Os Frutos do Arrependimento – 2

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Mateus 3
7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;
9 E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.
10 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.
11 E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.
12 Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.

Esta é uma amostra do tipo de pregação feita pelo precursor de Jesus Cristo. Foi uma mensagem chamando Israel ao arrependimento.
Ele disse: “Arrependei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”. E fala sobre os frutos do arrependimento.
Deus prometeu a seu povo um salvador, um Messias, um rei. Mesmo durante todas as trevas espirituais de Israel, o Espírito Santo continuou, através da boca dos profetas, a falar sobre a vinda do Rei, o Messias, o Cristo.
E a esperança sempre foi mantida viva, pelo menos nos corações do remanescente piedoso. As profecias foram abundantes até o grande período de silêncio após Malaquias.
O Antigo Testamento termina com a profecia de Malaquias sobre João Batista. E o Novo Testamento, em seguida, começa com o ministério deste homem. E no meio disto houve o período de silêncio de 400 anos da parte de Deus.

Em Mateus 3:1 ele é introduzido: “E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia”. Ele foi a primeira voz profética em 400 anos. Sua mensagem era sobre a proximidade do reino dos céus. João Batista foi o arauto do Rei.
Mateus escreveu todo seu Evangelho visando a apresentar Cristo como Rei. Ele sabia que todos os reis têm um arauto. alguém que prepara o caminho de sua chegada.
João Batista foi o maior homem que já tinha nascido até seu tempo (Mateus 11:11). Na verdade, um grande homem. Então, Mateus nos apresenta João Batista, porque seu ministério fazia parte da chegada do Rei.

O Rei estava vindo, mas as pessoas não estavam prontas e não podiam receber o reino. Israel estava perdido em pecado. Israel não estava diferente dos gentios.
E é por isso que João pregou um batismo, pois batismo era realmente o rito que um prosélito gentio (um não judeu que se convertia ao judaísmo) tinha que passar para tornar-se uma parte de Israel.
A boa notícia de João é que o Rei estava vindo. A má notícia é que Israel não podia recebê-lo. Sua mensagem foi do arrependimento, para que houvesse pessoas que pudessem receber o Rei.

Era necessária uma conversão, afastando-se dos seus pecados, uma mudança fundamental na sua relação com Deus e na forma como eles estavam vivendo.
E o batismo de João representa exatamente isto. Era o mesmo batismo que os gentios tinham que se submeter ao se converterem ao judaísmo.
Para os judeus, era algo estranho e chocante. Eles se consideravam um povo santo e não um povo que necessitava de passar pelo arrependimento e batismo, como os gentios.

Eric Sauer disse que o arrependimento envolve uma ação tríplice: No entendimento, significa conhecimento do pecado; nos sentimentos, significa dor e sofrimento; e na vontade, significa uma mudança de mente.
A verdade do Evangelho é tão impactante que o pecador arrependido brada: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24)

Arrependimento começa quando há um conhecimento do pecado. Foi o que o salmista declarou:
“Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” (Salmos 51: 3-4).
Um conhecimento da necessidade de ser purificado: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Salmos 51:10-11).
E assim há um reconhecimento do pecado e do que somos diante de Deus. Esse é o começo de arrependimento.

Moody foi pregar aos detentos em uma prisão de Chicago, visitando cela por cela.
Na primeira cela ele encontrou dois homens jogando cartas. Eles disseram: “Estamos aqui porque falsas testemunhas falaram erroneamente contra nós”.
Na segunda cela, o homem disse que o culpado tinha escapado e “eu era apenas um cúmplice e eu estou aqui”.
E assim sucessivamente. Apenas na última cela, Moody encontrou um homem chorando por causa de seus pecados. Ele parou ali, pois viu alguém apto para uma experiência de arrependimento.
Reconhecimento do pecado é o começo, mas não é o fim. É apenas o começo. O verdadeiro arrependimento envolve mais do que isso.

Faraó disse: “Eu pequei” (Êxodo 9:27). Balaão disse: “Eu pequei” (Números 22:34). Acã disse: “Eu pequei” (Josué 7:20). Saul disse: “Eu pequei” (I Samuel 15:24). Judas disse: “Eu pequei” (Mateus 27:4).
Mas, em nenhum desses casos a Bíblia registra um verdadeiro arrependimento, porque o conhecimento do pecado é apenas o começo, não o fim.

Deve haver, em segundo lugar, o emocional. Vamos da mente para os sentimentos, e torna-se um reconhecimento não só do pecado, mas que o pecado é odioso para um Deus santo. Há uma enorme sensação de culpa nas emoções.
Foi o clamor de Davi: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado” (Salmos 51:1-2).
Aqui está um homem chorando por misericórdia. Por quê? Por causa da culpa que pesava sobre ele.
O mesmo Davi disse: “Quando eu guardei silêncio sobre o meu pecado, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio”. (Salmos 32:3-4).

Há muitos que lamentam porque foram flagrados no pecado ou perderam suas reputações. Não é disto que trata o arrependimento.
O verdadeiro arrependimento não pensa nas consequências humanas, na opinião das outras pessoas, em desculpas. Ele lamenta profundamente por ter havido transgressão contra Deus.

E por fim, o arrependimento tem que ser um ato da vontade. Um ato de mudança.
É o clamor de quem diz: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (Salmos 51:10).
Você vê, a vontade dele desejava uma mudança dramática. Isso é vital.

Isto é retratado na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-24).
Primeiro de tudo, o filho perdido reconheceu seu pecado: “Pai, pequei contra o céu e perante ti” (v.18).
Houve um sentimento de culpa: “Já não sou digno de ser chamado teu filho” (v.19). E então ele se moveu na direção de Deus (a atitude).
O mesmo aconteceu com o ladrão na cruz (Lucas 23:39-43).
Ele disse: “Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?” (v.40), o reconhecimento do pecado.
“Recebemos o que os nossos feitos mereciam” (v.41), o sentimento de culpa. E por fim ele declara a Jesus: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (v.42), ele se move na direção do Senhor.

E isto é o que encontramos no capítulo 3 do Evangelho de Mateus: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (v.8).
Quando Deus faz este milagre na vida de alguém, haverá frutos, haverá resultados. Todo o verdadeiro arrependimento vai dar frutos. A mensagem de João, então, é o verdadeiro arrependimento.
Se não há frutos evidentes, então o arrependimento é falso. Foi isto que levou João a confrontar os fariseus e os saduceus.
Eles também vieram a seu batismo, os líderes religiosos, as duas principais facções do judaísmo, os legalistas e os liberais.
Vendo que João Batista atraía multidões, eles não queriam ficar fora daquilo, temendo perder suas posições. Talvez eles tivessem alguma suspeita que João fosse um profeta.
Eles não eram legítimos homens arrependidos; eles eram falsos. Eles eram arqui-inimigos. A única coisa que eles concordavam era que aquilo era necessário para salvar suas posições, o que incluiu a morte de Jesus Cristo.

João os confrontou: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (v.7). No grego, a palavra traduzida como “víbora” se refere a uma pequena e astuta cobra venenosa que se parece com um pedaço de pau.
Habitavam no deserto. João as conhecia muito bem. Quando havia algum incêndio na vegetação seca, elas fugiam à frente das chamas.
Quando João disse: “Cobras, quem lhes ensinaram a fugir da ira”, eles sabiam do que ele estava falando. Ou seja, “Satanás foi quem fez vocês virem aqui, e não o temor do juízo”.
O próprio Satanás é retratado como uma serpente na Bíblia. Mais tarde Jesus disse aos fariseus que Satanás era o pai deles.
João os confronta: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (v.8).

Eles se orgulhavam de serem descendentes de Abraão, e que isto lhe garantiria o direito a todas as bênçãos divinas, inclusive como estrelas de seu reino.
João disse-lhes: “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Mateus 3:9).
Ninguém é justo porque seus pais foram justos. A maior parte de Israel tornou-se uma pedra dura, então Deus levantou filhos de pedras das quais Ele pôde trazer quebrantamento, uma possível referência aos gentios que se converteriam.
Os fariseus, quando confrontados por Jesus, bradaram: “Nosso pai é Abraão” (João 8:39). Jesus respondeu-lhes: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (João 8:44).

“E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mateus 3:10).

Foi uma declaração forte. Naqueles dias, os homens mantinham vinhas e pomares. E no final da época da colheita, havia uma avaliação de todas as plantas. As infrutíferas eram cortadas e queimadas, a fim de não se perder tempo com elas.
Deus estava buscando homens com frutos de arrependimento. Ele estava como o machado na raiz, indicando que o machado estava lá esperando para fazer o seu trabalho de julgamento.
Foi o que João disse: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mateus 3:7)
Jesus disse: “Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” (João 15:2,6).

Eles esperavam um Messias apenas para salvação deles. Eles não entendiam que, além disto, o Messias também traria juízo.
Quando Simeão viu Maria levando Jesus nos braços, disse: “Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel” (Lucas 2:34).
Sobre Jesus, Isaías profetizou: “[Ele] ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, e a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins” (Isaías 11:4-5).
Isto é um tanto diferente do emocionalismo extraído da história do bebê em Belém, não é?

O mesmo Isaías profetizou que Jesus viria “pregar boas novas aos mansos; restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos.” (Isaías 61:1).
Mas também para “apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus” (Isaías 61:2). Ou seja, a salvação e o juízo.
João Batista disse: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

O bebê nasceu em Belém. Jerusalém rejeitou o Filho de Deus e o matou na Cruz. Cerca de 40 anos depois, a cidade foi varrida do mapa, numa sangrenta destruição por ordem de Roma.
Quando alguém morre sem Jesus Cristo, é afastado eternamente da presença de Deus. Este é o juízo definitivo. Além disso, Deus traz julgamento e vingança, mesmo antes da morte.
Os maiores problemas do mundo são consequências do pecado. Mas além desses sofrimentos, o homem sem Cristo ainda vai enfrentar um duro juízo eterno.

João Batista anunciou que o Rei viria não só para salvar, mas também para julgar. O que você faz com Jesus Cristo, determinará se Ele é o seu Salvador ou o seu juiz.
Ao falar do machado na raiz das árvores, a multidão perguntou: “Que faremos, pois?”; “mestre, que devemos fazer?”; “e nós que faremos?” (Lucas 3:10,12,14). Mas os fariseus e saduceus nada disseram.
Eles foram observar se o batismo de João não seria mais um mero rito a seguir. Continuaram em marcha ao juízo eterno.
Até a cruz, muitos batizados por João ficaram no caminho, mas houve um remanescente de pessoas aptas para o Reino de Deus.

O fogo é um símbolo bíblico do julgamento ou castigo divino. Vamos ver algo sobre isto resumidamente.
O fogo do céu foi o juízo sobre Sodoma e Gomorra (Gênesis 19:24). Houve fogo sobre duzentos e cinquenta homens que tinham prostituído o sacerdócio (Números 16:35).
A Palavra diz que “o Senhor teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso” (Deuteronômio 4:24). Veja alguns versos sobre o fogo do juízo de Deus:

“Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua colheita, e abrasará os fundamentos dos montes” (Deuteronômio 32:22).

“Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” (Jeremias 4:4).

“Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

“…E qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (Mateus 5:22).

“E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. e, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o verme não morre, e o fogo nunca se apaga” (Marcos 9:43-48).

Eles estavam em perigo do fogo eterno, do inferno, do juízo e da condenação.
É muito sério. João não fez promessas de sossego nesta terra, mas de fugirmos de um juízo real que viria. Um juízo de fogo consumidor.
O machado já estava posto a raiz das árvores, e Jesus detalhou muito bem esta realidade:
“Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo” (Mateus 7:17-19).

“… Mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu… Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará” (Mateus 3:11-12).

Uma eira era o ambiente onde os cereais, no período da colheita, eram limpos ou debulhados. Os grãos de trigo eram separados do joio e da palha, com uso de pás. O joio e a palha eram queimados.
Esta é uma imagem do juízo final. No julgamento final, Cristo supervisionará as pás (os anjos) que farão a separação dos salvos e condenados.
Qual é o celeiro de que João trata? O céu. E a palha vai para o fogo. E o que é o fogo? O Inferno.

“Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 13:40-43).

Amados, tudo o que posso dizer é que esta mesma mensagem permanece até hoje. Jesus veio como um salvador ou um juiz, para oferecer o céu ou o inferno, a bênção ou a maldição.
Você pode ser o trigo a ser posto em seu celeiro ou então você é o joio para ser queimado pelo fogo eterno.
E essa condição é determinada pela existência ou não de uma experiência de arrependimento e conversão. E a existência delas é determinada pelos frutos que você produz.

“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mateus 3:11).

Três batismos são mencionados: O batismo de arrependimento de João; segundo, o batismo com o Espírito Santo, por Jesus Cristo; em terceiro lugar, o batismo com fogo.

O batismo de João (de arrependimento), como vimos anteriormente, foi em preparação para a vinda de Cristo. Era o mesmo batismo que um gentio precisava se submeter ao se converter ao judaísmo.
João estava dizendo a Israel: “Vocês estão do lado de fora. Vocês precisam se acertar com Deus antes de poder entrar no seu reino”.
Foi algo que espantou a nação que se considerava, por direito, povo de Deus. João os nivelou aos gentios, foi algo que espantou a classe religiosa e tornou João Batista, na visão deles, um endemoninhado (Mateus 11:18).
Não era o batismo cristão. Foi um batismo pré-cristão, um ato no Antigo Testamento de fé e arrependimento.
“Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo” (Atos 19:4).

O segundo, o batismo com o Espírito Santo, foi em conexão com a vinda de Cristo. Ele veio, estabeleceu Sua igreja, batizando-a no Espírito Santo.
João disse: “Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu”. Superior em poder, em posição superior e em batismo.
Ou seja, ele quis dizer: “Tudo o que posso fazer é batizar com água. Eu só posso lidar em símbolos, mas Ele vai tratar de realidades e vos batizará com o Espírito Santo”. Não é de admirar que João tenha dito:

“Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.” (João 3:28-31).

“Após mim vem Aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas sandálias” (Marcos 1:7).

E Jesus cumpriu a promessa do Espírito Santo.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.” (João 14:16-17,20).

“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (I Coríntios 12:13).

O batismo com o Espírito Santo coloca o crente em Cristo. É algo unificador. É o ato pelo qual somos fundidos com Jesus Cristo. É o ato pelo qual somos fundidos com todos os outros crentes.
Esta promessa consta no livro de Ezequiel: “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ezequiel 36:27).
É por isso que quando Jesus disse a Nicodemos: “Você tem que nascer da água e do Espírito” (João 3:5), Nicodemos sabia exatamente o que Ele quis dizer.

O anúncio de João Batista foi profético e cumpriu-se no dia de Pentecostes (Atos 2). O Espírito de Deus veio habitar em cada crente.
E, amados, quando nos tornamos cristãos, no momento em que somos salvos, o Senhor nos concede o Espírito Santo. Nós somos colocados em uma fusão com Ele e com o corpo de Cristo.

Por fim, João fala de outro batismo: Com fogo. Algumas pessoas dizem: “Oh, é o Pentecostes. São as línguas de fogo”.
Bem, no pentecostes não diz que foi fogo, mas “línguas como que de fogo”. Aparência, mas não era fogo.
Antes de sua ascensão, Jesus prometeu: “mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 1:5), sem fazer referência a fogo.
Outras pessoas dizem que o fogo aqui é a purificação espiritual quando Ele nos batiza com o Espírito Santo. É um bom palpite, na melhor das hipóteses, mas não há nada no contexto que aponte para isso.

E eu penso comigo mesmo: “Como você pode ter nascido da água e do Espírito e, ao mesmo tempo com fogo? A água apaga o fogo”.
Vimos que, na Escritura, fogo fala do julgamento de Deus. Ele pode ser usado em um sentido de refino, mas fala mais do juízo e da ira de Deus.
O batismo com o Espírito Santo pertence a todos os crentes; com o fogo, a todos os incrédulos. O primeiro é para aqueles com verdadeiro arrependimento; e o último, para quem não experimentou o arrependimento.

Veja que o contexto das palavras de João Batista é de juízo pelo fogo.
No verso anterior (10) João diz: “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada… Onde?… no fogo”.
No verso seguinte (12) João diz: “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com… O que?… fogo que nunca se apagará”.
Temos três frases paralelas nos versos 10, 11 e 12. Cada uma delas termina em fogo. O contexto é muito claro.

Observe que Lucas faz um relato semelhante, e fala do Batismo com fogo e em seguida fala do fogo do juízo (Lucas 3:16-17).
Mas, no Evangelho de Marcos, não é mencionado o fogo do juízo, bem como Marcos também não fala de batismo com fogo (Marcos 1:8). Tal como no evangelho de João (João 1:33). Assim também como em Atos (1:5).

Agora, nas outras duas imagens – o corte da árvore (v.10) e a queima da palha (v.12), duas classes de pessoas são apresentadas, o destino de cada indicado separadamente.
Bons frutos e trigo posto no celeiro. A árvore que não produz bons frutos, cortada e queimada. A palha será colhida e queimada.
Aqueles que creem no Senhor Jesus Cristo são batizados com o Espírito Santo, aqueles que O rejeitam, são batizados com o fogo do juízo.

Em sua profecia sobre João Batista e Jesus, Malaquias escreveu:
“Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria”. (Malaquias 4:1).

Jesus disse:
“Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso? Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se! Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão; Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra” (Lucas 12:49-53).

Jesus veio para fazer a diferença. Jesus veio para ser um incêndio, bem como ser um salvador. E vai haver divisão, às vezes em uma mesma casa, em uma mesma família.
John Bunyan converteu-se ao ouvir uma voz dizendo: “Queres deixar os teus pecados e irdes para o céu, ou queres os teus pecados e irdes para o inferno?”.
Essa é precisamente a pergunta que foi feita aos fariseus e aos saduceus. É esta a mesma questão hoje.

Obrigado, Pai, mais uma vez esta noite, por uma palavra clara acerca do Espírito Santo, através das páginas das Escrituras.
Tu és o Deus que fala a verdade. E nós sabemos que quando o Senhor fala sobre o céu, é verdade; E quando fala sobre o inferno, é verdade.
Sabemos que o Senhor pede para ver o fruto do verdadeiro arrependimento, a manifestação que é real.
Pai, eu oro esta noite para que o Senhor transforme os corações daqueles que estão aqui, particularmente aqueles que não conhecem a Cristo, que nunca se comprometeram com Ele, que nunca realmente se arrependeram.
Que possam confrontar sua pecaminosidade diante da pessoa de um Deus santo. Que venham a sentir a culpa, a mancha e feiúra do pecado.
E, assim, que rendam sua vontade ao Senhor Jesus Cristo e peçam-lhe para os perdoar e que recebam a vida de Cristo.
Pai, que eles possam fazer isso esta noite.
Que esta seja a noite em que eles passem da morte para a vida, para que o machado que foi colocado na raiz da árvore seja recolhido e levado para outro lugar, porque a árvore, de repente, possui nova vida e o que parecia palha é, de repente, milagrosamente transformado em trigo a ser reunido no celeiro, e no local onde o fruto de arrependimento estava ausente, finalmente foi produzido.
Oramos, Pai, pois a Palavra de Deus diz que o Senhor não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao conhecimento da Verdade.
Que ninguém deixe este lugar sem cumprir Teu desejo. Amém.


Este sermão é uma série de 2:

Os frutos do arrependimento – I
Os frutos do arrependimento – II


Este texto é uma síntese do sermão “The Fruits of True Repentance, Part 2”, de John MacArthur em 09/04/1978.

Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/2189/the-fruits-of-true-repentance-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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