A crucificação de Jesus – 1

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 19
15 Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César.
16 Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.
17 E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota,
18 Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

23 Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.
24 Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas.

A morte de Cristo é o clímax da história do homem. É o evento da redenção.
Jesus veio, na verdade, como um rei, mas foi rejeitado como tal. A rejeição completa e final acontece no versículo 15, onde uma multidão se aglomera ao redor de Pilatos e grita: “Fora com ele, fora com ele, crucifica-o”.

Pilatos disse-lhes: “Hei de crucificar o vosso rei?” Os líderes religiosos responderam: “Não temos rei, senão César”.
E com essa afirmação temos a rejeição total, definitiva e absoluta de Jesus Cristo como rei de Israel.
Toda a sua beleza incomparável, toda a majestade de seu amor e a maravilha da sua pessoa foi desprezada e totalmente rejeitada, tudo por causa da incredulidade pecaminosa do homem. E assim Ele foi condenado a morrer numa cruz.

No último momento de seu julgamento civil, após receber os terríveis flagelos romanos (açoites), gravemente ferido, “Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso” (Mateus 27:24).
Mas, a multidão diz algo terrível: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 24:25).
“Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado” (Mateus 27:26).

E você começa a se perguntar: Como é que o homem poderia pegar um inocente, o amável Jesus Cristo e crucificá-lo? Mas, veja você, isso é a depravação do homem, uma demonstração da profundidade do pecado.
A hipocrisia religiosa mantém o ritual e mata a realidade. Este é um grave sintoma na rejeição a Cristo.
E isso também é o que acontece quando o homem peca contra a luz, mesmo diante da graça irradiada da cruz.
E assim, eles permitem o ato mais sujo do universo, numa rejeição contundente contra o Filho de Deus.
Muitos hoje carregam crucifixos como ornamentos, porém estão com o mesmo tipo de atitude, rejeitando Jesus Cristo.

O ministério público de Jesus foi relatado até o capítulo 12 de João. Entre os capítulos 13 a 17, Jesus se ocupou apenas com seus discípulos. Vem então o clímax de toda a história do homem: a cruz.
Em pleno contexto do mais alto ponto da brutalidade pecaminosa do homem, Deus cumpre cabalmente seu propósito para trazer a redenção para o mundo. Um amor incompreensível da parte de Deus.

A Crucificação foi inventada pelos persas e chegou aos Romanos. Mesmo os romanos a consideravam como uma coisa horrível.
Cícero declarou que era a morte mais cruel e horripilante possível. Tácito disse que era uma morte desprezível.
Nenhum cidadão romano, não importando o quão vil tenha sido seu crime, nunca poderia ser crucificado. Mas foi a morte temida era imposta sobre escravos e criminosos estrangeiros.
E assim, Jesus Cristo morre a morte de um escravo e de um criminoso estrangeiro. Mas é verdade que esta é a hora para a qual Ele nasceu. Esta é a hora em que João dizia: “ainda não era chegada a sua hora” (João 7:30), mas aqui a sua hora chegou.

Você vê, Jesus Cristo se encarnou e nasceu para um propósito: Ser um sacrifício pelo pecado. Ele devia ter em seu próprio corpo os pecados do mundo. Ele veio para ser crucificado pelo ódio dos homens e pela vontade de Deus.
E você deve entender que os dois caminham juntos. Deus usa as coisas odiosas dos homens para cumprir o Seu propósito. Mantenha este princípio em mente e aprenda bem. Deus trabalha Seus propósitos através de homens santos e pecadores.
Ninguém viola ou atrasa, por um segundo sequer, o plano de Deus. E isto acontece quando vemos Jesus Cristo sendo movido para a cruz.

Agora, quando olhamos para o evangelho de João, vemos que o propósito de João é apresentar Cristo como Deus, em sua majestade, beleza e glória.
E você diz: “Bem, certamente João vai falhar aqui, porque a cruz é tão desprezível, degradante e horrível. Neste momento não há como se proclamar a divindade e a majestade de Jesus”.
Mas não é assim. Na cruz é exibida a glória e a majestade de Jesus de forma tremenda. Na crucificação Ele brilha ainda mais glorioso.

Havia muitas coisas que ele poderia ter falado sobre a crucificação, mas João seleciona aquelas coisas em torno da cruz que se prestam para a majestade e a divindade de Jesus.
João apresentou um retrato glorioso da majestade e divindade de Jesus na cruz. Espero que isto fortaleça as raízes de sua fé.

Jesus foi glorificado como Deus pelas coisas que ocorreram na sua morte na cruz. Uma das melhoras formas de sabermos que a Bíblia é verdadeira é através das profecias cumpridas.
A Bíblia é confirmada por declarações proféticas. E aqui na morte de Jesus Cristo, João fala de pequenos detalhes proféticos. Quanto menor o detalhe, mais impacto tem.

“Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota” (v.16-17).
Agora há a crucificação. Isso é tudo que João diz. Ele não dramatiza isso. Ele não retratou o sangue pingando e nem dramatiza.
O propósito de João não é mostrar a agonia humana, seu objetivo é mostrar a divindade e a majestade de Cristo, conforme as profecias.

Em pânico Pilatos, incapaz de controlar a multidão, vendo o risco de um tumulto, lava as mãos e diz: “Sou inocente”.
E eles dizem: “Que seu sangue caia sobre nós e nossos filhos”. Então Pilatos o entregou para ser crucificado.
Quem de fato entregou Jesus para ser crucificado?
“Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós…” (Romanos 8:32).

Quem entregou Jesus? Não só o governador da Judéia, mas o governador do universo.
Você diz: “Isso significa que Pilatos e Deus estão trabalhando juntos?” Isso é exatamente o que significa. E de modo nenhum a incredulidade, covardia ou o pecado de Pilatos poderia alterar o plano de Deus.
Os planos de Deus estão dentro do cronograma celestial, sejam eles operados através de homens pecadores ou de homens santos. Deus é o Senhor da história. E assim Deus entregou-lhes Jesus. Ele foi entregue por causa de nossas ofensas.
Muitas pessoas têm a ideia errada de que, se você for um homem entregue ao pecado, você pode prejudicar os planos de Deus. Não pode de forma alguma. Deus trabalha através de homens santos ou pecadores.

Nós poderíamos continuar e continuar por longos meses falando das profecias do Antigo Testamento cumpridas na morte de Cristo. Cada sacrifício no Antigo Testamento é uma imagem do sacrifício final de Jesus Cristo.
Como dissemos anteriormente, existem dois tipos de profecias no Antigo Testamento:
Profecia preditiva verbalizada, aquela que foi dita o que iria acontecer e assim se fez.
E a profecia preditiva típica, que se expressa em coisas que foram imagens do que iria acontecer. Há coisas do Antigo Testamento que retratam o que Cristo iria fazer. Por exemplo, o sacrifício de um cordeiro no Antigo Testamento era um retrato do sacrifício de Cristo.

Veja o verso 16: “Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram”. Guarde bem isto: “… e o lavaram…”.
Segundo os historiadores, a crucificação causava tanto pânico, a ponto que a vítima já abatida, e em agonia e dor pelos açoites romanos (flagelação), era frequentemente arrastada para sua execução.
Mas não foi assim com Jesus. O texto não diz que Jesus foi arrastado, mas que eles apenas “o levaram”. Ele foi voluntariamente, sem resistência. Não houve pânico, não houve luta. Eles o levaram, Ele os seguiu.

Isto significa o cumprimento de uma profecia muito específica.
“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca” (Isaías 53:7).
O profeta disse, centenas de anos antes de Jesus nascer, numa época que nem existia a morte por crucificação: “Foi levado como uma ovelha para o abate”. Isaías disse que ele iria pacificamente para a morte e não conduzido à força.

O direito romano previa um intervalo de dois dias entre a condenação e a execução. Neste período poderiam ser apresentadas novas provas ou qualquer outra coisa que tivesse potencial de alterar o julgamento.
Mas, no momento em que Jesus é pregado na cruz, só haviam passado duas horas e meia do seu julgamento diante de Pilatos. Eles estavam com pressa. Eles queriam vê-lo morto imediatamente.

Ele foi levado para morrer da opressão e do juízo. Você vê a ordem ali? Ele diz que quando morrer, ele iria da prisão para o julgamento até a morte. Isso não era normal.
Normalmente, pelo direito romano, Jesus passaria da prisão para o julgamento e depois para a prisão por dois dias, até a morte.
Isaías profetizou que Jesus iria diretamente do julgamento para a execução na cruz, algo que os romanos nunca tinham feito. Mas eles fizeram isso naquele momento, porque Deus disse que era assim que deveria ser feito. E assim, Jesus cumpriu essa profecia.
Ele era o cordeiro pascal, e tinha que morrer na páscoa. O momento divino havia chegado. A pressa dos líderes religiosos judeus e dos romanos foi apenas um cumprimento profético.

Jesus foi condenado no Sinédrio por blasfêmia. A pena seria apedrejamento. Mas, dois anos antes, os romanos haviam proibido execuções, sendo necessário o julgamento romano e execução romana, que seria por crucificação.
Pilatos autorizou aos judeus matar Jesus por apedrejamento. Eles não quiseram, eles não matavam condenados na páscoa. Depois Pilatos autorizou que eles mesmos crucificassem a Jesus. Eles não quiseram pelo mesmo motivo.
Os líderes religiosos planejavam matar Jesus após a páscoa, mas por força das profecias, eles anteciparam tudo.

Jesus deveria morrer numa cruz por mãos dos gentios e entregue pelos judeus, conforme profecias. Bem como, deveria ser morto logo após seu julgamento.
Mesmo autorizados por Pilatos, os líderes religiosos, por motivo da páscoa, não quiseram matar a Jesus e exigiram que isto fosse feito por Roma.
Esses eventos fugiram totalmente do normal, somente o plano e o desígnio do Deus soberano pode explicá-los.
Jesus não foi vítima de ninguém. Aquilo não foi uma tragédia na vida de Jesus. Deus planejou cada pequeno detalhe desde a eternidade. Ele era um vencedor no caminho para o seu maior triunfo, em cada momento.

Note o verso 17: “E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota”. No grego, é usado um pronome que dá uma ênfase forte ao dizer que Jesus estava carregando sua cruz.
Quando ele chegou às portas da cidade, Jesus havia caído e a cruz foi apanhada por Simão de Cirene (Marcos 15:21), mas, para começar, Ele estava levando a seu própria Cruz.

Você diz: “Bem, isso não é grande coisa, qual é a importância disso?” Há muita importância neste assunto. Antes de eu falar o que é, deixe-me dizer-lhe como funcionava.
Jesus iria percorrer a cidade, no maior número de ruas possíveis, carregando a cruz, e, na frente dele, um homem iria com um cartaz em sua mão dizendo o crime que causou sua condenação à morte.
Você diz: “Por que eles fizeram isso?” Por duas razões.
Primeiro era um aviso para todos que o crime não compensava. E eu imagino que foi bastante intenso, um homem já açoitado e sangrando, estava se movendo pelas ruas da cidade carregando uma pesada cruz.
A segunda razão foi a própria estrutura de justiça, pois poderia ser possível que uma nova testemunha pelo caminho trouxesse novas evidências para um novo julgamento e, portanto, interromper a crucificação.

Em Gênesis capítulo 22 há um homem que é um tipo, ou uma figura, de Cristo. Seu nome era Isaque. Ele era para ter sido dado como um sacrifício, assim como Cristo foi.
Na história de Isaque temos dois tipos de Cristos: Tanto o próprio Isaque como o carneiro.
Agora, observe isto: “E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos” (Genesis 22: 6).
Isaque carregou a própria madeira (lenha) para a sua própria execução. O mesmo ato feito por Jesus. Um profecia típica cumprida: “Levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira” (v.17).

Jesus saiu para um lugar chamado Caveira. Saiu de onde? De Jerusalém. Os romanos tinham uma lei que dizia que ninguém poderia ser crucificado dentro dos limites da cidade.
Todas as ofertas do Antigo Testamento eram imagens de Cristo. Todos os sacrifícios repetidos eram sombras do sacrifício final de Cristo.
“Mas a carne do novilho, e a sua pele, e o seu esterco queimarás com fogo fora do arraial; é sacrifício pelo pecado” (Êxodo 29:14).
Em outras palavras, como oferta pelo pecado teve que ser levado para fora do acampamento de Israel. O mesmo se repete em Levítico 4:12 e 16:27.

Em outras palavras, as ofertas pelo pecado no Antigo Testamento eram levadas para fora do acampamento.
Quem foi a oferta final pelo pecado? Jesus Cristo. Então, a fim de cumprir essa profecia típica, Jesus teria que morrer fora do acampamento (no caso, da cidade).
A soberania de Deus alterou o curso da história, para que a morte de Jesus fosse um perfeito cumprimento profético.
Veja o que diz o escritor da epístola aos Hebreus:

“Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:11-14).

Em João 19:17 diz que a colina onde o crucificaram era chamado de Caveira.
A partir de um determinado ângulo aquele local se assemelha a um crânio humano, embora haja outras explicações para aquele lugar receber este nome.
Um local de grande visibilidade, bem diferente de uma morte por apedrejamento, conforme os religiosos praticavam pouco tempo antes da lei romana proibir.
E ali Jesus foi crucificado. Veja o que diz o livro de Números:

“E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia” (Números 21:5-9).

Esta é mais uma profecia típica no Velho Testamento.
Os filhos de Israel pecaram duramente contra o Senhor. Então o Senhor enviou serpentes venenosas para mordê-los. Por ordem divina, Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou em um poste, para que todos pudessem olhar para ela. Aqueles que foram picados pelas serpentes venenosas, ao olhar para a serpente de bronze, viveriam.

A serpente de bronze é um tipo de Cristo, quando pessoas estão morrendo amaldiçoadas pelo pecado, Ele é levantado e todos podem olhar para Ele e se salvarem.
Tal como a serpente de bronze, Jesus foi erguido e morto numa posição e local em que todos poderiam olhar para ele.
Veja o que Jesus falou sobre isto:

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado” (João 3:14)
“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32).

Mesmo quando Pilatos autorizou aos judeus matarem a Jesus segundo a lei deles, ou seja, apedrejamento, eles se recusaram:
“Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma. Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer” (João 18:31-32).

Em outras palavras, Ele tinha que morrer uma morte Romana, não uma morte judaica, porque uma morte Romana iria levantá-lo em uma cruz.
Então, Jesus tinha que ser crucificado. Isso significa que os romanos tinham que estar no controle de Israel quando chegasse a hora de Jesus.
Além do fato que Jesus não poderia ter uma morte judaica, Ele também tinha que morrer nas mãos dos gentios. Isto colocou a culpa no mundo inteiro.
Jesus foi condenado pelo tribunal judaico e pelo tribunal dos gentios. Ele veio salvar judeus e gentios. Em tudo Deus incluiu todos os homens.

A crucificação foi descrita com exatidão em um salmo messiânico:
“Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas. A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte. Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés” (Salmo 22:14-16).

Jesus Cristo já sofria forte sangramento pela flagelação imposta por Pilatos, foi pregado na cruz por grandes feridas em suas mãos. A cruz foi levantada e as feridas se tornaram mais profundas. Ele morreu de sede, inflamações graves, inchaço das feridas, dores insuportáveis e tendo seus órgãos asfixiados.
É uma imagem feia a coroa de espinhos esmagados em sua testa e sangue escorrendo misturado com o suor, sujeira, moscas e mosquitos. O horror do seu semblante não seria desejável de se ver.
E acrescente a isso o fato dele ter tomado sobre si todo o pecado da humanidade, ou seja, ele bebeu o cálice da ira de Deus contra toda a impiedade dos homens. Assim, com a sua tenebrosa morte, ele cumpre tremendas profecias:

“… Não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:2-5).

Jesus não foi crucificado sozinho. Ele foi crucificado como um criminoso comum ao lado de mais dois criminosos (v.18). Ele estava preso lá em cima com um par de outros criminosos. Isto foi também cumprimento profético.
Ele “foi contado com os transgressores” (Isaías 53:12) e “puseram a sua sepultura com os ímpios” (Isaías 53:9). Jesus morreu como um criminoso e com outros criminosos.

Roma crucificava criminosos para ser um escárnio para os judeus e para Cristo, para apenas colocá-lo como qualquer criminoso comum, mas para Deus, foi um glorioso cumprimento de uma detalhada profecia.
E novamente nós não vemos um Cristo humilhado morrendo com criminosos, mas uma profecia cumprida de um Cristo glorioso e exaltado.

Você vê a diferença? Um desses ladrões que Pilatos colocou ao lado de Jesus foi o primeiro troféu da graça da cruz de Jesus.
Enquanto um deles blasfemava: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós” (Lucas 23:39), o outro dizia “Tu nem ainda temes a Deus” (Lucas 23:40), e completou: “E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez” (Lucas 23:41).
Ele reconheceu ali a pureza de Jesus. E de forma tremenda ele chama Jesus de “Senhor”. Ele reconheceu quem Jesus era e clama: “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42).
Jesus responde de forma gloriosa: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).
Ele foi crucificado com criminosos, e ainda assim ele foi o vencedor, e resgatou um deles para estar com ele para sempre.

Tudo ali ocorreu debaixo da soberania de Deus. Nada escapou do plano eterno. Tudo aconteceu sob total presciência e consentimento do Pai.
Pedro proclamou: “A este [Jesus] que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Atos 2:23)

Os detalhes proféticos continuam. Veja o Salmo 22:18: “Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha roupa”. Profecia cumprida em João 19:23-24.
Os soldados que crucificaram Jesus pegaram suas vestes e a dividiram em quatro partes. Depois pegaram sua túnica e lançaram sortes.
Você acha que eles sabiam o que estavam fazendo? Você acha que um deles tinha uma cópia do Salmo 22:18 e eles estavam ali cumprindo um script?
Por que então eles fizeram isto: “Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas” (João 19:24).

Deus sabia de cada movimento e Deus fez cada um executar ações para que tudo se cumprisse.
E, no entanto, em nenhum sentido existe alguma culpa aliviada para os homens. De Deus é o plano, e do homem é a responsabilidade.
E assim, soldados insensíveis, ateus e pagãos estavam lá cumprindo profecias, sem saber o que estavam fazendo.
Eles estavam blasfemando do Senhor do Universo, sob a permissão dele, mas trazendo sobre si mesmos terríveis responsabilidades eternas.

Há outra profecia típica cumprida aqui. O verso 23 diz que “a túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura”.
No Antigo Testamento a roupa do sumo sacerdote, feita de linho, tinha de ser sem costura. Isso era um símbolo da sua pureza.
Jesus Cristo cumpre ao pé da letra o símbolo do sumo sacerdote, João relata que Ele usava as roupas de sacerdote.
O sumo sacerdote era um elo de ligação entre Deus e o homem. A palavra latina para sacerdote é “pontifex”, que significa “construtor de pontes”. O trabalho do sacerdote era construir uma ponte entre o homem e Deus.
E Jesus Cristo, como nenhum outro sacerdote, construiu uma ponte entre Deus e o homem.

Ao olhar para esses versículos, 23 e 24, vemos a tremenda indiferença do mundo para com Jesus Cristo. Esta é a indiferença que vemos no mundo até hoje.
Eles estavam jogando sortes sobre as vestes de Jesus, enquanto o Filho de Deus morria na cruz pelos pecados da humanidade, inclusive o deles.
O plano de Deus sempre segue seu curso soberano, não importa o que o homem faça. Mas, a indiferença do homem tem uma consequência eterna tenebrosa. Jesus disse: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mateus 10:28).

No próximo sermão veremos outras características gloriosas da cruz, que falam da divindade de Cristo.
Há 322 profecias distintas no Antigo Testamento que são literalmente cumpridas em Cristo.
As chances de elas acontecerem ao acaso seria de 1 chance para cada 84 seguidos de 100 zeros. Não podemos imaginar o quanto é este número.
As provas cabais da divindade de Cristo são tremendas. Ele é o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).

Pai, obrigado, esta manhã, por mostrar-nos estas verdades novamente, nos ensinando.
Ajuda-nos a ver a Cristo pelo que Ele é.
Ajuda-nos a ver os belos e magníficos detalhes da cruz, que nos dizem que Ele é Deus, e que Ele sempre se moveu em um plano divino soberano.
Ajude-nos a perceber que Jesus nunca foi e nunca será uma vítima de homens, mas que Ele está operando em um calendário divino.
Ajude-nos a perceber que, se nos convertermos a Jesus, Deus nos usará em Seu plano.
Ajude-nos a perceber que, até mesmo os homens que o rejeitam, cumprem aquilo que está determinado em sua soberania.
Pai, nos livra da indiferença. Que possamos atender ao chamado de Cristo e sermos fiéis em tudo.
Oramos em nome de Cristo. Amem.


Leia Também:


Este texto é uma síntese do sermão “The Crucifixion, Part 1”, de John MacArthur em 12/03/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1574/the-crucifixion–part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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