A tentação no deserto – 2

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Lucas 4
1 E JESUS, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.
3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.
4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.
5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.
6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.
9 Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
10 Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,
11 E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.
12 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.
13 E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.
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Vamos, mais uma vez, ao nosso estudo da Palavra de Deus. Realmente, o ponto alto da adoração consiste em adorar ao Senhor em verdade, e a Palavra abre caminho a isso para nós. Lucas 4 é o nosso texto.

Antes de olharmos para o próprio texto, gostaria de destacar apenas um pouco do pano de fundo de onde emerge o texto específico de Lucas que veremos a seguir, para que você entenda como ele se encaixa nos propósitos de Deus para as Escrituras e no desenvolvimento da história contada por Lucas em seu Evangelho.

Quando chegamos ao quarto capítulo do Evangelho de Lucas, já passamos por três capítulos muito longos. E neles, Lucas está se esforçando para provar, além de qualquer argumento contrário, além de qualquer dúvida, que Jesus é o Messias, que Ele é o Filho de Deus, que Ele é o Salvador do mundo. E, assim, ele estabelece cada elemento dessa prova.

Resumindo, podemos dizer que a messianidade de Jesus Cristo foi primeiramente atestada pelo testemunho de anjos. Tanto pelo anjo que falou a Zacarias, como a Maria e José, os anjos também que abordaram pastores no campo, afirmando ser Jesus, aquele que nasceu em Belém, o Messias.

Não só houve o testemunho de anjos, mas também o de homens e mulheres. Zacarias e Isabel, os pais de João Batista, sabiam muito bem que a sua criança, seu filho milagrosamente nascido, seria o precursor do Messias. Depois, há o testemunho de José e Maria, os quais sabiam que a criança que lhes fora concedida era o Filho de Deus, o Salvador do mundo, Emanuel, que é Deus conosco.

Houve também o testemunho confirmativo de duas pessoas idosas muito piedosas no templo, Ana e Simeão. E, bem, mais tarde, o testemunho de João Batista, o qual disse a respeito de Jesus, que Ele é o ‘Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’.

Então, você tem o testemunho de anjos. Você tem o testemunho de pessoas afirmando a messianidade e o papel de Salvador de Jesus Cristo. Mais adiante no relato de Lucas, você tem o testemunho do próprio Deus, que no batismo de Jesus diz do céu: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo.” O primeiro membro da Trindade, portanto, referendando o Segundo membro da Trindade.

E, aí veio o testemunho do Terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo, que desce do céu e repousa sobre Jesus, um selo divino de aprovação, atestando a divindade e a dignidade de Jesus para ostentar o título de Messias, Filho de Deus, o Salvador do mundo.

Além do testemunho de anjos, dos homens, e da Trindade, você tem o testemunho da genealogia. E você vai notar que, no final do capítulo 3, a genealogia de Jesus é descrita a partir dele mesmo indo até Adão e volta para Deus.

Ele é filho de Adão e Filho de Deus. Sua genealogia lhe respalda ser o Messias. Ele é o Filho de Deus, ele é filho de Adão, Ele é filho de Abraão e Ele é o Filho de Davi. Ele, portanto, é da linhagem real e tem o direito de ser o Rei ungido de Deus.

Tudo isso em três capítulos é um somatório das provas para indicar que apenas Jesus, e nenhum outro, é o Salvador do mundo, o Filho de Deus, o Messias.

Há uma outra questão, no entanto, a fim de validar Sua messianidade e que é a sua capacidade para derrotar o diabo e o pecado. É bom ter todas essas evidências, todas estas provas, todas estas credenciais no lugar.

Mas a questão fundamental é: Ele pode salvar os pecadores do pecado? Ele pode salvar os pecadores do destruidor, da morte e do inferno? Essa é a pergunta crucial. Ele pode reverter a maldição? Ele pode ter o paraíso recuperado?

Ele pode desfazer o que o destruidor fez com o primeiro Adão? Ele pode vencer Satanás? Ele pode vencer o pecado e, portanto, vencer a morte e conquistar o inferno, não só para si, mas para nós? E se Ele não pode, por si mesmo, então, com certeza, Ele não pode fazer isso por nós.

E, assim, a questão crucial que é levantada no quarto capítulo de Lucas é: Pode Jesus derrotar o diabo e o pecado? E há um SIM respondendo a essa pergunta!

Aqui o veremos envolvido em conflito com o diabo. Não é um conflito que aconteceu porque Jesus, inadvertidamente, se viu em confronto de alguma forma com o diabo, por acidente.

Não é um conflito que aconteceu porque Jesus cometeu algum erro anteriormente ou fez uma má escolha e acabou em uma situação comprometedora onde Ele estava um pouco vulnerável a Satanás (como ocorre conosco).

Mas, Ele entra em conflito com Satanás sob a orientação do Espírito Santo. Não foi Satanás que veio até Ele, mas Ele veio até Satanás. O Espírito de Deus, literalmente, o conduziu para o deserto, para este conflito, porque era absolutamente crítico no início do seu ministério que Ele entrasse num forte embate com Satanás e o derrotasse. Isso era necessário para ratificar suas credenciais messiânicas.

Jesus tinha sido tentado, como todas as pessoas são tentadas, nos trinta anos de sua vida até este ponto. O escritor aos Hebreus diz: “Em tudo Ele foi tentado, mas sem pecado.” Ele foi tentado em todas as fases da sua vida. Ele nunca pecou.

Mas, agora, no ponto inicial do seu ministério, há um concentrado trabalho de tentação, não apenas pelo sistema em torno dele, mas pelo próprio diabo, cuja a intenção era, claro, destruí-Lo como Messias (embora isso fosse impossível).

Porém, no desígnio de Deus, esse confronto com Satanás tinha o objetivo de mais uma vez provar que Ele é o Messias.

Então, suas credenciais como Messias devem incluir sua capacidade para demonstrar poder sobre Satanás. Esta não foi a única vez que Ele subjugou satanás. Aliás, Ele fez isso durante os trinta anos de sua vida até aquele momento de monumental conflito.

Mas, mesmo depois disso, através de todo o seu ministério, Ele dominará o reino das trevas e expulsará demônios a qualquer momento que Ele queira e em qualquer quantidade. Ele também demonstrará grande poder sobre a força da tentação e, maior poder ainda, em sua morte na cruz e ressurreição.

Esta, então, não é a única vez que Ele entra em conflito com o diabo. Mas, este é um primeiro e monumental conflito antes de começar seu ministério, que adiciona às Suas credenciais como o Messias a demonstração do Seu poder sobre Satanás e Seu poder sobre o pecado.

E, novamente, eu digo, se Ele não fosse capaz de conquistar o pecado e o próprio Satanás, Ele certamente não poderia fazer muito por nós. Se Ele pudesse ser derrotado por Satanás, todos nós estaríamos perdidos, não haveria salvação, e todos nós estaríamos irremediavelmente condenados.

Os judeus sabiam que Satanás tinha conquistado o perfeito Adão. A questão era: poderia Satanás conquistar o perfeito Jesus? E os judeus sabiam que Adão foi derrotado em um ambiente perfeito. Mas, aqui encontramos Jesus no mais imperfeito de todos os ambientes. Se Adão estava no Éden, Jesus estava num anti- Éden.

Ele se encontrava no lugar conhecido como ‘a devastação’, uma área rochosa, precipitada, perigosa, no deserto da Judeia, entre Jericó, no vale do Jordão, e Jerusalém. É um lugar muito perigoso. É uma área isolada. É estéril, seca, desolada.

Se Adão sempre tinha tudo o que era necessário para comer e era o soberano sobre todo a terra, vivendo na magnificência do jardim do Éden, Jesus estava na situação oposta. Ele não tinha comida, não tinha reino, não possuía absolutamente nada.
Então, nós O encontramos no extremo oposto, em termos de circunstâncias, de Adão. Este tinha tudo. Jesus não tinha nada. Se Adão era vulnerável, certamente, Jesus estava mais vulnerável.

Se o primeiro Adão entrou em colapso na primeira tentação, talvez o segundo Adão desabaria diante da tentação, embora nunca antes dessa batalha a tentação o houvesse derrotado.

Talvez as circunstâncias naquele deserto pudessem ser suficientes para esmaga-Lo e, assim, não haveria Salvador. Essa é a pergunta que precisava ser respondida. E a resposta é: Jesus venceu Satanás e Ele o conquistou por maneiras muito triunfantes, como veremos.

E assim, Lucas nos declara que temos um Salvador que pode reverter a maldição. Temos um Salvador que não é como o primeiro Adão.

Temos um Salvador que pode suportar toda a fúria do diabo e todo o ataque da tentação e nunca estremecer,ceder, se mover e nunca sequer internalizar uma solicitação para o mal. Ele sai triunfante.

Se Jesus tivesse caído diante das tentações de Satanás, a salvação seria impossível e estaríamos todos condenados. Ele é o único substituto. Ele é o único Cordeiro. Ele é o único sacrifício. Ele é o único perfeito. Ele é o único adequado para morrer pelos pecadores.

É absolutamente crucial que Ele vença esta batalha contra o inimigo, esta batalha que é o auge de todas as batalhas, e como o texto indica, Ele o fez.

A pergunta, certamente, a ser feita por qualquer pessoa que entenda o processo de redenção é: Existe alguém? Existe alguém, além de Cristo, que pode vencer o pecado? Existe alguém que pode vencer Satanás? Existe alguém que pode reverter a maldição?

E a resposta é: Não há. Só há Jesus e Ele demonstrou Seu poder aqui. Onde o primeiro Adão falhou, o segundo Adão venceu. No primeiro Adão, todos nós morremos, no segundo Adão, todos nós vivemos.

Assim, neste texto, o Filho de Deus é testado. Ele é testado quanto à sua capacidade para resistir à tentação. Ele é testado quanto à Sua impecabilidade e ele é achado imune a todas as tentações.

Ele fazia apenas o que o Pai queria que Ele fizesse. Ele fez sempre o que o Pai queria que ele fizesse. E quando Deus disse a Ele, depois de trinta anos de vida, “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo”, Deus estava dizendo: “Ele nunca fez nada, pensou qualquer coisa, ou disse qualquer coisa que não me agradou.”

O testemunho do Pai é, então, posto à prova neste deserto de tentação. É uma tentação em que o próprio Deus, pelo Espírito, dirige Jesus para o conflito com Satanás, ao invés de Satanás ter tomado a iniciativa de se aproximar dele.

Porque Ele é triunfante, podemos dizer que Ele é, de fato, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele tem sido e continua a ser, até à sua morte, tentado em todos os pontos como nós somos, mas sem pecado.

Vimos anteriormente o primeiro ponto, a preparação para a batalha, nos dois primeiros versos do capítulo 4. Jesus estava totalmente preparado para a batalha, por ser cheio do Espírito Santo.

Lembre-se agora que Ele é Deus. Ele também é o homem, plenamente homem, completamente Deus. Mas Ele como o Deus-Homem anulou voluntariamente o uso independente de sua divindade e se submeteu à obra do Espírito Santo.

A vontade de Deus seria feita em Sua vida por meio do poder do Espírito Santo, como já vimos. Então, o Espírito de Deus literalmente o satura, enche. Você se recorda que Deus não lhe deu o Espírito por medida. Ele não lhe deu uma dose limitada ou montante do Espírito, mas uma quantidade imensurável.

A plenitude do Espírito pertenceu a Jesus, a fim de que Ele se movesse em seu ministério a partir do rio Jordão, onde ele foi batizado, confirmado e honrado por Deus e pelo Espírito Santo. Ele se move em seu ministério na mais plena medida do Espírito Santo, o terceiro membro da Trindade, a fim de capacita-lo a fazer a vontade do primeiro membro da Trindade que é Deus, o Pai.

O Espírito o leva para o deserto, para ‘a devastação’, um lugar de penhascos íngremes, desfiladeiros e rochas, um lugar de escorpiões, cobras e animais selvagens, um lugar desabitado, onde nada cresce, uma parte desolada do deserto da Judeia que se eleva cerca de 1.500 pés a partir do Mar Morto.

É uma zona precipitada e perigosa. E Jesus está lá durante quarenta dias e, em todos eles, está em um conflito com o diabo. É uma batalha intensa, tão intensa que Jesus não comeu nada durante quarenta dias.

E nesse tempo ele não estava ainda consciente de estar com fome, porque no verso 2 diz que “quando os quarenta dias tinham terminado, ele ficou com fome.” Ele não tem consciência de Sua fome.

É difícil imaginar alguém ficar sem comer por quarenta dias e não estar com fome, a menos que você compreenda a intensidade dessa luta que está acontecendo.

Ele está tão totalmente voltado para o conflito, tão focado no inimigo e na vontade do Pai e em fazer o que é certo, que não há espaço para nenhum pensamento sobre qualquer coisa humana ou mundana. É o conflito e apenas o conflito que o envolve.

O Pai o elogiou. O Espírito desceu sobre Ele para marcar o fato de que ele está sob o poder do Espírito Santo. O profeta o proclamou como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O povo de Jerusalém e da Judeia foi preparado para a Sua vinda através de um batismo de arrependimento.

Ele está consciente de sua natureza divina, plenamente consciente disso. Ele está plenamente consciente da sua missão divina. Sua sagrada humanidade está sob o poder do Espírito Santo.

Ele está cheio de alegria, porque o planejamento disso foi antes da criação e ele esperou todo esse tempo, e, na forma de homem, ele esperou por trinta anos na obscuridade de Nazaré.

Então, por quarenta dias o ataque continua. É uma preparação, em certo sentido, para a batalha final que veremos em um momento. Mas durante quarenta dias Jesus triunfa sobre Satanás. É sucesso em quarenta dias, porque, como Ele mesmo disse, João 14:30: “Satanás não tem nada em mim.”

Não havia nada em Jesus, não havia nada em sua natureza como o Homem-Deus para que o diabo ligasse a uma tentação e a tornasse bem sucedida. Jesus não tinha capacidade de internalizar uma tentação. Toda tentação que veio a Jesus, veio do exterior. Nada disso veio do interior.

Não houve solicitação interna para o mal. Não havia nada nele que pudesse responder dessa maneira. Assim, cada resposta contrária à tentação foi imediata. Cada resposta foi precisa. Não houve luta interna, como se Jesus estivesse se esforçando para não internalizar a tentação. O diabo não tinha nada nele.

Mas, depois de quarenta dias de luta intensa, Jesus, que é um homem, plenamente homem, sente fome. Satanás enxergou na fome uma nova vulnerabilidade. Ele percebe que, pelo fato de Jesus estar sentindo fome, está começando a sentir sua própria mortalidade.

Ele se move para o que ele supõe que possa ser a matança. O que acontece a seguir são três tentações que Satanás lança, que são as mais ousadas, cruéis e inteligentes. Ele as guardou para este momento de vulnerabilidade.

Isso nos leva da preparação para a batalha (com o padrão da batalha nos versos 3 a 12).

A BATALHA

O padrão de batalha é muito, muito importante. As tentações dirigidas a Jesus Cristo são exclusivas para Ele, e eu quero que você entenda isso.

No que o diabo tenta Jesus, não seria uma tentação para nós. Nós não poderíamos ser tentados com sucesso para transformar pedras em pães. E nem para imaginar que de alguma forma, poderíamos governar os reinos do mundo.

Tão pouco poderíamos dar um mergulho em um precipício e esperar uma aterrissagem segura. Estas não são, especificamente, tentações que poderiam vir a nós, mas elas são tentações que poderiam vir a Ele.

No entanto, embora especificamente não poderiam vir até nós, categoricamente poderiam, e eu vou lhe mostrar como. Essas tentações não vêm apenas com especificidade, mas elas vêm em uma categoria. A especificidade não se conecta a nós, a categoria sim. E você vai ver isso à medida que avançamos.

A primeira tentação é uma tentação para desconfiar do amor de Deus.

Agora, quando eu digo isso, você pode entender a categoria de que falei. Não apenas você pode compreendê-la, mas por certo você já foi tentado a fazê-lo, a desconfiar do amor de Deus.

Você foi tentado a dizer que as coisas não estão indo do jeito que você entende que elas deveriam. ‘Se Deus realmente me amasse, eu nunca estaria aqui casada com este homem…’. Ou: ‘se Deus realmente me amasse, eu não teria acabado nesta circunstância.’

‘Se Deus realmente me amasse, eu não teria essa doença. Se Deus realmente me amasse, meus filhos não iriam revelar-se desta forma. Se Deus realmente me amasse, eu não estaria vivendo com tanta decepção…’.

‘Se Deus realmente me amasse, Ele não teria me colocado nesta comunidade, onde as coisas são tão difíceis. Se Deus realmente me amasse, não seria do jeito que está. Eu não teria ido para o caminho que eu fui…’.

‘Se Deus realmente me amasse, eu não estaria perdendo as coisas que acho que são tão importantes para uma vida plena. Se Deus realmente me amasse, Ele me permitiria fazer as coisas para minha família que eu sou incapaz de fazer….’.

‘Se Deus realmente me amasse, eu não estaria tendo tantos encargos. Se Deus realmente me amasse eu não estaria perguntando, por que os justos sofrem e os maus prosperam?’.

Podemos entender a que categoria esta tentação pertence, não podemos? Eu não posso transformar pedras em pães, mas eu posso ser tentado a desconfiar do amor de Deus por mim.

E a pergunta: ‘por que é que eu não tenho as coisas que eu acho que seriam dadas a mim como medidas, de alguma forma, do amor de Deus por mim?’, é precisamente a categoria, mas a tentação é específica. Vamos olhar para ela.

Versículo 3: “O diabo disse a Ele.” Toda a fala do diabo, a propósito, vem com uma medida de verdade. O engano só funciona se de alguma forma houver uma verdade parcial no mesmo.

E, assim, quando o diabo fala, ele começa a partir de um ponto de verdade. Essa é a sutileza de seu engano. Então o diabo disse-lhe: “Se” ou melhor traduzido: “Desde que … ” ou “Já que…”.

No grego, esse “Se” do início da fala do diabo, não tem o sentido de dúvida, como é na nossa língua. O que realmente está sendo dito é uma afirmação, que melhor traduzida é: “Já que tu és o Filho de Deus…”.

E, a propósito, queria apenas lembrar que o diabo nunca questiona a divindade de Jesus. Sequer os demônios questionaram a divindade de Jesus. Apenas os teólogos liberais questionam a divindade de Jesus.

É óbvio na Bíblia que Jesus é Deus. E é óbvio também para os demônios. Eles já conheciam Jesus como Deus antes de caírem e serem expulsos do céu. Eles ainda sabem que Ele é Deus.

Nunca houve, nos registros bíblicos, uma negação da divindade de Cristo por qualquer poder demoníaco. Eles sabem que Ele é Deus. É por isso que em Mateus 8:29, os demônios dizem: “O que temos a ver contigo, Filho de Deus?” Eles sabem quem Ele é. Você vê o mesmo em Lucas 4:34 e Lucas 8:28.

Satanás vem a Ele, o diabo, o ‘diabolos’, o caluniador, o acusador. “Já que Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.”. Essa foi a primeira solicitação para o mal.

Agora, à primeira vista você olha para isso e diz, humm. Será esta uma tentação? Qual é a tentação? Certamente, não é uma tentação para fazer pão. Pão não é pecado. Certamente não é errado comer pão, especialmente se você não tem comido há quarenta dias.

Na verdade, acho que o pão é provavelmente uma coisa muito razoável para comer após um jejum de tal extensão. E certamente não há nada errado no ato de criar o pão, se você tem o poder para criá-lo.

Isto certamente não seria gula. Satisfazer sua fome não é pecado. Quer dizer, a fome é o que Deus nos deu a fim de que possamos comer e, assim, fornecer o combustível necessário para o nosso corpo.

Também não é uma tentação de querer se mostrar, mostrar do que é capaz de fazer para se envaidecer, porque não há ninguém lá para assistir. Este não é algum tipo de jogo com arquibancada para demonstrar algo para uma multidão de pessoas, porque não há absolutamente ninguém lá, só Jesus e o diabo.

Esta não é uma tentação de autoindulgência ou satisfação excessiva. E não é um pecado atender a sua própria necessidade humana básica de alimentos.

Qual é o problema aqui, então? A implicação aqui é desconfiar do amor de Deus. A implicação aqui é baseada no fato de que Satanás sabia que Jesus havia restringido a utilização independente de Sua própria divindade, para fazer apenas a vontade do Pai, através do poder do Espírito, e que Ele não faria nada fora disto.

De fato, Jesus disse: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou.” (Jo. 4:34). Inúmeras vezes no Evangelho de João, Jesus diz de uma forma ou de outra: “Eu só faço o que o Pai me diz para fazer, eu só faço o que o Pai Me mostra a fazer. Eu vim para fazer a vontade do Pai, é isso.”

Parte desse auto esvaziamento – a kenosis ,como os teólogos chamam – parte da humilhação de Jesus era anular o uso independente de sua própria divindade e agir apenas sob a vontade do Pai, em perfeita submissão e pelo poder do Espírito em efetuar essa vontade. Isso era parte de Sua completa condescendência.

Assim, a implicação aqui é insinuar: ‘olha, se Deus realmente te amasse, você não estaria com fome. Quanto Deus realmente te ama? Você esperou todo esse tempo em Nazaré, você teve seu momento ao sol lá em baixo no rio Jordão, no seu batismo.’

‘Porém, agora, por quarenta dias você esteve aqui neste lugar abandonado por Deus e você está em conflito com o diabo, e não havia nada para comer durante quarenta dias e agora você está com muita fome.’

‘Mas, Deus não forneceu qualquer coisa para você. Então você acha que pode confiar no amor de Deus? Você acha que isso é uma prova de que Deus realmente te ama? Talvez Deus não te ame tanto quanto você acha que ele te ama.’

Esta é exatamente a fórmula que Satanás usou com Eva, não foi? O que Satanás estava dizendo a Eva no Jardim era: ‘Você quer me dizer que há uma árvore que tem fruto nela, e Deus não quer que você coma? Bem, se Deus realmente te amasse, por que Ele quer te restringir?…’

‘Deus provavelmente não é tão amoroso, amável e bom como você pensa que Ele seja. Na verdade, eu vou te dizer por que Ele não quer que você coma isso. É porque se você comer, você vai ser como Ele e Ele odeia concorrência a este nível.’

E Eva comprou a mentira de que Deus não era tão bom, amável e amoroso, quanto ela achava que fosse. Assim, ela comeu. Esse é o mesmo cenário aqui com Jesus. O diabo está insinuando que Deus havia abandonado o Filho. E, aí, vem a sutileza: ‘já que Tu és o Filho de Deus, deixe-me te sugerir que é hora de usar seus próprios poderes divinos por sua própria conta.’

E o que Satanás quer fazer é jogar Jesus contra o Pai e o Espírito, agindo de forma independente, por conta própria. Satanás não podia tocar na divindade de Jesus, então ele atinge a humanidade de Jesus, insinuando que Ele não deveria estar com fome e passando por tudo aquilo, pois Ele é o Filho de Deus.

E a implicação é: ‘Deus mesmo alimentou aqueles israelitas rabugentos, duvidosos, idólatras, pecaminosos, murmuradores vagando no deserto, com o maná… E aqui está você, o Filho de Deus, o perfeito, sem pecado, e você está com fome.’

Bem, não há dúvida de que Jesus poderia fazer pão. Ele fez pães e peixes suficientes para alimentar vários milhares de pessoas, não foi? Ele podia fazer isso, não era uma questão de poder. E realmente não era uma questão de saber se ele tinha o direito de comer, pois ele tinha que comer, Ele era um homem, Ele tinha que comer ou morreria.

O único problema aqui foi que Ele estava sendo tentado a decidir por si próprio quando a comida viria e como a comida viria. Só que Ele só agia debaixo da direção e capacitação dos outros membros da Trindade.

E a tentação era a desconfiar do amor de Deus. ‘Crie pão, tenha um pouco de satisfação, você merece isso, Deus não é tão amoroso para com você como você pensa que Ele é, ou você não estaria nesta situação.

Você vê, ele nunca nega a divindade de Jesus. Ele nunca nega que Ele é o Filho de Deus. Ele só quer levá-lo através desta manipulação inteligente para agir independentemente do Pai, portanto, expressar a desobediência, que é o pecado, e essa é a ideia. Desconfiança de Deus… Deus deve ser desinteressado…Ele deve ser um pouco indiferente…

Bem, o Filho de Deus respondeu desta forma, no versículo 4: “Jesus respondeu-lhe:”. Imediatamente, eu creio. Eu não penso que Ele se sentou lá e ficou pensando ‘como vou me sair desta?’. Sua resposta foi imediata. E cada vez que Ele responde Ele cita a Escritura, usa a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

“Está escrito: nem só de pão vive o homem”. E Mateus acrescenta o resto do verso, “mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Ele cita Deuteronômio 8: 3.

Agora, Deuteronômio é a ‘Segunda Lei’. É a lei pela qual o homem vive. É uma confirmação da lei mosaica dada por Deus. Em Deuteronômio 8, Deus está dizendo: Ok, eu dei todos estes mandamentos a vocês, confirmando minha lei. Agora, estou dizendo que vocês precisam ter cuidado para cumprirem essas coisas, a obedecê-las. E, se vocês obedecerem, viverão, se multiplicarão e possuirão a terra que jurei dar a vossos pais.

Então, Ele diz a eles que a chave para a vida, para um futuro, para possuírem a terra não é pão, ou poder militar, mas a obediência, certo?

“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não.” (Dt 8:2). E, lembre que Israel passou 40 anos sendo testado no deserto e não passou no teste, certo?

Bem, em um paralelo interessante, Jesus foi testado no deserto não quarenta anos, mas quarenta dias e ele passou no teste. Você vê, o que aconteceu com Israel no deserto foi que eles começaram a desconfiar do amor de Deus, não foi? E o que eles fizeram? Eles murmuraram porque Deus não lhes havia dado a comida que eles queriam.

Não foi o suficiente que eles tivessem o maná e as coisas que Deus lhes providenciou. Então, novamente, esta questão de alimento no deserto vem à tona. Quarenta anos no deserto, eles foram testados e eles falharam no teste e todos eles morreram no deserto.

Eles foram reprovados por sua desobediência. Mas, nas palavras do Sermão da Montanha, “não se preocupem com o que vocês irão comer ou beber ou vestir. Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e essas coisas serão acrescentadas”. A chave é a obediência.

E então ele diz no versículo 3: “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem.”

Você tem que entender que o homem não vive só de pão, mas o homem vive de tudo o que sai da boca de Deus. Se você quer viver sua vida, obedeça a Minha Palavra e Eu, o Senhor, vou cuidar do seu pão.

E é isso que Jesus diz ao diabo. Essa é a resposta certa. Vou dizer algo a vocês, irmãos: vocês não vivem porque vocês comem. Vocês vivem, porque Deus está determinado a dar-lhes a vida e a fornecer suas refeições.

Assim que Deus determina que qualquer um de nós não vai viver mais, morremos. Deus determinou que você nascesse e Deus determina quando você irá morrer. Você não vive porque você come. Você come, porque Deus permite que você ainda esteja vivo.

Muitas pessoas que têm muita comida, morrem. Isso é o que Jesus está dizendo. A vida não é uma questão do que você come. A vida é uma questão de propósitos, desígnios de Deus, não é? Está tudo nas mãos de Deus. Se Deus me quer vivo, Ele vai me alimentar. Eu confio nele para isso.

Você sabe, você ouve tudo o que tem sido pregado hoje neste falso evangelho de vir a Cristo para ter as necessidades materiais supridas. Esse tipo de abordagem é diabólica, não divina. Você não pode abordar as pessoas acerca de Cristo, com base na satisfação de suas necessidade pessoais.Você as aborda com base em obedecer a Deus. Acreditando que o evangelho é um comando.

E Jesus espera que respondamos da maneira como Ele respondeu. Ele realmente disse: ‘Eu não vivo por causa do pão, eu vivo porque Deus determinou a minha vida. Eu não ligo se tiver que fazer sacrifícios pessoais a fim de exaltar a Palavra e a vontade de Deus, pois vou fazer exatamente o que o Pai me diz para fazer…’

‘Vou obedecer a Sua Palavra, porque o homem não vive por causa do que come, mas porque Deus dá a vida e cabe a todos obedecê-Lo.’

O Novo Testamento ainda fala sobre pessoas cuja vida é encurtada por causa da desobediência, certo? “Pecado para a morte”, coisas assim. Quer dizer, o princípio geral da vida é que você vive porque Deus te permite viver.

O homem não vive só de pão. Israel passou quarenta anos no deserto. Eles tinham o maná, tinham pão, pão, pão, pão, pão. O que aconteceu com eles? Eles morreram. Todos eles morreram. O que aconteceu com Moisés? Ele morreu e nunca entrou na Terra Prometida.

Abundância de pão, sem vida. Você não vive por causa do pão, é por isso que Ele cita Deuteronômio, porque ele se encaixa na cena tão bem. Traça um paralelo entre o povo de Israel errante durante quarenta anos e Jesus, por quarenta dias. Eles falharam no teste, eles morreram. Jesus passa no teste de confiança em Deus, Ele vive.

Assim, em contraste com Israel, que estava no deserto, dizendo: ‘Oh, nós não gostamos deste pão, não estamos satisfeitos com este pão’. Então, desobedeceram a Deus, fizeram um ídolo para adorar e continuaram se queixando, murmurando, pecando e todos eles morreram no deserto.

Pão não poderia mantê-los vivos, mesmo o pão do céu não poderia mantê-los vivos. Mesmo Deus, enviando codornizes, eles poderiam apenas comer, mas isso não evitaria sua morte certa, porque o pecado trouxe um fim à vida. E a vida está nas mãos de Deus.

Assim, em contraste com Israel, Jesus diz: ‘Eu vou confiar em Deus, irei obedecê-Lo em todos os sentidos e confiar que Ele fará por mim o que Ele precisa fazer para me manter vivo. A minha única preocupação é buscar o reino. Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou. (Jo 4:34)’

A propósito, quando isso acabou, Mateus registra que os anjos vieram e ministraram a Ele. Eu acho que eles trouxeram pão.

O que Jesus está fazendo aqui nessa cena é afirmar sua confiança absoluta em Deus. Ele está afirmando o que Paulo diz: “Meu Deus suprirá todas as suas necessidades de acordo com Suas riquezas em glória, por Cristo Jesus.”

Ele sabe que Deus vai atender todas as suas necessidades. Ele não tem nenhuma dúvida sobre isso. Ele vai obedecer a Deus e nos termos do Deuteronômio 28, ele irá obedecer a Deus e desfrutar a bênção que vem da obediência.

E você se lembra, em Deuteronômio 28, Deus disse a Israel que O obedecesse e, assim, o povo seria abençoado. Jesus está dizendo que a vida consiste em obedecer a Deus e Ele suprirá nossas necessidades.

Em Mateus 4:11, os anjos vieram. Eu acho que eles provavelmente trouxeram a Jesus o melhor pão jamais visto.

Então veio a segunda tentação. Versículo 5: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.”

Nós não sabemos o que isso significa exatamente. Tudo aconteceu em um momento de tempo. Eu não penso que eles fizeram uma longa caminhada. Talvez eles chegaram até lá através de algum tipo de visão sobrenatural. Afinal, Satanás pode ir da terra para o céu à presença de Deus, pois ele é um ser sobrenatural, pode mover-se em dimensões que não sabemos, e assim poderia Jesus, e talvez tenha feito.

De qualquer maneira, eles foram em algum lugar de onde poderiam ver os reinos deslumbrantes sobre o mundo. Talvez houvesse alguma maneira pela qual isso se tornou uma visão sobrenatural, porque diz que ele mostrou-lhe todos os reinos do mundo em um momento de tempo.

Esta é a segunda tentação, que não consiste em desconfiar do amor de Deus, mas desconfiar do plano de Deus.

O tentador não teve sucesso na primeira, então aqui está mais um sutileza. Ele o leva a um alto monte, de acordo com Mateus 4: 8, para um lugar alto e mostra-lhe o conjunto dos reinos do mundo todo, em um momento de tempo.

“E o diabo disse-lhe:”, no verso 6,”Eu te darei todo este poder e a sua glória…”.Uau! O que ele está dizendo?!? ‘Ah, você sabe, olhe para você, Jesus, olhe para você, você está aqui neste lugar terrível estéril, nessa devastação, rochosa, íngreme, lugar sem vida. Olha Você aqui. Você não possui nada. Você só tem as roupas que está vestido. Você não tem comida, você não tem nada. E você é o Filho de Deus…’

Satanás está insinuando: ‘Oh, realmente, é o Filho amado que só dá alegria ao Pai e não tem nada? Como isso funciona?’ Ele poderia ter até mesmo lembrado Jesus de algumas palavras muito poderosas no capítulo 7 de Daniel, em que há uma visão do Pai concedendo ao Filho os reinos do mundo.

Bem como o Salmo 2: 8, Daniel 7:13 e 14. ‘Então, onde estão os reinos? Aqui está, Jesus, você está aqui neste lugar desamparado, com fome, absolutamente sozinho, não tem posses, você não tem nada. Mas, eu vou dar tudo para você. Acabou a humilhação…’

‘Você teve trinta anos vivendo naquele lugar obscuro chamado Nazaré, uma cidade caipira numa montanha. Passou tinha trinta anos fazendo mesas e cadeiras e colocando vigas de telhado, construindo muros. Trinta anos de obscuridade absoluta trabalhando como carpinteiro…’

‘E agora você está há quarenta dias vagando neste lugar horrível. Você teve humilhação suficiente. Você não acha que é hora de você tomar posse do que é realmente seu por direito? Quero dizer, não era isto o prometido a você? Eu estou disposto a dar a você.’

E então Satanás faz uma séria afirmação exagerada no versículo 6: “Porque foi entregue a mim e eu dou a quem eu quiser”. Sério? Ele tem uma opinião inflada de si mesmo e de seu poder.

Há alguma verdade nisso e Satanás sempre gosta de lidar com meia-verdade. Ele é chamado em João 12:31, João 14:30, João 16:11, “o príncipe deste mundo”. Isso é verdade. Em 1 João 5:19 diz: “O mundo inteiro jaz no maligno.”

Em 2 Coríntios 4: 4 ele é chamado, “o deus deste século”. Isso não quer dizer que ele literalmente possui as nações do mundo. O que isto significa é que ele governa o sistema do mal que domina as nações do mundo.

De acordo com Atos 17, é Deus quem define os limites das nações, não é? É em Deus que vivemos, nos movemos e temos o nosso ser e é Deus que é o único que projeta e transforma os limites, os tempos e as eras das nações.

Você se lembra de Nabucodonosor. Ele cria que era maior do que Deus. Ele pensou que era rei de todo o universo. E quando ele se elevou a esse ponto, o Senhor derrubou-o e ele ficou por sete anos como um animal selvagem. Suas unhas cresceram como garras de ave, seu cabelo cresceu como penas e ele estava vagando, pastando como um animal durante sete anos.

Este é Nabucodonosor, durante sete anos comendo como um animal. No final dos sete anos ele recobra seus sentidos, em Daniel 4:17, e declara: “…o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem Ele quer…”.

Satanás não pode dar os reinos a ninguém. Ele apenas rege o sistema do mal. Ele não determina as nações ou os governantes delas. De fato, Romanos 13 diz que as autoridades que existem foram ordenadas por Deus.

Mas, Satanás é um mentiroso. Não só ele não tem o poder de dar, mas nada é dele, para começar. Eu gosto do que Lutero diz: “O diabo é o diabo de Deus.” É uma declaração interessante, não é? Ele não pode mover uma polegada em qualquer direção fora da permissão e propósito de Deus.

Mas ele insinua a Jesus: ‘Eu posso tornar a vida mais fácil, você merece isso, você é o Filho de Deus. Você deveria ter os reinos do mundo para o seu próprio proveito. Você deveria ser o governante, deveria ter tudo. E eu te digo agora, tem sido dado a mim e terei prazer em dar a você…’

‘Darei sem necessidade de mais sofrimento. Você pode simplesmente ir direto para a coroa, você pode esquecer a cruz. Não são necessários os próximos três anos de agonia, você não precisa ir até lá a Nazaré novamente e ser rejeitado…’

‘Você não precisa ir até Jerusalém e ser odiado. Você certamente não precisa ser flagelado e chicoteado ferozmente. Nem precisa ser colocado em uma cruz, pregado lá em cima, com espinhos te perfurando. Não precisa passar por essa terrível morte, horrível…’

‘Eu estou disposto a dar-lhe a coisa toda, é tudo meu, eu posso dar a quem eu quiser e eu gostaria de dar para você. No entanto, há uma condição…’, versículo 7: “se tu me adorares, tudo será teu.”

Agora, Satanás tem um problema com essa questão de querer ser adorado. É o que o levou a ser expulso do céu, para começar. Ele queria ser adorado. “Eu serei semelhante ao Altíssimo Deus”, era seu desejo. “Eu vou ser … Eu quero ser adorado, eu quero ser adorado!”

Isso é o que ele procurou fazer e foi assim que ele se rebelou e é por isso que ele foi apressadamente colocado para fora do céu e é por isso que um lago de fogo foi preparado para ele e para todos os que estavam em sua rebelião.

E ele não mudou em nada. Ele ainda quer ser adorado. Ele inventa religiões em todo a face da terra que, em última análise, são meios para adorá-lo. Todos os ídolos são demônios, diz a Bíblia. Então, se você está adorando um falso deus e uma religião falsa, você está adorando o diabo.

Mas isso não é suficiente. Agora, ele quer ser adorado pelo Filho de Deus. Na verdade, isso seria o ápice para ele. Você imagina se ele pudesse obter adoração do Filho de Deus? Isso seria quase como realizar sua rebelião original, quando ele procurou ser tão elevado quanto Deus.

O que caracteriza Lúcifer é o desejo de adoração. Em Ezequiel 28 e Isaías 14 a Bíblia nos fala sobre esse seu desejo de adoração. Ele diz a Jesus ‘enpion proskynss’, no grego, que significa “curve-se diante de mim como seu Senhor e eu darei tudo a Você.”

Você sabe, isso era uma mentira. Você acredita que ele teria feito isso? Você crê que se Jesus tivesse caído, ele teria feito isso? Não. Ele é um mentiroso e pai da mentira. Este é um egomaníaco.

Mas ele está dizendo a Jesus para ignorar a cruz: ‘vamos lá, eu vou te dar logo a coroa’. O que ele realmente quer de Jesus é que o mesmo peque contra o Pai, desconfiando do plano do Pai, que envolveu a cruz antes da coroa, sofrimento antes de glória, humilhação antes de exaltação. E ele está dizendo: ‘eu vou te dar um caminho indolor’.

Agora, podemos nos identificar com esse tipo de tentação, de desconfiar do plano de Deus. Você pode dizer em sua vida: ‘eu não gosto da maneira como as coisas estão indo, por que tem que ser assim? Esta não é a maneira que eu gostaria que fosse. Deus, isso está levando muito tempo para se desenrolar, eu ouvi sobre ser um cristão, e devo ser abençoado…’.

‘Vejo muita tristeza, muitos problemas, muita dor. Eu tenho a doença, eu tenho isso, eu tenho aquilo. Não sei por quanto tempo eu posso suportar isso. Existe um atalho para a glória? Existe um caminho rápido para a coroa? Eu não tenho certeza se quero fazer isso do seu jeito mais, eu acho que eu vou correr atrás de alguma satisfação para mim.’

E você é tentado a ir por um caminho de pecado no qual você pensa que vai encontrar satisfação. Mas, Jesus dá a resposta certa. No versículo 8, Ele cita Deuteronômio 6:13: “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.”

Isso é tão claro, não é? Jesus imediatamente e instantaneamente, sem possuir qualquer capacidade para o pecado, responde: ‘Deus é o único digno de culto leal e lealdade, eu não vou te adorar, vou adorar a Deus apenas, porque isso é o que as Escrituras exigem de mim e isso é o que vou fazer. É a vontade de Deus que Ele deva ser adorado e Ele somente.’ Aqui está a obediência em sua perfeição.

Ali estavam os filhos de Israel quarenta anos no deserto. Eles deveriam estar adorando o Deus verdadeiro. Junto vem Satanás e lhes diz para adorar um ídolo, e o que eles fazem? Adoram um ídolo. Eles falharam no teste.

Aqui está Jesus por quarenta dias no deserto. Satanás lhe diz para adorar um ídolo. E Jesus vai adorar a Deus. Ele não faz acordos com o diabo. Não há nenhum atalho para a glória. Ele vai seguir o plano, qualquer que seja o plano, por mais doloroso que o plano possa ser, por mais profundo sofrimento, por mais baixo que ele tenha que descer até a morte, a morte na cruz.

Se isso é o que o Pai planejou para ele, é para onde ele está caminhando. Ele vai adorar a Deus e glorificar a Deus e só a Deus e não vai fazer nenhuma aliança com o diabo.

Adoração é uma grande palavra nesse texto de Lucas. Tem o sentido de “servir”. É a palavra grega ‘latreu’. Significa serviço religioso, serviço espiritual. Seja qual for o custo, qualquer que seja o sacrifício, Ele vai servir o único Deus e o único digno de adoração.

Quando o Senhor dá esta resposta, ele realmente nos ajuda. Ele nos mostra que podemos ser fortes contra a tentação de desconfiar do amor de Deus, fortes contra a tentação a desconfiar do plano de Deus. Enfrentamos esses tipos de coisas.

Nós não podemos fazer as pedras virarem pão e não podemos ter a presunção de dominar o mundo, mas certamente podemos ser desleais e desobedientes. Nós podemos ser tentados a questionar o amor de Deus e questionar o plano de Deus. Isso é pecado.

Você entende? Isso é pecado. Teria sido pecado para Jesus, e é pecado para nós. Você deve buscar o reino em primeiro lugar e Ele vai fornecer tudo o que você precisa. Ele tem um plano e é um plano para o bem e é um plano para a glória e é um plano para uma coroa, mas o caminho é o caminho do sofrimento, certo? Esse é o plano. Não faça negócios com o diabo para evitar o sofrimento.

Então, você tem alguns problemas em sua vida. Sua vida não é tudo o que você gostaria que fosse. Mas, a fé provada gera força, não é? Faz você confiar mais em Deus, amá-Lo mais, depender mais de Deus. Seja obediente, confie em Seu amor, confie em Seu plano.

Da próxima vez, veremos a última proposta de satanás para tentar o Senhor. Agora, vamos orar.

Pai, Oh, vemos a maravilha do Filho de Deus, como Ele permanece firme, imóvel, inflexível, não afetado pelo ataque do inteligente, sutil, inimigo enganador. Agradecemos a Ti porque ele triunfou. Agradecemos a Ti que ele tenha vencido o pecado e Satanás e, portanto, pode conquistar a vitória para nós. Agradecemos-Te que o diabo é derrotado, que Jesus desferiu o golpe mortal na cabeça da serpente e ele está agora sob os nossos pés, um inimigo vencido. Capacita-nos a nunca desconfiar de Teu amor, a sempre sermos obedientes. Nunca desconfiar de Teu plano, sendo sempre conformados com ele, mesmo para sofrer e esperar para ver todas as nossas necessidades satisfeitas. Nós Te agradecemos por termos nosso Salvador como um vencedor sobre o pecado e Satanás, como um modelo para seguirmos em nossa própria luta. Em Teu nome oramos. Amém.


Este sermão é uma série de 3 sobre a tentação do deserto.

A tentação no deserto – I
A tentação no deserto – II
A tentação no deserto – III


Este texto é uma síntese do sermão “The Temptation of the Messiah, Part 1″, de John MacArthur em 07/05/2000.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-50/the-temptation-of-the-messiah-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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