A crucificação de Jesus – 2

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 19
19 E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.
20 E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim.
21 Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus.
22 Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.

A partir de João 19:16 chegamos ao relato da crucificação de Cristo. Devemos considerar estes versos, que começamos a estudar no último domingo. Vamos considerar o restante hoje.

25 E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.
26 Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.
27 Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.
28 Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.
29 Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca.
30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

O reconhecimento de que Jesus Cristo é Deus é a chave para todo o cristianismo. Tudo aquilo que rejeite a divindade de Cristo e nega que Ele é o Deus Eterno encarnado, é maldito e satânico (I João 2:22; 4:3).
O tema de todo o Novo Testamento é a divindade de Cristo, porque esse fato é a base para tudo.
Em um esforço magnífico para selar esse fato no coração dos homens, o Espírito Santo nos deu o evangelho de João.
Este evangelho tem como propósito principal o de apresentar Cristo como Deus em carne humana.

Há quatro evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João, e todos os quatro foram projetados para nos dar a vida de Cristo. Juntos, eles nos dão uma imagem total de Cristo; separados, eles retratam aspecto específicos de Cristo.
Em Mateus, Jesus Cristo é apresentado em divindade como um Rei; em Marcos, na humanidade como um servo; em Lucas, na humanidade como um Filho; em João, na divindade como Deus.
Portanto, há um equilíbrio nos evangelhos entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo.
O tema de João é apresentar a divindade. Consistente com isto, João apresenta a majestade, a glória e a divindade de Cristo em todas as páginas, não importando quais as circunstâncias de cada momento.

Quando chegamos a João 19:16, temos o evento mais vergonhoso, degradante e humilhante de todo o universo: a morte, a execução e a crucificação de Cristo.
Poderíamos, por um momento, achar que neste momento João seria incapaz de revelar a divindade gloriosa de Cristo. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, naqueles momentos João descreve as provas cabais da glória de Cristo.
Sob a direção do Espírito Santo, ele seleciona quatro aspectos da cena da crucificação: O cumprimento profético, a inscrição dada por Pilatos na cruz, o amor altruísta e o conhecimento sobrenatural e controle.
No domingo passado vimos alguns aspectos do cumprimento profético. Vamos prosseguir hoje.

A inscrição colocada por Pilatos na cruz

Nos versos 19 a 22, por aquilo que Pilatos escreve e coloca sobre a cabeça de Jesus Cristo, ele reconhece quem Ele é; e isso é uma coisa tremenda.
Vimos, no domingo passado, que quando alguém estava sendo levado para ser crucificado, era obrigado a passar através de tantas ruas quanto fosse possível, a fim de que muitas pessoas pudessem vê-lo, e que na frente do condenado um homem carregava um cartaz em que estava escrito o crime pelo qual o indivíduo foi condenado.

Mas não havia nenhum crime a ser colocado lá, porque Jesus era inocente. No último ato do julgamento romano, Pilatos disse: “Estou inocente do sangue deste justo” (Mateus 27:24).
Então, já que não havia crime para colocar lá, Pilatos viu isso como uma oportunidade para afrontar os líderes religiosos, por terem o chantageado a condenar Jesus à morte na cruz.
“E também por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS” (Lucas 23:38). João descreve o título como “JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS”.

Você diz: O que era tão ruim no título? Havia várias coisas ruins aos olhos dos líderes religiosos judaicos.
Jesus não era o seu rei. Os judeus diziam: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (João 1:46) e eles proclamaram diante de Pilatos “Não temos rei, senão César” (João 19:15)
Também ao escrever “REI DOS JUDEUS”, Pilatos estava escarnecendo deles, pois Jesus era um condenado, foi espancado, ferido, desfigurado e seria pendurado numa cruz, uma morte terrível e humilhante.
Era como se dissesse: “Se esse é o Rei, o que será os demais?” Foi um esforço da parte dele para reduzi-los, humilhá-los e zombar deles. Eles declararam que César era o rei deles, mas Pilatos sabia da falsidade de tal declaração.

Só para ter certeza de que ninguém deixaria de ver o anúncio, “o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim” (v.20). Hebraico, a língua da religião; grego, a língua da cultura e o latim, a língua do poder. Foi uma cruel zombaria.
Não é interessante que exatamente o que Pilatos disse, por cinismo, era verdade? Você vê novamente o mesmo princípio recorrente? Deus toma a ira dos homens para o quê? louvá-Lo. Pecadores, descrentes e pessoas más não podem frustrar os planos de Deus.
Pilatos, estupidamente no cinismo, anuncia ao mundo de todos os tempos a verdade absoluta, ESTE É O REI DOS JUDEUS. Eles tinham de fato matado seu rei.

Antes de Ele nascer o anjo anunciou a Maria seu trono e reino: “E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1:31-33).
O que disseram os magos do oriente? “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo” (Mateus 2:2).
O que a multidão proclamou quando Jesus entrou em Jerusalém: “Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor” (João 12:13).
O que Jesus respondeu quando Pilatos perguntou se Ele era um rei? “Tu dizes que eu sou rei” (João 18:37). Antes ele havia dito: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).
Ele era um rei; Ele era o verdadeiro Rei. Ele nasceu da descendência de Davi. Então Pilatos, cinicamente, acabou por anunciar uma suprema verdade: Jesus é Rei.

[Davi disse: “O Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus” (II Samuel 23:3)
Jacó disse: “O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos” (Gênesis 49:10).
Obsv: Nas traduções mais antigas diz: “até que venha aquele a quem pertence, e a ele obedecerão os povos”.
Jeremias disse: “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra” (Jeremias 23:5).]

Caifás percebeu que Jesus poderia ser um rei, algo que o aterrorizava, pois temia perder seu poder político: “Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” (João 11:47-48).
E ali começa a execução do plano que levou Jesus a cruz: “convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação” (João 11:50).
O que ele disse? “É melhor matar Jesus do que deixá-lo começar uma revolução e perdermos toda a nação”.
Mas Deus, em sua soberania, estava ali conduzindo todas as coisas. Caifás pensou em matar Jesus para se livrar dele, mas no plano eterno de Deus havia uma outra realidade para a morte de Jesus:
“Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” (João 11:51-52).

Os lideres religiosos, incomodados com as palavras colocadas na cruz, pediram a Pilatos: “Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas o que ele disse: Sou o Rei dos Judeus” (João 19:21).
Que diferença faz? A que Pilatos colocou dizia o que Ele era; a outra, solicitada pelos líderes religiosos, diria que Ele era um impostor fazendo uma reivindicação ridícula.
A ideia de que o Rei dos judeus, a esperança de Israel, estava sendo crucificado era algo amargo para eles engolirem, mesmo no cinismo.

Pilatos estava aproveitando a oportunidade de fazer uma demonstração de que estava crucificando suas esperanças.
Ou seja, O Rei dos Judeus seria um impostor, condenado, humilhado e morto de uma forma desprezível e cruel. Aquilo significava um golpe no orgulho da nação.
Pilatos, movido pelo ódio, apenas respondeu: “O que escrevi, escrevi” (João 19:22). Mal sabia ele que estava agindo sob o controle soberano do Deus Todo-Poderoso para declarar a verdade.
Pilatos, o maior dos covardes, finalmente teve alguma coragem, ele não se deixou ser pressionado naquele momento.
Deus controlava aquela inscrição. Ele disse exatamente o que Deus queria dizer, o título real de Jesus estava afixado na cruz para todos os tempos; e ninguém pode alterá-lo.
Ele é o Rei. Quando o Filho do homem apareceu no Céu, montado sobre um cavalo branco para trazer juízo às nações, a Bíblia diz que “no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16).

Ele era o Rei. Eles tinham matado seu Rei. Eles tinham esmagado as suas esperanças. Eles tinham perdido o imediatismo do Reino. Pilatos estava certo.
Talvez aquela inscrição tenha sido o instrumento que Deus usou para resgatar o ladrão arrependido na cruz.
Ele olhava para Jesus e via a placa “Rei dos Judeus”. O que ele pediu a Jesus? “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares… Onde?… no teu reino” (Lucas 23:42).
Mais uma vez Deus usa a ira e a estupidez dos homens para executar seus planos soberanos.

O amor altruísta

Em João l9: 25-27 encontramos um pequeno grupo de pessoas em pé ao lado da cruz.
“E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena” (v.25).

Primeiro de tudo, a mãe de Jesus estava lá. Simeão havia lhe dito que “uma espada atravessará a tua alma” (Lucas 2:35). Ou seja, Maria sofreria dores, e, certamente, estando ali junto a Cruz, vendo Jesus desfigurado e morrendo, sua dor deve ter sido extrema.
Ela aparece muito pouco no ministério de Jesus. A única vez que ela aparece, recebe uma espécie de leve repreensão. Quando Jesus começou Seu ministério, foi para o casamento em Caná. E faltando vinho, ela foi até a Jesus e disse: “Não têm vinho” (João 2:3). Ele diz-lhe: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4).
Por que Ele disse “mulher”? Foi uma forma cruel, dura… Um termo descortês?
De modo nenhum. Era uma forma de trata-la com honra [como se a chamasse de “Senhora”]. O que ele estava dizendo era: – Maria, meu ministério é iniciado, farei tudo apenas na direção do Espírito Santo, a relação mãe-filho é cessada e agora há apenas um relacionamento de Redentor e discípulo.

Maria não é co-redentora com Jesus Cristo. Maria precisou ser redimida por Jesus como qualquer outra pessoa. Maria não era sobrenatural. Maria precisava de um Salvador tanto quanto você.
A multidão estava gritando e zombando, um ladrão insultando, os soldados jogando com suas roupas, Jesus estava sangrando, e ela estava apenas assistindo. Um grande sofrimento.

Ali também estava “a irmã de sua mãe,” possivelmente Salomé, que era a mãe de Tiago e João. Também estava “Maria, a mulher de Clopas”, possivelmente cunhada de Maria.
Havia também alguém fora da família: Maria Madalena, de quem Cristo tinha expulsado sete demônios (Lucas 8:2).
Das que estavam lá e tiveram os nomes mencionados por João, todas se chamavam Maria. A origem do nome “Maria”, vem da palavra que significa “amargura”.

“Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho” (João 19:26).
Como em João 13:23, João nunca mencionava seu próprio nome. João não quis dizer que ele era o único a quem Jesus amava. Não mesmo.
Ele sempre demonstrou ser mais entusiasmado com o amor que Jesus tinha por ele do que com o amor que ele tinha por Jesus. Ele sabia do amor incomparável do Mestre. Ele deu a si mesmo um distintivo de ser alguém a quem Jesus amava. Existe honra maior do que esta?
Lá no Apocalipse, quando ele diz: “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4), estava ainda mais claro, em seu coração, o amor de Cristo que excede todo o entendimento (Efésios 3:19).
Uma satisfação que produz uma paz que também excede todo e entendimento (Filipenses 4:7).

Jesus diz a Maria: “… Mulher, eis aí o teu filho”. Ele está se referindo a João. E depois diz a João: “Eis aí tua mãe” (v.27). “E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (v.27).
Ele deu a Maria um novo filho. Você vê, a partir do momento da sua morte, Ele deixaria de ser o Filho terreno de Maria, e então substituiu por João.

Mesmo naquela terrível situação, Jesus, o Rei do amor, cuidou abnegadamente por aqueles que estão a seus pés.
É quase incompreensível, porque Jesus estava ali ocupado com a tarefa mais estupenda na história do universo, quando estava tomando sobre si o cálice da ira de Deus e redimindo os homens perdidos.
Mas no meio de tudo isso, ele não tem um pensamento sobre Si mesmo, mas se preocupa com sua mãe terrena, um dos discípulos amados, o ladrão arrependido, clama perdão a seus carrascos e a todos os homens. Isto não é humano, é divino. Jesus é Deus.

Isso é um pouco de conhecimento sobre o amor cuidadoso de Jesus Cristo. É maravilhoso saber isto. Quando passamos por problemas, podemos pensar que Jesus está muito ocupado para se preocupar conosco individualmente. Mas não é esta a realidade.
Você diz: “Bem, é diferente, ali era a mãe terrena de Jesus!” Mas quem é a mãe de Jesus?
“E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe” (Mateus 12:47-50).
O ponto é este, desde que Jesus começou o seu ministério e foi até a cruz, todos os relacionamentos humanos que ele teve foram cortados e restaram apenas os que foram resgatados por sua cruz, inclusive Maria.
Após a ressurreição, não havia mais relações humanas, apenas espirituais. E todos que tomaram parte em sua cruz estão ligados ao Rei dos Reis, inclusive Maria.

Ele dá a Maria um novo filho, João. Isto é interessante, pois Maria teve outros filhos, mas Jesus não a entregou a eles.
Mas, esta cena serviu de fundamento para a Igreja Católica Romana afirmar que Maria não teve mais filhos, que ela morreu virgem.
“Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” (João 7:3-5).

Jesus não podia entregar Maria para seus próprios irmãos, porque eles ainda não criam nele. Mas o cenário mudou após a ressurreição, quando os apóstolos, as mulheres, Maria e os irmãos de Jesus estavam juntos como uma só família:
“E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos” (Atos 1:13-14).

Veja o que João escreveu: “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1).
Um amor divino. Não importando as circunstâncias. Ele os amou até o fim.
Naquela mesma ocasião, enquanto os discípulos debatiam sobre quem seria o maior (Mateus 20:20-25), Jesus lavou-lhes os pés e disse:
“Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros” (João 13:13-14).
Então, mesmo na cruz, Ele mesmo cuidou daqueles a quem ama. Sempre altruísta, sempre atencioso, a majestade do amor encarnado.

O conhecimento e controle sobrenatural

Vamos olhar agora para João 19:28-30.
Deixe-me começar dizendo isto: Onisciência pertence somente a Deus. Certo? Onisciência é o conhecimento de tudo. Deus sabe tudo.
Em segundo lugar, onipotência pertence somente a Deus, isso significa que Deus tem tudo sob controle. Deus sabe tudo e controla tudo.
Você quer ver Jesus Cristo em sua divindade? Basta ver esses três versículos. Você vai ver que Jesus sabe tudo e controla tudo. Esta é a divindade em ação.

Uma passagem poderosa: “Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.” (v.28).
Ele sabia de tudo. Jesus Cristo cumpriu uma programação divina, com um olho onisciente movendo um passo de cada vez e cumprindo todos os detalhes das profecias.
Ele sabia exatamente onde estava. E ele estava dizendo para si mesmo: – Bem, eu sei que todas as coisas estão agora realizadas, exceto uma Escritura: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” (Salmos 69:21).
Ele sabia que esta profecia ainda não tinha sido cumprida. Os soldados então agiram sob impulso divino. Deus estava se movendo para cumprir a profecia.
“Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissopo, lhe chegaram à boca” (v.29).
Não é interessante que o Salmo 69 sabia que eles teriam um vaso de vinagre ao pé da cruz?

É interessante que hissopo, usado para dar-lhe o vinagre, é uma planta citada na Bíblia em associação à purificação.
Ela foi usada para colocar sangue do cordeiro nas vergas das portas, para poupar os primogênitos dos hebreus, por ocasião da passagem do anjo da morte (Êxodo 12:22).
Em qualquer momento, o hissopo aparece à mente judaica vinculado ao sacrifício do cordeiro pascal.
Não poderia ser diferente com o Cordeiro final e a maior Páscoa. Jesus era o Cordeiro Pascal definitivo.
Então, eles lhe deram a beber, e com isto, Jesus cumpriu todas as profecias.
Jesus estava em pleno conhecimento de todos os detalhes. Ele estava em total controle de tudo o que ele fez e de tudo o que os soldados fizeram.

O que mais poderia acontecer com tudo já cumprido? “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (v.30).
Isto não foi um gemido ou uma maldição de uma vítima; isto foi a proclamação de uma vitória gloriosa, o grito do triunfo.
Ele sabia que tudo tinha sido feito, porque ele sabia tudo. Ele sempre esteve no controle de cada detalhe. Ele traçou cada detalhe desde a eternidade, e cada detalhe aconteceu exatamente como ele tinha planejado.

“Está Consumado”. Eu amo isso. “E, inclinando a cabeça…” Não foi uma queda súbita, ele abaixou a cabeça. A palavra grega expressa como a colocação suave da cabeça sobre um travesseiro.
Jesus decidiu, estava feito; agora eu vou morrer, e, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Jesus havia dito: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dá-la, e poder para tornar a tomá-la” (João 10:17-18). Ninguém tirou a vida de Jesus. Ele que a deu.

[Jesus foi crucificado na terceira hora do dia (Marcos 15:25), segundo a contagem do tempo da época, que equivale às 9 horas da manhã. Das 9 horas ao meio dia, Ele falou por 3 vezes.
Do meio dia às 3 horas da tarde, houve trevas (Mateus 27:45). Essas foram as horas em que toda a ira do julgamento de Deus estava sendo descarregada sobre Jesus. A Bíblia relaciona Deus trazendo juízo sobre a Terra a um período de trevas (Veja: Isaías 5:13; Êxodo 10:21-22; Amós 5:18,20; 8:9).
Durante essas 3 horas, Jesus recebeu a punição pelos pecados da humanidade, já que Ele mesmo era sem pecado (I Coríntios 15:3; Romanos 4:25; 1 Pedro 2:24, 3:18; 1 João 4:10; Gálatasl. 3:13).
Na hora nona (3 horas tarde), Ele bradou “Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46), e disse “está consumado” e “entregou o seu espírito” (João 19:30).
Ele morreu no mesmo momento em que os sacerdotes sacrificavam os cordeiros (3 horas da tarde). Ele era o verdadeiro cordeiro de Deus que estava sendo sacrificado pelo próprio Deus em favor dos homens].

Ele tinha cumprido tudo, e por isso ele morreu. Ele controlou sua própria morte. Isto é a onipotência divina.
Você diz: O que significa quando se diz: Está consumado? Isso significa que o trabalho do resgate foi feito.
Todas as coisas que tinham que ser feitas, exigidas na lei de Deus; todas as profecias e qualquer outra coisa necessária para a redenção foram cabalmente cumpridas. Nada foi deixado para trás. Nada. O resgate foi pago.
O salário do pecado foi pago. A justiça divina foi satisfeita. Tudo estava consumado.

Ele não tinha nada mais a fazer, então Ele morreu. O termo “Está consumado”, acrescenta outra nota.
Quando Ele disse: “Está consumado”, Ele quis dizer que não poderia haver nada a acrescentar ao que Ele tinha feito.
Há muitas pessoas que pensam que necessitam acrescentar boas obras, além de Jesus, para se salvarem. A redenção foi consumada pelo ato de Jesus Cristo, e ninguém pode acrescentar absolutamente nada mais.
As boas obras são evidências na vida de um homem salvo pela grandiosa obra de Cristo. E não o homem é salvo por esforços próprios de boas obras (Tito 2:11-14).

Você não pode acrescentar nada. Cristo é tudo. Jesus Cristo é o vencedor. Ele é o Rei da Glória.
Não é de se admirar que depois de ver aquela cena, com toda demonstração da Sua majestade e divindade, “o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mateus 27:54).

Pai, nós te agradecemos por revelar novamente Cristo para nós neste dia.
Obrigado por nos mostrar novamente a sua majestade.
Obrigado por nos mostrar como Ele cumpriu todas as coisas e como em tudo Ele tinha total controle, até mesmo de uma placa colocada em sua cruz.
Obrigado pela provas de Seu amor altruísta e pelo seu controle fantástico e conhecimento de cada detalhe do que estava acontecendo .

Oramos para que pessoas possam se dobrar diante de ti neste dia.
Como, Senhor, ser tão cruel, a ponto de não se prostrar diante de tão grandiosa obra e tão maravilhoso amor?

Ensina-nos a tornar Jesus Cristo exaltado em cada dia e em cada hora de nossas vidas.
Pedimos que a tua obra seja completa em nossas vidas.
Que sejamos gratos por quem Jesus é e pelo o que Ele fez por nós.
Oramos em nome de Jesus, Amém.


Leia Também:


Este texto é uma síntese do sermão “The Crucifixion, Part 2”, de John MacArthur em 19/03/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1575/the-crucifixion-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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