A prisão de Jesus

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Esta é um série de sermões sobre a prisão de Jesus, Seu julgamento no Sinédrio e perante Pilatos, Sua crucificação, Sua ressurreição, Suas manifestações após a ressurreição e restauração de Pedro. Veja Links no final do texto.


João 18
1 Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos.
2 E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos.
3 Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas.
4 Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?
5 Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Eu sou ele. E Judas, que o traía, estava com eles.
6 Quando, pois, lhes disse: Eu sou ele, recuaram, e caíram por terra.
7 Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno.
8 Jesus respondeu: Já vos disse que Eu sou ele; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes;
9 Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi.
10 Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.
11 Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?

Nos capítulos 2 a 12 do Evangelho de João vemos o ministério público de nosso Senhor e como Ele se apresentou aos homens.
Nos capítulos 13 a 17, vemos Jesus em tempo pessoal com seus próprios discípulos, ensinando-os, amando-os, orando por eles e entregando-os aos cuidados do Pai.
Em seguida, nos capítulos 18 a 21 vemos o registro da morte e ressurreição de Cristo. O que Ele disse que aconteceria agora está acontecendo. Este é o clímax de sua vida.

A razão pela qual Jesus Cristo se encarnou era morrer na cruz para cumprir o propósito do Pai.
Muitos veem a partir de uma perspectiva humana, como se Jesus fosse uma pessoa maravilhosa vitimada por uma conspiração.
A Palavra de Deus é clara que Jesus Cristo foi preso, humilhado e morto na cruz por sua própria vontade. Ele nunca foi uma vítima e nunca foi surpreendido por nada.
Ele disse: “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora, e eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:27,32).
Veja o que Pedro disse no dia de Pentecostes:

“Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Atos 2:22-23).

A partir do capítulo 18 de João chegamos ao clímax. Começamos com o capítulo 18 – a subida até a cruz. Para cada santo no Velho Testamento e no Novo Testamento, a cruz é tudo. Ela é o ponto alto da história. Todo homem resgatado olha para a cruz.
[Os santos no Velho Testamento foram salvos olhando para o futuro, para a cruz (II Samuel 23:3-5). A partir do Novo Testamento, os santos são salvos olhando para trás, para a cruz (Hebreus 12:2). A cruz de Cristo é o único caminho para alguém ser aceito por Deus, em qualquer tempo da história do homem].

O propósito de João não é apresentar Jesus Cristo como homem, mas de apresenta-lo como Deus. Em todo momento ele nos leva a ver Cristo como Deus em carne humana. Jesus era humano e também divino.
Ele sintetizou tudo nestas palavras: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

Mesmo nos momentos em torno de sua morte na cruz, João continuou a produzir evidências de que Jesus Cristo é Deus.
João também narrou momentos em que Jesus foi envergonhado, preso como um criminoso comum, traído por um amigo, brutalizado e depois crucificado. Algo terrivelmente degradante. Mas, em sua narrativa, João apresenta a majestade sem igual de Jesus Cristo.

Mateus, Marcos e Lucas tiveram propósitos diferentes. Não era tão diretamente apresentar Cristo como Deus.
Eles detalharam a agonia no jardim, a angústia, a tristeza, o choro e a transpiração, por assim dizer, grandes gotas de sangue, bem como todas as coisas que humilharam Jesus tão fortemente e o fizeram sofrer. E eles fizeram assim porque isso é muito importante.
Mas o propósito de João é apresentar a divindade de Cristo. Você não encontra a maioria dos fatos tão humilhantes no evangelho de João.
Tudo o que acontece na prisão de Jesus, João aponta como tudo aquilo glorificava o Filho de Deus. Ele mostra a supremacia de Jesus Cristo em cada detalhe.

Há quatro características mais proeminentes desses versículos que nos mostram a supremacia de Cristo: Sua coragem suprema, Seu poder supremo, o Seu supremo amor e Sua suprema obediência.

Sua coragem suprema

Sua coragem pode ser vista em sua determinação de ir para a cruz. É muito corajoso um homem disposto a morrer por uma causa, por uma verdade… Isso é nobre.
Ele sabia que iria suportar o pecado de toda a humanidade, receberia o cálice da ira Deus e seria abandonado por Deus com quem sempre esteve face a face. Esta coragem é suprema e além de qualquer coisa que um ser humano possa mostrar.
Jesus foi destemido, sem hesitação e moveu-se diretamente para o caminho da Cruz. Ele não foi enganado e surpreendido. Ele decidiu isto. Não era um Cristo encolhido e se escondendo, mas um Cristo decidido a cumprir aquilo para que o Pai o enviou.

Note o verso 18:1: “Tendo Jesus dito isto”, ou seja, referindo-se a oração do capítulo 17 e todas as outras palavras que Ele disse para os discípulos entre os capítulos 13 a 16 de João, “saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos”.
Ele foi junto com os onze discípulos para o jardim do Getsêmani, próximo a Jerusalém.

Jesus tinha por costume, ao longo dos anos do seu ministério, passar suas noites no Monte das Oliveiras.
Os Jardins no Monte das Oliveiras pertenciam a pessoas ricas de Jerusalém, por causa da proximidade das habitações na cidade.
Provavelmente Jesus tinha a permissão de algum proprietário para usar esse jardim ao longo da Montanha. E era seu costume ir para lá.
No ultimo versículo de João 7 diz: “E cada um foi para sua casa”. Logo em seguida, em João 8:1-2 diz que “Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras. E pela manhã cedo tornou para o templo”. Lá foi um lar de Jesus. Era ali que Ele se colocava perto do Pai. Ali Ele poderia descansar dos problemas e dos conflitos das pessoas e estar com Deus.
E, naquela noite, quando Ele entrou naquele jardim, Ele sabia exatamente o que iria acontecer. Ele planejou cada detalhe.

Aquela noite fazia parte da Pascoa, a cidade estava cheia de pessoas de muitos lugares, em sua maior parte, para fazer sacrifícios.
Em cada Páscoa, algo em torno de 250 mil cordeiros eram sacrificados. Você pode imaginar um pouco da bagunça provocada pelo abate desses cordeiros em um altar no templo… Sangue correndo por toda parte.

Havia uma calha e um canal que fazia a drenagem do sangue para o ribeiro de Cedrom. E, sem dúvida, ao sair da cidade, Jesus atravessou o riacho e viu naquele ribeiro o sangue de todos os cordeiros que estavam sendo mortos por causa dos pecados das pessoas.
Sua mente deve ter se tornado muito viva com o Seu próprio sacrifício que estava por vir.
E Judas sabia onde Jesus estava (v.2). E Jesus sabia que Judas sabia. Judas estava reunindo as forças para confrontar Jesus naquele pequeno jardim.

Há dois tipos de profecias no Antigo Testamento: Profecia preditiva verbal e profecia preditiva típica.
Um exemplo de profecia preditiva verbal é: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaías 9:6). Uma verbalização detalhada da vinda de Cristo.
Um exemplo de profecia preditiva típica refere-se a todos os sacrifícios do Antigo Testamento, que eram uma imagem de Jesus Cristo. Foi uma profecia de que um sacrifício final viria.
Há alguns homens no Velho Testamento que tipificaram Cristo. Um desses era Davi, que foi traído pelo seu próprio amigo íntimo Aitofel, e teve que fugir (II Samuel 15:12,30-31).
E quando escapou, saiu pela porta de Jerusalém, descendo a encosta, do outro lado do Cedron, até o Monte das Oliveiras, com seus fiéis seguidores.
Este pequeno incidente tornou-se uma imagem perfeita no Antigo Testamento do que aconteceria com Cristo, chamado de Filho de Davi. A traição de Aitofel a Davi é repetida, em grau mais intenso, por Judas em relação a Jesus.

Você pergunta: “Por que Jesus foi para lá, se sabia que iria se meter em uma confusão”?
Antes de tudo era o lugar de oração. Também um lugar de descanso, refúgio e de doce comunhão com os Seus discípulos.
Mas tudo isso é secundário. Ele foi para lá porque sabia que Judas iria lá com os soldados e que seria um lugar muito fácil para prendê-lo. Nada foi uma surpresa para ele.
Jesus foi para aquele jardim porque estava forçando o confronto que resultaria em sua morte.

Se Jesus fosse preso no meio de Jerusalém, poderia haver um tumulto que resultaria em ameaça aos seus discípulos. Jesus quis provar aos discípulos que ele não era uma vítima.
Ele poderia ter ido sozinho para o jardim, e os discípulos iriam ouvir que Ele tinha sido preso. A fé deles teria ido pelo ralo. Eles o teriam visto como uma vítima de uma conspiração.
Na calma e na solidão do jardim do Getsêmani, a prisão poderia ocorrer sem qualquer perturbação e tumultos. Os discípulos puderam ver que Ele não era uma vítima, mas um vencedor.
Os líderes religiosos quiseram prender Jesus muitas vezes, mas temiam o povo (por exemplo, Marcos 11:18). Naquele jardim, Jesus eliminou o problema do medo e tornou muito fácil a sua prisão. Era uma rendição voluntária.

Veja João 10:17-18: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la”.
Ninguém tirou a vida de Jesus. Ele nunca foi uma vítima. Jesus poderia ter ido para outro lugar, aquele jardim era o lugar mais óbvio para Judas encontrá-lo. Mas, foi para lá que Jesus se dirigiu. Ele estava dando sua vida.
Houve momentos em que Jesus propositalmente evitou o perigo de morte (tal como em João 8:59; 12:36), pois não era ainda sua hora. Sua obra não havia terminado.

Havia a hora designada em que Deus tinha projetado a morte de Jesus na cruz.
Não poderia ser antes da Páscoa, pois Ele era o cordeiro pascal.

E assim, Jesus na verdade está dizendo: “Bem, chegou a hora da minha prisão, assim eu vou para algum lugar em que tudo será fácil”.
Pouco tempo antes disto, quando Satanás entrou em Judas para traí-lo, Jesus disse-lhe: “O que fazes, faze-o depressa” (João 13:27). A hora havia chegado. Jesus sabia disto. Nada fugiu ao controle do Pai.

Judas o persegue sob o abrigo da escuridão da noite, ele vem para fazer seu trabalho miserável.
Os soldados romanos e os guardas do templo foram reunidos com os líderes religiosos como parte de uma força diabólica se movendo para o jardim do Getsêmani.
Algo em torno de 600 homens (média calculada por historiadores) foram prontos para um confronto, veja Mateus 26:47: “Eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo”.
O mesmo cenário é retratado por João: “Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas” (v.3).

Além dos soldados, talvez mais de uma centena de guardas do templo foram ali juntos aos líderes religiosos. Todo este contingente de pessoas para enfrentar Jesus e mais onze discípulos. Eles queriam ter certeza que nada poderia impedir a prisão de Jesus.
Os historiadores dizem que este fato foi um período de lua cheia. Eles não teriam necessidade de levar as tochas e lanternas para encontrar Jesus. Mas eles pensaram que Jesus poderia se esconder em algum lugar, e seria necessário vasculhar a área.
E assim, lá estão eles com tochas para procurar a Luz do mundo e com espadas para caçar o Príncipe da Paz. Que insulto! E Judas, que caminhou com Ele por 3 anos, está a frente de tudo. Que trágico pecador vil ele foi!

A Bíblia diz que Satanás entrou nele. Jesus disse que teria sido melhor que esse homem não tivesse nascido.
Judas era vil. Ele foi o mais baixo dos baixos. Um hipócrita além dos limites da hipocrisia.
E assim, lá vem ele a frente de uma multidão de soldados. Ele se sente seguro. Ele não acreditava que depois de tudo Jesus continuaria sendo o Deus Eterno.

E o que Judas faz quando chega ao jardim? A Bíblia nos diz em outros evangelhos (Mateus 26:49, Marcos 14:45 e Lucas 15:20). João não incluiu o beijo porque isso é degradante e João quer apenas exaltar a Cristo.
Judas foi em direção a ele e o beijou. A construção grega é que ele o beijou repetidamente.
Ele poderia apenas apontar para Jesus. Mas não fez assim. O mesmo espírito de confusão mental e de pecado e o mesmo tipo de controle possessivo de Satanás, que fez dele um traidor, também adicionou a ele este refinamento de um diabólico beijo.

É tenebroso trair um amigo, certo? Mas a maior estupidez no mundo é pensar que você pode beijar Deus em escárnio e sair vitorioso.
Mas, a parte triste, é que já teria sido terrível se Jesus tivesse sofrido apenas uma traição. Ele tem suportado milhões de Judas até hoje, da parte de falsos discípulos.

Mas João não desperdiça uma chance de dizer que Jesus é Deus. Veja no v.4: “Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?”. Em sua onisciência, Ele sabia de todas as coisas.
Antes de qualquer coisa pudesse acontecer, Jesus disse: “A quem buscais?” Que ousadia magnífica de ir para a cruz por nós.
Veja o v.5: “Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Eu Sou ele”.
Sem reconhecimento dele como o Cristo, ou Messias, Deus ou nada, apenas o chamam de Jesus de Nazaré. Eles apenas dão o título e de onde ele é para identificá-lo. Eles foram ordenados a prender um home chamado Jesus de Nazaré.
Mas veja o que Jesus diz no versículo 5: “Eu Sou”. Esse é o nome de Deus. Jesus disse – Eu Sou.

“E Judas, que o traiu estava com eles”(v.5). O que Judas está fazendo lá? Por que ele não saiu? Ele já tinha seu dinheiro.
Ele mostra o que acontece quando Satanás governa um indivíduo. A atividade do pecado é insensata, incoerente e estúpida.
Além disso, Judas estava lá por causa do que estava prestes a acontecer. Porque João quer que saibamos que Judas foi apenas parte do plano divino e que não tinha poder sobre Jesus.

Seu poder supremo

“Quando, pois, lhes disse: Eu sou ele, recuaram, e caíram por terra” (v.6).
João quer que saibamos que Judas não tinha poder algum sobre Jesus. Jesus está de pé e todo o exército romano no chão. E seus discípulos vendo aquela cena.
Ali estavam soldados, eles caíram por causa do poder da palavra de Cristo. Ele era apenas um, e eles eram um exército, equipados para uma guerra. Quem, de fato, tinha o poder?
Fluiu de Jesus tal poder e autoridade, que eles não poderiam mesmo ficar de pé em Sua presença.
Este é outro sinal de João para nos mostrar que esta não era uma vítima. Este é Jesus Cristo, vencedor, majestoso e que tem tudo sob seu controle.

Deus criou o mundo pela sua Palavra. O poder de Deus é manifesto por sua Palavra.
Veja estes textos: “Da sua boca saía uma aguda espada de dois fios” (Apocalipse 1:16); “contra eles batalharei com a espada da minha boca” (Apocalipse 2:16).
Quando Cristo vier para o juízo no fim dos tempos, a Bíblia diz que ele tem uma espada afiada… Onde?… Que sai da sua boca.
Você vê, é a Palavra de Deus que é poderosa. É a Palavra de Deus que julgará e condenará os homens.
A Bíblia diz que Ele irá julgar pela palavra da sua boca. Aquela multidão provou apenas um pouco do poder do julgamento. E eles caíram indefesos a Seus pés.

Seu supremo amor

João nos mostra através desta narrativa não apenas o poder ea coragem, mas o amor de Jesus.
Vimos nos capítulos 13 a 17 de João, na semana de sua morte na cruz, Jesus nunca esteve preocupado consigo mesmo, mas com seus discípulos.
E é exatamente o que você vê aqui… Um amor sem fim. Quando, finalmente, deveria estar pensando em Si mesmo, Ele está pensando nos discípulos.

Veja no verso 7, eles acabaram se levantar do chão, Jesus perguntou novamente “A quem buscais?”, eles respondem: “Jesus de Nazaré”. Você pode imaginar isto? A estupidez e a cegueira do pecado.
Quantas vezes Jesus derruba alguém e a pessoa se levanta na mesma descrença de antes? Lembre-se de Faraó.
Quantas vezes, mesmo como cristão, você foi ao chão por causa do pecado e faz tudo de novo? É a mesma dureza.

Veja o versículo 8. “Já vos disse que Eu sou ele; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes”.
Você entendeu? Duas vezes Ele os faz dizer que as ordens são para prendê-lo. Então ele diz – Tudo bem, homens, então deixe ir estes. Ele exerce autoridade ali.
Ele tinha que libertar seus discípulos, para que pudessem levar a mensagem do evangelho. Tudo isto estava planejado na eternidade.

Ali estava o inimigo, mas Jesus estava entre ele e seus discípulos. Jesus Cristo não é o tipo de pastor que resgata o cordeiro quando a metade está devorada pelo lobo.
Ele sai na frente antes que os lobos cheguem ao rebanho. Jesus disse que “o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas”, e que “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10:13,11).
E então aqui está Jesus vencedor, não uma vítima. Ele é um rei exercendo autoridade. Ele mostra o Seu amor e proteção para os seus discípulos e os protege.
Ele completa: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28). Tremendo! Maravilhoso!

Veja o verso 9: “Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi”. Jesus havia falado isto em João 17:12 “Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse”.

Se eles fossem capturados fisicamente, naquele momento da vida deles, se perderiam espiritualmente.
Que tipo de fé eles tinham? Uma fé minúscula. Eles não estavam prontos para a tortura e sofrimento.
Jesus teve que intervir e fazer uma coisa especial para mantê-los espiritualmente. Jesus impediu a possibilidade de um esfacelamento da salvação deles.
E isso é exatamente o que Paulo quis dizer em I Coríntios 10:13: “Fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar”.
As verdadeiras ovelhas de Jesus estão guardadas em seu poder. Jesus disse: “Meu Pai, que me deu [as ovelhas], é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um” (João 10:29-30).

Veja Romanos 10:5: “Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”.
Ele continua intercedendo por nós. Ele nunca deixa que algo possa destruir o relacionamento de suas verdadeiras ovelhas com o Pai. É um amor protetor Supremo e aqui ele está protegendo seus discípulos.
Amado, se você é um verdadeiro discípulo de Jesus, Ele jamais iria deixá-lo escapar de seu alcance. Caso você não pense assim, isso seria uma admissão da sua parte que Ele não teria poder para mantê-lo e de que haveria poderes capazes para arrebatar das mãos do Pai, as ovelhas que Deus levou a Jesus.
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” e “ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (João 6:44 e 10:30).
[Resta saber, se fomos a Jesus porque Deus nos conduziu a ele ou se fomos por nossos próprios esforços humanos].

Veja no v.10: “Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco”.
Pedro decide sair do cuidado protetor do Senhor. Lembre-se que o Senhor estava no meio, certo? Ele ficou parado entre o inimigo e os discípulos.
É onde ele está entre você e o mundo. Mas de vez em quando nós fugimos do abrigo seguro que há em Cristo e decidimos por conta própria.

Jesus repreende Pedro: “Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?”, e como um pedido de desculpas, ele curou a ferida que Pedro fez naquele homem (Lucas 22:51).
Admiro a coragem de Pedro. Ele realmente pensou que poderia lidar com aquela situação. Durante aqueles anos, ele viu o Senhor os protegendo.
Pedro descobriu que ele não era tão forte como pensava. Naquela mesma noite ele estaria apenas chorando em seu coração por ter negado a Jesus.
Jesus não só está entre nós e o perigo, mas mesmo quando entramos no problema ele vem e nos resgata. Assim Ele fez com Pedro naquele momento e depois da sua ressurreição.
Veja o mesmo principio na parábola da ovelha perdida (Lucas 15:3-7) e do filho pródigo (Lucas 15:11-32)
A quem Deus ama Ele castiga, disciplina e corrige (Hebreus 12:5-11). Ele o trata como um filho.

Muitos daquela multidão tinham visto milagres de Jesus. Todos eles tinham visto Jesus estender a mão e curar a orelha daquele homem ferido por Pedro.
Eles poderiam adorar a Jesus ali, certo? Não aquela multidão. Sua mente estava cega pelo pecado.

Ali estava Jesus entre os discípulos e seu inimigo (o mundo governado por Satanás). O lugar seguro para todos seus discípulos era permanecer atrás de Jesus.
Isto é um princípio. Irmão, fique no abrigo, não se misture com o mundo, não ame as coisas do mundo, não brinque com o mundo.

Jesus poderia ter destruído aquele grupo inteiro com uma palavra, mas Ele de bom grado foi para a cruz. Ele curou aquele a quem Pedro feriu. Ele não estava interessado em ferir homens e lutar contra eles.
Ele estava de bom grado decidido a ir para a cruz. Ninguém tirou a vida Dele. E assim vemos sua coragem suprema, seu poder supremo e seu supremo amor… Um amor que não pensa em si, mas apenas nos outros.

Sua suprema obediência

“Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?”. Quer dizer, “isso é o que meu Pai planejou Pedro, aquiete-se. Saia do meu caminho para que eu possa fazer meu trabalho. Isso é o que temos planejado desde a eternidade”.
E assim “a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o amarraram” (João 18:12).
Observe a palavra “cálice”. A ideia de um “cálice” (ou taça) no Antigo Testamento está associada com o julgamento (o cálice da sua ira). Quando Jesus foi para a cruz Ele bebeu a taça da ira de Deus contra o pecado.

Que taça era esta? “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens” (Romanos 1:18).
Jesus voluntariamente bebeu deste cálice. Ele o bebeu completamente. Ele morreu a nossa morte.
“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8).
A serpente lhe feriu o calcanhar. Deus virou as costas para Ele, por causa do pecado. Os discípulos o abandonaram. Os gentios o zombaram e o açoitaram e os judeus clamaram “crucifica-o”.
Ele morreu naquela cruz em plena obediência ao plano do Pai… Uma suprema obediência. Majestosa a sua coragem, seu poder, seu amor e sua obediência.


Leia Também:


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Betrayed and Arrested”, de John MacArthur em 06/02/1972.

Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1570/jesus-betrayed-and-arrested

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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