinha tudo que o mundo pode oferecer, disse: “Vaidade das vaidades, tudo é nada, tudo é sem sentido, tudo é vazio” (Eclesiastes 1-4).

Em quinto lugar, o pecado condena o homem ao inferno eterno. Jesus, francamente, é pessoalmente responsável pela precisão e clareza do que o Novo Testamento nos dá sobre a doutrina do inferno.
Foi o próprio Jesus que descreveu o inferno, com linguagem clara e inequívoca, em diversos lugares (Exemplos: Mateus 3:10-12; 5:22,29-30; 7:19; 8:12; 10:28; 11:23; 13:30,40-42,50; 18:9; 22:13; 23:15,33; 25:30,41).

Onde o pecado originou? Muitos cristãos resolvem isto de forma simples: “É o diabo que me faz pecar”. É um ponto de vista popular. É o ponto de vista dominante no Movimento Carismático.
Há uma visão de que Satanás é soberano. É ele quem faz pecar e traz todos os problemas em sua vida. Nesse entendimento, Satanás é o problema, e você precisa apenas repreender o diabo, assim resolverá todos seus problemas.
Há outras pessoas que pensam que é a sociedade faz você pecar. O problema é o mundo, é a sociedade ao seu redor, é a televisão, são os colegas de trabalho etc. Então você é apenas uma vítima da sociedade.
E há algumas pessoas que pensam que o culpado é Deus, afinal de contas, Ele permitiu que entrasse o mal no mundo. Então o homem diz: “Eu sou apenas humano, nasci humano, e desde que Adão pecou todos nós caímos, não é minha culpa. Deus permitiu que isso acontecesse e por isso é realmente culpa de Deus”.
Foi o que Adão argumentou: “A mulher que você me deu, ela me fez fazer isso”. Fui dormir e acordei casado, você escolheu a minha esposa, o que você espera de mim?

Jesus falou sobre a origem do pecado no homem:
“E, chamando outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei. Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem” (Marcos 7:14-15).
É uma interessante declaração. Não há nada fora do homem que o contamina. Nada que vem do exterior constitui o problema. Mas o que sai do homem é o que contamina o homem. O problema está no interior do coração dos homens.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).
“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:13-15).

Se você vivesse em uma caverna, você estaria vivendo com o pecado. Se vivesse como um monge, isolando-se de toda influência social, longe do reino de Satanás e seus demônios, você ainda estaria literalmente nas garras do pecado.
O problema não está fora, mas no interior do homem. Origina-se na natureza pecaminosa do homem. É muito importante compreender isso.

O que desperta o pecado? “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte” (Romanos 7:5).
Lembro-me de um sujeito, anos atrás, que comprou terras em Lancaster. Depois, um monte de gente comprou um terreno lá, para construir uma ‘cidade sem pecado’, com um grande muro em torno dele. Não seria ótimo se isto resolvesse o problema?
O homem é tão corrupto em seu interior, que mesmo a pura, santa e justa Lei de Deus vai despertar o seu pecado. O pecado corrompeu e poluiu o homem de tal forma, que opera nele em todas as áreas, produzindo a morte.

Alguém pode dizer: ‘Bem, eu sei como consertar esta nação: Colocaremos Bíblias em todos os lugares, inclusive nas escolas e tribunais. E nós vamos chegar com a Bíblia no congresso e nos mais altos poderes da nação. Nós vamos ter a Bíblia em todos os lugares. Isso irá corrigir esta nação’.
Oh não, isto não corrigiria nada. Iria apenas despertar uma rebelião. Se você diz a uma criança para não tocar em algo, imediatamente você desperta nela o desejo em fazer aquilo.
A natureza do pecado é essencialmente rebelião. A Lei de Deus, imposta sobre as paixões pecaminosas das pessoas não regeneradas, literalmente gera uma compulsão forte para o mal, maior do que antes de conhecê-la.
O problema não está fora do homem, mas dentro. E é tão ruim seu interior, que você pode colocá-lo em qualquer ambiente, mesmo onde a Lei de Deus prevalece, e tudo incitará uma maior rebelião. Essa é a malignidade do pecado.

Aqui está a pergunta final. Dado que esta é a condição da humanidade, como o mundo exerce atração nos homens?
Lembre-se, o mundo é o sistema do mal supervisionado por Satanás, energizado por demônios. Qual é a matriz da queda? A patologia da queda? Por onde o mundo exerce atração entre os não regenerados?

Através da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e da soberba da vida. Esses são as três portas pelas quais o sistema do mundo encontra o seu caminho no coração caído e gera pecado.
Tudo o que há no mundo é contra Deus, Cristo e a Escritura Sagrada. O mundo é um sistema governado por Satanás e é sinônimo do reino das trevas.
Ele é perigoso e mortal. Ele é projetado por Satanás para atrair, por esses três caminhos, o coração caído.

No reino milenar, quando Jesus voltar, haverá apenas um rei no mundo: Jesus. A justiça, a sabedoria e o conhecimento vão prevalecer. A injustiça e o pecado sofrerão dura punição. Haverá um mundo perfeito no reino milenar.
Mas você sabe como terminará o reino milenar? O mundo vai se rebelar e lutar contra Jesus Cristo.
Pecadores pecariam em um ambiente perfeito. Eles pecariam em um ambiente onde a justiça prevalece e santidade domina. Este ambiente não impediria o pecado dos pecadores, porque eles não podem parar de pecar.
Mesmo com os problemas resolvidos, paz e libertação dos problemas que recaem sobre os homens caídos, os pecadores continuariam pecando, pois esta é a natureza do pecado.
O mundo é cortado pelas avenidas da tentação: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Mesmo com Satanás e seus demônios presos por mil anos, o homem estará pronto para a rebelião do pecado. A única forma de o homem ser liberto é através da obra salvadora de Jesus Cristo.

A concupiscência da carne

Este é o desejo do nosso coração pecaminoso. Vem do grego “epithumia”, que quer dizer “o desejo, o desejo do coração pecador”.
É uma palavra comum usada no Novo Testamento, às vezes significando bons desejos. Aqui, o seu significado é negativo. São os impulsos mundanos que atraem o homem para o mal que está ao seu redor.
Quando se fala sobre a concupiscência da carne, pensa-se imediatamente em pecado sexual. Bem, isto está incluído, mas é algo mais amplo, é qualquer desejo para qualquer coisa fora da lei de Deus.
É qualquer atitude, qualquer pensamento, qualquer palavra, qualquer ação que esteja em rebelião contra a vontade de Deus. É a corrupção dos desejos. São desejos egoístas e pecaminosos de qualquer espécie.

Deus não está dizendo que não podemos ter desejos. Há desejos normais e saudáveis. O pecado surge quando este desejo torna-se uma afronta a Deus.
Desejo de comer é diferente de glutonaria. Desejo de ter um cônjuge é diferente de se desejar alguém fora do casamento. Desejo de conforto é diferente de ser escravo do luxo.
Tudo pode ser pervertido. A concupiscência da carne é desejar o que você quer sem se importar com o que Deus pensa.

E quais são esses desejos? Seriam amplas listas. Temos uma das listas em Gálatas 5:19-21:
“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”.

É tudo aquilo que é feito para satisfazer o seu desejo e que viola a Lei de Deus. O mundo é constituído por essas coisas, isso é essencialmente o que constitui o sistema mundial governado por Satanás.
O mundo realmente apela para a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, porque o mundo é composto de pecadores que vivem com base nisso.

A concupiscência dos olhos

Não é apenas o que você sente. Não são apenas esses impulsos e compulsões que você sente por dentro em direção à autorrealização e contra a vontade de Deus. É também o que você vê.
Os olhos são um dom de Deus (Provérbios 20:12). Mas o mal que vem do coração do homem os perverte. O que Deus deu ao homem para contemplar Sua glória tornou-se um instrumento de cobiça do pecado. Jesus disse:

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mateus 5:28-29)

A esposa de Ló “olhou para trás”, para Sodoma, e morreu (Gênesis 19:26). Acã viu com seus olhos, cobiçou e morreu (Josué 7).
Sansão viu algo que ele queria com os seus olhos (Juízes 14:3), perdeu seus olhos (Juízes 16:21) e a vida (Juízes 16:29-31).
Davi estava andando em sua varanda, e com seus olhos, viu uma mulher que era a esposa de outro homem, a cobiçou e pagou caro por esta iniquidade pelo resto de sua vida.
É por isso que o salmista disse: “Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho” (Salmos 119:37).
A concupiscência da carne é a sedução que vem dos impulsos corporais, os impulsos da mente e do corpo. A concupiscência dos olhos é a atração da aparência exterior. É uma forma de cobiça.

A soberba da vida

A soberba da vida é o desejo de ser melhor do que todos os outros, o desejo de dizer a todos o quão melhor você é. É o desejo de estar acima dos outros. É o desejo de tornar a sua vida mais importante que a vida de todo mundo.
Os anseios do orgulho que procuram ultrapassar todos os outros, mesmo com a injustiça, embora às vezes no castigo da justiça própria.

Então temos um retrato fiel do coração mundano. Ele é impulsionado pela sensualidade, cobiça e orgulho.
A sensualidade é a corrupção da parte mais baixa da natureza do homem, a busca da satisfação dos desejos corporais de forma pecaminosa.
A cobiça é a corrupção de uma parte mais nobre da natureza do homem, o abuso ilegal da criação de Deus.
O orgulho é a corrupção da parte mais nobre do ser do homem, a autoexaltação do seu espírito feito à imagem de Deus.

Na sensualidade, o homem funciona mais baixo do que um animal. Na cobiça, ele procura ter tudo o que seu próximo tem. No orgulho, ele desafia Deus.
Na sua sensualidade, o homem é como um animal. Em sua avareza, cobiça, ele é como todos os outros homens, desejando ter o que os outros têm. Mas é no orgulho que ele desafia a Deus, ele se ergue para substituir o soberano Deus, isto é a essência do coração do diabo.
Aí está a teia do impulso pecaminoso que contaminou o mundo e conquistou o coração do pecador.

Em Gênesis 3:1-7 Satanás vem e encontra a mulher no jardim. Ele se aproxima da mulher e diz: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?”.
Essa é a primeira pergunta na história, projetada para iniciar Eva no caminho para desconfiar de Deus. Ele quer que Eva duvide do caráter de Deus, para desobedece-lo.
Ele quer que Eva acredite que Deus é um mentiroso e que Deus a restringia desnecessariamente para colocá-la em cativeiro.
Então aqui, pela primeira vez, ele oferece a Eva a opção de sujeitar a Palavra de Deus ao julgamento humano. Este é um momento triste. Esta é a primeira vez que a Palavra de Deus foi submetida a julgamento humano.

Deus tinha originalmente dito que o homem poderia comer de tudo no jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Satanás enfatizou a restrição que Deus havia dado, forçando Eva a contemplar o fato de que Deus é restritivo.
Ele transforma o que era apenas uma pequena limitação em uma proibição, colocando em sua mente que Deus dificulta a liberdade, impedindo-a de desfrutar o seu pleno prazer.
Por outro lado, ele diz (em outras palavras): “Eu estou dedicado a garantir seu prazer sem limites, eu estou no negócio da liberdade. Deus é cruel e indiferente, já que Ele te restringiu de comer de qualquer árvore. Deus é pró-escravidão, eu sou pró-liberdade”.

A mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais”.
Deus não disse isso. Ao adicionar essas palavras “nem nele tocareis”, ela está dizendo: “Sim, você sabe, você pode estar certo”, ela está começando a adicionar restrição ao que Deus disse, sentindo o peso da abordagem de Satanás.

Ela não se posiciona ao lado de Deus. Ela não diz: “Como você se atreve a questionar a palavra de Deus? Você não tem este direito”.
Ao intensificar a restrição que Deus havia dado, ela demonstra estar começando a comprar a ideia de que Deus é limitador de liberdade.
Seu coração não definiu seu curso. Sua queda começou naquele momento em que ela não defendeu Deus.

Satanás disse à mulher: “Você certamente não morrerá”. Ele chama Deus de mentiroso. Como se dissesse: “Ele só quer impedir seu prazer completo”.

Bem, Satanás explica a mulher por que Deus estaria mentindo: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”.
Ele quis dizer: “A razão pela qual Ele não quer que você coma não é porque Ele te ama e você vai morrer, é porque se você comer você vai ser como Ele e Ele odeia concorrência. Ele não quer ninguém igual a Ele. Ele é invejoso e ciumento”.
Eva já estava em posição de queda, mas ainda não tinha pecado. O que a levou a pecar?
“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.”

Temos aqui os três elementos.
O apetite corporal, a concupiscência da carne, não está relacionado com a fome, ela tinha todos os tipos de coisas para comer. Foi a ideia de que havia algum prazer sendo restringido a ela. Sua carne almejou este prazer, mesmo na posição de afrontar a Deus.
Ela também viu que era uma delícia para os olhos. Essa é a concupiscência dos olhos. Ela viu que era uma bela árvore, o que a tornou desejável. Ela podia apreciar a beleza. E assim ela foi seduzida por sua fome e ela foi seduzida por sua visão.
E, então, ela também viu que a árvore era desejável para ser uma sábia. O que é que foi isso? Soberba da vida.
Essa é a matriz que alimenta o coração do pecador. Foi assim no Éden, é assim hoje.
É por isso que você tem que vencer o seu corpo e mantê-lo em sujeição. É por isso que você tem que fazer um pacto com seus olhos. É por isso que você tem que se humilhar. Mesmo quando você já é um cristão.

Em Lucas 4, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde ficou 40 dias sendo tentado pelo diabo. Jesus não comeu nada naqueles dias e após os 40 dias teve fome.
Ele estava sendo tentado o tempo todo. E aqui temos uma indicação de como o diabo trabalhou naqueles dias.
“O diabo disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão” (v.3).
Jesus havia feito o que o Pai quis que Ele fizesse. O Pai quis que Ele fizesse um jejum durante 40 dias. Quando chegasse a hora, o Pai iria cuidar dele. Ele se submeteu totalmente à vontade do Pai, Ele só fazia o que o Pai lhe disse para fazer.
Ele foi levado pelo Espírito Santo ao deserto. O Espírito estava no comando de tudo. Jesus tinha se rendido a isso.

Mas, aí vem Satanás e disse-lhe (em outras palavras): “Você tem algumas necessidades físicas, você tem alguns impulsos físicos, Você precisa de um pouco de comida, transforme essas pedras em pão, então”.
Jesus responde-lhe: “Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus” (v.4). Jesus usou o texto de Deuteronômio 8:3.

Então, Satanás mostrou-lhe todos os reinos do mundo. Tudo o que seus olhos podem ver. Ele o tentou pela concupiscência dos olhos.
O diabo disse-lhe: “Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (v.6-7).
Jesus disse que não tinha onde reclinar a cabeça (Lucas 9:58). E Satanás lhe oferece todos os reinos do mundo.
Jesus respondeu-lhe: “Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (v.8). Texto de Deuteronômio 10:20.

Por fim o diabo apelou para a soberba da vida. “Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo” (v.9).
E acrescentou: “Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, e que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (v. 10-11). Usando o Salmo 91.
A proposta de Satanás foi para Jesus fazer uma demonstração pública de poder, saltando de 120 metros de altura para o vale abaixo, para ser reconhecido como o Messias, após um salvamento pelos anjos.
Ele estava apelando para Jesus tornar-se popular. Ele quis que Jesus procurasse a proeminência.
Diante da investidas do diabo, Jesus responde-lhe: “Dito estás: Não tentarás ao Senhor teu Deus” (v.12). Texto de Deuteronômio 6:16.

Jesus foi tentado da mesma forma que todos nós somos. Só que Ele foi sem pecado.
Esta é a forma como o mundo vem, amados. Ele vem com os desejos do corpo, vem no nível mais nobre da visão de beleza e vem com o mais alto de todos, a nível intelectual, o desejo de conhecimento e sabedoria, e de ser reconhecido.
Essa é a matriz da tentação. Tudo no mundo trabalha nesse complexo. Este é o coração do homem. É assim que o mundo funciona.

O mundo não é nada mais do que um sistema que Satanás tem acomodado à corrupção e corruptibilidade do coração humano, eles trabalham em perfeita harmonia.
E como eu disse, mesmo fora deste sistema, as influências corruptoras ainda estariam lá.
Mas, quando as influências de corrupção se casam com o sistema mundano, temos o impacto máximo para a iniquidade no mundo.
E jamais ficará melhor: “Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (II Timóteo 3:13).
À medida que o homem se torna mais sofisticado em sua capacidade de operar o sistema que Satanás domina, ele vai apelar mais para esses elementos de corrupção.

O verdadeiro discípulo de Jesus não é uma parte deste sistema. Ele já saiu dele.
João finaliza: “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (I João 2:17).
O cristão genuíno não é movido pelo mundo, mas conduzido pela vontade do Pai.
Nem sempre agirá da maneira que deveria, mas a vontade do Pai é sempre o desejo em seu coração.

Não ameis o mundo. Nós não podemos amar as coisas do mundo, porque o amor do Pai está em nós. Não somos do mundo.
Temos ainda o impacto residual do pecado em nós, infelizmente. Nós ainda podemos ser tentados. Mas, quando caímos, odiamos o sistema mundano e o pecado. É assim que conhecemos os verdadeiros filhos de Deus.

Pai, obrigado novamente pela Palavra. Nós sempre precisamos ser lembrados que ela é um tesouro.
Ouvimos novamente a declaração de João: “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.”.
Agradecemos-Te porque vencemos o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.
E quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Nós Te agradecemos, Pai, que vencemos o mundo. O mundo não pode triunfar sobre nós. Não amamos o sistema mundano.
Nós odiamos o sistema. Nós nos ressentimos com o nosso próprio pecado.
Olhamos para nós mesmos, como Paulo fez, e declaramos “Miserável homem que eu sou, quem me livrará do corpo desta morte?” Nós não acreditamos que o sistema mundano é justo.
Ansiamos por fazer a tua vontade e tudo isso não porque haja algo de bom em nós mesmos, mas porque Tu gentilmente nos resgataste do mundo, do reino das trevas e nos fizeste cidadãos do Reino de Seu Filho Amado.
Nós Te agradecemos por esta verdade e que ela possa nos ajudar a estar em vgilância com relação ao pecado, para que possamos verdadeiramente viver a vida vitoriosa que Tu desejas.
Nós Te agradecemos, em nome de Teu Filho. Amém.


Este sermão é uma série de 3:

Não ameis o mundo – I
Não ameis o mundo – II
Origem e fonte do mundanismo


Este texto é uma síntese do sermão “The Cardiology of Worldliness”, de John MacArthur em 03/11/2002.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/62-17/the-cardiology-of-worldliness

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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