A tentação no deserto – 1

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Lucas 4
1 E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.

Encontramo-nos, esta manhã, em Lucas, capítulo 4. Os primeiros treze versos deste capítulo descrevem o conflito entre Jesus e o Diabo.
Este é o evento final antes de Jesus começar seu ministério público. Este conflito é a pedra angular de sua preparação.
Em muitos aspectos, é o seu exame final no processo de preparação para o Seu ministério.

Não temos dúvida de que Jesus é o Filho de Deus. Não temos dúvida de que Ele é o Salvador do mundo.
Não temos dúvida de que Ele é o Messias prometido. Isso tem sido demonstrado para nós nos três capítulos que temos estudado até aqui.

Lucas demonstra essas verdades a nós pelo anúncio do anjo a Zacarias (que ele e sua esposa Isabel teriam um filho que seria o precursor do Messias, indicando que o Messias estava chegando em breve) (Lucas 1:5-19)
E, então, um anúncio angélico posterior a Maria (que ela engravidaria sendo virgem, pelo poder do Espírito Santo, gerando uma criança que seria o Filho de Deus, o Salvador do mundo, o Messias prometido) (Lucas 1:26-33).

Assim, temos o testemunho angelical. Temos também os testemunhos de Zacarias e Isabel, de Maria e José, de Simeão e Ana. Ainda, temos o testemunho de anjos que informaram aos pastores de Belém sobre o nascimento do Messias.
Não bastasse, temos o testemunho do próprio Deus no batismo de Jesus. O Pai do céu disse:” Este é o meu Filho amado em quem me comprazo” (Lucas 3:21-22).
E também o testemunho do Espírito Santo ao descer e repousar sobre Jesus no ato do seu batismo, confirmando o testemunho dito por João Batista: “Ele é o Cordeiro de Deus que leva o pecado do mundo (João 1:29).”

Se somarmos a isto o relato de Mateus, ainda iremos encontrar a confirmação do testemunho de que Jesus é o Messias através da árvore genealógica de José, bem como em Lucas, capítulo 3, através da árvore genealógica de Maria, confirmando que Ele nasceu na linhagem real de Davi, e, portanto, tem direito ao trono de Davi.

Então, Lucas por três capítulos foi reunindo todas as provas que indicam que Jesus é, de fato, o Messias, Filho de Deus, Salvador do mundo. Mas, para ser o Salvador do mundo, havia ainda uma credencial formidável que Ele deveria possuir.

Considerando que o maior problema do mundo é o pecado, e uma vez que é o pecado que tem condenado toda a humanidade, produz a morte e lança os pecadores no inferno eterno.
O pecado está sob o governo do príncipe deste mundo, ou seja, do Diabo, se é para vir e quebrar o poder do pecado e vencer o mal e derrotar Satanás, o Messias deveria ser capaz de combater o Diabo e sair vencedor.
E isso é precisamente o que Lucas nos diz que Ele é capaz de fazer neste capítulo.

As credenciais do Messias seriam incompletas sem esta batalha. Se Jesus não pudesse derrotar Satanás frente a frente, então Ele não seria suficiente para redimir os pecadores.
Se Ele próprio não fosse intocável pelo pecado, se Ele não fosse imaculado, incorruptível, se Ele não fosse invulnerável ao pecado, se Ele não saísse puro e imaculado do meio do conflito mais violento já travado com o Diabo, então Ele não poderia ser o Salvador.

Já que Ele veio para salvar os pecadores dos seus pecados, para salvá-los do Diabo, da morte e do inferno, então Ele deve vencer o pecado e o próprio Satanás. Isso é o que este texto pretende provar.

Isso, como eu disse, é a pedra angular sobre as credenciais messiânicas. Isto é o que em última análise, tem de ser conhecido. Se confiamos na nossa eternidade com Cristo, se confiamos Nele como nosso Salvador e perdoador dos nossos pecados, se cremos na capacidade Dele para dominar o pecado e sobrepujar a morte e dominar o Diabo e o inferno e definir-nos livres e nos trazer para o céu, então precisamos saber que Ele tem a capacidade de vencer Satanás no confronto mais intenso.

Era uma vez um homem que era perfeito, estava sem pecado, sem mácula e que vivia em um ambiente perfeito, um lugar perfeito, um mundo perfeito.
Era uma vez um homem que tinha tudo o que poderia ser dado a ele por Deus. E este homem, Adão, na primeira vez que foi agredido com a tentação, caiu, ele e sua esposa, e catapultou toda a humanidade em condenação.
Jesus é como Adão? É este outro Adão, que embora perfeito no início, não pôde se sustentar na batalha com o inimigo? Nós precisamos saber isso.

E Lucas sabe que precisamos saber e o Espírito Santo sabe que precisamos saber isso. Não podemos ter uma vítima como Salvador. Nós só podemos ter um vencedor.
Nós não poderíamos ter como salvador alguém que fosse tão suscetível ao pecado, à morte, ao inferno como somos. Nós temos que ter alguém que pode vencer o pecado, vencer a morte, vencer Satanás, conquistar o inferno.

Os judeus sabiam sobre o diabo. No Antigo Testamento, ele foi chamado de Satanás, o que significa adversário ou inimigo. Ele aparece pela primeira vez pelo nome em Jó e novamente em 1 Crônicas e Zacarias.
Mas ele aparece, em primeiro lugar, como uma serpente no terceiro capítulo de Gênesis. Os judeus sabiam sobre o inimigo, o adversário. Eles sabiam sobre a personificação do mal.
Eles sabiam de Satanás como a fonte do mal. Eles sabiam que ele tinha trazido para baixo toda a raça humana desde o Éden.

E a pergunta era: Se Jesus é o Messias, Ele pode reverter isso? Ele pode trazer de volta o paraíso perdido? Ele pode conquistar o inimigo de Deus e o inimigo de nossas almas? Lucas registra essa batalha para nós.

Como eu disse anteriormente, Ele é um filho de Adão, mas ele é muito além de Adão. Embora Ele, como Adão, seja verdadeiramente humano, ele, ao contrário de Adão, não tem a capacidade de pecar. Precisamos entender isso melhor.

É importante saber que Jesus era um homem. Ele era um real filho de Adão. A sua genealogia, descrita no cap. 3, termina dizendo que Ele era filho de Adão e Filho de Deus.
Isto é, Jesus é verdadeiramente humano, ele é verdadeiramente e totalmente humano. Ele não é apenas parecido com um humano. Ele é cem por cento humano.

Hebreus 2:17 o coloca desta forma: “Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo”.

Não há área na existência de Jesus que não fosse totalmente humana. Ele era totalmente humano. Ele era verdadeiramente um filho de Adão. Ele nasceu como um ser humano. Ele era um bebê no útero de Sua mãe.
Ele viveu como uma criança, como um jovem, como um adolescente, como um jovem adulto, como um adulto maduro, e de acordo com capítulo 2 verso 40 e verso 52, ele cresceu em sabedoria e estatura e graça para com Deus e com os homens.

Lembrem-se do que pregamos há algumas semanas sobre a humanidade de Jesus. Ele é Deus, mas ele voluntariamente anulou o exercício independente de sua divindade.
Ele não deixou de ser Deus, Ele é totalmente Deus e totalmente homem. Mas, na sua encarnação, Ele voluntariamente renunciou ao exercício independente de sua divindade e submeteu-se à vontade do Pai e do poder do Espírito.
Ele fazia o que o pai queria que Ele fizesse e Ele assim agia pelo poder do Espírito Santo. Então, ele deixou de lado o uso de seus poderes divinos e submeteu-se a verdadeira natureza humana e permitiu que o Espírito de Deus executasse Sua obra por meio Dele.

Com a idade de doze anos, Ele sabia quem era e por que Ele havia vindo a este mundo. É por isso que Ele permaneceu em Jerusalém, no templo. E quando seus pais finalmente o encontraram, Ele disse: “Eu tinha de estar na casa de meu pai fazendo a obra de meu pai” (Lucas 2:49).
Ele sabia que Ele era o Filho de Deus. Ele sabia porque tinha vindo. Ele cresceu como qualquer pessoa cresce, como qualquer ser humano cresce. E como Ele cresceu como um homem real, o Espírito de Deus deu a Ele mais e mais da verdade de Sua personalidade.

E como Ele cresceu, Ele foi exposto à tentação. Quando o escritor de Hebreus diz que Ele foi em todos os pontos tentado como nós somos (Hebreus 4:15), isso significa em todos os pontos da cronologia de sua vida.
Ele foi tentado como uma criança, na forma como as crianças são tentadas. Ele foi tentado como um jovem adulto na maneira que adultos jovens são tentados e assim por diante.

Durante toda sua vida ele foi tentado, com uma grande distinção, e você deve entender isso: todas as tentações, todas as solicitações para o mal que já vieram a Jesus ficaram do lado de fora do Seu ser.
É por isso que é impossível para nós entendermos isso, porque nós não entendemos tentação nesse sentido.
Por quê? Porque para nós a tentação ocorre predominantemente no interior; mas para Jesus, não havia nada nele que pudesse internalizar essa tentação e trabalhá-la para o mal.
[Apesar de ser um humano, Ele não foi gerado da semente humana, então não há na sua carne a concupiscência.]

Tiago 1 diz: “O pecado acontece quando a concupiscência concebe e dá à luz ao pecado” (Tiago 1:14-15).
Mas não havia concupiscência em Jesus. Nenhum desejo pelas coisas que Ele podia ver (a concupiscência dos olhos); ou nas coisas que Ele podia sentir (a concupiscência da carne).
Não havia nada em Sua perfeita e santa pessoa que pudesse internalizar a tentação. Então, ela veio a Ele do lado de fora. Ela o martelava implacavelmente por fora.
Mas, Ele não possuía a capacidade de conceber a tentação, através de algum motivo mau ou má intenção em seu coração, e transformá-la em um pecado real.

Então, Ele foi em todos os pontos tentado como nós somos, mas sem o que? Sem pecado. Porque Ele não tinha capacidade de internalizá-lo.
Mas, mesmo assim, o ataque veio e Ele ouviu toda a esperteza do Inimigo e enxergou a presença de Satanás no mundo em torno dele e em pessoas e nos demônios.
Ele podia ver a tentação. Ele podia entender a tentação, mas ele não poderia internalizá-la, misturando-a com alguma má intenção, porque não existia nele a semente do pecado.

Ele era verdadeira humano, Ele era santo, não era caído, mas era perfeito. Era homem, porém diferia de Adão, porque este, aparentemente, tinha a capacidade de internalizar a tentação e transformá-la em pecado. Jesus, não.

É por isso que eu amo a afirmação de Jesus feita em João 14:30: “Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e ele nada tem em mim”.
Ele não tem nada em mim, ele não tem nada sobre mim, ele pode não pode reivindicar nenhum direito sobre mim, ele não pode me fazer nenhuma justa acusação!

Agora, vamos analisar um pouco o Diabo, como ele é chamado aqui no versículo 2. É o ‘diabolos’, palavra grega que significa “acusador” e “caluniador”.
E isso é o que Satanás faz. Isso é o que ele é. Ele é o acusador dos irmãos. Ele é o caluniador. E, claro, ele gosta de apresentar acusação contra os eleitos de Deus (e o Senhor, é claro, nos defende, de acordo com Romanos 8, porque pertencemos a Ele e Jesus já pagou a pena pelos nossos pecados.).

Também é verdade que ele gostaria muito de apresentar uma acusação contra o próprio Jesus, mas ele não tinha nada do que acusá-Lo legitimamente.
“Ele não tem nenhum direito sobre Mim. Ele não tem nada em Mim”. Não havia nenhuma acusação justa de pecado que jamais poderia ser apontada para o Filho de Deus.

E eu vou apenas dizer-lhe algo, como uma nota de rodapé que você precisa lembrar. Muitas pessoas questionam a divindade de Jesus.
Mórmons negam a divindade de Jesus. Testemunhas de Jeová negam a divindade de Jesus. Os liberais negam a divindade de Jesus. Mas eu vou te dizer um grupo que não negou: os demônios.
Os demônios não negaram a divindade de Jesus e o Diabo nunca negou a divindade de Jesus. No episódio da tentação no deserto ele deixa isso claro.
Satanás e os demônios quando em confronto com Jesus sabem com quem eles estavam lidando e Satanás sabia exatamente com quem ele estava lidando naquele deserto.
Satanás tinha como alvo colocar uma poderosa pressão sobre Jesus para derrubar Sua santidade e forçá-lo ao pecado, para que ele pudesse, literalmente, destruir a Jesus e sua capacidade de salvar os pecadores. Isso é o que o Diabo queria alcançar.

Jesus, obviamente, foi tentado em todos os pontos como nós somos. No entanto, nessa passagem específica da tentação no deserto há tentações que nunca poderíamos experimentar, porque elas se relacionam particularmente e somente para pessoa e obra única de Jesus.
Mas, mesmo assim, vamos aprender com Jesus o caminho do triunfo no meio da tentação.

Então, este é um momento monumental. Este é o segundo Adão a ser confrontado com um ataque maciço, como o primeiro Adão.
O primeiro Adão também era sem pecado, como o segundo Adão. Mas o primeiro Adão caiu. O segundo Adão não o fez, não pode, e não vai. Adão coloca toda a raça em pecado e perdição, e Jesus levanta os pecadores para o céu.

Tudo se resume à questão de derrotar o pecado. Jesus era um verdadeiro filho de Adão, então, verdadeiramente humano, e foi como um homem que Seu Pai pôde dizer a Ele: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo.”
Trinta anos Ele vive e nunca pensou, disse ou fez algo que não agradasse ao Pai. Essa é a Sua perfeição. E essa perfeição, então, vai ser atacada por Satanás e onde o primeiro Adão caiu, Ele triunfa.

Então aqui está Jesus Cristo, o segundo Adão, o cabeça de uma nova humanidade que vai subir para a glória em vez de cair para o inferno, como a velha humanidade encabeçada pelo primeiro Adão.
Isso nos diz que Ele tem infinitamente maior poder em si mesmo do que Adão já teve. Adão era apenas um homem, este é o Homem-Deus e Sua humanidade é protegida do pecado por Sua divindade.

Pense sobre as circunstâncias que fazem a distinção entre Jesus e Adão ser tão óbvia.
Adão estava em um jardim, o melhor lugar que se possa imaginar. Ele estava no Éden, ele estava no paraíso.
Jesus estava em um luga oposto ao Éden. Um lugar desolado e abandonado, perigoso estéril e vazio, no deserto da Judéia.

Adão viveu em um mundo sem pecado, um ambiente sem pecado. Jesus viveu em um mundo pecaminoso.
Adão nunca tinha conhecido qualquer tentação e caiu na primeira tentação. Sua resistência foi quebrada sem um forte ataque antes.
Jesus teve trinta anos de tentação e, em seguida, 40 dias de tentação antes de que as três finais viessem como tentativa de quebrar sua resistência.

Adão tinha força humana perfeita. Adão era deliciosamente e maravilhosamente alimentado por tudo o que estava a sua disposição no Jardim. Jesus foi enfraquecido por quarenta dias sem comida.
Adão tinha coisas inimagináveis para desfrutar, sem nunca experimentar a fome. Jesus, ao contrário estava com fome.
Adão não precisava de nada, pois tinha Tudo. Jesus não tinha nada, sem comida, nenhum reino, nenhuma esfera de governo. Ele estava sozinho.

E Adão não tinha nenhuma necessidade de testar Deus para ver se Deus realmente o amava, ele estava cercado de uma provisão sem igual em toda história do homem.
Jesus estava ali privado de tudo, com nada além de um deserto desolado e Satanás tentando empurrá-lo para testar a Deus para ver se Deus realmente O amava.

Então, Jesus, sendo Criador, possuía o direito de comer, mas não tinham comida. Possuía o direito de governar como Rei, mas ali não tem reino.
Jesus tinha o direito à assistência, bênção e proteção divina, mas estava sendo exposto aos perigos mais graves. Porém, Jesus não caiu, como Adão.
Quando tentado, Adão estava na melhor das circunstâncias, mas caiu. Todavia, estando nas piores circunstâncias imagináveis, Jesus não caiu.
Este é o nosso Salvador. Este é o nosso Messias. E esta é a prova disso.

Adão, inocente, perfeito, rico, sem ter falta de nada, caiu sob o primeiro assalto. Jesus não o fez, apesar de pobre, sozinho, cansado, com fome. Ele é triunfante.

Entender isso é absolutamente crítico para a questão da salvação. É por isso que este relato bíblico está aqui.
Não é apenas um incidente interessante. É o coração e a alma de tudo. Jesus não poderia salvar-nos do pecado, da morte e do inferno se Ele próprio não pudesse conquistá-los.
Então, onde o primeiro homem falhou, Adão, e todos nós morremos, o segundo homem foi bem-sucedido e em Cristo todos nós vivemos.

Agora, isso levanta a questão (e teólogos sempre gostam de levantar essa questão, embora eu sempre pensei que é meio bobo e sem sentido fazer isso…).
A questão é: Ele poderia ter pecado? Isso é chamado de ‘o debate sobre a impecabilidade de Jesus’, e você pode ler todos os tipos de material sobre este assunto.
Jesus poderia ter pecado? E tem havido teólogos ao longo dos anos que disseram e dizem: Sim, Ele poderia ter pecado. (!?!).

Eles estão errados, de forma clara. Eu nem sei por que alguém iria discutir o assunto. Claro que Ele não poderia pecar!!
Pode Deus pecar? Deus não pode pecar!! “Ele é tão puro de olhos para ver o mal”, “não pode olhar para a iniquidade” (Habacuque 1:13). Ele não tem capacidade para o pecado.

Jesus não tinha capacidade dentro de si mesmo para transformar qualquer coisa em um pecado.
Ele não podia conceber qualquer coisa de tal maneira, misturando-a com desejo e intenção maligna e produzir um pecado. Era impossível, porque não havia nada em sua natureza para fazer isso, nada.

Em Lucas 1 versículo 35, temos: “o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” Quando a criança, Jesus, estava para nascer é chamada de santo.
Esta não é uma criança como qualquer outra criança. E já com a idade de trinta anos o Pai pôde dizer: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Trinta anos e Ele nunca tinha pecado. Se pudesse, ele teria. Ele não o fez porque não podia.

II Coríntios 5:21: “Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus.” Ele não conheceu pecado.
Ele não tinha a capacidade de internalizar a tentação e transformá-la em pecado. Ele não cometeu pecado (1 Pedro 2:22; Hebreus 7:26). Ele é santo. Ele é imaculado. É separado dos pecadores. Ele não pecou, não podia pecar. Isso é óbvio.

Bem, então, alguns diriam: “Bem, se Ele não podia pecar, a tentação não era real.” Isso também não é verdade.
Você nem sempre peca quando está sendo tentado, o que significa que você pode ser tentado e não pecar. Você pode ser atingido com alguma tentação forte e pode sair vitorioso e ir embora sem o pecado e agradecer a Deus e louvar a Deus e ser triunfante.
Como cristãos, podemos fazer isso. E isso não quer dizer que não houve uma tentação. O fato de que Jesus não poderia pecar não significa que Ele não poderia ser tentado.

Olhe, Satanás veio para tenta-lo pessoalmente. Demônios vieram e o tentaram pessoalmente. Ele foi exposto ao pecado através de todos ao seu redor, através do sistema de Satanás fomentando a depravação humana.
Mas, a tentação veio a Ele do lado de fora de seu ser. Ele viu tudo. Ele entendeu em sua mente, mas não tinha a capacidade interna de transformar esses estímulos externos em um pecado. Todavia, isso não significa que Ele não se sentiu ou experimentou a realidade da tentação.

Toda tentação que veio a Jesus era uma tentação externa a seu ser. Nenhuma solicitação de mal nunca veio no interior, porque não havia nada lá para gerar isso.
Agora, nesse sentido, Ele não é como nós. Ele é plenamente humano, mas você pode ser plenamente humano e perfeito, como era Adão. No caso de Jesus, Ele é plenamente humano e perfeito e Sua perfeição como homem é protegida por sua divindade, pois Ele é santo, infinitamente santo.

Mas, isso não significa que as tentações sobre Ele não eram reais. Pelo contrário, as tentações eram mais fortes e mais fortes, porque Ele nunca cedeu.
Quer dizer, se você estiver em pé e alguém está tentando empurrá-lo e você continua de pé e ele continua empurrando e empurrando, mas em algum momento você cair, você nunca vai conhecer a força total do seu adversário.
Mas, se você não ceder, se você ficar lá, você terá a fúria total do inimigo te golpeando com toda força, até que o adversário finalmente fique sem energia e se afaste.
Isso foi exatamente o que aconteceu no caso de Jesus. Ele é tentado e a tentação vai para sua capacidade máxima cada vez que ocorre, porque Ele nunca cedeu. Então, não é que Ele não sentia a tentação, mas a verdade é que Ele a experimentou em sua plenitude.

Westcott disse que a “simpatia que Jesus tem com o pecador, em seu julgamento, não depende de sua experiência pessoal com o pecado, mas da experiência com a força da tentação do pecado que Ele pôde conhecer em toda a sua intensidade”.
Isto é exatamente correto. Apenas o impecável sabe quão intensa cada tentação pode ser, porque ele nunca cede a ela.

Jesus nunca cedeu, por isso, no final, Ele experimentou a força de toda a tentação em seu nível máximo, mas nunca internalizou o pecado.
Então, aqui nós encontramos em nosso texto o Filho de Deus que está sendo testado em Sua perfeita, santa justiça, provando ser verdadeira a declaração do anjo de que desde o ventre Ele era santo, bem como o que o Pai disse sobre Ele: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo”.

E a conclusão disso é que Jesus está qualificado para ser o conquistador vitorioso sobre Satanás em nosso favor. Através das tentações ele demonstra sua qualificação.
Agora, vamos olhar para as características da tentação, mas vamos olhar para o primeiro ponto, a preparação. Vamos ver a preparação para a batalha. Vamos ver o padrão da batalha, como as tentações são concebidas, e as respostas. Então, veremos o final da batalha.

A preparação

Vamos olhar para a preparação para a batalha. E podemos tirar valiosas lições para as nossas batalhas pessoais com as tentações.
Versículos 1 e 2, o palco está montado: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, ao fim deles, teve fome.”

“Cheio” é simplesmente uma palavra que significa ser ‘saturado com’, ou que significa ser ‘permeado completamente com’. Isso é algo que é verdadeiro em Jesus em todos os momentos.
Quando o Espírito Santo veio sobre Ele em Seu batismo, desceu como uma pomba e estabeleceu-se sobre ele, não foi a primeira vez que o Espírito Santo chegou à vida de Jesus.
É simplesmente um símbolo do fato de que o Espírito de Deus estava descansando sobre ele através de toda a sua vida.

Jesus, em Mateus 12:31-32, disse aos líderes judeus que o acusavam de fazer os milagres pelo poder de Satanás, que eles, de fato, estavam blasfemando contra o Espírito Santo.
Por quê? Porque atribuir o trabalho de Jesus ao diabo, é blasfemar contra o Espírito, porque toda a obra realizada por Jesus estava realmente sendo feita pelo Espírito por meio Dele.

E o Espírito Santo agia por meio de Jesus todo o tempo. Desde sua concepção, era o Espírito de Deus que permeava o seu ser. O Espírito de Deus habitava dentro Dele em presença pessoal e plena.
O Espírito de Deus estava sempre presente, dando-lhe vitória sobre cada situação
, enquanto Ele amadurecia e crescia. E aqui está ele na plenitude da maturidade agora, tendo já havido o Seu batismo e Sua proclamação pública.
Ele foi anunciado, foi apresentado pelo profeta João Batista e agora está na plataforma de lançamento para entrar em Seu ministério, o qual foi planejado pela Pai antes da criação.
Todo esse tempo passou, todos estes trinta anos de sua vida e, finalmente, chega a este momento em que Ele é descrito como sendo ‘saturado’, ‘pleno’, ‘cheio’ com o Espírito de Deus. E isso é algo que Jesus experimentou através de toda sua vida.

Agora vamos falar sobre ‘ser cheio do Espírito’. Lemos sobre isto em Efésios 5. Isso é algo que desejamos, não é?
Nós desejamos ser controlados pelo Espírito Santo. Nós desejamos ser permeados, ser saturados com a presença e o poder do Espírito Santo.
Desejamos fazer sempre e unicamente a vontade do Espírito, agir somente através do poder do Espírito, desejar apenas aquilo que o Espírito de Deus deseja para nós. Nós desejamos isso. Perseguimos isso. Ansiamos por isso. Temos fome disso.

E houve pessoas nos tempos bíblicos que também experimentaram essa experiência.
João Batista estava cheio do Espírito Santo no ventre de sua mãe, e, consequentemente, começou a se mover no ventre de Isabel, como uma confirmação da vinda do Messias.
Então, Deus encheu João Batista com o Espírito Santo antes de ele nascer.

Zacarias, o pai de João Batista, foi cheio do Espírito Santo e começou a falar as palavras de Deus. Estava tão totalmente saturado pelo Espírito de Deus que o que ele disse não foi de si próprio. Ele estava dizendo exatamente o que Deus queria que ele dissesse.

No dia de Pentecostes, Lucas registra que todos os 120 que estavam no cenáculo foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas das grandezas de Deus de uma maneira milagrosa.
E, então, os apóstolos ficaram cheios do Espírito de Deus no capítulo 4 de Atos. E, em seguida, no capítulo 6, houve alguns diáconos na igreja que estavam cheios do Espírito de Deus em seu ministério.
E você encontra o enchimento do Espírito Santo referido por Lucas um número de vezes no livro de Atos, capítulos 7, 9, 11, 13. Isso é algo que aconteceu ocasionalmente, na vida de um apóstolo, quando o Espírito de Deus literalmente saturou, permeou, assumiu o controle de um indivíduo por um tempo.

Mas para pessoas caídas como nós, não é algo que existe de maneira constante na vida, do berço à sepultura, como foi para Jesus. Para nós, que queremos ser cheios do Espírito, nós desejamos isso, ansiamos por isso. Mas, para Jesus essa era uma realidade constante.
É assim que Ele viveu toda sua vida. Ele, como um homem, deixando de lado o uso independente de seus próprios atributos divinos, submeteu-se à presença e ao poder do Espírito Santo, que por meio Dele realizava a vontade do Pai.

Então, naquele deserto Ele estava pronto. Ele estava na plenitude do Espírito. Isso significa dizer que Ele não faria nada ali que pusesse a si mesmo em perigo.
Ele estava sob o controle completo do Espírito Santo. E, assim, Ele saiu do Jordão, onde foi batizado, no capítulo 3. É aí que João Batista pregava e o apresentou como ‘o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (João 1:29).
Então, tudo estava cumprido: Ele foi batizado, foi apresentado. Agora é hora de cumprir o Seu ministério.

Então, Ele deixa o vale do Jordão e começa uma árdua subida até o deserto da Judeia, pois o fim do rio Jordão fica 1.500 milhas abaixo do nível do mar, por isso é uma tremenda subida até essa área.
E o Espírito de Deus o está levando. Ele não iria de alguma forma cair nas garras do diabo. Ele não estava fazendo escolhas ruins e acabou em uma situação vulnerável, como ocorre conosco muitas vezes.

Ele está no controle total do Espírito Santo e foi levado pelo Espírito ao deserto. Assim, o Espírito o conduz do Jordão, onde havia abundância de água e muitas pessoas ouvindo João pregar, para um lugar de isolamento absoluto.
Mas é o Espírito de Deus que está movendo tudo, a fim de realizar os propósitos de Deus. Ele está completamente cheio do Espírito.

Lembre-se do que diz João 3:34: “Ele não dá o Espírito por medida.” Quando Deus deu o Espírito a Jesus, Ele não lhe deu em doses, em pequenas porções, mas lhe deu a plenitude do Espírito.
Assim, Ele estava sendo totalmente guiado pelo Espírito de Deus, plenamente habilitado pela presença do Espírito de Deus e, desse modo, Ele se moveu na direção do deserto.

Marcos também registra Sua tentação no capítulo 1, e Mateus o faz no capítulo 4.
Marcos 1:12: “O Espírito Santo o levou para o deserto.” E a ideia aqui é que o Espírito de Deus o estava movendo dessa maneira.
E assim seria sempre na vida de Jesus. O Espírito de Deus moveria o Homem-Deus para onde Ele quisesse, a fim de fazer a vontade do Pai.

Deixe-me falar sobre o deserto um pouco. Eu estive lá. Eu estive nesse lugar. E alguns de vocês também.
A última vez que fui a Israel, junto a um grupo de pessoas, fomos levados a este deserto na estrada de Jericó para Jerusalém. Não a estrada principal, não a estrada que todo mundo viaja, mas a estrada velha que percorre a área chamada “a devastação”.
Este é um tipo assustador e apavorante de experiência. Foi para este lugar que o Espírito Santo levou Jesus.

Jesus esperou desde a eternidade por esse momento. E, na condição de homem, esperou por trinta anos na obscuridade, em Nazaré, por seu batismo e lançamento de seu ministério.
O ponto alto, o Pai o louva : “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Visivelmente, o Espírito de Deus o unge.
João Batista, o grande precursor, o maior homem que já viveu até seu tempo, o anuncia como o Cordeiro de Deus.
Ele está cheio do Espírito Santo. Ele está em plena consciência de sua natureza divina. Ele está em plena consciência de sua missão divina. Sua humanidade sagrada é preenchida com o poder do Espírito.

Sua alma está carregada de alegria e contemplação de seu privilégio e propósito. Finalmente, depois de todo esse tempo na eternidade e todos estes trinta anos, Ele está pronto para começar o seu ministério.
Ele atingiu o pico com esta grande declaração do Pai: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo.”
E é imediatamente depois disso que o Espírito de Deus o leva a partir do ponto mais alto em sua vida para o ponto mais baixo, em um combate mortal com o diabo.
E não foi como se o diabo tivesse vindo à procura de Jesus. Jesus foi quem foi à procura do maligno, sob o poder do Espírito Santo.

E ele o encontrou no deserto, a área entre o Mar Morto, o Rio Jordão e Jerusalém. É uma área que no Antigo Testamento era chamado ‘Jesimom’, traduzido como “a devastação”.
É um lugar realmente aterrorizante. Para fazer um passeio em um veículo, como tive oportunidade de fazer, já é francamente muito assustador. Muitas pessoas ficaram assustadas.
É uma área íngreme, muita pedra solta. É pedra e mais pedra, é áspero, com picos escarpados irregulares com ravinas graves que descem centenas de metros.
É seco e estéril. É habitado por animais selvagens, como cobras, escorpiões, dentre outros. É a pior parte do deserto da Judéia.

É certamente um lugar onde Jesus estaria mais sozinho do que em qualquer outro lugar. E só sabemos do que ocorreu lá porque o próprio Jesus testemunhou isso aos apóstolos. É um lugar muito difícil de se locomover.
Lembro-me de estar de pé sobre uma pequena colina e sentindo as pedras correrem debaixo dos meus pés, enquanto eu estava tentando chegar mais perto da borda e ver a parede vertical até a parte inferior. E nem deu para ver. Quase impensável passar quarenta dias lá, seis semanas…

Deuteronômio 8:15 diz: “Que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água; e tirou água para ti da rocha pederneira”.
Não era um jardim. Era o pior dos lugares. Nem sequer é um lugar onde se possa caminhar. A única segurança para quem visita a área é ficar na estrada.

Mas, Ele esteve lá por quarenta dias, seis semanas, vagando num lugar desolado e perigoso. E o tempo todo, diz o versículo 2, “sendo tentado pelo diabo.” Ele está sozinho.
E isso é muito importante. Não há ninguém lá para ajudá-lo. Não há ninguém lá para desviar um pouco da tentação, não há ninguém lá para oferecer conselhos.
É extremamente importante que Jesus estivesse sozinho, cara a cara, para derrotar o diabo. Se Ele precisasse de ajuda, estaríamos com alguns problemas…

Agora Lucas já nos fez conscientes do mal que há no mundo. No versículo 16 do capítulo 1, afirma que João Batista iria trazer muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, e converteria os corações dos pais de volta para os filhos e os desobedientes à atitude dos justos.
É preciso haver arrependimento no mundo. Nós também sabemos que há escuridão. Capítulo 1 verso 79, diz que as pessoas se assentam na escuridão. Sabemos também sobre a sombra da morte. Sabemos que há sofrimento e dor e uma experiência de perfuração de coração no mundo.

O capítulo 3, versículo 19, vimos que há pessoas terrivelmente más no mundo, como Herodes, Herodias, mulher de seu irmão, que prendeu João no cárcere e depois mandou cortar sua cabeça.
Assim, Lucas não esconde o mal de nós. Mas ele dá ao mal um rosto aqui. E, pela primeira vez em seu Evangelho, chegamos a conhecer o diabo.
Ele está presente em toda a história, desde Gênesis 3, este ‘diabolos’, este caluniador, acusador, este Satanás.
Ele esteve diante de Deus para acusar Jó. Ele esteve diante de Deus em Zacarias 3, 1 Crônicas 21, acusando, acusando, caluniando, caluniando.
Ele é o inimigo de Deus.Mas nós não o tínhamos encontrado no texto, até chegarmos nesse episódio da vida de Cristo.

Quem é esse diabo? Basta sabermos que ele foi originalmente criado por Deus como um santo anjo, certo?
Seu nome era Lúcifer. Jesus disse que viu Lúcifer cair do céu como um relâmpago (Lucas 10:18).
Se você ler Ezequiel 28:11 a 15, Isaías 14:12 a 14, saberá mais sobre ele. Ele era o querubim ungido, que provavelmente significa que era o líder de louvor e adoração do céu.
Ele era o músico-chefe do céu. Ele era o único que recebia todos os elogios angelicais. Ele era o principal anjo, encarregado do santo louvor.

Por alguma razão incompreensível, ele decidiu que não era suficiente, que ele queria ser igual a Deus.
E, assim os profetas nos mostram (Isaías 14, Ezequiel 28) que ele disse: “Eu vou, eu vou, eu vou, eu vou, eu vou.” Cinco vezes ele tentou usurpar o trono de Deus, destronar Deus e assumir o céu.
Ele estava no Éden, em toda a sua beleza. Ele tinha tudo. Mas o orgulho foi levantado em seu coração e ele intentou destronar Deus e Deus o expulsou do céu.
Apocalipse 12 diz que quando Ele o expulsou, também jogou um terço dos anjos com ele, porque eles se juntaram na rebelião.
Houve motim no céu. Um terço dos anjos foram expulsos. Eles se tornaram os demônios agora. Eles são superados em número pelos dois terços dos santos anjos que ainda permanecem fiéis e sempre serão.

Este anjo caído, este adversário, este arqui-inimigo de Deus, que já foi líder de louvor de Deus, em seguida, decidiu que queria levar toda a raça humana em sua rebelião, e ele conseguiu com Adão e Eva e mergulhou toda a humanidade no pecado.
Agora ele vem a Jesus, o Deus encarnado. E ele queria destruir Jesus, porque Jesus é o segundo Adão, que veio trazer a vida de volta aos mortos.
Ele veio salvar as pessoas do inferno, vencer o pecado e destruir o diabo. Então, o diabo está lutando por sua própria vida aqui. Sua derrota tornou-se uma derrota eterna.

Assim, para o deserto vem Jesus, sozinho, guiado pelo Espírito de Deus, que o encheu, a encontrar o diabo para o confronto.
Este era o mais solitário de todos os lugares, era um anti-Eden, um lugar amaldiçoado onde nenhum jardim cresce.
E durante quarenta dias o diabo joga tudo que tem contra Jesus.

Curiosamente, aqueles quarenta dias passam em silêncio. Satanás veio a Eva no Éden e a seduziu a desconfiar de Deus e pensar que Deus não era realmente bom e pensar que Deus realmente não se importava. Ela caiu.
E é por isso que Satanás é chamado em Apocalipse 09:11 “o destruidor”. Ele também é o mentiroso, João 8:44. Ele é um mentiroso desde o início, o pai da mentira e assassino. Como 1 João 5: 9 diz: “O mundo inteiro jaz no maligno.”
Já 2 Coríntios 4: 4 diz que ele tem cegado as mentes de toda a raça humana.

Então, aqui vem o cegador, o mentiroso, o assassino, o destruidor que queria a morte de Jesus a partir do momento em que Ele nasceu.
E ele está vindo a Jesus, a fim de tentar levá-lo para o pecado. E, se ele não conseguir fazê-lo tropeçar, vai tentar matá-lo.
E por quarenta dias o ataque continua sem sucesso. Durante quarenta dias, o inimigo tenta quebrar a resistência de Jesus para o mal.
Durante quarenta dias, Jesus concentra sua mente em derrotar o mal, totalmente dependente do Espírito Santo em provar que Ele é impecável, invencível, imune a iniquidade.
Satanás não ganhou nem um palmo de terreno. Então, o diabo se retira depois desses quarenta dias, mas apenas por um momento.

Quando tudo havia terminado, Jesus ficou com fome. Ele não tinha comido nada durante quarenta dias. Ele estava em um estado grave.
O diabo estava pressionando contra este objeto imóvel o tempo todo, de modo que o Senhor sentia a fúria de todas as energias de Satanás, a potência máxima de cada tentação.
Até que o diabo estava tão exausto, que tinha de voltar e se reagrupar e vir com outro ataque.

Mas, finalmente, o diabo se afasta e, pela primeira vez em quarenta dias, “e terminados esses dias, Ele ficou com fome.” (Lc. 4:2).
Ele não estava com fome durante os quarenta dias, porque a coisa era muito intensa, muito forte.
Jesus sente fome pela primeira vez nesses dias e o diabo detecta uma nova oportunidade. Ele sente o cheiro de sangue, ele sente vulnerabilidade, e ele se move para o que ele espera ser a matança.

E assim, começando no versículo 3, vêm as três tentações finais, as grandes armas.

Satanás puxa as grandes armas de fogo contra quem ele percebe ser agora um Jesus vulnerável.
Ele encontrou uma brecha na fome de Jesus, em sua fraqueza física, e ele vai explorar isso ao máximo, almejando esmagar o Filho de Deus sob o poder de seu ataque.
Isso é quando a batalha começa realmente. O padrão da batalha, veremos na próxima vez. Você não vai querer perdê-la. É o drama além do drama. Vamos ver da próxima vez.

Pai, somos tão privilegiados por estes trechos da Tua Palavra, pois através deles podemos aprender como o Salvador lidou com o inimigo, como Ele superou a tentação.
E, mais do que isso, podemos ter afirmada e garantida a Sua invencibilidade, pois Ele é, de fato, capaz para nos salvar perfeitamente, sendo o Cordeiro sem mancha e sem defeito, hábil a morrer como nosso substituto.
Ele tem o poder para vencer o pecado, a morte, Satanás e o inferno.
Vemos um Cristo triunfante aqui e sabemos que este foi um momento de grave humilhação para Ele, pois estava vagando sozinho em um lugar tão desolado e tendo o inimigo a investir com toda a força contra Ele.
Foi tão humilhante para Ele ter que suportar isso. Mas da sua grande humilhação adveio maior vitória.
Ele triunfou sobre Satanás no deserto e triunfou na Cruz.
Não importa o quão humilhante foi a cruz, porque ela só lhe deu maior oportunidade para manifestar a glória da Sua pessoa.
Agradecemos ao Senhor pelo triunfo de Jesus Cristo sobre o inimigo, pelo qual somos elevados da morte para a vida, do inferno ao céu, do pecado para a justiça. Agradecemos porque em Cristo somos vencedores, mais do que vencedores.
Por isso nos alegramos e damos-te louvor. Amém.


Este sermão é uma série de 3 sobre a tentação do deserto.

A tentação no deserto – I
A tentação no deserto – II
A tentação no deserto – III


Este texto é uma síntese do sermão “The Invincibility of the Messiah”, de John MacArthur em 30/04/2000.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/42-49/the-invincibility-of-the-messiah

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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