Jesus perante Pilatos – 1

Imprimir

Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 18
28 Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa.
29 Então Pilatos saiu fora e disse-lhes: Que acusação trazeis contra este homem?
30 Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos.
31 Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma.
32 ( Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer ).
33 Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?
35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
36 Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.
37 Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
38 Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

Como sabemos, o apóstolo João teve como principal objetivo, mostrar a glória e divindade de Jesus.
Ele não enfatizou muito a humanidade de Jesus, como vemos nos demais evangelhos, mas preocupou-se, em cada detalhe, mostrar Jesus como o Deus Eterno encarnado.
Mesmo apresentado como um criminoso diante de Pilatos, a magnificência de Jesus Cristo torna-se evidente.
Diante do Deus Eterno encarnado, vemos Pilatos sendo julgado e não o contrário.

Em toda a narrativa do evangelho de João sobre o julgamento de Jesus, encontram-se três personalidades envolvidas.
O personagem principal é Jesus e, em seguida, Pilatos e os judeus.
João usa o termo “judeus” como uma referência àqueles que foram hostis a Jesus (notadamente os líderes religiosos) e não à população judaica. Muitos judeus creram em Jesus.
[Lembremos: Toda a Bíblia é judaica, os profetas eram judeus, Jesus era judeu, os apóstolos eram judeus, a primeira geração da igreja era toda de judeus].

Durante o período da história judaica em que Jesus viveu, os judeus (toda a nação de Israel) estavam sob domínio de Roma. Os líderes judeus rejeitavam este domínio.
Para manter a paz, Roma permitia uma certa autonomia aos povos conquistados. Por exemplo, Israel poderia operar seus próprios tribunais, até certo ponto. Mas não poderia, por exemplo, executar um prisioneiro.
No Antigo Testamento, Israel tinha permissão à pena capital. Tinha sido designada por Deus como castigo pelo pecado e para ser um impedimento ao pecado e ao crime.
Mas, naquele momento, eles estavam à mercê de Roma, e, legalmente não poderiam executar um prisioneiro.

Os líderes judeus tinham planejado matar Jesus há muito tempo. Caifás tinha feito uma aberta declaração sobre isto em (João 11:49-53).
O julgamento religioso foi puramente uma farsa. Não houve acusações. Diante de Anás, ficou claro que eles não tinham nada que poderiam fazer contra Jesus.
O julgamento ilegal no meio da noite, diante de Caifás e o Sinédrio, foi uma piada. Uma farsa. Mas eles estavam convictos em executar Jesus legalmente. Então o levam a Pilatos.

Poucos anos antes da morte de Cristo, Israel havia perdido o direito de execução. Deus tinha mudado a história, a fim de que, quando chegasse a hora de Cristo morrer, ele morreria nas mãos dos gentios.
Apesar de ter sido uma conspiração dos líderes religiosos judaicos, foi uma execução feita pelos gentios. Os romanos haviam incorporado e aperfeiçoado a morte na cruz. Tudo para cumprimento de profecias.

“Disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia” (Números 21:8-9)

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado” (João 3:14).

A serpente levantada por Moisés tipificava Cristo. Olhando para ela, os homens viveriam.
Na cruz, Jesus também foi levantado. Ele disse: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32). Na cruz, Ele nos deu a vida eterna.

Jesus foi acusado de blasfêmia, a execução pela lei judaica seria o apedrejamento. Um fato que anularia as profecias do Antigo Testamento.

Deus mudou a história, de modo que poucos anos antes do momento da crucificação de Jesus, a lei mudou, o direito de execução passou para as mãos dos romanos e, assim, Jesus foi morto nas mãos dos gentios, fazendo de sua morte, uma crucificação decidida por judeus e gentios.
Ele morreria suspenso em uma cruz, porque “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gálatas 3:13).

Houve ocasiões em que a raiva dos líderes religiosos judeus explodia em assassinatos ilegais, tal como foi com Estevão, mas isto não era a regra.
Aqueles líderes religiosos judeus eram apóstatas. Jesus tornou-se o objeto da inveja, ciúme e ódio deles. E então eles conspiraram seu assassinato.
Eles buscavam legalizar a morte de Jesus. Fizeram um julgamento simulado, acusando-o de blasfêmia, por Ele ter se declarado igual ao Pai. Então, eles agora procuram Pilatos, porque somente Roma poderia executá-lo.
Eles temiam algum impedimento a execução de Jesus, então procuraram entrega-lo rapidamente para os romanos.
Depois você os encontra em uma espécie de loucura, gritando em pé como lobos: Crucifica-o, crucifica-o, crucifica-o.

Jesus era Deus, mas eles concluíram que ele era de Satanás. O amigo dos pecadores foi algemado pelo ódio dos pecadores.
O juiz de toda a terra foi acusado perante um filho caído de Adão. O Senhor da glória foi tratado como um criminoso vil. O Santo foi condenado como blasfemador. Mentirosos deram falsos testemunhos contra a verdade viva. E Ele, que era a ressurreição e a vida, foi morto nas mãos dos homens.

Você diz: Por que João retrata isso se ele queria retratar a glória de Jesus? Em todo julgamento diante de Pilatos o que domina a cena é a inocência de Jesus.
Pilatos começa dizendo: “Que acusação trazeis contra este homem?” (v.29) e termina dizendo: “Não acho nele crime algum” (v.38).
O que é isso tudo? Pilatos continua tentando sair do negócio, porque ele sabe que Jesus é inocente. E ele não quer que o sangue daquele homem justo em suas mãos. É quase como se Jesus não estivesse sendo julgado, mas o próprio Pilatos.
E em todo tempo do julgamento de Pilatos, vemos a grandeza de Jesus Cristo e a estupidez de Pilatos. Jesus está no controle total.

O tribunal romano abria ao nascer do sol e fechava ao pôr do sol. Os líderes religiosos queriam acabar logo com o assunto. Eles não queriam que as pessoas soubessem sobre o que havia acontecido na madrugada, queriam que tudo fosse percebido como um julgamento romano.
Veja o verso 28: “Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa”.
Eles eram hipócritas. Não estavam dispostos a entrar numa casa gentílica para não se contaminarem. Ao mesmo tempo, eles estão prontos para assassinar o Messias. Terrível hipocrisia.

Não há tal coisa na lei no Antigo Testamento. No entanto, em Números 19:14 existe uma lei, uma indicação de contaminação que vem do contato com um corpo morto.
As casas dos gentios eram consideradas como transmissora de impurezas pela concepção de jogarem abortos pelo ralo.
Esses abortos eram consequências de dificuldades no parto, sem os recursos médicos que existem hoje.
Era comum um gentio colocar esses abortos no sistema de drenagem e, consequentemente, os judeus tinham a crença de que, entrar em uma casa de Gentio seria entrar em contato com um corpo morto, apesar de ter sido uma criança abortada por problemas no parto. Talvez essa fosse a razão.

E aqui você tem uma ilustração clássica de hipocrisia. Aqui você tem uma imagem magnífica de se coar um mosquito e engolir um camelo (Mateus 23:24). Uma ilustração clássica de sepulcros caiados, belos no exterior e no interior cheio de ossos de mortos (Mateus 23:27-28). Coisas que Jesus disse sobre os fariseus.
Eles são tão cuidadosos para não quebrar uma pequenina regra, enquanto estão dispostos a assassinar seu próprio Messias.
O legalista é assim. Ele sempre exalta as tradições dos homens no lugar dos mandamentos de Deus. Ele sempre exalta o ritual em vez da realidade interior. Ele ama leis e rituais para se exaltar.
O legalista é uma pessoa que está presa a um sistema em vez de a uma realidade espiritual. E assim, eles mantêm a letra da lei da Páscoa e mata o Messias que veio cumpri-la.
Eles não entram na casa de Pilatos por causa de seus rituais legalistas vazios, mas estão lutando para matar a realidade espiritual, Cristo. Uma coisa chocante!

Antes de prosseguirmos, quero te falar um pouco de história. É importante para entendermos o julgamento de Jesus.
Pilatos foi escolhido para governar Israel por suas habilidades. Ele tinha que manter aquela região livre de tumultos, então ele age como um covarde, satisfazendo seus interesses diante de Roma.
Ele estava sendo chantageado pelos líderes religiosos judeus.

No ano 4 antes de Cristo, Herodes, o Grande, era o rei do que se chama hoje de Palestina. Ele morreu e deixou em seu testamento que o reino se dividiria em três seções para seus três filhos Antipas, Arquelau e Filipe.
Antipas recebeu a Galiléia e Perea. Filipe recebeu Batanea, Aranitus, Trachinitus, que fica a leste da Galiléia e era uma espécie de área desabitada e selvagem. Arquelau, o terceiro filho, ainda muito jovem, recebeu Samaria, Judéia e Iduméia.
Ao contrário dos outros filhos, Arquelau era um tirano. O povo o odiava e, finalmente, os judeus persuadiram Roma para se livrar dele.

Então, Roma nomeou governadores apoiados por legiões romanas desde o ano 6 depois de Cristo. Desde o ano 26 depois de Cristo até o ano 35 depois de Cristo, Pilatos foi o governador.
Ele não satisfez a Roma e perdeu seu cargo. Uns dizem que ele se suicidou no caminho de volta, outros dizem que ele foi morto pelos romanos e outros dizem que ele simplesmente desapareceu.

Ele não poderia aceitar subornos. Ele não foi lá para ser um pequeno deus. Ele foi para governar para o imperador romano.
A sede romana naquela região não era em Jerusalém, mas em Cesaréia. Mas quando ele chegou a Jerusalém com todos os soldados e todas as coisas nos padrões romanos, esculpiu imagens do imperador, que para os romanos, era uma pessoa divina.
As imagens do imperador como um deus não eram padrão romano em Jerusalém, mas Pilatos era durão, e, claro, aquelas imagens enfureciam os judeus.
Após muitas manifestações de inconformismos, Ele finalmente cedeu e removeu as imagens. E ele já começou seu governo em Israel como um homem derrotado.

Para piorar as coisas, Pilatos tinha determinado construir um novo aqueduto em Jerusalém, mas ele não tinha dinheiro. Então roubou o tesouro do templo. Houve motins por causa disto. E assim, o início de seu governo foi ruim e o meio era ainda pior.
Pilatos fez uma morada temporária no palácio de Herodes, em Jerusalém. E no palácio de Herodes ele pôs escudos nas paredes com a imagem do imperador Tibério. Os judeus começaram a reclamar, dizendo que ele estava trazendo falsos deuses. Pediram-lhe para removê-los e ele recusou.
Roma havia incorporado em todo o mundo, o direito de todas as pessoas apelarem seu caso ao imperador.
O imperador Tibério atendeu a apelação dos judeus e mandou Pilatos retirar todos os seus escudos. E, novamente, Pilatos tornou-se um homem derrotado.

Veja o que os líderes judeus disseram a Pilatos, quando ele manifestou o desejo de libertar Jesus: “Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César” (João 19:12).
Na verdade, eles estavam dizendo: “Melhor você ir junto com a gente, Pilatos, ou vamos a César”. Pilatos teve que decidir o que era mais importante para manter seu prestígio.

Na narrativa que se segue, nos são apresentadas sete características magníficas de Cristo: O homem perfeito, o Deus profético, o Rei sobrenatural, o Deus encarnado, o proclamador da verdade, o Salvador e sua comprovada impecabilidade.

Jesus: O homem perfeito

Pilatos pergunta (v.29): “Que acusação trazeis contra este homem?”. Ele estava totalmente convencido da inocência de Cristo [ele bem sabia quem eram seus acusadores].
Este é o primeiro aspecto justo para o julgamento de Jesus. Pelo menos alguém quer saber do que Jesus estava sendo acusado.
Em outras palavras, ele disse: “Aqui é um tribunal romano, para eu julgar este homem, eu preciso ter uma acusação criminosa contra ele!!!”.

Mas os líderes religiosos não queriam um real julgamento romano, eles apenas queriam ouvir de Pilatos: Execute-o.
Eles colocaram pressão sobre Pilatos para matar Jesus, não para julgá-lo, porque eles sabiam que não havia sequer uma acusação contra Jesus.
Eles querem de Pilatos um carrasco, e não um juiz. Eles não querem justiça para Jesus, eles querem execução.
Então eles têm uma resposta muito sutil: “Se este não fosse malfeitor, não te entregaríamos” (v.30).
Não houve resposta à pergunta de Pilatos. Não houve acusação. Então, o que eles fazem, em outras palavras, é chantagear Pilatos: Você está impugnando a nossa justiça?
A hipocrisia aqui é tão espessa que é quase nojenta. Eles não tinham acusações.

Você diz: “O que isso prova?”. Isto prova que Jesus era o homem perfeito. Eles tinham examinado toda sua vida para tentar encontrar alguma coisa errada. O que eles acharam? Nada.
Eles não têm uma única acusação para fazer contra Jesus no tribunal romano. O fato de eles acusarem que Jesus afirmou ser Deus não era um problema em um tribunal romano.
Quando Jesus morreu, não morreu pelo seu próprio pecado, mas pelos nossos pecados. Ele foi homem perfeito. Ele não cometeu pecado e nenhum engano foi achado em seus lábios (I Pedro 2:22).

Jesus: O Deus profético

Veja o que Jesus disse aos seus discípulos, antes de ir para Jerusalém, predizendo claramente que seria entregue nas mãos dos gentios para ser executado.

“Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios. E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará” (Marcos 10:33-34).

Agora, com isso em mente, veja João 18:31: “Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma”.

Agora, não é interessante? Pilatos tinha dado aos líderes religiosos judeus um direito temporário para matar Jesus. Ele diz, em outras palavras: Toma-o e mate-o.
Eles responderam que não lhes era lícito matá-lo. Terrível hipocrisia! Era o mesmo Jesus que eles tentaram apedrejar em várias ocasiões. E agora eles não estão dispostos a matá-lo.
Por quê? “Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer” (v.32).
Como vimos, os líderes religiosos o condenaram por blasfêmia. A condenação seria morte por apedrejamento.
Mas Jesus deveria morrer suspenso numa cruz. É por isto que sua execução tinha que ser feita pelos romanos, que haviam incorporado e a aperfeiçoado este tipo de execução.

Aqueles líderes religiosos foram limitados pela palavra profética de Jesus. Eles poderiam ter levado Jesus para fora e apedrejado, e isto de forma legal, conforme havia autorizado Pilatos.
Aqui João tem mais uma chance de mostrar que Jesus é Deus. Jesus nunca poderia ter previsto que ele seria executado pelos gentios, se Ele não tivesse conhecido tudo no futuro.

As pessoas sempre dizem: “Os judeus crucificaram Jesus Cristo”. Não. Os judeus e os gentios (sejam romanos ou todos nós) crucificaram Jesus Cristo.
E cada alma que o rejeita crucifica-o de novo e coloca-o à vergonha pública. Assim, o mundo inteiro está envolvido na morte da cruz.
Jesus não iria morrer por ter sua santa cabeça esmagada e mutilada; Ele ia morrer ao ser levantado e, assim, atrair os homens a si mesmo (João 12:32).

Jesus é o Rei sobrenatural

Eles pensaram muito e encontraram uma acusação: “Havemos achado este pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei” (Lucas 23:2).
Uma tremenda mentira. Jesus nunca se envolveu em questões como esta. Quando os fariseus o questionaram sobre pagar impostos a Cesar, ele apenas disse: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

O que eles estão tentando dizer? Eles estão tentando fazer Jesus parecer um rebelde revolucionário terreno, tentando liderar uma rebelião, derrubar o domínio romano e coroar-se rei.
E mais na frente, os líderes religiosos bradaram diante de Pilatos: “Não temos rei, senão César” (João 19:15). Outra tremenda mentira. Eles odiavam César.

Pilatos não era estúpido. Ele sabia que a acusação de rebelião não era verdade. Ele vira-se para Jesus e pergunta: “Tu és o Rei dos Judeus?” (João 18:33).
Em nada Jesus poderia se parecer com uma realeza terrena. Pilatos quis dizer: “Você, ridículo! Você, um rei?”.
O que Jesus vai dizer? Se ele dissesse – Sim, eu sou um rei – então Pilatos tem um problema, porque na mente de Pilatos, um rei é apenas um rei terreno. E isto seria o mesmo que alguém levando os judeus em uma insurreição contra Roma.
Se ele diz – Não, eu não sou um rei – então Ele teria negado Sua realeza sobrenatural. Então Ele não pode simplesmente dizer que sim e não pode simplesmente dizer não.

Em tremenda sabedoria, Jesus responde: “Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-te outros de mim?” (v.34).
Em outras palavras: Você está perguntando isso como um romano? Você está me perguntando se eu sou um revolucionário político? Ou alguém te informou que eu reivindico ser um rei?
Ele coloca Pilatos no lugar certo. E Pilatos responde: “Porventura sou eu judeu?” (v.35). Em outras palavras: – Eu não estou dizendo que você é um rei.
E ele completa: “A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?” (v.35).
Pilatos quis dizer: Roma não está te acusando de nada! Mais tarde, ele diz: “Não acho nele crime algum” (v.38).

E assim, Pilatos admite que Jesus não é um revolucionário político. Pilatos admite que Roma não tem qualquer acusação contra Jesus.
Isso é uma coisa maravilhosa. Jesus está lá e Pilatos diz – O que você tem feito? Agora chegamos a mesma situação do julgamento religioso.
Tanto no tribunal judaico como no tribunal romano, o juiz não tinha direito de fazer essa pergunta. Lembra-se disso? Sob nenhuma circunstância um homem poderia ser condenado por suas próprias palavras, deveria haver testemunhas de acusação.
Pilatos faz uma pergunta ilegal e você vai notar que Jesus não responde. Que fizeste? Jesus não responde a isso.

Agora Pilatos entende que Ele não é um rei político. Então, Jesus começa a explicar que tipo de rei Ele era.
Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”. (v.36).
E Pilatos fica perdido. Ele não entende isso. Ele só sabe de reis terrenos; ele não tem a menor idéia do que Jesus está falando.
Você diz: O que Ele quer dizer quando fala “meu reino não é deste mundo?”.
Seu reino não tem origem no sistema mundano ou humano. Ele não queria ser rei por coroamento humano. Ela já era um rei por coroamento celestial.
Lembra-se de um fato, quando os homens queriam fazer dele um rei? “Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (João 6:15).

Agora, Pilatos está certo que em nada Jesus se assemelha a um rei terreno. Ele concluiu que Jesus não era um rei. E aí Pilatos estava enganado.
“Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

E então a declaração mais interessante de Jesus: “Pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus” (v.36).
Não é estranho? Os judeus disseram que Ele afirmava ser seu rei. Ele não poderia ser o rei dos judeus, que eram seus inimigos. Mas Ele é um rei.

Você diz: “Que tipo de rei é Ele?”. Pilatos não pôde entender isso. Ele apenas entende que há um rei terreno e ele tenta descobrir alguma coisa: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei?” (v.37).
Jesus responde de forma tremenda: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (v.37)
Jesus diz – Na verdade, eu sou um rei. Então, diante de Pilatos, Jesus declarou-se ser um rei.

Por que Pilatos não entrou em pânico? Porque ele sabia muito bem, que o Reino que Jesus estava afirmando não era uma ameaça para qualquer reino terreno.
Tanto Paulo (Romanos 13:1-7) como Pedro (I Pedro 2:11-17) nos ensinam submissão aos reinos físicos [desde que não haja afronta a Deus].
Nós não estamos em uma insurreição física, o Reino de Cristo é um reino espiritual. Veja o que Paulo escreveu:

“Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” (I Timóteo 6:13-16).

Jesus é o Deus encarnado

No meio do versículo 37, Jesus diz: “Para isso nasci”, que é a Sua humanidade, e “para isto vim ao mundo”.
Agora escute isso: O que ele quer dizer com: “vim ao mundo?”. Se Ele veio ao mundo, Ele tinha que estar em algum lugar certo? Para nascer é humano, mas para vir ao mundo indica preexistência, certo? O que ele está dizendo, então? Ele está dizendo que era preexistente.
Você diz: “Onde ele estava?” João 17:5, Ele diz: “Pai, glorifica-me com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”. “No princípio era o Verbo e o Verbo estava … onde? … Com Deus … E Ele era o que? … Deus” (João 1:1).

Ouça, isto é falar de Deus vindo em forma humana. Jesus está afirmando ser Deus encarnado. É uma reivindicação poderosa. [O que poderia ser Pilatos e Roma diante dele?].

Jesus, o proclamador da Verdade

“Vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (v.37).

Os homens têm procurado verdade e Jesus veio dar testemunho da verdade. Você quer saber onde está a verdade? Olhe o que disse Jesus: “Eu sou o Caminho … o quê? … A Verdade e a Vida” (João 14:6).

Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32).
Livres de quê? Livres da busca da verdade. Jesus disse: “Eu vim ao mundo para dar testemunho da verdade”.
Que verdade? A verdade sobre Deus, sobre os homens, sobre o pecado, sobre o juízo, sobre o amor, sobre a santidade, sobre a vida, sobre a morte… a verdade sobre tudo.
Ele é a verdade, então veio para ser um proclamador da verdade.

Pilatos pergunta a ele: “Que é a verdade?” (v.38). Como se dissesse: ‘Eu estive procurando a verdade toda a minha vida, não há verdade’. Mas, ele estava diante dela.
Isso é o homem deste século. Para ele não há nenhuma verdade. Está tão perdido quanto Pilatos.

Jesus é o Salvador

Ele faz um convite a Pilatos e a todos os homens: “… Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (v.37).
Muitas pessoas afirmam conhecer a verdade e ter respostas.
Mas, somente aquele que ouve a voz de Jesus Cristo conhece realmente a verdade.
O que significa “ouvir”? A palavra grega é ouvir atentamente e obedecer. Não há tal coisa como conhecer a verdade a menos que você obedeça a Jesus.
Ele é … o quê? … a verdade. Ele é o Deus Eterno revelado aos homens e não há verdade fora dele.

Como se dissesse: “Pilatos, você pode conhecer a verdade se você me ouvir e me obedecer”.
Jesus diz em relação a Suas ovelhas: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz”… e o que elas fazem?… “Elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28).

Essa é a evidência de um verdadeiro crente: A obediência a Cristo.
Jesus tinha um monte de pessoas que creram nEle em João 8. Muitos creram em seu nome, mas ele disse o seguinte: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos”.
Não é somente crer, mas obedecer. A única maneira de se alcançar a verdade é conhecer Jesus Cristo. E todos os que conhecem a verdade sabem que fora de Jesus não há verdade alguma.

Jesus e sua comprovada impecabilidade

“Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum” (v.38).
E assim, vemos o Cristo maravilhoso. Sem culpa. Não há nenhuma acusação contra Ele.
Nenhuma acusação no julgamento religioso e nenhuma acusação no julgamento civil diante de Pilatos.
[Podemos imaginar o esforço daqueles líderes religiosos para encontrarem algo que pudessem acusar Jesus].
O Rei da verdade sempre foi perfeito e comprovadamente impecável.


Leia Também:


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Before Pilate”, de John MacArthur em 27/02/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1572/jesus-before-pilate

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *