Jesus perante Pilatos – 2

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 18
39 Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus?
40 Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador.
João 19
1 Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou.
2 E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura.
3 E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.
4 Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.
5 Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem.
6 Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.
7 Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
8 E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.
9 E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.
10 Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
11 Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.
12 Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César.
13 Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.
14 E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei.
15 Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César.
16 Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.

Vamos olhar para a uma passagem extremamente intrigante do Evangelho de João. Ele exibe uma análise do caráter de Pilatos. Um homem famoso por causa de sua covardia. Ele tornou-se o protótipo de todos os covardes.

Jesus foi condenado diante de uma corte religiosa dos judeus, sem qualquer acusação. Os líderes religiosos desejavam matá-lo por temerem a perda de sua posição. Jesus perturbou o poder hipócrita dos líderes religiosos judeus. E assim, eles queriam se livrar dele.

Mas eles haviam perdido o direito de executar condenados nos tribunais religiosos. Tecnicamente, somente os romanos tinham esse direito, pois a nação estava sob domínio de Roma.
[A execução no sinédrio seria por apedrejamento. Mas, para cumprimentos proféticos, Jesus deveria ser executado pelos romanos, ou seja, crucificado].
Eles o levaram perante Pilatos, para que este fosse seu carrasco. Eles não queriam Pilatos para julgá-lo, mas para mata-lo. Eles eram sanguinários e sem escrúpulos.
E nesta passagem vemos o ódio histérico dos líderes religiosos e o pânico de Pilatos contra a majestade serena e calma de Jesus Cristo.
O juiz e os acusadores perturbados e a vítima, Jesus, sereno e em paz. Esta foi exatamente a imagem do cenário.
O que seria muito degradante para Jesus, serve para exaltá-lo mais ainda. Quem está rebaixado nesta situação é Pilatos, os líderes religiosos judeus e até mesmo as pessoas.

Como vimos nos sermões anteriores, Jesus deveria morrer pelos pecados do mundo. Ele deveria morrer pendurado numa cruz como descrito no Antigo Testamento.
Por isso Ele deveria morrer em mãos dos gentios, após ser entregue pelos judeus, a fim de que o mundo inteiro viesse a tornar-se culpado de sua morte.
[Se ele fosse morto pelos religiosos, ele seria apedrejado. Poucos anos antes de sua morte, o imperador havia determinado que somente Roma poderia executar condenados. Dai veio a crucificação. Profecia cumprida].

Os líderes religiosos judeus, de acordo com sua própria lei, determinaram que Jesus deveria morrer.
O julgamento não foi pela lei de Deus, ou por qualquer tipo de processo judicial. Eles queriam apenas se livrar de Jesus. Jesus era uma ameaça a posição deles, então o ódio e a inveja tomaram conta de seus corações.
O primeiro ato foi diante de Anás, quando ele tentou obter uma acusação contra Jesus, mas não havia nada.
O segundo ato, no meio da noite, Caifás e o Sinédrio, juntos, o condenaram à morte.
Depois eles se encontraram novamente ao amanhecer, para tentar legalizar toda a ilegalidade dos atos ocorridos às escuras.
Neste julgamento religioso provou-se que Jesus era inocente. Mas, para eles, isto não importava, eles queriam matá-lo de qualquer maneira.

Eles não tinham o direito de execução, e o levaram para Pilatos. E então temos o julgamento civil perante o governador romano.
A primeira fase, conforme vimos no sermão anterior, começou em João 18:28, quando Pilatos o examinou para ver se havia alguma acusação sustentável.
Ele perguntou aos líderes religiosos qual era a acusação. O que eles respondem? – Ele é um homem mau (João 18:30).
E pressionam Pilatos, como que dizendo: – Você quer impugnar nossa lei? Se trouxemos ele aqui, é porque ele é mau (João 18:30).
E, finalmente, eles perceberam que precisavam fazer uma acusação. Então eles o acusaram de ser um reacionário político, que estava tentando liderar uma rebelião contra Roma.
Pilatos olhou para Jesus, simples, vestido com roupas de camponês, em silêncio, de pé ali e como se dissesse: – Isso é um rebelde político? Isso é um rei? Isso é uma ameaça a César? Vocês devem estar brincando!!!
Pilatos concluiu nesta primeira fase do julgamento: – Não acho nele … o quê? … Culpa alguma (João 18:38). Os romanos não tinham qualquer acusação contra Jesus.

Como vimos no sermão anterior, Pilatos foi nomeado para tentar manter aquela região livre de tumultos.
Ele havia tido muitos problemas com os líderes religiosos e foi forçado a recuar várias vezes. Até mesmo diante de apelações dos líderes religiosos a César.
Temendo perder sua posição, por alguma insatisfação do imperador, ele vivia sob chantagem dos líderes religiosos. Roma não tolerava tumultos.
E em relação a Cristo, Pilatos estava numa posição delicada. Aquele assunto era explosivo, pois a liderança religiosa se voltou contra Jesus, persuadindo muitas pessoas a fazerem o mesmo.

Trouxeram-lhe um homem inocente e ele está confrontado com duas opções. O homem era inocente, e ele deveria libertá-lo. Mas se fizesse isto, temia um tumulto de grandes proporções, o caso iria para César e ele seria deposto. Então, Pilatos tinha duas escolhas: Salvar sua alma ou salvar o seu pescoço.
Jesus disse: “Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). Esta é uma decisão que todo homem terá que fazer.

Pilatos disse: “Não acho culpa nele”. Mas não sabe o que fazer com Jesus.
Ele já havia tentado se livrar do problema, mandando que os próprios líderes religiosos julgassem e matassem Jesus (João 18:31).
Mas eles não queriam fazer isto (lembre-se das profecias: Jesus deveria morrer numa cruz, em mãos dos gentios e entregue pelos judeus).

Pilatos pensou em outra saída: Enviá-lo para Herodes.
“Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui. Então Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu. E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém” (Lucas 23:5-7).
O que fez Herodes? “Desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos” (Lucas 23:11).
O que concluiu Pilatos diante da multidão? “Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte” (Lucas 23:14-15).

O problema volta para Pilatos novamente. Ele teria que tomar uma decisão. A certeza da inocência de Jesus era total. E então chegamos ao versículo 39 de João 18. E esta é a história da incapacidade de Pilatos para se livrar de Jesus.
Pilatos fez o que podia para se livrar de Jesus e não conseguiu. Deus o obrigou a tomar a decisão. E assim Deus faz com todos os homens. Todos terão que se posicionar diante de Jesus, não há como fugir disto.

Pilatos pensa em algumas propostas para se livrar de Jesus.
Você se lembra de que desde o início ele não sabia o que fazer com Jesus? “Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei”. Em outras palavras: “Autorizo vocês a o matarem, julguem vocês mesmos, leve-o daqui”. Os líderes religiosos recusaram, eles queriam Jesus executado pelos romanos (cumprimento profético). Os líderes religiosos não matavam condenados na páscoa. E eles queriam a morte imediata de Jesus.
Ele tentou se livrar de Jesus novamente, enviando-o a Herodes. Não funcionou. Herodes devolve-o. E agora ele não tem mais a quem enviar.

Agora ele estava sob estresse. Ele tinha uma opção entre a sua alma e o seu pescoço (ou seja, seu cargo).
Em seu coração e sua mente ele sabia que Jesus era inocente. E ele sabia que a coisa toda era uma trama dos líderes religiosos judeus para assassinar Jesus por inveja e ódio. Ele tinha certeza disso.
Ele sabia que Jesus não havia cometido nenhum crime e que Roma não tinha qualquer acusação para fazer contra Ele.

Ele tinha o poder de executar ou libertar Jesus. Ele sabia que Jesus não era um criminoso e nem representava uma ameaça para a segurança política romana.
Mas ele temia outra revolta, outra apelação dos judeus ao imperador Tibério e a perda de seu prestígio e de seu cargo. Os judeus disseram: “Se libertas Jesus, não és amigo de César” (v.12).
Dois sentimentos dentro dele: Praticar a justiça ou salvar sua própria pele. Isto é Pilatos. A decisão cabia a ele.

E assim, ele tenta outra saída: “Tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus?” (João 18:39).
Esse costume já deveria existir antes do governo de Pilatos. A cada ano, na Páscoa, eles libertavam das cadeias romanas um condenado judeu.
Era uma concessão por parte de Roma para o povo, porque os outros escritores dos evangelhos nos dizem que as pessoas tinham o direito de escolher a pessoa a ser libertada.
Então Pilatos, num ato pouco inteligente, diante de uma multidão atiçada pelos líderes religiosos (Marcos 15:11), oferece-lhes Jesus. Talvez ele tenha pensado na aclamação popular que Jesus recebeu ao entrar em Jerusalém naquela mesma semana (João 12:12-18).
E deve ter raciocinado: “As pessoas gostam dele, por isso vou oferecer-lhe ao povo como o prisioneiro a ser libertado. Certamente, as pessoas vão dominar a situação e vão exigir sua libertação”.

O que a multidão responde: “Solte-nos Barrabás”.
Quem era Barrabás? Um ladrão (v.40), incitador de tumultos e assassino (Lucas 23:19). Ou seja, era um notório criminoso e bandido. Então Pilatos coloca-o lá em cima, ao lado de Jesus. Uma cena chocante.

Você diz: O que aconteceu? Não eram as mesmas pessoas que aclamaram a Jesus? Esta é a grande característica da multidão inconstante: Ela não é conduzida por realidades espirituais, mas por excitações externas. Nada diferente das multidões que dizem seguir a Jesus em nossos dias.
A quem a multidão ouvia? “Os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás” (Marcos 15:11).
Isso acontece quando tolos seguem seus líderes em detrimento da Palavra de Deus.

Bem, agora Pilatos realmente perdeu a calma. Ele parou de agir como um juiz e começou a entrar em pânico.
E agora ele surgiu como um fracote encurralado como um animal. Ele está se encolhendo e tornou-se um refém. O que ele iria fazer com Jesus agora? O problema volta novamente para ele.
A multidão queria Barrabás, talvez para que ele liderasse uma insurreição contra Roma. Ela não estava interessada no reino dos Céus, mas na terra.
Pilatos, desnorteado, pergunta à Multidão: “Que farei então de Jesus, chamado Cristo? (Mateus 27:22). Bem, qual foi a resposta? “Disseram-lhe todos: Seja crucificado” (Mateus 27:22)

Pilatos está afundando neste momento. Ele pensa em mais uma saída: “Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei” (Lucas 23:16).
E então “Pilatos tomou a Jesus, e o açoitou” (João 19:1).
Este é um grande exemplo de um covarde, não é? Por que açoitá-lo? O que Ele fez? Qual é o seu crime? Bem sabia Pilatos da inocência de Jesus.
Mas ele pensou: ‘Eu só vou fazer isso para pacificar as pessoas para que eu possa me livrar de Jesus’. Talvez a multidão, vendo Jesus mutilado, poderia ter saciado o seu desejo de sangue.

Aqueles açoites a que Pilatos submeteu Jesus era algo tenebroso. Era uma tortura hedionda.
Muitas vezes pensamos que Jesus levou os nossos pecados somente quando morreu na cruz, mas Ele levou os nossos pecados em dores e sofrimentos. Ele estava levando o pecado, mesmo quando ele ainda estava vivo na cruz.
Mas também creio que neste momento, quando Ele estava sendo açoitado, Ele estava levando a punição de nossos pecados.
“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades” (Isaías 53:5).

Os açoites romanos, ou flagelação, era um castigo brutal e desumano, normalmente executado pelos soldados romanos. Usava-se um flagelo romano, que era um chicote de couro com três ou mais pontas também de couro, com bolinhas de metal, ossos de carneiro, ou ossos humanos pendurados ao final de cada uma das extremidades com uma vara grossa coberta de couro.
A vítima era despida e presa pelos pulsos a um objeto fixo, como uma coluna rebaixada, forçando-a a ficar encurvada, o que facilitava o trabalho do carrasco. O peso do metal e dos objetos nas pontas das tiras de couro do chicote atingiam as costas, os braços, os ombros e as pernas, incluindo as panturrilhas.
Os pedaços de ossos e metais penetravam na carne, rasgando vasos sanguíneos, nervos, músculos e pele. Também órgãos internos eram perfurados (pulmão, fígado etc). A vítima era reduzida a uma massa de carne, exaurida e destroçada, ansiando por água e com dificuldades de respiração.
A depender da quantidade de golpes aplicados, muitos não suportavam e morriam.

Era uma tortura horrível. Nenhum cidadão romano, não importava quão grande fosse seu crime, jamais poderia sofrer flagelação.
E isso nos dá alguma indicação do motivo pelo qual Jesus morreu tão cedo na cruz. Porque Ele foi espancado tão cruelmente antes, que ele já chegou lá dilacerado e perdendo muito sangue.
E submetendo Jesus a este sofrimento, Pilatos achava que iria pacificar as pessoas.

E para adicionar mais sofrimento “Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lhe puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas” (v.2-3).
E Mateus completa: “[Os soldados] ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus. E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça” (Mateus 27:29-30).

Você diz: “Isso é tão horrível. Por que Jesus teve que sofrer tudo isso?”
O fato de que Ele afirmou ser Deus foi uma grande razão. “A inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Romanos 8:7). O ímpio despreza a Deus. Os homens se opõem a Deus. E assim, você tem aqui uma reação violenta contra Jesus porque ele afirmou ser Deus.

Outra razão é porque os homens são pecadores vis. Jesus sofreu porque os homens sãos cruéis e vis.
Você quer um retrato fiel do homem caído? Veja o texto:
“Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Romanos 3:10-18).

Jesus sofreu tanto também, porque aquela era a hora de Satanás. A Bíblia nos diz que a serpente feriria seu calcanhar antes que Ele ferisse sua cabeça (Gênesis 3:15).
Veja este texto, no momento de sua prisão: “E disse Jesus aos principais dos sacerdotes, e capitães do templo, e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus? Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lucas 22:52-53).
Quem é o poder das trevas? Satanás. Esta era a hora de Satanás e ele estava dando todos os seus tiros.

E por fim, Jesus sofreu tanto porque Ele estava levando o castigo pelos nossos pecados. E o nosso pecado merece dura punição. Ele suportou tudo (Isaías 53:5).

E assim, Pilatos deixa Jesus ser espancado terrivelmente, escarnecido e cuspido.
“Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum” (João 19:4).
Pilatos, um covarde miserável! Se ele não viu crime algum em Jesus, porque permitiu tudo aquilo? Ele começou a entrar em um desarranjo mental.

“Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem” (v.5).
Em outras palavras: – Eis aqui o homem e não um rei. Ele não é ameaça para ninguém. Aqui está Ele, rasgado em feridas, sangue escorrendo por todo lugar, coroa de espinhos na cabeça, com o rosto desfigurado… Ou seja, uma coisa medonha, impotente e fraca. Deixe-o ir. Ele não é perigoso. Ele está quase destruído.

O estúpido e tolo Pilatos não entendia que a multidão foi instigada por profundo ódio e forças satânicas, e o que eles queriam era um esmagamento completo de Jesus.
“Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o” (v.6).
Pilatos foi tomado de medo. Estava tudo acabado para Pilatos e ele sabia disso.
Num ato de desespero, ele tenta mais uma vez se livrar de Jesus: “Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele” (v.6).
Logo no início do julgamento, Pilatos já havia autorizado que eles o apedrejassem até a morte, agora ele autoriza que eles o crucifiquem, uma morte executada apenas pelos romanos. Desesperadamente ele quis se livrar de Jesus.

Logo após, Pilatos, recebeu um duro golpe: “Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus” (v.7).
Pilatos sabia muito sobre isto. Ele já havia enfrentado duros problemas com os líderes religiosos por causa das imagens do imperador em Jerusalém.
Pilatos sabia que os judeus não toleravam falsos deuses. Por duas vezes Pilatos tinha trazido imagens de falsos deuses para Israel e causado uma revolta tão grande, que o próprio César deu ordens para retirá-la.
Os romanos não eram estúpidos. Eles sabiam que, a fim de submeter um povo, teriam que lhe dar certas liberdades. E uma delas é não violar sua religião.
E assim, os judeus estão querendo dizer: – Ei, Pilatos, você se lembra da nossa lei sobre os falsos deuses? Ele diz ser o Filho de Deus.

Pilatos bem sabia o grande problema que aquilo poderia representar. Ele já havia sido derrotado duas vezes em questões como esta, inclusive com César se opondo a ele.
Os líderes religiosos estavam dizendo a ele, de fato: – Você vai entrar nesta questão mais uma vez? Você não quer executar o que acreditamos ser um deus falso? Você vai deixar um falso deus entre nós de novo? Você vai fazer isso de novo? Adivinha a quem vamos denunciá-lo? A César.
Eles o acusaram de querer destruir o templo, ser um malfeitor, provocar tumultos, liderar uma rebelião contra César, proibir pagar tributos a César. E agora de se dizer Filho de Deus.

Os romanos eram muito supersticiosos. Eles acreditavam que os deuses e semideuses, muitas vezes vinham ao mundo. Pilatos não pensou em um contexto judaico, mas em um contexto pagão.
E então Pilatos teria pensado em si mesmo: – Se Jesus for o que diz, eu estou com um tremendo problema. Acabei açoitando o filho de um deus.
Ele não sabia que Jesus era o próprio Deus, o único Deus verdadeiro, e não o filho de algum dos falsos deuses mitológicos.

O pânico total tomou conta daquele homem: “E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou” (v.8).
Para piorar, “sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele” (Mateus 27:19). Ou seja, uma miscelânea de informações sobre Jesus deixa sua mente em pânico.
Pilatos queria se livrar de Jesus, mas não conseguia. E agora, vem a ameaça do caso ir para as mãos de César, o que poderia lhe custar o prestígio e o seu cargo de governador.

O que ele fez: “Entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu?” (v.9).
Ele está perguntando se ele é o filho de um deus: – De onde você veio? Você é da terra ou você é lá de cima, onde os deuses estão?
“Mas Jesus não lhe deu resposta” (v.9). Você pode imaginar o impacto do silêncio? Ele não disse uma palavra.

Você diz: Por que o silêncio de Jesus?
Primeiro foi um cumprimento profético: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca” (Isaías 53:7).
Mas, havia algo a mais nisto. Jesus conhecia o coração de Pilatos. E Jesus sabia que tudo estava acabado para Pilatos. Nada do que Jesus dissesse importaria a Pilatos. Então, Ele não responde nada.
Deus deixa de falar com ele. Uma triste experiência para qualquer homem.

Lembra-se do que Deus disse antes do dilúvio: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos” (Gênesis 6:3).
Após os cento e vinte anos, a humanidade pereceu nas águas do dilúvio, a exceção daqueles que estavam na arca.
Chega um momento na vida de um indivíduo, que voluntariamente rejeita Jesus Cristo, que, de repente, torna-se impossível ele ouvir a Deus.

Jesus já havia dito a Pilatos: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18:37). Ele lhe fez um convite. Jesus havia declarado a Pilatos quem Ele era.
Declarou-lhe que era um rei de um reino que não era deste mundo e que veio para proclamar a verdade.
Pilatos continuou indo mais e mais e Jesus sabia que não havia mais nada a ser dito.
Jesus nunca iria ficar em silêncio diante de um homem cujo coração estava aberto e sedento. Pilatos era um livro fechado. Jesus não diz mais nada. Triste, triste silêncio para Pilatos.
E sempre que você vê o silêncio na Palavra de Deus, é um sinal de julgamento. Talvez, tenha sido ali o momento, em que Pilatos definiu a eternidade de sua alma distante do chamado de Deus.

Bem, Pilatos, completamente transtornado, responde ao silêncio de Jesus de forma ridícula: “Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?” (v.10).
Jesus poderia ter dito: – Você não sabe quem eu sou? Eu sou Deus.
A resposta de Jesus é um terrível golpe na prepotência de Pilatos: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado” (v.11);
Você entendeu? A morte de Jesus Cristo não estava fora de controle da Trindade. Jesus Cristo não morreu vítima de uma conspiração humana.
Ele estava ali porque tudo aquilo estava previsto desde a eternidade. A soberania de Deus traçou cada detalhe da vida de Jesus. Ele nunca foi vítima de homem algum.
Veja o que Jesus disse: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (João 10:17-18).

Jesus completa: “Aquele que me entregou a ti maior pecado tem” (v.11).
Deus tinha projetado que aquilo iria acontecer e assim Pilatos estava agindo debaixo da permissão de Deus. A palavra diz que as autoridades foram ordenadas por Deus (Romanos 13:1).
Nem Judas e nem os líderes religiosos, que possuíam maior pecado que Pilatos, tinham autoridade para matar Jesus. Pilatos, por ser o governador romano, tinha o direito, dado por Deus, de tomar uma decisão, os judeus não tinham esse direito.
Se você puder dimensionar o terrível pecado de Pilatos, então você vai ficar perplexo em entender o pecado ainda maior daqueles que estavam gritando: Crucifica-o.

E mais, qualquer um que conhece a verdade e a rejeita, é culpado de crucificar o Filho de Deus novamente e expô-lo ao vitupério (Hebreus 6:4-6).
E os homens de hoje, que recusam a verdade, são tão culpados quanto aquelas pessoas que gritavam por seu sangue.

É difícil conceber mais culpa do que Pilatos. Ele fez tudo na ignorância. Muito pior fazem aqueles que deveriam ter conhecido a verdade. E isso mostra que há graus de pecado.
Apenas um pecado do menor grau pode condenar um homem ao inferno, mas o inferno é mais severo para aqueles que conhecem a verdade.
“Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hebreus 10:28-29)
Então, Jesus reconhece que Pilatos tem o poder, dado por Deus, para tomar uma decisão. E o maior pecado vai contra aqueles que não tinham autoridade para fazê-lo.

Pilatos fica ainda mais em pânico. Tendo acabado de ouvir as palavras de Jesus, sabendo que ele é inocente; e agora morrendo de medo por suspeitar que Jesus é de fato filho de algum deus.
Ao ouvir Jesus dizer “Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado” (v.11), ele entra em desespero e “desde então Pilatos procurava soltá-lo” (v.12);
Mas os líderes religiosos judeus fizeram uma chantagem avassaladora sobre ele: “Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César” (v.12).

Agora, se a coisa estava ruim para ele, tornou-se muito pior agora. Porque agora eles estão dizendo: Nós vamos denunciá-lo ao imperador como um traidor, por deixar este rebelde contra Roma ficar impune. Pilatos sabia que seria o fim de sua vida.
O imperador Tibério nunca iria conceder clemência a um traidor. Então Pilatos escolheu em favor de seu pescoço, não de sua alma.

Pilatos se senta. É a hora para a condenação (v.13). Este é o ato oficial da sentença. É chocante saber que Pilatos um dia vai estar diante do grande trono branco, onde Jesus estará sentado para condená-lo.
Mas ele não fez a condenação sozinho. Ele ainda tentou escapar. Ele quis que os judeus condenassem Jesus com suas próprias bocas. Ele vira para a multidão e diz: “Eis aqui o vosso Rei” (v.14).
Eu não sei o que ele quis dizer com isso. Eu não sei se era cinismo ou desespero. A essa altura, Pilatos havia perdido os sentidos, estava encolhido e em pânico… Ele só queria sair.
Ele estava lembrando que Jesus poderia ser o filho de um deus. Ele estava lembrando a advertência de sua esposa, que sinalizava uma possibilidade divina. Ele estava lembrando que Jesus era inocente. Ele conhecia o ódio aos judeus. Ele se preocupou com a pressão de Roma. Ele estava preso. Ele foi nocauteado.

E ele quis dizer: – Eis o vosso rei. Decidam vocês mesmos. Nada tenho contra ele.
E eles clamaram: “Tira-o! Tira-o! Crucifica-o (v.15)”. Pilatos diz: “Hei de crucificar o vosso rei?” (v.15). E então “os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César” (v.15).
Os líderes religiosos foram mais uma vez hipócritas, pois eles odiavam César. Mas também Deus não era o rei deles.
E você quer saber de uma coisa? Israel, até hoje, não tem um rei. E eles não terão um rei até o Rei dos reis voltar para estabelecer seu Reino a partir de Jerusalém.
“Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso” (Mateus 27:24). [O último ato de fuga de Pilatos].
Eles responderam de forma chocante: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27:25). Eles queriam ser culpados da morte de Jesus.
E então Pilatos entregou-lhe aos soldados para ser crucificado (v.16). E eles o levaram.

Pilatos tentou várias vezes se livrar de Jesus. Não foi possível. Ele não podia se livrar de Jesus. Você sabe por quê? Ninguém pode fazer isto.
Se alguém acha que pode usar de qualquer argumento para não se posicionar diante de Cristo, está completamente enganado e perdido.
O que você vai fazer? Vai salvar sua alma ou seu pescoço? Sua alma ou seu corpo? Você quer a salvação eterna ou você quer as coisas do mundo agora e depois ter a sua alma em trevas eternas? Esta é sua escolha. E é Somente sua.
E Deus não quer nada mais do que forçá-lo a tomar essa decisão. Não há como escapar. [Pilatos tentou escapar até o final, lavou suas mãos, mas ele havia tomado uma decisão, mesmo que não tenha entendido assim].
Jesus calou-se, depois de ter dito o que era necessário. Não havia mais respostas a serem dadas.
Não há nada mais que ele tenha que fazer por você. Não fuja. Pilatos disse isso e você tem a dizer isso também: O que devo fazer com Jesus? E a única coisa sensata a fazer é tê-lo como Senhor de sua vida.


Leia Também:


Este texto é uma síntese do sermão “Shall I Crucify Your King?”, de John MacArthur em 05/03/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1573/shall-i-crucify-your-king

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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