Jesus perante o Sinédrio

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 18
12 Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.
13 E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.
14 Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.
15 E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote.
16 E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira, levando Pedro para dentro.
17 Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.
18 Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também.
19 E o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
20 Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto.
21 Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito.
22 E, tendo dito isto, um dos servidores que ali estavam, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote?
23 Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, por que me feres?
24 E Anás mandou-o, maniatado, ao sumo sacerdote Caifás.
25 E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou.
26 E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele?
27 E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou.

Temos visto que João nos apresenta a glória de Jesus Cristo. Ele sempre quer mostrar sua divindade. Ele não é tão preocupado com o Jesus humano, mas como o Deus verdadeiro. Assim ele faz nos versículos 12-27 de João 18 (acima).
O Cristianismo é construído sobre o fato de que Cristo é glorioso, Deus é santo e o homem é pecador. Tudo se move a partir deste fundamento.
Os conceitos básicos da tremenda majestade de Jesus Cristo e da profundidade do pecado no homem são contrastados no julgamento de Jesus e em Pedro o negando.

Jesus concluiu seu tempo com os onze discípulos no cenáculo. A partir do capítulo 13 até o capítulo 17 Ele passou um tempo prometendo-lhes bênçãos maravilhosas, orando para que o Pai os guardasse.
Agora chegou a hora de avançar para o Calvário. Ele vai ao Monte das Oliveiras, no Jardim do Getsêmani, passa um tempo em oração, agonizando diante da iminência de tomar sobre si a ira de Deus contra o pecado e a separação do Pai na cruz.

Tendo concluído seu tempo de oração, João nos diz que Jesus confronta Judas, que trouxe uma multidão de gentios e judeus para captura-lo.
Os líderes religiosos há muito vinham esperando um momento oportuno para capturá-lo. Eles não podiam fazê-lo em público, por temerem um tumulto.
E, de fato, o momento estabelecido na eternidade para sua morte chegou. Para tornar mais fácil para eles, Jesus foi para um lugar fora da cidade, no escuro da noite. Um lugar que Judas sabia que ele costumava ir. Ele simplificou o trabalho de Judas.

Ali estava Judas com uma multidão fortemente armada. Jesus aproveita a ocasião para mostrar Sua majestade, Sua glória e poder. Nunca sendo a vítima, mas sempre sendo o vencedor.
Você diz: “Como?” Ele perguntou àquela multidão armada: “O que vocês estão procurando?” E eles disseram: “Jesus de Nazaré”. E Ele disse: “Eu sou”. E todos eles caíram no chão. A palavra do seu poder colocou-os no chão.
Ele exigiu, por duas vezes, que eles falassem que tinham vindo apenas para prendê-lo. E então Ele disse: “Deixe-os ir”, referindo-se a seus discípulos.
Sempre no controle, nunca como uma vítima, sempre o vencedor. E assim Ele construiu um pequeno abrigo para os seus discípulos.
Pedro abandona este lugar seguro e golpeia a orelha de um dos servos do sumo sacerdote chamado Malco. Jesus repreende a Pedro e restaura milagrosamente a orelha daquele homem.

E assim, Jesus tinha mostrado sua tremenda glória e divindade. E em vez de se tornar uma vítima no jardim, Ele se parece com um vencedor e de fato Ele é. Veja o que ele disse a Pedro:
“Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mateus 26:52-54)
No Antigo Testamento, em uma noite, um anjo matou 185 mil homens das forças de Senaqueribe (Isaías 37:36; II Reis 19:35). Você pode imaginar o que 12 legiões de anjos seriam capazes de fazer?
[Jesus não foi preso por aqueles homens. Ele deixou-se ser preso. Judas entendeu isto. Percebeu que nenhum poder ele teve contra Jesus. Viu a glória do mestre sendo manifesta e saiu dali para se suicidar].

A resposta triste, patética e quase inacreditável, após a exibição de sua glória, majestade e de poder divino é gravado para nós no versículo 12: “Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o manietaram”.
A cegueira do pecado impediu aqueles homens de verem a divindade de Jesus Cristo bem na frente deles.
Eles o pegaram e o amarraram. Ele foi amarrado para que fossem soltas as cordas do pecado e de Satanás sobre nós.

Agora, a partir daí, até o versículo 27, dois dramas ocorreram. Eles são dramas separados, cenas separadas em locais separados e que se encontram: O Julgamento de Jesus e negação de Pedro. No registro de João, pelo Espírito Santo, são fatos entrelaçados.
Talvez para enfatizar que a morte expiatória de Cristo era tão necessária, mostrando não só a pecaminosidade do mundo não regenerado, mas até mesmo o pecado na vida de um discípulo que fraquejou.
E assim, talvez haja o ponto que contrasta o amor perfeito de Cristo por nós e sua natureza divina, com o amor nosso para com Ele, que deixa muito a desejar.
E isso nos mostra essas duas verdades fundamentais básicas do cristianismo: a glória de Cristo e a pecaminosidade do homem.

O contraste é deixado aqui para que possamos exaltar a Cristo.
Como exaltar alguém em uma prisão, sob acusações e em um julgamento simulado em que Ele está sendo cuspido, maltratado e ridicularizado? Tudo estava predito desde a eternidade. Nada escapou à soberania divina.
Ficamos cientes das belezas tremendas de Jesus em comparação com a terrível atitude degradante de Pedro.
Ele pertencia a Jesus Cristo. Ele foi, provavelmente, o maior dos discípulos. Mas, mesmo sendo ele maior do que os outros homens, ele nada foi, se for comparado a Jesus. Isto é válido para todos os homens.

Naquela multidão que o prendeu tinha gentios, judeus, pagãos, religiosos, soldados, servos, sacerdotes e fariseus, ou seja, tipos variados de pessoas. Eles são ilustradores do terrível pecado do homem natural, que mesmo diante das evidências da divindade de Cristo, não creram.
Olhando para eles, não é difícil entender a incredulidade e a dureza do coração do homem em nossos dias e ao longo da história.

Mesmo no Reino, quando Jesus Cristo estiver sentado no trono em Jerusalém e governando a terra, em presença física, fazendo coisas maravilhosas que só ele pode fazer, haverá uma rebelião de pessoas do mundo todo, daqueles que o rejeitaram, para tentar lutar contra Ele. Note a profundidade e a malignidade do pecado.
É exatamente o que o apóstolo escreveu: “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4).

Judas tinha instruído à multidão que veio capturar Jesus: “O que eu beijar é esse; prendei-o” (Mateus 26:48). Eles então o amarraram (v.12).
Há dois tipos de profecias preditivas no Velho Testamento: Profecias verbalizadas (quando a declaração é feita e será cumprida) e a profecias típicas (quando um determinado ato ou uma determinada pessoa ou uma determinada coisa tipifica um cumprimento que virá).
Por exemplo, o profeta Miquéias disse que Jesus iria nascer em Belém. Essa é a previsão verbal. Por outro lado, um sacrifício colocado sobre um altar é um retrato profético do sacrifício de Jesus Cristo.
No Salmo 118:27 temos: “Atar o sacrifício com cordas até às pontas do altar”. Em Gênesis capítulo 22: 9, Isaque, que é uma imagem de Jesus Cristo, é amarrado para ser sacrificado. Então, Jesus, por estar amarrado, cumpre outra profecia típica do Antigo Testamento.

Jesus é levado para Anás

A partir do versículo 13, tem início seu julgamento. Jesus foi levado, primeiramente, para Anás (sogro do sumo-sacerdote Caifás).

Havia uma razão para que Jesus fosse levado para Anás. Esta é a primeira fase do julgamento religioso de Jesus.
Jesus teve dois julgamentos: Religioso e civil. Seu julgamento religioso tinha a ver com Israel; seu julgamento civil tinha a ver com Roma.
Nada poderia ser feito, em termos de execução, sem autorização de Roma. Israel poderia decidir que Jesus deveria morrer, mas somente Roma poderia executá-lo, pois a nação estava sob domínio romano.

Esse julgamento religioso teve três partes: a acusação, ou a acusação inicial diante de Anás, que teve lugar imediatamente após sua prisão. Foi seguido por uma reunião com Caifás e depois o Sinédrio [uma assembleia de anciãos, sacerdotes e escribas, considerado um tribunal com poderes criminais, políticos e religiosos], que havia se reunido no meio da noite, o que era totalmente ilegal.
E, por fim, houve um reagrupamento de Caifás e o Sinédrio, logo após o amanhecer, para tentar tornar legal a condenação de Jesus.

Todo o julgamento foi ilegal, ele nunca foi destinado a ser legal, era tudo uma farsa apenas para matar a Jesus.
Depois disso, ele foi para o julgamento civil que também teve três fases: Primeiro diante de Pilatos, que não sabia o que fazer. Ele enviou Jesus para Herodes, que era o tetrarca da Galileia, que também não sabia o que fazer e o devolveu para Pilatos.

Para começar este julgamento simulado, parte de uma trama, Jesus é levado a Anás. No verso 19 diz que Anás era sumo sacerdote. No verso 13 diz que Caifás também era sumo sacerdote.
Poderia haver dois sumos sacerdotes? Segundo o projeto de Deus, não. Israel tinha-se deteriorado em tantos problemas que eles tiveram problemas desta natureza.
Na verdade, Anás era o sumo sacerdote a partir do ano 6 a 15 dC, durante os anos da infância de Jesus. No Antigo Testamento, um homem era sumo sacerdote por toda a vida.
Roma sentiu que precisava colocar fantoches como sumo sacerdote e assim eles poderiam nomear sacerdotes. Tecnicamente eles não eram legítimos.
Para ser sumo sacerdote, bastava bajular César e receber dinheiro e poder. Era uma questão de corrupção, de contenção e suborno. E Anás ganhou muito dinheiro com esta função. Caifás era apenas um fantoche de Anás.

Anás era o maior corruptor, acumulando muito dinheiro. É muito interessante saber como ele ganhou tanto dinheiro.
Anás estava no comando das concessões do templo. Ele era imensamente rico e, consequentemente, poderia comprar o caminho para todos os cargos e continuou a ser o poder por trás da cena.

Ele comandava as concessões para a venda de animais, no templo, para os sacrifícios.
Quando as pessoas vinham de muito longe, para fazer seus sacrifícios, vinham para o átrio exterior do templo chamado de “O Pátio dos Gentios”, onde havia estandes criados para a troca de dinheiro, porque eles teriam de pagar um imposto do templo.
E se eles trouxessem o valor em moeda estrangeira, é claro, eles tinham que trocá-las. Claro, os cambistas lucravam muito com isto. Anás tinha o monopólio de tudo, as concessões pertenciam a ele.
No Velho Testamento era exigido que o sacrifício deveria ser feito com um animal perfeito, sem qualquer defeito.
Anás tinha posto lá os inspetores de sacrifícios. E o sacrifício deveria passar por eles para serem legitimados. Naturalmente, o sacrifício de ninguém era aprovado. E aquelas pessoas tinham, como única alternativa, comprar um sacrifício no pátio dos gentios, a preços exorbitantes. Tudo sob controle de Anás.
Pense em algo: Em cada páscoa, mais de 250 mil cordeiros eram sacrificados. Um grande e fabuloso negócio. Na verdade, os próprios judeus odiavam Anás.

Agora, para adicionar mais um problema, tanto no inicio como no fim de seu ministério, Jesus, não só denunciou tudo aquilo como expulsou os comandados de Anás do templo (João 2:15; Mateus 21:12).Isso o tornou ainda mais odiado por Anás.
Então, naturalmente, se eles queriam obter uma acusação contra Jesus, eles iriam para Anás porque ele era o cérebro de todo o esquema. Ele tinha ódio de Jesus por Ele ter desordenado seu negócio. Jesus era uma ameaça a sua fonte de lucros.

Caifás, que era genro de Anás, era, tecnicamente, o sumo sacerdote naquele momento. Caifás vinha tramando a morte de Jesus o tempo todo.
Caifás se reuniu com seus companheiros e conversaram sobre o tremendo problema chamado Jesus, pouco antes de sua entrada triunfal em Jerusalém. Eles tinham ouvido falar sobre a ressurreição de Lázaro.
Eles disseram: “Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais, se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” (João 11:47-48).
Caifás responde: “Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação”. (João 11:48-49).
Aqui ele diz, em outras palavras: – Por que não se livrar desse Jesus. Ele vai bagunçar a nação, nós vamos ter uma revolução, os romanos virão e acabarão conosco. Então o que devemos fazer é matar Jesus para salvar a nação.

Ele não sabia o que estava dizendo, mas ele estava falando profecia. João diz nos versículos seguintes: “Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” (João 11:51-52).

“Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (João 11:53). Então, isso é Caifás. Ele odiava Jesus. E assim estava pronto e conspirar para se livrar dele.
Eles só estavam esperando o momento certo. E, claro, Judas já havia consultado com eles e definiu tudo.

A primeira negação de Pedro

V.15: “E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus”. A Bíblia diz que Pedro o seguia de longe (Marcos 14:54), ou seja, se escondendo atrás dos arbustos ou outras coisas.
O outro discípulo que estava com Pedro entrou na sala do sumo sacerdote. Alguns sugerem que era Nicodemos (João 7:50, 19:39) ou José de Arimateia (João 19:38). Ambos não tinham se declarado publicamente como discípulo de Jesus.

Pedro não ficou onde o Senhor queria que ele ficasse. No jardim do Getsêmani, o Senhor construiu um pequeno abrigo de proteção para eles e lhes permitiu fugir.
Mas Pedro não aceitou isso. Ele feriu o servo do sumo sacerdote. Jesus cura aquele homem e novamente põe Pedro a salvo. Mas ele insistiu em ficar fora do abrigo seguro no qual Jesus o colocou. Os demais fugiram (Mateus 26:56).
Ele deve ter se lembrado de suas palavras a Jesus: “Por ti darei a minha vida” (João 13:37), “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei” (Mateus 26:35).
Ele amava a Jesus e não podia suportar a ideia de não estar com Jesus. Então decidiu agir por suas próprias forças.

Quando Jesus perguntou aos discípulos, se eles não queriam ir embora com a multidão que rejeitou suas palavras, Pedro disse: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68).
Pedro tinha um tremendo desejo de estar com Jesus. E não há dúvida de que ele amava Jesus de todo o seu coração. Mas ele tinha uma esmagadora autoconfiança e não aceitou a segurança que Jesus tinha fornecido para ele.

Antes que possamos ser duros com Pedro, olhemos para nossas próprias vidas. Quantas vezes no movemos do lugar seguro que é estar em sintonia com a perfeita vontade de Deus ou através de uma dependência dele?
A Palavra diz que temos um lugar seguro em sairmos do sistema do mundo, em não possuirmos a filosofia do mundo, em não nos distrairmos com o entretenimento do mundo, em não compartilharmos com os costumes do mundo, em não nos tornarmos uma parte da cena destinada ao fogo, entre outras coisas.
Mas quantas vezes nos achamos fortes em lidar com tudo isto? Quantas vezes o Senhor tem que nos disciplinar e nos permitir sofrimentos para entendermos isto?
E depois que o Espírito Santo encheu a vida de Pedro, de fato ele deu a vida por Cristo. Tornou-se um homem destemido pelo poder do Espírito e não por suas próprias forças naturais e autoconfiança.

No verso 16 diz que o outro discípulo conseguiu fazer com que Pedro entrasse na sala de Anás. Pedro se move para um lugar ainda mais tenebroso.
Ele poderia estar pensando: “Agora, quando eu chegar lá, eu vou sentar ao lado de Jesus e dizer a ele para fazer todos caírem como tinha ocorrido no Jardim do Getsêmani”. Pedro sentia uma tremenda segurança na presença de Jesus.
Mas, ele não planejou muito bem. Logo que entrou, a porteira questionou: “Não és tu também dos discípulos deste homem?” (v.17). Pedro responde: “Mulher, eu não o conheço” (Lucas 22:57)
Ele estava se dirigindo para o local onde Jesus estava sendo julgado por seus inimigos. Ele se achava pronto para isto. Mas ele não estava pronto nem para enfrentar a menina na porta, percebe?

É assim que Satanás trabalha para nos vencer. Ele percebe nossa autoconfiança e constrói laços pelo caminho. Satanás é muito sutil. Ela sabe da nossa fragilidade quando estamos agindo por conta própria.
Pedro sequer sabia o que acontecia ali, ele estava indo de encontro às forças romanas e a todos os líderes religiosos, mas não conseguiu passar da menina na porta. Então ficou preso à sua mentira.
Se você não estiver realmente confiado numa plena dependência de Deus, em todos os momentos, você será facilmente golpeado por qualquer pequena coisa no caminho. Se a sua força está na carne, tudo não passa de uma presunção que se desmoronará.
Tenha cuidado com os golpes súbitos, quando você não está pronto e está confiando na carne. Eles derrubarão você.
E o que é confiar na carne? Não ter uma vida de comunhão com Deus, de alimentação da Palavra e de dependência de Deus.

Pedro, na sua carnal autoconfiança, não estava pronto nem para o primeiro pequeno teste, logo caiu. E caiu diante de uma menina na porta. Foi incapaz de confessar o seu Senhor, encolhendo-se em mentir e o negando. Foi tudo tão rápido que ele nem viu o que o atingiu.
Pedro não estava pronto para enfrentar aquilo. Jesus sabia o que iria acontecer. Era inevitável. Ele tinha fornecido escape para ele, mas ele se achou forte. Assim é conosco em muitos casos.
No jardim do Getsêmani Jesus o resgatou rápido. Mas desta vez, Jesus deixa-o bater no fundo. Ele simplesmente quis deixá-lo ferido para ensiná-lo uma tremenda lição que ele precisava aprender.

Agora, observe o versículo 18, esta é a parte mais trágica de todas: “Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também”.
No jardim ele está de pé ao lado de Cristo, tentando defende-lo com sua pequena espada. Agora ele está de pé ao lado da lareira, aquecendo-se com os inimigos de Jesus.
Quantas vezes podemos agir assim? Compartilhamos com o mundo, numa postura ofensiva a Cristo e a seu evangelho. Perdemos a essência de nossa fé e passamos a comungar com os homens em trevas.

Jesus perante Anás

Enquanto isso, no julgamento o “sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina” (v.19). Anás comandava um julgamento que era uma farsa. Ele já havia decidido que Jesus iria morrer, era apenas uma questão de conseguir algo em que ele pudesse ter direito de matá-lo legalmente. Por quê? Inveja e medo de perder poder e a posição.

A lei judaica dizia que quando alguém fosse trazido a julgamento não poderia depor para trazer culpa sobre si mesmo. A prova teria que ser apresentada a partir de testemunhas contra ele. O réu seria inocente até prova em contrário. Nenhum homem poderia condenar-se por suas próprias palavras. E isto foi quebrado.
Havia uma regra em que a partir do julgamento até a execução tinha de haver um intervalo de pelo menos dois dias. Isto também foi quebrado.
Outra regra flagrantemente quebrada: Ninguém poderia ser julgado à noite.
A coisa toda era podre e ilegal, do começo ao fim. Era tudo parte do plano para matar Jesus. Já havia a decisão para que ele fosse assassinado. Era apenas uma questão de tentar descobrir como eles poderiam justificar aos romanos.

“E o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina” (v19). Anás não tinha o direito de pedir isso a ele. Não havia testemunhas contra Jesus.
Ele queria que Jesus falasse sobre uma insurreição planejada ou alguma heresia. Anás queria dizer: “Você está planejando uma revolução… Você é um herege”. E eles queriam uma razão para mata-lo.
A lei judaica não infligia a pena de morte sobre alguém por sua própria confissão. E a lei Romana concordava com isso também. Eles tinham que ter testemunhas. O réu não tinha que provar ser inocente, eram eles que tinham que que provar que o réu era culpado.

Em outras Palavras, Jesus responde nos versos 20-21: – Não tenho doutrina secreta alguma, tudo o que disse, o fiz publicamente diante dos judeus. Por que perguntas a mim? Onde estão suas testemunhas? Isto aqui é ilegal.
Você diz – Bem, ele esperava ter um julgamento legal? Não, mas ele só queria deixar bem claro, desde o início, a ilegalidade e a farsa de tudo aquilo.
Jesus deixou Anás perplexo e incapaz de prosseguir. Um dos oficiais do templo, como que tomando uma posição de defender Anás, deu uma bofetada em Jesus e disse: “Assim respondes ao sumo sacerdote?” (v.22). Mais uma cruel ilegalidade.

Há uma observação aqui. A palavra traduzida como “bofetada” vem do grego “ραπισμα” (rhapisma), que pode também ser traduzida como golpe com vara ou bordão ou açoite. Aqueles guardas portavam esses instrumentos.
Veja esta profecia : “Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara na face ao juiz de Israel. E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:1-2).
Perfeito cumprimento desta profecia. Você acha que aquele oficial sabia o que estava fazendo? Anás estava sentado lá julgando o juiz, aquele que julgará toda a humanidade. Quem era o real juiz?

Jesus, calmamente, sem réplica violenta, sem raiva, sem vingança, diz “Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, por que me feres?” (v.23). Agora também temos um oficial perplexo.
Esta atitude serena de Jesus é estonteante. Mesmo o apóstolo Paulo, quando passou por situação semelhante, reagiu e disse: “Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir?” (Atos 23:3). O termo parede branqueada equivale a “hipócrita”.

Jesus perante Caifás e o Senédrio

O que fez Anás? “Mandou-o, maniatado, ao sumo sacerdote Caifás” (v.24). O julgamento por Caifás e o Sinédrio, no meio da noite, era mais um escárnio e uma ilegalidade.
Durante o tempo em que Jesus estava com Anás, o Sinédrio e Caifás tinham se reunido para continuar o julgamento simulado. Eles queriam fazer tudo rápido para entrega-lo aos romanos logo na manhã seguinte. Em seguida, eles se misturaram na multidão e gritaram “Crucifica-O”.
Foi um julgamento ilegal. Um encontro de falsas testemunhas. Era apenas mais uma parte de uma trama.

“Os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte; E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas, E disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias” (Mateus 26:59-61).
[As falsas testemunhas usaram uma palavra de Jesus sobre sua morte e ressurreição, para supor um motim destruidor liderado por ele].

Então Caifás pergunta: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Mateus 26:63). Jesus responde: “Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64).
“Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia. Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte. Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam” (Mateus 26:65-67)
Esta foi a farsa do julgamento religioso de Jesus. Logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, os anciãos, os escribas e todo sinédrio reuniram-se para dar legitimidade àquela farsa da madrugada, e então o entregaram a Pilatos (Marcos 15:1).

Pedro nega Jesus mais duas vezes

“E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou” (v.25).
Pedro está no mesmo lugar em que estava no verso 18. Ele já o havia negado uma vez e permaneceu ao redor dos incrédulos.
“E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele? E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou.”
Talvez a cena mais trágica para Pedro é relatada por Lucas, logo após a terceira negação:
“E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente” (Lucas 22:61-62).
Isso foi doloroso. Pedro estava se aquecendo junto com os inimigos de Jesus e negando conhecer aquele a quem muito amava. E o olhar de Jesus o fez lembrar os alertas que ele tinha ouvido do Mestre.

Quero te dizer algo: Precisamos olhar para Cristo, nos lembrar de suas Palavras, para que possamos ser corrigidos de qualquer identificação com este mundo.
Nesta manhã, a mensagem é o olhar de Jesus Cristo para você e que você saia e chore amargamente e o siga plenamente.

Há tantas coisas que Pedro nos ensina. Nós aprendemos que o crente é fraco. Aprendemos sobre perigo da autoconfiança.
Aprendemos sobre as consequências da falta de oração (Pedro deveria ter orado no Getsêmani em vez de dormir).
Ele poderia estar pronto para entender o que Deus queria dele naquele momento.
Vemos o perigo de más companhias. Aprendemos o poder do medo.
Vemos também como João nos quer mostrar a beleza e a majestade de Jesus Cristo.

E a história termina quando Jesus recupera Pedro.
Pedro não havia negado apenas quando disse, por três vezes, que não conhecia Jesus.
Naquele lugar ele o negou de forma contínua, comportando-se como alguém que não era um discípulo. Compartilhando até com os inimigos de Jesus.
Mas, por três vezes Jesus pergunta a Pedro se ele o ama e por três vezes Pedro tem o privilégio de dizer “eu te amo” (João 21:15-19).
Um “te amo” para cada uma de suas negações. Jesus o redimiu.
E então Jesus fez de Pedro a rocha que Ele queria que ele fosse.
Jesus pode restaurar a qualquer um que estiver disposto.


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Este texto é uma síntese do sermão “Jesus’ Trial, Peter’s Denial”, de John MacArthur em 13/02/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1571/jesus-trial-peters-denial

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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1 Resultado

  1. Rafaella disse:

    Alimento sólido e celestial

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