Sou a ressurreição e a vida – II

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João 11
37 E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?
38 Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela.
39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: SENHOR, já cheira mal, porque é já de quatro dias.
40 Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?
41 Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido.
42 Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.
43 E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.
44 E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.
45 Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.
46 Mas alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito.

Temos visto que João escreveu seu evangelho com a intenção de demonstrar a divindade de Jesus Cristo.

“As obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou” (5:36).
“As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (10:25).
“Eu e o Pai somos um” (10:31)
“Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras” (14:11).

Os discípulos de João Batista (e o próprio João Batista) começaram a ter dúvidas se Jesus era realmente o Messias, porque as coisas não estavam indo dentro da expectativa deles.
João estava preso e Jesus não dava passos para libertar a nação dos romanos. Eles estavam duvidosos diante das circunstâncias.
“E João [Batista], chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Lucas 7:19).
Jesus respondeu: “Ide, e anunciai a João [Batista] o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar” (Lucas 7:22-23).

A vida e a obra de Jesus demonstravam sua divindade. Os milagres foram provas inconfundíveis do seu poder.
João encerrou seu evangelho dizendo: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (21:25).
Mas ele selecionou sete milagres chaves em seu evangelho e nenhum deles foi mais significativo do que a ressurreição de Lázaro.
E por que João descreveu esses milagres? “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20:31).

Jesus não disse “Eu posso ressuscitar os mortos e dar-lhes vida”, mas “Eu sou a ressurreição e a vida” (11:25). Nele estava a vida (1:4), tudo foi feito por Ele e nada teria existido sem Ele (1:3).
Marta creu e disse: “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (11:27).
Por que ela creu? Pelas palavras e pelas obras de Jesus.
Jesus afirmou ser o Messias, o Filho de Deus, aquele que desceu do céu. Ele fez poderosas obras e milagres e Ele deu poder aos Seus apóstolos para fazer as mesmas obras, dando testemunho de que eles eram os verdadeiros apóstolos do próprio Salvador.

Jesus levanta Lázaro dos mortos para fortalecer a fé dos Seus discípulos (11:14-15).
A ressurreição de Lázaro foi também uma prévia de sua própria ressurreição. Lázaro estava há quatro dias na sepultura, Jesus permaneceu por três dias.
A ressureição de Lázaro também foi uma demonstração de seu poder para cumprir a promessa de ressuscitar todos os mortos, uns para a vida eterna, outros para as trevas eternas (João 5:28-29).

Quando recebeu a notícia de que Lázaro estava muito doente, Jesus disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (11:4).
Jesus seu moveu no tempo do Espírito. Lázaro morreu e foi sepultado. Ao ver Jesus, Marta e Maria disseram: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (11:21,32).
Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. (11:25).

Quando Maria corre ao encontro de Jesus, ela não foi sozinha. Todas as pessoas que estavam com ela a seguiram (11:2-31).
Jesus viu todos chorando e comoveu-se. Ele vê mais que um amigo morto. Ele vê a realidade de que todo mundo vai morrer. Cada família vai ter uma perda. Todo relacionamento vai ser quebrado.
Isto é o que o pecado tem feito não só para aquela família, e não apenas àquela cidade, não apenas para aquele tempo, mas ao longo da história humana. É O peso tenebroso do pecado.
Jesus estava cercado por pessoas que o rejeitaram e não creram Nele. Não Maria, Marta e Lázaro, mas o resto da multidão.
Ali estava um homem morto e sepultado, mas estava rodeado de mortos espirituais, uma amostra da situação de toda a humanidade .
Assim ele chora de profundos lamentos pela dura realidade das consequências do pecado (11:35): A morte do corpo e a morte eterna.

“E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” (11:37).
As pessoas fizeram um questionamento muito comum hoje: Por que Ele não evitou a morte de seu amigo? Ele não fez o cego abrir os olhos?
Havia outra perplexidade entre eles: Marta e Maria haviam mandado mensageiros para avisá-lo sobre a iminente morte de Lázaro (11:3). As pessoas estavam ali com suas irmãs naqueles quatro dias.
Mesmo após receber a mensagem, Jesus ainda levou dois dias para iniciar seu retorno a Betânia. Então eles se questionaram: Por que Ele não retornou imediatamente após receber a mensagem?
Então havia duas perplexidades entre eles: Por que ele o deixou morrer? Por que ele demorou tanto de vir?

Jesus trabalha apenas dentro do propósito do Pai. Ele sabe exatamente o que está acontecendo. O momento dele é absolutamente perfeito.
Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11). Ele não tem que nos dar conta de todos os seus feitos. Ele não tem que nos dizer seu plano. Ele não tem que nos dizer a duração.
Mais tarde ele falou aos discípulos: “O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois” (João 13:7).

Os discípulos não entendiam muitas coisas. Eles não entendiam o porquê de Jesus não usar seu poder e liderar uma libertação de Israel dos romanos.
“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36) era um ponto de interrogação para eles. Mas o tempo viria quando eles entenderiam tudo.

Portanto, era uma questão de tempo divino. Ele sabia disso. Ele já sabia que aquela doença era para a glória de Deus (v.4).
Ele seria glorificado. Ele sabia que uma ressurreição iria acontecer. O Pai havia revelado isto a Ele. Ele sabia qual era o plano do Pai.

“Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela” (11:38).
Jesus, mais uma vez ficou profundamente comovido. No grego, a frase “movendo-se outra vez muito em si mesmo” seria algo semelhante quando um cavalo levanta-se sob alguma agitação e solta um grunhido feroz.
Que palavra estranha. Às vezes é traduzida como “estremeceu”. Tomou conta dele uma indignação sobre a morte e o pecado, suas dores, e suas realidades, que são tanto temporais quanto eternas.
Esta é uma visão do coração de Deus para com a incredulidade e o julgamento.

“Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias” (11:39).
Aí vem um problema: Remover a pedra da sepultura liberaria o mau cheiro para o ambiente.
E haveria um problema com a lei: “E todo aquele que sobre a face do campo tocar em alguém que for morto pela espada, ou em outro morto ou nos ossos de algum homem, ou numa sepultura, será imundo sete dias” (Números 19:16).

Jesus havia falado a Marta: “Teu irmão há de ressuscitar” (11:23). Ela entendeu que isto apenas ocorreria na ressurreição de todos os mortos, no juízo eterno (11:24).
De forma incrédula, Marta diz: “Senhor, já cheira mal…”. Jesus respondeu: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (11:40). Ou seja, Ele diz: – Isso não é algo futuro. Você vai vê-lo, se você apenas crer.

Marta pensava sobre um corpo morto há quatro dias. Pensava acerca do que a lei dizia sobre tocar em um corpo morto. Sua fé tinha que avançar.
Ela cria que Jesus era a ressurreição, o Messias, o Filho de Deus, o Deus encarnado… Mas sua fé estava diante de um novo desafio. Aquele milagre seria um enorme passo de fortalecimento de sua fé.
Jesus lhe diz: – Creia e verás a glória de Deus.

A glória de Deus se manifestou de formas diferentes ao longo do Antigo Testamento. E, em seguida, no Novo Testamento, a glória de Deus veio em um corpo, a pessoa de Jesus Cristo.
E no Monte da Transfiguração, Ele foi transfigurado, e Pedro, Tiago e João viram a glória de Deus brilhando através da pessoa do Senhor Jesus Cristo, a realidade inefável de Sua excelência reduzida à luz (Mateus 17:2).
Ou seja, como se Ele dissesse: – Você vai ver a glória de Deus não como uma luz brilhante; mas como a própria vida.
Moisés rogou a Deus: “Mostra-me a tua glória” (Êxodo 33:18). O que Deus lhe mostrou? A “Shekinah” (palavra hebraica que quer dizer: A gloria de Deus se manifesta), uma luz ardente velado atrás de uma pedra (Êxodo 33:21-23).
Aqui, Ele vai mostrar a Sua glória não na luz, mas na vida.

Se você crê, você vai ver a glória de Deus. Tire os olhos do cadáver e o coloque sobre o Cristo.
Põe teu coração no Senhor. Espere para ver a glória revelada. Precisamos viver nesse tipo de expectativa.
Não estamos à procura de milagres, mas quando você realmente crê no Senhor Jesus Cristo, você verá a sua glória por toda a sua vida.
Eu digo às pessoas o tempo todo: Eu vivo no meio de uma tela de glória o tempo todo, pela incrível e surpreendente providência incompreensível de Deus, pelo qual Ele ordena todas as circunstâncias, em todos os dias da minha vida, para revelar Seus propósitos e Sua vontade.
Ali Jesus interrompeu a lei natural e fez um único milagre. Mas Ele faz, todos os dias, milagres em nossas vidas.
Se você está procurando sua vontade e crer, você vai ver a mesma coisa. Você vai ver Deus em sua vida. Você vai ver Deus em todas as circunstâncias. Você vai ver Deus operando Seus propósitos.

Eles removeram a pedra. Em seguida, Jesus levantou os olhos e disse: “Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste” (11:41-42)
Ele não estava pedindo ao Pai para fazer qualquer coisa. Não há nenhuma petição lá. Ele agradece ao Pai pelo que? Por ter colocado a sua glória em exposição, para que aquela multidão cresse que Ele era o Messias enviado do céu.
Como sempre, no evangelho de João, nos é mostrado que Cristo era o Deus Eterno encarnado.

Ele falou em voz alta para que todos pudessem ouvir. Ele identifica a Deus como Ele sempre fez, como seu pai, a única exceção foi na cruz, quando disse: “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46).
Não havia ateus em Israel naquela época. Todos criam no Deus criador. O fato de que Jesus podia dar a vida era uma prova clara de que Ele era, de fato, Deus.

“E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir” (11:43-44).

No original o sentido é que ele gritou em voz alta. Esta ressurreição vem como uma resposta imediata às suas palavras. Ele diz duas palavras: Sai Lázaro. O milagre acontece.
Seu poder é tão tremendo, que um dia ele vai dizer: Mortos, levantem-se! E todos os mortos, de todos os tempos vão se levantar.
“Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” para a glória (I Tessalonicenses 4:16) e depois os outros mortos também receberão a mesma ordem e serão ressuscitados para o juízo de condenação (Apocalipse 20:12-15).
Assim ele disse: “Sai Lázaro”. Ele estava apenas ressuscitando Lázaro. Ele poderia estar dizendo: “O resto de vocês, fiquem onde estão”.

Lázaro levantou-se e saiu. A sepultura havia sido saqueada e tinha desistido de sua presa.
Jesus disse: “Fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalise 1:18).
Cristo manteve-se como vencedor sobre o pecado, a morte e Satanás. Ele tirou aquele homem da morte.
Ele é a vida. Ele é a vida eterna. Um dia Ele ressuscitará todos seus discípulos para habitar em glória por toda a eternidade.
E Ele disse: “Solta ele. Deixe-o ir”.
Lá então ele permanece. “Entre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele” (11:45).

Pai, ao pensarmos sobre este milagre, contemplamos em nossas mentes, que um dia herdaremos a vida eterna em um corpo ressuscitado.
Senhor, quão maravilhoso é pensar sobre isso. Cremos no teu poder. O Senhor nos dará uma nova vida e eterna.
Como incrível deve ter sido para Ti, nosso Senhor Jesus, ali junto ao túmulo de Lázaro, com a tua glória em exposição.
Na semana seguinte o Senhor foi pregado numa cruz, humilhado, rejeitado, assassinado como um criminoso comum, e até mesmo abandonado por Seu Pai.
Mas o Senhor fez isso para morrer a nossa morte e proporcionar a nossa ressurreição.
Estamos tão gratos porque Senhor nos amou como amou a Maria, Marta e Lázaro.
Tu nos fizeste tua família, e o Senhor nos deu a vida, e um dia, nos dará uma ressurreição completa.
E tudo isso só é possível porque nossos pecados foram pagos pela sua morte.
É por isso que nós nos lembramos da cruz. É lá que o perdão foi feito e nos mantem puros.
Por tua glória que oro em nome de Jesus Cristo. Amém.


Este estudo está dividido em 4 partes:

Parte 1: A morte para a glória de Deus
Parte 2: Eu sou a ressurreição e a vida – Parte 1
Parte 3: Eu sou a ressurreição e a vida – Parte 2
Parte 4: Eu sou a ressurreição e a vida – Parte 3


Este texto é uma síntese do sermão “I Am the Resurrection and the Life, Part 2”, de John MacArthur em 21/09/2014.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/43-59/i-am-the-resurrection-and-the-life-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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