Não ameis o mundo – 1

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I João 2
15 Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

Aqui está o amor que Deus odeia: o amor ao mundo. A Bíblia é clara que Deus é um Deus de amor perfeito. Isto é um tema em toda a Escritura, particularmente enfatizado, é claro, no Novo Testamento.
O amor de Deus é manifesto de várias formas, e seu ponto mais alto foi na graça redentora. Deus é um Deus de amor perfeito.
Mas porque Deus ama perfeitamente, ele também odeia perfeitamente.
Os dois são realmente inseparáveis, amar perfeitamente é odiar perfeitamente. Quanto mais o seu carinho para o que é certo, mais o seu descontentamento para o que está errado.

Veja o que dizem alguns salmos:
“Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal” (119:10)
“Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho” (119:104).
“Por isso estimo todos os teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda” (119:128).
“Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua lei” (119:163).

Foi manifesto o amor de Deus em Jesus Cristo para a justiça, isto levou Jesus a fazer um chicote e purificar o templo, porque ele odiou o que viu e o que encontrou naquele lugar (João 2:14-16).
O amor absolutamente perfeito de Deus exige um ódio absolutamente perfeito para com as coisas que são contrárias a esse amor. Deus ama perfeitamente, e Ele odeia perfeitamente.
Nós amamos imperfeitamente e odiamos imperfeitamente, mas mesmo assim ele reflete uma sombra do que vemos na perfeição de Deus.

Veja o que diz Provérbios: “Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina” (6:16). No hebraico, a palavra correspondente a “abominar” é mais enfática do que a correspondente a “odiar”.
Deus odeia os olhos altivos (6:17). Uma espécie de orgulho que enche o coração e mostra desdém para com os outros. O orgulho é a primeira coisa que Deus odeia, porque é a fonte de todos os tipos de pecado.
O pecado é uma reflexão do orgulho, a atitude de desobediência e rebeldia contra Deus. Todo o resto é construído sobre a iniquidade do orgulho.
O ódio de Deus ao olhar altivo é expresso por Isaías:
“Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; e só o Senhor será exaltado naquele dia. Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido” (Isaías 2:11-12).

Deus odeia a língua mentirosa (6:17). Deus é o Deus da verdade. Ele odeia mentiras.
Deus odeia as mãos que derramam sangue inocente (6:17). Ele odeia os assassinos. Ele odeia aqueles que têm uma disposição cruel.
Deus odeia o coração que trama projetos iníquos (6:18). Deus odeia as maquinações e imaginações perversas, que vêm daqueles que transformam seus corações em oficinas de maldades.
Deus também odeia os pés que se apressam a correr para o mal (6:18). Aqueles que propositadamente projetam e correm para o mal. Eles estão com pressa para cumprir os desígnios de seus corações.
Deus odeia a testemunha falsa (6:19). Deus odeia falsas testemunhas que mentem e cujas mentiras são destrutivas.
Deus odeia aquele que espalha contendas entre irmãos (6:19). Arruaceiros que causam divisões.

Há outras coisas que Deus odeia, tais como: O divórcio (Malaquias 2:16), a idolatria (Jeremias 44:3-4), a hipocrisia (Amós 5:21).
E a razão pela qual Deus odeia todas estas coisas é porque elas estão em choque e oposição contra todas as coisas que Deus ama, ou seja, todas as coisas que são consistentes com Sua natureza santa.
E no texto de I João 2:15-17 há outra coisa que Deus odeia: O mundo e aqueles que amam o mundo. “Qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Ao estudar sua carta, vemos que Joao nos dá uma série de testes para sabermos se somos, de fato, cristãos. O objetivo de sua epístola não é fazer verdadeiros cristãos duvidarem, mas fazer verdadeiros cristãos terem confiança.
“Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” (I João 4:13).
Tudo que você tem a fazer é ler o que ele diz, dar uma olhada em sua própria vida e fazer um balanço para ver se sua vida corresponde a este padrão.
Ao mesmo tempo, é para nos ajudar a reconhecer aqueles que não estão no Reino de Deus, não importando qual aparência eles tenham.
Crer em Cristo biblicamente, reconhecer o pecado, ter uma atitude de contrição, viver numa manifesta obediência ao Evangelho e amor para com os outros são testes válidos para uma vida espiritual genuína.

Aqui então temos um fortíssimo teste: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (I João 2:15).
Uma definição muito clara. Alguém que ama o mundo não é um discípulo de Jesus. Não possui o amor de Deus.
Nos versos anteriores João diz que os cristãos são marcados pelo amor, mas um amor aos outros e não ao mundo.
É uma definição para se conhecer falsos cristãos, como havia na época de João. Naquele tempo já floresciam filosofias heréticas existentes até hoje, resultando em amantes do mundo com nome de cristãos.

João diz em forma de ordem: “Não ameis o mundo”. Se alguém ama o mundo, não é um cristão. Veja que ele diz no capítulo 4:
“Porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo… Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” (1,5-6).
Ou você é do mundo ou é de Deus. Você quer falar a filosofia do mundo ou a Palavra de Deus? Se você é um verdadeiro cristão, você está em oposição ao mundo.

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (I João 5:4-5).
Quando você, de fato, vem à fé em Jesus Cristo, você vence o mundo. Sua fé em Cristo triunfa sobre o mundo. Você deixa de amar o mundo para amar ao Senhor. A nova realidade espiritual destrói a anterior.

“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15:19).
O cristão verdadeiro venceu o mundo, foi escolhido para fora do mundo e não ouve mais o mundo. Ele não se identifica mais com o mundo. Ele foi literalmente separado do mundo. Agora o mundo o odeia.

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).
Isso é uma afirmação absoluta. O que significa ser crucificado? Morte. O mundo está morto para mim e eu estou morto para o mundo. Uma linguagem muito forte, explícita e direta.
É uma situação oposta à vida anterior do cristão: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2).
Agora o cristão está morto para o mundo e o mundo morto para ele. O mundo não exerce qualquer influência sobre sua vida. Isto é um teste espiritual válido.

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).
Você tem a sua escolha, ou você é um amigo do mundo ou você é um amigo de Deus. Não há conciliação entre estas duas situações. Não há meio termo.

Somos verdadeiros cristãos porque temos uma visão correta de Cristo, porque temos um entendimento correto da nossa própria pecaminosidade e uma necessidade desesperada de perdão.
Nós somos cristãos porque temos um padrão manifesto de obediência em nossas vidas e um amor manifesto para com os outros, refletindo o amor de Deus derramado em nossos corações.
Nós também somos crentes porque não amamos o mundo e nem o que nele há.
No tempo de João havia pessoas dizendo-se crentes, mas que amavam a sabedoria e a filosofia mundana. Eles amavam o mundo e tentavam conciliá-lo com a fé. Uma heresia que foi combatida por João.

Agora, quando falamos sobre o mundo, o que estamos falando? Se você diz que não ama o mundo, o que você está dizendo? Como devemos entender isso?
A palavra “mundo”, usada nesses versos, vem da palavra grega “kosmos”, cujo sentido básico é “ordem” ou “arranjo”. Fala de um sistema ordenado.

Não é sobre o mundo físico (natureza, florestas, rios, os céus, montanhas etc). A criação anuncia a glória de Deus:
“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmo 19:1).
“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas”
(Romanos 1:20).
Cada detalhe da criação manifesta o glorioso poder e sabedoria de Deus. Quando vemos a maravilha da criação, queremos louvar o Deus da criação.

Lendo a maravilhosa descrição que o Salmo 104 dá sobre a criação, vemos o salmista proclamar: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” (v.24).
Ele também declara: “A glória do Senhor durará para sempre; o Senhor se alegrará nas suas obras. Olhando ele para a terra, ela treme; tocando nos montes, logo fumegam. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu tiver existência (v. 31-33).
Não devemos desprezar o mundo criado. Não somos ambientalistas, mas adoradores do Criador.

Então, quando falamos sobre não amar o mundo, não estamos falando sobre o mundo físico.
E em segundo lugar, não estamos falando de não amar as pessoas. Deus amou o mundo de tal forma que deu seu Filho unigênito (João 3:16).
Que mundo Deus amou? Não é o mundo inanimado, é o mundo humano. Deus nos ama. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não o conheceu (João 1:10-11).
O mundo das pessoas não sabia, mas Ele os amava. É por isso que Ele se tornou a propiciação pelos nossos pecados, como está no verso 2 de I João 2. Não somente pelos nossos, mas os pecados do mundo inteiro.

Pois bem, se não é o mundo criado e não é o mundo humano, o que é? É o sistema espiritual invisível do mal. Esse é o mundo que não podemos amar.
É o sistema espiritual invisível do mal, que é executado por Satanás, o príncipe do poder do ar, o espírito que opera nos filhos da desobediência, a pessoa que conduz o curso deste mundo.
É o sistema (Kosmos). Um sistema, uma ordem, como o caos significa desordem. É uma ordem maligna, com todos os seus elementos e componentes, que batalha contra Deus.
É o mundo a que Jesus se referiu quando disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim” (João 15:18).
O mundo que odiava Jesus era o mundo da maldade, o mundo da miséria, o mundo da corrupção, o sistema do mal. Este é o sistema que é comandado pelo inimigo.

Usamos a palavra “mundo” nesse sentido. É o mundo dos esportes, da política, da ciência, das artes, da educação, do entretenimento, do comércio etc.
O que queremos dizer com isso? A ordem, o sistema, a estrutura. São sistemas constituídos de ideias. É o sistema de Satanás que se opõe a Cristo e a Deus.
É o oposto de tudo o que vem de Deus. É um sistema mal anti-Deus.

“Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno” (I João 5:19). Este sistema pertence a Satanás. Ele o segura e controla.

Há no mundo um espírito penetrante que podemos chamar anticristo (I João 4:4). Então, quando você definir o mundo, você está dizendo que é um sistema que é contra Cristo.
É o espírito que “se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus”(II Tessalonicenses 2:4).
Jesus chamou Satanás de o “príncipe deste mundo”. E Satanás tem seus demônios, espíritos malignos, principados e poderes neste sistema maligno. E ele envolve todos os homens não regenerados em Cristo.
Satanás tem controle sobre os cidadãos deste mundo. Por isso a Palavra diz: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).
Embora seja verdade que o cristão morreu para o mundo e o mundo para ele, também é verdade que o mundo pode exercer uma sedução e tentar chama-lo de volta para ele.

Quando alguém se tornou um cristão, fez uma escolha. Afirmou que o evangelho de Jesus Cristo é a verdade. Confessou Jesus como Senhor e Salvador, num momento em que estava morto em delitos e pecados.
Antes da conversão a Cristo, o cristão não estava morto para o mundo, mas morto, espiritualmente, no mundo.
Quando abraçou a fé, tornou-se morto para o mundo e vivo para Deus em Cristo Jesus (Romanos 6:11).
Como o mundo se opõe a Cristo, o cristão verdadeiro passa a odiar o sistema mundano com todas suas ramificações.
Ele não passa a odiar a criação e nem as pessoas. Não é isto. Ele passa a odiar o sistema maligno que se opõe a Deus. Ele tem agora a natureza divina dentro de si (II Pedro 1:4).
Tudo aquilo que não vem de Deus irrita sua alma. E se você não se sente dessa maneira, então você ama o mundo e o amor do Pai não está em você.

Qual é o espírito dominante do mundo? Há vários aspectos, mas todos eles estão vinculados ao sistema do anticristo.
Todas as coisas que compõem o sistema mundano estão trabalhando para o anticristo, assim como os verdadeiros cristãos trabalham para o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Não só as artes, educação, ciência, comércio, política, entretenimento etc., mas o ateísmo, as crendices e religiões anticristãs, bem como as múltiplas crendices e heresias que estão no cristianismo, estão trabalhando sistematicamente pelas trevas.
Todo esse sistema odeia a Cristo e os seus verdadeiros discípulos. Há uma linha que separa o cristão do mundo. O mundo e a família de Deus são opostos, são inimigos.
O cristão pode desfrutar da criação. Deve amar as pessoas da mesma forma que Deus ama, mas não ama o sistema mundano anti-Deus.

As pessoas me dizem: “Bem, você pode ser um cristão e ficar em um sistema religioso falso?”. Não por muito tempo. Por quê? Porque seu ódio ao sistema mundano será crescente. E a falsa religião é parte do sistema mundano.
Quanto você pode aguentar a falsa religião? Quanto vai suportar ver Cristo e a Sua Palavra sendo distorcidos?
Até quando vai suportar homens querendo a glória que só pertence a Cristo, a quem você ama e entregou sua vida?

João disse: “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia” (I João 3:13). Não se surpreenda.
Há algum tempo, eu recebi uma carta de alguém dizendo que os terroristas jogaram os aviões sobre o World Trade Center (11/09/2001) porque pensavam que eu estava lá.
Ele escreveu coisas terríveis contra mim e contra a mensagem que temos pregado. No final ele disse que, anos atrás, eu havia pregado o evangelho a ele e o batizado.
Percebe? Ele ama o mundo e odeia a verdade. E ele odeia aqueles que proclamam a verdade. Ele me odeia porque eu lhe disse a verdade.
É assim que é. Foi o que Jesus disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim” (João 15:18).

Tal é a oposição, que Jesus disse em sua oração: “Eu rogo por eles [os discípulos]; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (João 17:9). Ele havia dito:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (João 14:16-17).

Eles odiavam Jesus, eles vão odiar aqueles que detêm o seu sublime nome. O mundo não vai nos ouvir, ele vai ouvir os falsos profetas. Eles são do mundo, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve (I João 4:5).
Quanto a Jesus? Ele veio ao mundo, mas o mundo não o conheceu e o rejeitou.

Não estamos falando apenas do pecado. Nós poderíamos pecar sem um sistema. Você entende isso, não é? Você não precisa de Satanás e de um sistema mau para pecar.
Temos em nós mesmos as terríveis obras da carne, tais como a imoralidade, a impureza, sensualidade, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, explosão de raiva, discórdias, dissensões, facções, inveja, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes (Gálatas 5:19-21).

Assim, quando dizemos que fomos crucificados para o mundo, e já não amamos mais o mundo, isso não quer dizer que não pecaremos eventualmente.
O que ele quer dizer é que nós odiamos o sistema mundano contra Deus, contra Cristo, contra a Bíblia. Este sistema está infectado com as mentiras de Satanás.
É o resultado da nova natureza que temos em Cristo. Você não ama isso. Você odeia isso. E isso é parte de ser um crente.

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (II Coríntios 10:4).
Estamos envolvidos em uma guerra espiritual, que é o Reino de Deus contra o reino das trevas. É Cristo contra o anticristo. É a verdade contra a mentira.
Estamos empenhados nesta guerra e as armas da nossa milícia não são humanas.
O sistema mundano é aqui retratado como fortalezas. Ele se apresenta em diferentes formas. Existem diferentes tipos de fortalezas. Temos que combatê-la com armas muito poderosas.

Quais são essas fortalezas? “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (II Coríntios 10:5)
“Conselhos”, no grego é “logismos”, e quer dizer “especulação, imaginação”. Significa realmente: Ideias, ideologias, sistemas de crenças, religiões, filosofias, psicologia, teorias etc.
Todas elas são identificadas como coisas altivas. Ou seja, cada expressão orgulhosa de pensamento que se levanta contra o conhecimento de Deus.
Nossa tarefa é combater, com as armas espirituais, essas manifestações do mundo, levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

Se você se tornou um crente verdadeiro em Cristo, você se tornou um filho de Deus e está no lado oposto do mundo.
Você está na família de Deus, seja como uma criança espiritual, como um jovem espiritual, ou que tenha amadurecido para se tornar um pai espiritual (como vimos nos versos 12-14), e nós vamos falar mais sobre isso na próxima vez. Qualquer sistema que é contra Deus e Cristo é o mundo, e a posição do cristão é bem definida.

No capítulo 9 de Atos temos um homem chamado Saulo assolando a igreja. Indo para Damasco, a mando de sua religião, expelindo fúria contra a obra de Cristo, tentando destruir o Evangelho.
Ela era um desses falsos profetas que há no sistema mundano e satânico. Ele era um anticristo, e fazia isto pensando estar servindo a Deus. Mas na estrada de Damasco, ele é confrontado por Cristo e se converte.

E em Filipenses 3 ele relata o que aconteceu em sua mente.
Ele disse que tinha confiança em sua carne, ou seja, em sua própria força humana (3:4).
Ele tinha seus ritos e obrigações religiosas cumpridas rigorosamente. Ele era irrepreensível, segundo a lei (3:5-6).
Esse era o seu sistema. Essa era a sua fortaleza. Ele estava bem. Ele era seguro. Essa era a sua postura e posição anticristo.
Como um judeu zeloso, cumpridor da lei, farisaico devoto, ele estava lutando contra Cristo.
Ele foi surpreendentemente transformado por Cristo. E nesse momento ele morreu para o mundo, o seu mundo e o seu sistema de ideologia. Ele declarou: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo” (3:7).
Mais do que isso: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (3:8)

Uma vez que ele viu a Cristo, todo o resto virou lixo. Foi quando ele deixou de amar o seu mundo, o seu mundo ideológico, seu mundo teológico, seu mundo filosófico, seu próprio mundo pessoal de realização religiosa.
Então, se você ainda ama esse mundo, então o amor de Deus não está em você. Você não pode amar o mundo. Você não pode, por causa do que ele é. O mundo é anticristão e você diz confessar Cristo como Senhor.
Pois bem, há muito mais razões pelas quais você não pode amar o mundo, mas vamos deixar para o próximo domingo.

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Colossenses 3:1-4).

Pai, quão maravilhoso é descobrir coisas que nos ajudam a compreender as glórias de nossa salvação.
O que podemos dizer, por gratidão, sobre o que nos levaram de um situação de mortos em pecados para um vida contigo?
O que podemos dizer a Ti, por meio de gratidão, por tirar nossos olhos cegos e nos ter dado vista?
Nossos ouvidos surdos e dando-nos ouvidos para ouvir? Nosso coração duro e dando-nos um coração capaz de entender Tua Palavra?
O que podemos dizer a Ti, por plantar em nós o Teu Espírito, dando-nos um amor por Jesus Cristo e, assim, nós fomos crucificados para o mundo?
Nós Te agradecemos por nossa própria estrada de Damasco.
Nós te agradecemos por aquele momento, aquele glorioso evento, quando o mundo foi crucificado para nós e nós fomos crucificados para o mundo.
Naquele momento, quando na fé, estendemos a mão para abraçar Jesus Cristo.
E a partir de então, embora nós amemos as maravilhas da Tua criação e as pessoas ao nosso redor, nós odiamos o sistema mundano, o sistema ordenado do mal que é permeado por um ódio a Ti e ao nosso Cristo.

Obrigado por nossa morte para o mundo. Obrigado porque é a nossa fé que venceu o mundo, a fé salvadora que o Senhor nos concedeu.
Agora já não amamos o mundo, mas amamos a Ti. Nós amamos o nosso Senhor Jesus Cristo, embora de forma imperfeita, mas nós odiamos o que o Senhor odeia e odiamos o que desonra a Ti.
Não nos deixes sermos atraídos pelo sistema mundano. Que possamos continuar a crescer em nosso amor por Ti e nos tornar pais espirituais, que sabem o que é entrar em comunhão com Aquele que é desde o princípio, Tu, o Deus eterno.
Esta é a nossa oração em nome de Teu Filho. Amém.


Este sermão é uma série de 3:

Não ameis o mundo – I
Não ameis o mundo – II
Origem e fonte do mundanismo


Este texto é uma síntese do sermão “The Love God Hates”, de John MacArthur em 20/10/2002.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/62-15/the-love-god-hates

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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