A porta estreita do Reino

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Mateus 7
13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
14 E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.

Após proferir tremendas palavras (Mateus 5 a 7), o Senhor traz tudo para uma decisão, uma escolha. Duas portas que levam o indivíduo a duas estradas, que levam a dois destinos que são preenchidos por duas multidões diferentes.
Diante do que o Senhor disse, há uma inevitável decisão do homem. O homem sempre está diante de decisões, mas esta é uma decisão para a eternidade.

Por meio de Moisés, Deus confrontou os filhos de Israel: “Hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal” (Deuteronômio 30:15). E os versos posteriores descrevem as bênçãos ou maldições da decisão que Israel tomaria.
Josué confrontou Israel: “Escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15).
Jeremias proclamou: “Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte” (Jeremias 21:8).
Elias disse: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” (I Reis 18:21).

Ao ser abandonado por muitos de seus seguidores, Jesus perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67). Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68).
Jesus tornou-se o ponto crucial do destino de cada homem. A escolha é feita a partir do que o homem faz em relação a Cristo. Escolhe a vida ou a morte. Essencialmente é isso que Jesus está dizendo na parte final do sermão do monte.

Aqui, nosso Senhor confronta homens para uma decisão; Ele diz que uma escolha deve ser feita. Há duas coisas que você não pode fazer com o Sermão da Montanha.
Um delas é simplesmente admirar. Jesus não está interessado em pessoas que querem apenas admirar as virtudes das declarações do Sermão da Montanha. Jesus quer uma decisão sobre o seu destino.
A outra é empurrá-lo para algum amanhã profético. Jesus não está falando do futuro, mas da realidade da vida cristã agora.

A escolha tem que ser feita. Cristo veio trazer um reino. Ele é o Rei. Ele é o Rei dos reis. E Ele veio com um reino que foi único, especial, separado e diferente de todos os reinos do mundo.
E os homens não iriam entender o Seu reino a menos que Ele proclamasse seus princípios. E assim, nesse sermão, Ele articulou os princípios de viver em seu reino. E agora Ele nos dá a escolha: Se você quer entrar ou ficar de fora.
Essa é a escolha que cada homem terá que fazer. Ele exige uma resposta. Você sabe agora as qualificações do reino. Você já sabe as normas do Rei. Qual é a sua resposta? Essa é a questão.

E, amados, a escolha é totalmente clara; existem apenas duas opções, a porta estreita, o caminho estreito e a porta larga, o caminho largo. É isso. Não há mais alternativas.
Em Cristo não há pensamentos filosóficos. É isto ou aquilo. Bem simples. Há apenas o verdadeiro e o falso. O evangelho trata de coisas absolutas e bem definidas.
Ao longo de todo o Sermão do Monte, Jesus está contrastando a verdadeira e a falsa fé. O que vem de Deus e o que vem do homem. O contraste entre o que a justiça divina exige e o que a justiça humana exige. O contraste entre Cristo e os escribas e os fariseus.

O contraste não é entre religião e paganismo. Eu já ouvi tantas pessoas crerem dessa forma, isto é, que o caminho estreito é o caminho do cristianismo, que vai para o céu, e o oposto é o caminho do ímpio que vai para o inferno.
Não. Não é um contraste entre a piedade e o cristianismo em ralação aos pagãos. É um contraste entre a justiça divina e a justiça humana, entre a religião divina e a religião humana, entre a verdadeira religião e a religião falsa.

O problema dos fariseus era a confiança que eles tinham em si mesmos (Lucas 18:9), crendo que eram justos. Isso era sua religião.
Cada homem faz uma escolha. E a escolha é esta: Ou o homem se lança na misericórdia de Deus, através de Jesus, ou se considera justo o suficiente para andar por conta própria.
Esses são os dois únicos sistemas de religião no mundo. Temos mais de 10.000 diferentes nomes de religiões, mas há apenas duas religiões no mundo, a da realização divina e a da realização do homem.

Essas religiões diferem em suas naturezas. A da graça versus a de obras. Da fé versus a da carne. Do íntimo do coração versus a do exterior do homem.
O sistema artificial da religião humana se baseia no fato de que não precisamos de um salvador. Ou seja, temos capacidade e mérito para desenvolver nossa própria justiça.
O homem natural pensa em ter um ambiente religioso para lhe dar algumas regras, rotinas, rituais, e então, marchar com suas próprias forças. Essa é a religião de realização humana.
Ela tem títulos diferentes, mas é tudo o mesmo sistema, porque ela é gerada na mesma fonte, o próprio Satanás. E ele a empacota em diferentes caixas e rótulos, mas é exatamente o mesmo produto.

Por outro lado, a religião de realização divina é o verdadeiro cristianismo, e ele está sozinho. Tragicamente, a maioria da humanidade está no caminho de realização humana.
Os homens continuam crendo em seus próprios esforços de justiça. E a Bíblia diz: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Romanos 3:12).
Os judeus ensinavam que eles poderiam praticar a justiça por conta própria, mas “nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (Romanos 3:20).

O que fez a lei? Deu ao homem o conhecimento do pecado (Romanos 3:20). Mostrou ao homem sua incapacidade de praticar a justiça. Mostrou a pecaminosidade e a hipocrisia do homem.
O sermão da montanha prova a incapacidade do homem em praticar a reta justiça. Jesus mostrou princípios elevadíssimos, impossíveis ao homem de vive-los por si mesmo.

E todo o propósito do Sermão é nos trazer para onde começou o sermão. Bem-aventurados os pobres em espírito, bem-aventurados os que choram, bem aventurados os mansos, bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.
Em outras palavras, Ele começa onde Ele quer acabar, com as pessoas quebrantadas e lamentando sua pecaminosidade.
Mas a religiosidade hipócrita rejeitou esta mensagem. A religião hipócrita já tinha sua própria justiça.

Qual foi a oração do fariseu? “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18:11-12).
Em toda esta oração, ele nunca expressou uma necessidade de Deus. Jesus disse que este homem seria humilhado por sua autojustiça (Lucas 18:14)
“O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13). Jesus disse que este saiu justificado.

Jesus quis trazer a humanidade a um ponto, onde ela percebesse sua absoluta incapacidade de agradar a Deus por seus próprios esforços. E em desespero, com um espírito quebrado, manso e luto, clamasse pela justiça de Deus.
Os judeus, naturalmente, pensavam que eram justos, que estavam em seu caminho para o céu e para o reino, mas Jesus os obriga a repensar e tomar uma decisão e uma escolha.
É a mesma escolha que cada um de nós tem que fazer. E a escolha é clara. Ao longo deste capítulo, Jesus fez diversas comparações, como estudaremos nos próximos domingos, tais como:

Há duas portas: a estreita e a larga. Existem dois caminhos: o apertado e o espaçoso. Há dois destinos: vida e destruição. Existem dois tipos de viajantes: poucos e muitos.
Existem dois tipos de árvores: a boa e a má. Existem dois tipos de frutos: O bom e o mau. Há dois construtores: o sábio e o insensato. Há duas fundações: a rocha e a areia.
Há duas casas: a fundamentada na areia e a fundamentada na rocha, e há dois elementos que serão testados pela tempestade do juízo.
O homem terá que responder a isto. Ninguém escapará de ter que tomar uma decisão.

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição…” (v.13).
A primeira coisa que vejo quando olho para o versículo 13 é que você deve entrar. Há um senso de urgência aqui. Exige uma ação imediata. Não é uma opção. É uma ordem.
Ou seja, você tem que se livrar de tudo, de todo pensamento e religiosidade, entrando numa porta estreita.
Ele falou isto para um povo fundamentado num sistema religioso hipócrita e que se considerava justo. Foi uma ordem sem alternativas. Isto não foi aceito por quem se considerava justo, mas pelos famintos e sedentos de justiça.
Você tem que entrar, porém nas condições estabelecidas por Jesus. O inferno vai estar cheio de pessoas que admiravam o Sermão da Montanha, mas que não entraram na porta estreita.

Ele diz que também há uma porta larga, mas não lhe diz para entrar por ela, porque leva à destruição.
Se Deus dissesse que havia dezenas de caminhos para a salvação, eu pregaria todos eles. Mas não há.

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).
Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (João 10:9).

Jesus disse: Eu sou… Eu sou… A Porta das Ovelhas… O Caminho… A Verdade… A Vida… A Ressurreição… O Bom Pastor…
Apenas Cristo… Somente Cristo. Ele é a porta do reino. Não existem alternativas. Você tem que entrar por esta porta. Por um ato da vontade, um ato de fé, você tem que entrar nos termos de Deus através da porta prescrita por Deus.
Deus determinou a base da salvação: Jesus Cristo. Apenas Ele. E essa é a maneira que é.

Você deve entrar pela porta estreita, e você deve entrar sozinho. Eu vejo isso implícito no texto.
O termo “estreita”, para muitos estudiosos, seria melhor expresso, nos dias de hoje, como uma “catraca”. Uma daquelas coisas que você tem que passar sozinho.
Em qualquer lugar em que há uma “catraca”, as pessoas, mesmo apressadas, são obrigadas a esperar um de cada vez passar, não é possível passar mais de uma pessoa.
Você não vem ao reino de Cristo em grupos. Os judeus acreditavam que poderiam entrar assim, por serem descendentes de Abraão. Não existem grupos que entrem pela catraca do reino.

E isso é meio difícil, você sabe. Porque toda a nossa vida é gasta em correria com a multidão. Toda a nossa vida é gasta fazendo o que todo mundo faz.
E, de repente, Cristo diz: “Você vai ter que vir sozinho”. Isto era algo difícil para um fariseu. É difícil para aquele que confia em um sistema.

Há um preço a pagar, um preço real. Não é suficiente dizer: “Eu nasci em uma família cristã”; “Eu estive na igreja toda a minha vida”. Você não vem para o Reino em grupos. Você vem em um ato individual de fé.
Você deve entrar sozinho pela porta estreita. Não é algo sem dificuldade. Há um preço muito alto.
O cristianismo moderno tem tentado facilitar tudo. Tem tentado dizer que passar pela porta estreita é fácil. Não é. A porta fácil oferecida não é a estreita. É uma porta falsa.

Agora, sem chocar muito você, eu creio que é muito difícil ser salvo. Você ouviu isso? Deixe-me mostrar-lhe por que.
Jesus disse: “poucos há que a encontrem” (v.14).
Através do profeta, Deus declarou: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jeremias 29:13).
Ninguém jamais entrou no Reino de Deus por algo diferente disto. O Evangelho não é algo barato.
Essa é a abordagem revivalista: ‘Levante a mão, caminhe no corredor, diga que crê em Jesus, assine um cartão e pronto, você é um salvo’. Isto não é o Evangelho!

Veja, “Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém” (Lucas 13:22). Vendo a rejeição à mensagem de Jesus, um dos discípulos perguntou-lhe: “São poucos os que se salvam?” (Lucas 13:23).
Jesus respondeu: “Esforçai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão” (Lucas 13:24) .
A palavra traduzida por “esforçai”, no original grego, tem o sentido de “agonizai”. Em outras palavras, o Senhor diz que é uma agonia, é uma guerra.
É um fervor que é exigido, um esforço para entrar pela porta estreita, e há muitos que vão procurar entrar, mas não poderão.

Onde está a dificuldade da salvação? Você tem que estar buscando. Mas, diante da seletividade da “catraca” do Reino de Deus, muitos recuam, pois não estão dispostos ao preço.
Você não se torna um cristão de alguma forma barata e fácil
. Jesus disse que “se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” (Mateus 11:12).

O Reino é para aqueles que o procuram de todo o coração. É para aqueles que se esforçam, que agonizam para entrar nele, cujos corações são quebrados sobre sua pecaminosidade.
O Reino é para aqueles que choram em mansidão, que têm fome e sede de justiça. Não é para as pessoas superficiais, que o buscam por um caminho fácil.
Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

Nunca é fácil tornar-se um cristão, porque você terá todo o inferno contra você. Satanás, o mundo e sua própria carne resistirão a ele. E no poder de Deus, devemos vencer a Satanás, o mundo e a carne para entrarmos no Reino.
O Reino não é para os fracos, os vacilantes e os conciliadores. Não é para os que querem lucros, posições ou que amam o mundo. Não é para os hesitantes e para os que têm o coração dobre.
Pelo contrário, o Reino é para os fortes e os robustos, como Pedro, Paulo, os apóstolos, os profetas e todos que deram suas vidas em troca dele.

“O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo” (Mateus 13:44).
Uma das mentiras difundidas por Satanás no mundo de hoje, é que é fácil tornar-se um cristão. Mas, não é fácil. Não é nada fácil.
Há uma porta muito estreita. Você terá que passar sozinho, e agonizar por todo o caminho até um profundo quebrantamento em seu espírito.

Alguém poderia dizer: “Bem, isso soa como a religião de conquista humana”.
Não é. Quando você vem em profundo quebrantamento e reconhecimento de sua situação trágica, então Cristo derrama-lhe graça sobre graça para lhe fortalecer, por isso é necessário estar angustiante para entrar.
Na sua total fragilidade, o poder de Cristo se torna o seu recurso. Você deve entrar sozinho pela porta estreita, você não pode passar por uma catraca com bagagens.
É ali a autonegação. Não é uma porta que admite aqueles que querem levar todo o lixo. É uma porta onde você deve retirar toda a sua autojustiça, abandonar o pecado, o orgulho, a soberba, a imoralidade e tudo mais.
Ou você abandona tudo para passar na “catraca” do Reino ou você não poderá entrar nele.

O jovem rico chegou diante da porta… E disse: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Marcos 10:17).
Ele procurou, realmente procurou. E ele realmente encontrou a porta. E ele queria entrar no Reino. E ele estava certo de suas qualificações para entrar na porta (Marcos 10:19-20).
Mas Jesus diz algo: “Falta-te uma coisa” (Marcos 10:21). O Senhor foi direto ao coração do problema. E disse-lhe: “Vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu”.
O que ele fez? Pegou sua bagagem e foi embora. Ele estava tentando entrar através da porta estreita com suas bagagens. Por outro lado, ele tinha a autojustiça. Ele estava desqualificado. E foi embora triste (Marcos 10:22).

Imediatamente os discípulos questionaram a Jesus: “Quem poderá, pois, salvar-se?” (Marcos 10:26). Jesus respondeu: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis” (Marcos 10:27).
Ele não foi a Jesus agonizando por seus pecados. Ele não foi a Jesus para se desfazer de si mesmo. Ele queria algo que não lhe custasse nada.
Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3).

O que é que marca uma criança pequena? Uma dependência absoluta. Uma dependência total. Alguém disse: “Nada na minha mão eu trago, simplesmente à Tua cruz me apego”.
A fé salvadora não é apenas um ato da mente; é um despojamento de si mesmo. Não é apenas crer e vir a Jesus. O jovem rico fez tudo isto e não alcançou nada. É passar pela porta. Tudo tem que ficar para trás.
Qual o resultado da verdadeira fé? “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim…” (Gálatas 2:20).
O homem tem que entrar sozinho pela porta estreita, com dificuldades, despojamento, arrependimento, em rendição absoluta a Cristo.
Você não pode simplesmente adicionar Jesus Cristo à sua estrutura de vida carnal. Se você está realmente redimido, Jesus irá se manifestar em você através de uma vida transformada, onde o pecado é confessado, a obediência é a marca de seu viver e o amor se manifesta.

Em contraste, existe uma grande porta, onde todos podem entrar juntos. Você não precisa vir sozinho. Ela permite a entrada em grupos de qualquer tamanho. Muitos que entraram nesta porta larga estão no meio da igreja.
Eles permanecem na essência do homem perdido e vivem por esforços da autojustiça. Eles vivem perdoando e justificando suas próprias culpas e erros.
Certa vez, uma pessoa que aderiu a uma religião, disse o seguinte: “A minha razão é que esta religião é um nobre caminho, largo. Há espaço para o homem e seus pecados, e o caminho de Cristo é muito estreito”. Bem, esta é a escolha.

Duas portas, em que cada uma delas leva a caminhos diferentes. Quais são os dois caminhos? Há o caminho espaçoso e há o caminho apertado.
Isso é exatamente o que diz no Salmo 1. Há o caminho dos justos (v.1-3) e o caminho dos ímpios (v.4-5). E o salmista finaliza: “Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá” (v.6).
A escolha é a mesma que sempre foi: o caminho dos ímpios e o caminho do piedoso.

Agora, olhe para o caminho largo. Lá estão aqueles que entraram pela porta larga. É fácil estar lá. Você terá muitas companhias. Há muito espaço. Você pode apenas passear e passear. Desfrutar sua vida.
Sem absolutos, há espaço para todo pensamento humano. Há tolerância para sua forma de viver. Há lugar para uma religiosidade vazia. Não há restrições, não há limites.
Todos os desejos do coração caído são alimentados nessa estrada. Não há necessidade de uma atitude das bem-aventuranças. Não há necessidade de humildade, de forme e sede de justiça, de mansidão.
Não há nenhuma necessidade de estudar e amar a Palavra de Deus. Tudo é flexível. Ali o homem é como um peixe morto que flutua rio abaixo. É muito fácil. Ele segue o curso do mundo (Efésios 2:2).

Há um caminho difícil. O caminho apertado, estreito. Isso significa um caminho estreito em um precipício.
É um caminho que exige andar com prudência. “Vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios” Efésios 5:15).
É um caminho muito estreito. Ele está cercado de ambos os lados pela mão do castigo de Deus. Não há espaço para qualquer desvio. É um caminho reto, todos os atalhos são ciladas.
Uma coisa maravilhosa é que toda a dureza, estreiteza e todas as restrições nascem do próprio Cristo. Ele disse: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:30).
E qual o segredo deste caminho? “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).

Em Lucas 14 temos uma multidão o seguindo. Jesus virou-se para ela e disse:
“Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo”. (v.26-27).

Em outras palavras: ‘Você vai ter que sair da multidão, dizer adeus a todo mundo que você ama, ou você não pode ser meu discípulo. E então você vai ter passar por uma porta e viver uma vida crucificada. Um caminho de crucificação de si mesmo’.
Ele acrescentou: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” (v.28). Ou seja, Ele avisou que há um custo.
E qual a dimensão deste custo? “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”. Isto é duro. Mas é o Evangelho. Não há como o homem viver isto por si mesmo.

Você não anda por esse caminho estreito com os pés descalços. A estrada é difícil. E o cristianismo nunca foi apresentado por nosso Senhor como uma opção suave para aqueles de coração fraco.
Ao atravessar a porta estreita, você declara guerra ao inferno. E você terá que viver o resto de sua vida com as atitudes declaradas nas bem-aventuranças.
Jesus disse a Pedro: “Segue-me”, “apascenta minhas ovelhas”. Isto após informar-lhe de que sua fidelidade lhe custaria a vida. (João 21:15-19). Esse é o caminho estreito. Não há atalhos. Poucos andam por ele.

Você diz: “Bem, parece horrível”. Não, porque nele está Cristo. Há um destino maravilhoso no caminho apertado. Mas há um destino desastroso no caminho largo.
Há o caminho da vida e o caminho da morte, como diz o Salmo 1. Como disseram Jeremias, Josué, Elias e Moisés.
O destino do caminho largo é a perdição eterna. Refere-se ao juízo final, à condenação ao inferno, o tormento eterno. O Senhor diz que a vida acabará em um dos dois lugares.

Todas as religiões, em todo o mundo, que estão fora do Evangelho de Cristo, vão destinar seus membros para o mesmo lugar: a destruição.
É fácil andar pelo caminho largo. Não há dificuldades. É um caminho suave. Mas ele acaba no inferno.
Nele está também a religião da realização humana, todo o caminho do humanismo e do ateísmo, onde o homem se faz um deus.
O homem tem uma escolha. Há duas multidões, duas portas, dois caminhos e dois destinos.

O caminho largo é bem povoado. Muitos estão nele. No caminho estreito há poucas pessoas.
A maioria das pessoas está no caminho da realização humana. As massas de pessoas estão no caminho errado.
Muitos perguntam se haverá mais gente no inferno do que no céu. Jesus já respondeu a isto. Poucos estão no caminho estreito que leva a vida. Muitos estão no caminho largo do inferno eterno.
Jesus disse aos seus discípulos: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12:32). Deus sempre contou com um pequeno rebanho ao longo da história. A maioria sempre esteve contra Ele.

Têm sido sempre poucos os que O procuram de todo o coração, e que agonizam pelo poder de Deus, reconhecendo sua própria incapacidade humana para entrar no Reino.
Esses estão dispostos a pagar o preço. Muitos candidatos, mas a maioria é inapta, “porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mateus 22:14).
Por isso é tão fácil escolher o caminho largo. É mais lógico, humanamente falando, marchar com a multidão. E muitos tentam adicionar Jesus a uma religião, igreja ou qualquer outra coisa, mas estão marchando com a multidão.

Jesus disse o seguinte:
“Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão. Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois; Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas. E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora” (Lucas 13:24-28).

Ele não se referiu às pessoas sem religião, mas às pessoas religiosas, que pensaram que estavam no caminho apertado, mas estavam vivendo sob o engano.
E elas vão bater na porta. Eu digo a você, eu não consigo pensar em uma cena mais horrível do que pessoas sob a ilusão de que estavam salvas, e então, descobrem que a porta está fechada para elas.
Elas ouvem o Senhor dizer-lhes: “Não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim”. Terrível situação.

Voltando para Mateus 7, Jesus disse:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:21-23).

Que choque será para tantos! Jesus se refere às pessoas que criam que estavam salvas. Elas argumentam sobre o que praticaram. Mas a porta lhes foi fechada para sempre.
Ouça, o caminho é estreito, mas estou feliz de anunciar que é espaçoso o suficiente para que um pecador arrependido ande nele. Você tem que vir sozinho. É uma escolha absolutamente inevitável. Se não fizer nenhuma escolha, você já a estará fazendo, pois naturalmente o homem nasce trilhando no caminho largo, e vai enfrentar as consequências dela.
Não procure algo que se encaixe com sua vontade, mas busque tudo que se encaixa com que o Evangelho diz. Você será julgado pelo que está estabelecido neste Evangelho.

Obrigado, Pai, por falar-nos de modo tão claro nesta manhã.
Estas são palavras duras, por causa do nosso pecado. Que possamos atentar para elas.
Obrigado, porém, porque quando entramos naquela porta estreita, há grande segurança e confiança.
Nossos corações clamam Aba Pai, sabendo muito bem que somos Teus filhos.
Oramos por aqueles aqui que ainda não entraram por esta porta estreita.
Oramos para que este possa ser o grande dia em que eles vão se despojar de si mesmos.
Como diz a Tua Palavra: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (II Coríntios 13:5).
Traz, a cada um de nós, temor e discernimento sobre este assunto tão sério.
Que ninguém sai daqui sem ter isto bem definido. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Which Way to Heaven?”, de John MacArthur em 18/05/1980.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/2252/which-way-to-heaven

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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