O Cristo Ressuscitado

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


Temos visto tantas coisas maravilhosas no evangelho de João. Como não conseguimos guardar tudo, fica demonstrada a importância de estarmos sempre reunidos para estudarmos as Escrituras Sagradas.
Por isso a Bíblia diz que não devemos abandonar a nossa congregação (Hebreus 10:24-25). Precisamos estar juntos para nos estimular um ao outro à piedade. A igreja primitiva sabia o quanto era importante reunir-se todos os dias para este fim.
João coloca todo seu foco na gloriosa majestade e divindade de Jesus Cristo. Capítulo após capítulo nos é apresentada a imensurável glória de Cristo.
E esta manhã, chegamos a uma passagem emocionante. Vemos Jesus, após a Sua ressurreição, confrontar aqueles que O amam. E não podemos deixar de sentir algo da emoção, da alegria e do amor que permeia as cenas.

Jesus ressuscitou dos mortos. O túmulo ficou vazio. Ele fez o que disse que faria: Venceu a morte.
As evidências da ressurreição de Jesus Cristo são esmagadoras. A pedra revolvida que tinha sido selada e guardada pelos soldados romanos (Mateus 27:62-66; 28:1-4). A tumba vazia e o testemunho dos anjos (Mateus 28:5-6). As profecias cumpridas uma a uma.
Mas é adicionado o golpe de misericórdia em qualquer dúvida:
“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Pedro, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo” (I Coríntios 15:3-8).

“E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão. Mas, depois que eu houver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galiléia” (Marcos 14:27-28).

“Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo” (João 2:19-21).

Então, Jesus prometeu que iria ressuscitar dos mortos e, de fato, Ele o fez. Ele apareceu nada menos que onze vezes a não menos de 500 pessoas diferentes. Nada menos que 500 testemunharam a ressurreição de Cristo. Em um processo judicial, se você tem duas testemunhas, você tem o suficiente.

Antes de ascender aos céus, Ele apareceu apenas para seus próprios discípulos. Ele não apareceu para os incrédulos. Ele não apareceu aos escribas e fariseus. Ele apareceu apenas para aqueles que eram Seus.
E muitos críticos das Escrituras dizem: “Se Jesus realmente ressuscitou, então, deveria ter aparecido aos céticos e não aos crentes”.
Mas os crentes foram os céticos. E a ideia de que eles fabricaram a ressurreição é ridícula, porque em todas as aparições de Jesus, eles nunca esperavam que Ele ressuscitasse. Todos ficaram espantados, surpresos e incrédulos.
Mesmo os discípulos não criam e demonstraram não conhecer as Escrituras. Quando Jesus lhes apareceu, pensaram ter visto um fantasma e ficaram assombrados (Lucas 24:36-40).
Jesus comeu diante deles (Lucas 24:41-43) e explicou-lhes as profecias que estavam se cumprindo com sua ressurreição (Lucas 24:44-49).
[Aqueles homens não ganharam nada por testemunhar o Cristo ressuscitado. Ao contrário, sofreram horrores por isto. Perderam tudo, foram torturados, mortos e perseguidos. Quando ameaçados, eles diziam como Pedro: “Não podemos deixar de falar daquilo que temos visto e ouvido” (Atos 4:20)].

Mas você diz: “Por que Ele não apareceu aos escribas e fariseus? Por que Ele não apareceu no centro de Jerusalém e proclamou à liderança religiosa: – Aqui estou eu! Creiam agora! Cumpriram-se as profecias”.
O método de Jesus nunca foi ir pessoalmente a todos os incrédulos para convencê-los. Se ele tivesse aparecido a três ou quatro dos fariseus, nenhum dos outros fariseus teria acreditado.
Houve um momento que a rejeição deles a Jesus gerou consequências graves: “…Jesus, retirando-se, escondeu-se deles”. (João 12:35-36). Dali em diante, Jesus nunca mais tratou com eles.

Jesus Cristo nunca tomou a rota de milagres como a única maneira de comunicar quem Ele era. O plano de Jesus para todos os tempos da igreja era que seríamos frutos da fé na Palavra e não de espetaculares aparições sobrenaturais para cada incrédulo como forma de provar sua majestade.
Lembra-se da parábola do rico e do mendigo Lázaro (Lucas 16:20-31)? O rico, sofrendo no inferno, pediu que Abraão enviasse a seus parentes algum dentre os mortos para alertá-los, para que se arrependessem. “Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” (Lucas 16:24).
Ele apareceu para aqueles que eram seus, fortalecendo-os com o Espírito Santo, e os enviou para proclamar o evangelho da ressurreição.

João sempre quis anunciar para nós que Jesus é Deus. E ele também quis nos contar um pouco de como é Deus.
E assim ele seleciona três aparições de Cristo para nos dar conhecimentos especiais da pessoa de Cristo.
Uma delas a Maria Madalena, as outras aos dez discípulos e a Tomé. E em cada caso, para verificar a sua ressurreição corporal e ao mesmo tempo para um propósito muito direto, não só para mostrar que Ele estava realmente num corpo vivo, mas para mostrar sua fidelidade.

Aparição a Maria Madalena

João 20
11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.
12 E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
14 E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.
15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.
16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni ( que quer dizer, Mestre ).
17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.

Aqui está uma mulher, ela não era nada de especial. Ela foi salva de uma vida de pecado horrível. Cristo havia expulsado sete demônios dela (Lucas 8:2). Ele aparece a ela com o propósito expresso de mostrar seu amor e fidelidade a um discípulo. E é uma lição poderosa.
Seria nosso pensamento Ele ter aparecido primeiro a Pedro, João ou algum dos apóstolos. Mas Ele escolhe aquele que o ama, sem regras, e aquela mulher o amava muito.
E uma coisa emocionante sobre conhecer a Jesus Cristo. Não estamos em um sistema religioso, amigos. Isto não é um sistema, é uma vida real, relacionamento com um Deus pessoal amoroso. E vemos isto no encontro de Jesus e Maria Madalena após a ressurreição.

Ele mostra nesta passagem sua fidelidade para com aqueles que o amam. Este é o Seu caráter. E assim Maria Madalena é a primeira pessoa a ver o Senhor ressuscitado.
E é tão importante porque nos mostra que a principal consideração de Jesus é o amor e a fidelidade a seus discípulos. Além de operar o universo e sustentar todas as coisas, além da comissão para os discípulos e de todas as coisas que ele tinha que cuidar antes de subir, a primeira coisa foi mostrar, àqueles que o amavam, que Ele também os amava e que Ele foi fiel e que Ele iria encontrá-los em suas necessidades. E Ele faz, de fato, Ele faz.

Observe que como o vemos no versículo 11. “E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro”. Pedro e João tinham ido embora, temendo serem presos (v.10).
E a Bíblia diz que ela estava chorando, a palavra grega é “choro com constantes soluços, sem restrições”. Seu amor impotente estava chorando e soluçando e soluçando. Por quê? Porque Jesus não estava lá. E ela não conseguia descobrir onde estava.
Ela o queria lá, mesmo que estivesse morto. Ela tinha um tipo mais glorioso de amor e um tipo mais fraco de fé. E a parte triste disto é que as lágrimas de tristeza eram tão desnecessárias!

Jesus havia dito ao falar de sua morte: “Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria” (João 16:20).
E completou: “… Na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará” (João 16:22).

Quando ela olhou para o sepulcro “viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés” (João 20:22).
Ela não reconheceu que eram anjos. Lucas relata que eles estavam em forma humana (Lucas 24:4). E ela vê esses dois homens lá dentro.

É muito importante, penso eu, que os anjos estão aqui porque os anjos estão sempre por perto quando Deus está fazendo Sua obra. E lá, na maior obra que Deus já fez, você estaria certo de encontrar anjos, não é?
Seria estranho se eles não estivessem lá. E o interessante sobre eles é que Maria viu que um estava à cabeceira e o outro aos pés. E Jesus estaria no meio, caso ainda estivesse lá.
Em Êxodo 25, Deus estava instruindo o povo de Israel na construção do tabernáculo para construir a Arca da Aliança.
A Arca da Aliança tinha em cima dela um lugar chamado propiciatório. E uma vez por ano o sumo sacerdote levaria o sangue do sacrifício e polvilharia sobre o propiciatório. E era ali que Deus se encontrava com o homem. Em outras palavras, pelo derramamento de sangue.

Agora deixe-me mostrar-lhe algo nesta passagem: “Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio. Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.” (Êxodo 25:17-18.22).

Onde é que Deus encontrava o homem em todo o Antigo Testamento? Entre dois anjos no propiciatório onde o sangue era aspergido.
Meus amigos, já que Jesus Cristo havia deixado o túmulo, onde Deus se aproximaria dos homens? Ele os encontraria entre os dois anjos, mas o propiciatório já não é a Arca da Aliança, é o túmulo do Cristo ressuscitado. Deus encontra homens na base de um Cristo vivo ressuscitado. Ela olhou para lá e viu como que um novo propiciatório. É mais uma das profecias típicas do Antigo Testamento, cumpridas em Cristo.

Bem, os anjos, em seguida, disseram: “Mulher, por que choras?” Ela não entendeu. Não havia nada para se entristecer. Eram lágrimas de incredulidade. E então ela respondeu-lhes: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (João 20:13). Sua dor é devido ao fato de que ela não sabe onde o corpo de Jesus está.
Eu realmente não posso falar muito sobre sua fé. Mas, com certeza, posso falar muito de seu amor.
Eu oro a Deus, para que eu e você possamos ter esse tipo de amor, esse tipo de dedicação total à presença de Cristo, esse tipo de carinho que quando estamos separados de Cristo, até mesmo um pouco de tempo, resulta em lágrimas e soluços.

Alguns de vocês não falam com Jesus Cristo, de uma maneira íntima pessoal, talvez por um longo tempo. Alguns de vocês, realmente não sabem o que é experimentar a plenitude da Sua presença e nem sequer parecem tristes com isto.
Muitos não são como Maria, que estava chorando e chorando porque ela tinha sido removida da presença Dele. Quantos de vocês tem se removido da presença Dele, e não parecem incomodados com isto? Que tragédia!
E tenho certeza de que a experiência de Maria Madalena serve de exemplo para estarmos com Ele. E que o pecado, que nos separa Dele, possa nos levar às lágrimas do arrependimento.

Bem, nenhuma resposta veio dos anjos. Eles não dizem nada. E então, ela “voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus”.
Alguns dizem que a falta de fé dela a impedia de reconhecê-lo, outros dizem que as lágrimas ofuscaram seus olhos.
A razão da dificuldade em reconhecê-lo era porque ele estava em um corpo glorificado. Ele tinha uma outra forma. Ele estava em um corpo sobrenatural. Um corpo que poderia comer peixe e favo de mel, mas também podia passar através de uma parede e se locomover sobrenaturalmente.
Na estrada para Emaús, Jesus apareceu a dois discípulos abatidos com sua morte e que também não o reconheceram. Depois de explicar-lhes as Escrituras no caminho e “estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” (Lucas 24:30-32).

Veja outra situação: “E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram” (Mateus 28:16-17).
Foi só quando Jesus Cristo foi tremendamente revelado pelo Espírito Santo, é que Eles, de fato, puderam entender quem Ele era e toda sua glória.
Ninguém, em qualquer momento, em toda a história do trato de Deus com o homem, pode conhecer a Deus, se não for por revelação divina. A mente natural do homem não tem a capacidade de conhecer quem Deus é.
Em suma, é o que Paulo escreveu: “Ninguém pode dizer que Jesus é o SENHOR, senão pelo Espírito Santo” (I Coríntios 12:3). Sem o Espírito Santo, eles não poderiam reconhecer Cristo além de uma revelação diretamente a eles.

Jesus diz: “Mulher, por que choras? (João 20:15). É a mesma coisa dita pelos anjos. Você sabia que Jesus e Seus anjos estão de acordo? Tudo no céu é a harmonia.
Então, Ele diz a mesma coisa: “Quem buscas?” Ela está deprimida e ela está olhando para o Senhor pensando que fosse o jardineiro. E diz: “Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei” (João 20:15).
Ou seja, ela pensou que o jardineiro queria o túmulo de volta e ela se oferece para levar o corpo para outro lugar, a fim de enterrá-lo.

“Disse-lhe Jesus: Maria!”. Nos originais em grego, esta palavra é “Miriam”, a forma aramaica que equivale a “Maria” no grego. Ele falou com ela em seu nome no próprio idioma original, o nome pela qual sua família e amigos a conhecia, o nome que Jesus tinha sempre utilizado ao falar com ela.
Ela virou-se e disse-lhe: “Raboni”, que quer dizer “Mestre”. E isso é também uma palavra aramaica, raramente usada, e era utilizada com mais frequência para referir-se a Deus. Maria Madalena estava reconhecendo que Jesus é Deus.

“Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).
Por que ele diz “Não me detenhas”? Bem, é uma má tradução. No grego quer dizer: “Não se apegue a mim, pare de agarrar-me com força”.
Eu devo ascender ao meu Pai. Em outras palavras, Ele está dizendo: “Maria, o antigo modo de comunhão comigo era em um corpo físico, não será mais assim, eu estou indo para meu Pai. E quando eu for para o Pai, vou enviar o Espírito Santo e não ficarei com você como estou fisicamente. Eu vou estar… onde?… em você”.
É exatamente o que Paulo disse: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (II Coríntios 5:16).
Ele então ordena que ela vá anunciar que Ele iria subir para o Pai. Ele apenas aparece para por as coisas em ordem, comissionar seus discípulos, e depois de voltar ao Pai, enviou o Espírito Santo para habitar com eles para sempre.

Agora eu quero que você observe outra coisa: Ele diz, “vai para meus irmãos”. Isto é totalmente novo. Os discípulos foram chamados de servos e amigos (João 15:15), mas nunca foram chamados de irmãos até agora.
Aqui está algo emocionante e novo. Toda uma nova relação com Cristo, não um servo, não um amigo, mas irmãos.
Você diz: “Como podemos ser irmãos de Jesus Cristo?”. Nós podemos ser irmãos de Jesus Cristo, porque em virtude de Sua morte e ressurreição, estamos identificados com ele. Eu vou explicar o que quero dizer com isso.

A carta aos Hebreus diz que Jesus provou a morte por todos (2:9), trazendo muitos filhos à glória (2:10) e “assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar… De que?… irmãos” (2:11).
Em outras palavras, por causa de nossa fé em Cristo nos tornamos irmãos com Cristo.
Cristo é o Filho de Deus pela perfeita justiça. Quando recebemos a Cristo, a Sua justiça nos é imputada. Assim, tornamo-nos aos olhos de Deus perfeitamente justos. Estamos em Cristo.
Você diz: “Mas não, não somos tão bons quanto Cristo”. Meu amigo, posicionalmente diante de Deus você é tão bom como Cristo.
Você diz: “Oh, isso é um pensamento pesado”. Você está certo, também é verdade. Mas, Deus pode levar alguém à Sua presença que não seja totalmente perfeito e santo? Não. Então, como você chegou lá, se você não estava totalmente perfeito e santo?
Pela união com Jesus Cristo, a justiça dele se torna sua. Quando você recebe Jesus Cristo, Deus olha para você como santo, por causa do santo que passou a viver em você. Isso é um pensamento fantástico.

Veja o que diz Romanos 8:29: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
Cristo é o primogênito entre muitos irmãos. Todos que vêm a Deus através de Cristo estão em Cristo, portanto, a justiça de Cristo é a nossa justiça, e, aos olhos de Deus, a justiça de Cristo nos torna iguais a Ele. Tremendo!
Se não fosse assim, nunca estaríamos na presença de Deus. O que são as nossas próprias justiças aos olhos de Deus? “Trapos de imundícia” (Isaías 64:6).

Veja estes textos:

“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8:14-17).

“Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26-28).

Deus olha para os redimidos e os chama de “Corpo de Cristo” (I Coríntios 12:27), ou seja, a igreja. Nossa segurança está fundamentada na nossa identificação com Jesus.
Ele disse: “Agora eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Soa como igualdade, não é? Nós somos irmãos.
Agora isso não significa que somos de Cristo no sentido de que nos tornamos Deus. Nada disso. Isso significa que estamos em Cristo diante de Deus como Seus filhos amados. Certo? Por isto, “sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Efésios 5:1).

Bem, quando Maria Madalena recebeu esta mensagem, ela “foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto” (João 20:18).
O que ela disse? “Eu vi o Senhor”. E você quer saber de uma coisa? Esse é o nosso testemunho, não é? Nosso testemunho não é: “Bem, eu leio a Bíblia e eu concordo com ela”. Nosso testemunho é: “Ei, eu vi o Senhor na minha vida e quero compartilhá-lo com você”.

Aparição aos discípulos (exceto Tomé)

João 20
19 Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.
20 E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.
21 Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.
22 E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
23 Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Por ser fiel, Jesus aparece aos discípulos. Ele se mostra fiel para enviar os fiéis. Tomé não estava lá.
As portas estavam trancadas e bloqueadas. Eles estavam com medo. Eles temiam que a qualquer momento a polícia do templo iria bater na porta e levá-los para a prisão.
A cena a seguir é tremenda: “Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (v.19). Por medo dos judeus eles estavam trancados com medo da morte, mas, Jesus, que é a ressurreição e a vida, é que veio a eles. Pensamento fantástico.
Eles entraram em pânico. Eles já estavam apavorados. Agora ficaram aterrorizados pensando ser Jesus um fantasma (Lucas 24:37).
Jesus disse: “Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:38-39).
“E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles” (Lucas 24:40-43) .

Ele disse duas vezes “paz seja convosco” (João 20:19,21). É uma declaração poderosa, porque Jesus havia dito em João 14:27: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.
Ele está dizendo: “Aqui estou ressuscitado, e vocês têm paz com Deus”. Esta é a verdadeira paz, e não apenas uma saudação. Quando Ele disse: “paz seja convosco”, Ele lhes concedeu paz em um relacionamento com Deus. A rebelião acabou, a guerra acabou. Eles estão em paz com Deus através de seu corpo (Colossenses 1:20).

Você diz: “Cristo tem as feridas ainda, mesmo em Seu corpo glorificado?” Eu acredito que sim.
Veja: “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto” (Apocalipse 5:6).
Creio que Jesus terá essas marcas por toda a eternidade. Mas somente teremos certeza disso quando Ele voltar.

Jesus veio para eles também porque Ele tinha uma comissão para eles: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Joao 20:21).
Ou seja, ele diz: “Você serão meus enviados a pregar o evangelho”. Esta comissão não foi apenas para os apóstolos, mas para todos nós. Nossa tarefa é levar o evangelho ao mundo. Nós, o corpo de Cristo, somos o ministério contínuo de Jesus Cristo.
Qual é a sua estratégia para levar o evangelho? Eu ouso dizer que muitos de vocês não compartilharam o evangelho com ninguém nos últimos seis meses. Se isto é uma verdade, configura-se uma tragédia. Você está desobedecendo a ordem que lhe foi dada pelo Rei dos Reis.
Nós somos o ministério contínuo de Cristo. Ele provou ser fiel, agora Ele envia os fiéis.

Bem, você simplesmente não pode ir correndo por aí, a menos que você tenha os recursos. Veja isto: “E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20:22).
A Bíblia nos diz que o Espírito Santo veio no Pentecostes (Atos 2). Creio que Jesus referia-se a promessa de que o Espírito viria. Na sua ascensão aos céus, Jesus falou-lhes que receberiam o Espírito Santo (Atos 1:8), ou seja, eles não haviam recebido ainda.
Esta é uma promessa para todos os crentes. Todo cristão possui o Espírito Santo. Você nunca tem que caçar o Espírito Santo. Cristo te deu o Seu Espírito no seu novo nascimento.
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).
Jesus não nos deu apenas uma comissão. Ele também nos deu poder para cumpri-la. Aqueles homens não estavam prontos para isto, mas depois do Pentecostes, eles cumpriram cabalmente a ordem dada por Cristo.

Ele ainda diz: “Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos” (João 20:23).
Você diz: “Nós temos um direito arbitrário de perdoar pecados. É isso que ele está ensinando?”. Obviamente que não.
Marcos 2:7 deixa claro que os próprios judeus, que ainda se achavam sob o sistema sacrificial, sabiam muito bem que só Deus pode perdoar pecados.
O que eles não reconheciam, porém, é que Jesus também era Deus, tendo, portanto, essa prerrogativa. Sob o sistema cerimonial, o sacerdote presidia a confissão das pessoas, mas não proferia palavras de perdão.
Mas, a Igreja Católica Romana, durante anos, indicou que os Apóstolos que estavam ali receberam o direito de perdoar pecados. Pedro sendo, segundo ela, o primeiro papa, então todos os papas depois também tiveram o direito de perdoar os pecados.
Isto não tem qualquer fundamento bíblico.

Veja estes textos:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (I João 1:9).
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (I João 2:1-2).

Você pode, como um crente, ir até alguém e dizer: “Seus pecados não estão perdoados”. Bem como, pode dizer o contrário.
Para qualquer homem, que consciente do seu pecado, se arrepende diante de Deus e crê no Senhor Jesus Cristo, você pode dizer: “Meu amigo, os seus pecados estão perdoados”.
Para qualquer homem que deliberadamente rejeita a Cristo, você pode dizer: “Meu amigo, os seus pecados estão retidos”.
Você e eu temos o direito de dizer a um homem ou não: “Deus perdoou seus pecados” ou “Deus não perdoou seus pecados”. A posição do homem diante de Jesus define todas as coisas.
Você pode imaginar a igreja saindo para testemunhar de Cristo ao mundo, sem autoridade para dizer aos homens em trevas que seus pecados não foram perdoados, e que eles precisam do perdão? E à medida que alguém experimenta o novo nascimento, dizer-lhe que seus pecados estão perdoados?
Esta autoridade nos foi delegada por Cristo. O evangelho define a situação espiritual do homem. A igreja foi comissionada a levar o evangelho e dar um ultimato a cada homem.

A aparição de Jesus a Tomé

João 20
24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25 Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.
26 E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando às portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco.
27 Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.
28 E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!
29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
30 Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.
31 Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Jesus também apareceu para tratar um discípulo infiel. Esse era Tomé. Um pessimista incrédulo.
Quando Jesus estava indo para Jerusalém, Tomé disse: “Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11:16).
Quando Jesus falou que estava indo embora e que viria outra vez para busca-los, Tomé disse: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” (João 14:5)
Mas Jesus nunca abandona os seus discípulos: “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (II Timóteo 2:13).

Tomé não estava presente quando Jesus se apresentou aos dez discípulos (v.24). Os demais declararam a ele: “Vimos o Senhor” (v.25).
Tomé responde: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei” (v.25).
Esta foi uma declaração inequívoca de toda sua incredulidade.

“E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco” (v.26) .
Lá estavam todos eles de portas trancadas e Tomé incrédulo, mesmo diante do testemunho dos demais. Jesus foi novamente lá com um propósito de atender Tomé.
Você diz: “Jesus é tão ocupado, como ele se importa com um fraco discípulo?”.
Deus é assim. Ele condescende às nossas necessidades. Quando a sua fé diminui, Ele vem a você assim mesmo, para restaurá-lo. A força se encontra na fraqueza.

E Jesus disse a ele: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente” (v.27).
Ele nem sequer fez seu teste, quando viu a Jesus, disse: “Senhor meu, e Deus meu!” (v.28).
Essa é a maior confissão que um homem pode fazer. Você pode dizer: Meu Senhor e meu Deus? Tomé podia fazer uma declaração como esta.
Jesus encontrou com os infiéis e os trouxe a fé. Ele vai encontrá-lo onde você está, até mesmo se for um crente com a fé fragilizada. Ele vai encontrá-lo se você tiver um coração sincero e honesto.

Jesus então estabelece um princípio: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (v.29).
Uma coisa é crer quando se pode ver tudo. Mas é coisa muito maior, crer quando ainda não se viu nada.
E você sabe, desde a época de Tomé, tem havido centenas, milhares, literalmente milhões que creram sem nunca terem visto nada.
E sabe de uma coisa? Como cristãos, quando amadurecemos e crescemos, nossa fé torna-se tão diferente. Passamos de uma necessidade de ver para uma atitude serena de crer no Senhor e na sua soberania, independente de qualquer circunstância.

É o que diz o escrito aos Hebreus: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11:1). “Porque andamos por fé, e não por vista” (II Coríntios 5:7).

Aí está Ele, o Cristo ressuscitado. Todas as evidências são claras. Como você pode negar que Ele ressuscitou dos mortos? Ele apareceu para mostrar sua fidelidade, para enviar os fiéis e para restaurar o infiel.
E então João acrescenta algo, para deixar claro seu propósito em escrever seu evangelho: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro” (v.30).
E qual era o propósito de João: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (v.31).

Pai, nós somos tão gratos pelo que nos ensinou esta manhã.
Deus, estamos tão agradecidos por seu doce amor exemplificado no que o Senhor fez por Maria Madalena.
Estamos tão gratos porque o Senhor nos ama da mesma maneira.
Pai, estamos tão agradecidos pelo fato de que tu foste ver Teus discípulos, deu-lhes uma comissão e deu-lhes poder através do Espírito Santo.
Somos gratos pela autoridade que o evangelho nos dá em dizer a cada homem se seus pecados estão perdoados ou não, tudo relacionado ao que cada homem faz em relação a teu amado Filho.
Ajuda-nos a usar esta autoridade, indo para o mundo no poder do Espírito Santo e falando ousadamente contra o pecado.
Agradecemos-Te por teu amor a Tomé, porque há momentos em que a nossa fé torna-se frágil, e precisamos que o Senhor venha a nós em nossa fraqueza.
Senhor, estamos tão gratos porque o Senhor vive e está dentro de nós.
Nós te agradecemos pelo evangelho de João, que tem nos mostrado que Jesus é o Deus glorioso. E crendo Nele, podemos ter vida em seu nome.
Pedimos que teu Espírito Santo faça em nós uma obra santa e completa, tal como é Teu desejo.
Oramos em nome de Jesus. Amém.


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Este texto é uma síntese do sermão “The Resurrected Christ”, de John MacArthur em 09/04/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1577/the-resurrected-christ

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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