O cristão e o álcool – Parte 1

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Efésios 5
18 E não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.

A segunda metade do livro de Efésios é sobre a vida cristã. Ele começa a seção prática de Efésios, no capítulo 4, versículo 1, onde há um apelo a andar de um modo digno da vocação , que é o chamado eficaz do qual falamos esta manhã. Fomos admoestados a andar de maneira digna da vocação a que fomos chamados. Nos versículos seguintes do capítulo 4 e nos capítulos 5 e 6, o apóstolo apresenta qual é na prática esse “modo digno”.

No centro desta caminhada digna, no ponto crucial de viver uma vida piedosa que honra o Senhor, encontra-se o chamado para “ser cheio do Espírito.” O versículo 18 fala de ser cheio do Espírito. Esse ‘ser cheio’ não tem o sentido no texto de encher um copo que está vazio. O sentido aí é semelhante a uma vela de um barco que é preenchida de vento e é direcionada por ele. Esse é o sentido.

É estar na direção que honra a Deus pelo poder do Espírito Santo, paralelo ao que está em Colossenses 3:16: “Que a palavra de Cristo habite em vós abundantemente”. Assim, é ter uma vida centrada na Palavra e, como consequência, uma vida controlada pelo Espírito Santo. A pessoa assim cheia estará se movendo ao longo da vida sob o poder do Espírito Santo, em conformidade com a revelação do Espírito nas páginas da Sagrada Escritura.

Na reunião da manhã, nós falamos sobre o que o Espírito faz por nós e o que nós somos responsáveis a fazer. Temos de ser passivos, sendo mantidos cheios do Espírito Santo. É pela obra maravilhosa do Espírito que somos conformados a Cristo. É o Espírito que nos move no caminho da obediência, que nos liberta do pecado, que nos submete a cumprir com prazer os mandamentos de Deus e nos permite viver dignamente. É assim que devemos viver.

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.”

Não há dúvida de que isso é uma estranha conexão. Não fique bêbado, mas enchei-vos do Espírito Santo…
Por que é que o enchimento do Espírito Santo está em contraste com a embriaguez?

Obviamente, a Escritura condena a embriaguez como pecado. Embriaguez é associada com comportamento desenfreado. Aqui a palavra é a devassidão, ou seja, imprudência, imoralidade, falta de contenção, uma perda de autocontrole. Uma pessoa que vive dessa forma é designada em 1 Coríntios 6: 9 e 10 como uma pessoa que não pode herdar o Reino de Deus. Esse é um comportamento característico de um não cristão.

Na verdade, você pode encontrar cerca de quatro ou cinco listas de pecados característicos dos incrédulos nos escritos do apóstolo Paulo, nas quais você vai encontrar a embriaguez incluída. Entendemos que o comportamento desenfreado, mal, dissipado, imprudente, irresponsável, fora de controle que é induzido por estar bêbado é pecaminoso, é característica de incrédulos e não deve ser característica de cristãos. Mas, se é assim, por que é que a embriaguez está contrastada com ser cheio do Espírito Santo?

Num sentido mais simples, podemos dizer que é uma espécie de analogia. Um cristão não deve estar sob a influência do poder interno errado. O álcool é um poder interno que traz aquele que o ingere sob sua influência. E o Espírito Santo é um poder interno, embora espiritual, que traz o filho de Deus sob Sua influência. Então, numa analogia simples, seria como dizer: ao invés de ser mantido sob a influência de álcool, o cristão precisa estar sob a influência do Espírito Santo.

Bem, isso é um contraste razoável e não é uma má analogia, na verdade. Mas isso não é o ponto aqui, porque a questão aqui não é um contexto secular, o ponto aqui é um contexto religioso. O assunto tratado aqui é totalmente sobre religião e adoração. Esse é o tema aqui. Tendo dito isso, vamos nos aprofundar um pouco mais sobre este ponto.

Era conduta comum nas religiões pagãs expressar sua adoração em uma orgia de bebedeira e glutonaria até mesmo com prostituição. A ideia era que a religião era uma experiência transcendente, uma experiência esotérica, metafísica, elevada e que a única maneira através da qual o homem poderia ter comunhão com as divindades era perdendo todas as suas inibições.

A embriaguez não era apenas social, ela era religiosa e, portanto, em termos de religião, não era apenas aceitável, era de se esperar. Era uma parte essencial da experiência religiosa no mundo grego e romano.

Agora deixe-me voltar um pouco na história e ajudá- lo a entender melhor. Na mitologia grega era dito que o grande deus Zeus deu à luz um filho de uma forma muito, muito estranha e bizarra. A criança foi retirada do útero de sua mãe, cujo nome era Semele. Então, a criança é semeada na coxa de Zeus até a hora de nascer. E a criança na coxa de Zeus seria o governante do mundo. No entanto, quando nascida foi sequestrada por Titans, que tomou a criança e a despedaçou, cozinhou e comeu. Seu coração, no entanto, foi resgatado por Zeus, que o engoliu e, assim, a criança renasceu como Dionísio. Isso é estranho? Sem dúvida!

Então, de repente, a criança aparece novamente, ressuscitada como Dionísio. (Faz tanto sentido para mim como evolução…) [risos…]. Dionísio, em seguida, ressuscitado, cria uma religião, uma religião de êxtase, uma religião de sentimentalismo que saturou o mundo grego e o mundo romano. Os adoradores, por exemplo, comiam a carne de touros, cometiam atrocidades com partes íntimas humanas e até mesmo as adoravam… Escandaloso, estranho, orgástico, comportamento sexualmente pervertido.

O culto a Dionísio foi conhecido por cultivar loucura com música, embriaguez, gula e atividade sexual. Um antigo e famoso escritor, Eurípides, escreveu sobre alguns dos seus horríveis rituais.

Dionísio, o nome grego, ficou conhecido como o ‘deus do vinho’, porque a embriaguez era uma parte muito importante desse culto. E o nome romano de Dionísio é Bacchus, ou Baco. Você se lembra desse nome? Baco é o deus romano do vinho. Uma festa dedicada a Baco era uma orgia de bêbados. Eu visitei, anos atrás, a cidade de Baalbek, no leste de Beirute, no Líbano, e lá havia um dos grandes templos de Baco e é uma das ruínas mais bem preservadas no Oriente Médio e uma coisa impressionante para ver.

Você ainda pode ver o piso principal, onde havia um buraco profundo para o povo vomitar, por causa da embriaguez, para que eles pudessem voltar e comer e beber ainda mais. Então, havia esse tipo de religião, que essencialmente era uma espécie de experiência falsa induzida por embriaguez, liberando as pessoas de todo o seu autocontrole normal e inibição e contenção, para que elas se comportassem de uma maneira completamente descontrolada. E este era o tipo de religião que muitos dos crentes na igreja primitiva estavam muito familiarizados e muitos tinham sido salvos dessas práticas, pois tudo isso estava arraigado na cultura religiosa grega e romana.

Assim, o apóstolo Paulo está dizendo ‘não vos embriagueis com vinho’. Ou seja, esse não é o caminho para ter comunhão com o verdadeiro Deus. Isso só produz devassidão. Não há comunhão real com qualquer divindade através da embriaguez, porque só há um verdadeiro Deus e a comunhão com Ele é gerada pelo Espírito e apreciada por aqueles que estão cheios do Espírito.

Um outro exemplo disto está em 1 Coríntios 10. Quando Paulo escreveu aos coríntios, ele estava se dirigindo a um povo que viveu debaixo dessa cultura de culto pagão por muito tempo. No versículo 20, ele afirma que “as coisas que os gentios sacrificam, eles sacrificam aos demônios e não a Deus.” Ele estava dizendo: não quero que vocês se tornem participantes de demônios. Você não pode beber o cálice do Senhor no serviço de comunhão e, em seguida, voltar e ficar bêbado com um cálice dos demônios.

Você não pode participar da mesa do Senhor e voltar para a mesa dos demônios. E você se lembra de que Paulo, ainda neste capítulo, teve que corrigir a forma como lidavam com a Mesa do Senhor? Alguns deles eram glutões na mesa do Senhor. Alguns deles estavam entregando-se à embriaguez até mesmo na mesa do Senhor!

Observe o capítulo 11, verso 21: “porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga.” Havia um grave perigo de os antigos costumes dos cultos pagãos de falsa adoração serem arrastados para a vida da igreja. Assim, o apóstolo Paulo, procura fazer uma clara distinção entre a falsa comunhão com os falsos deuses e a verdadeira comunhão com Deus, que só pode gozar aquele que vem a ser preenchido com Seu Espírito.

Então, essa é a natureza do contraste. Agora, tendo dito isso, eu quero apenas falar sobre toda esta questão de não se embriagar com vinho. O verbo grego aí usado é “methusko”. Esse verbo é usado três vezes no Novo Testamento e significa “não ficar bêbado”. Este não é o único lugar na Bíblia que condena a embriaguez. Há muitas advertências na Escritura contra embriaguez e o pecado de embriaguez. Há também advertências constantes para que o cristão mantenha o autocontrole, a mente clara, mente sóbria, certo? Repetidamente o Espírito Santo traz essas exortações através dos escritores do Novo Testamento.

Tudo o que a embriaguez faz é produzir devassidão. A palavra grega que está em Efésios 5:18 é “asotia”, que significa devassidão, imprudência, libertinagem desenfreada. Isso é o que a embriaguez produz.

Então, nós somos advertidos aqui: ‘Não vos embriagueis com vinho, mesmo para supostamente algum propósito nobre, como acreditar que você pode comungar com Deus.’ Talvez, houvesse crentes que pensavam que poderiam tentar entrar em comunhão com o Deus verdadeiro da mesma maneira que eles faziam no passado, quando ainda eram pagãos.

Agora, a palavra “vinho” é uma palavra interessante. Mas a palavra vinho usada por Paulo no texto de Efésios 5:18 é “oinos”.

No hebraico, as palavras “Yayın, oinos e yayin” se referem a vinho. E quando você olha para um dicionário de hebraico, a palavra “yayin” se refere ao “vinho misturado”. E como veremos daqui a pouco, havia o “vinho misturado” no tempo do Antigo e do Novo Testamento.

Há um número de diferentes palavras hebraicas que se referem ao vinho, mas a palavra mais comum é “yayin”. Existem algumas outras, como “tirosh” (que se refere ao vinho novo, não fermentado) e “chamar” (algo fermentado). Depois, há “shakar”, palavra hebraica que se refere a bebida forte. “Shakar” seria a bebida forte não misturada.

Mas se você pensar em vinho ou algo mais forte do que o vinho, sem mistura, estes tinham um potencial inebriante. “Oinos”, que é a palavra que o Novo Testamento usa, definitivamente se refere a uma bebida com um potencial inebriante, e é por isso que há tantas advertências na Escritura contra a embriaguez.

O que vou dizer agora não é um pensamento novo. A Enciclopédia Judaica há muito tempo já distinguia “yayin” (que é o vinho) do “shakar” (que é a bebida forte) quanto a questão de quanto teor de álcool cada uma tinha. Então, eles eram muito conscientes do potencial de embriaguez. O vinho era comum no Novo Testamento. E porque o vinho era tão comum no Novo Testamento, como era no Antigo, há tantas advertências sobre a embriaguez.

Ele carrega o potencial para torná-lo bêbado, para fazer você perder o seu controle, contenção, sentido e, portanto, podemos concluir que a embriaguez em qualquer nível é um pecado … é um pecado. Vemos isto em Romanos 13:13, Gálatas 5:21, 1 Coríntios 5, 1 Coríntios 6.

A embriaguez é um estado alterado de consciência no qual você não tem controle. É o oposto de ser sóbrio espírito e ter autocontrole. Para o cristão, é impensável, é um pecado, sem dúvida. E nós somos chamados a evitá-lo. Estas instruções que são dadas para nós não são ambíguas em qualquer sentido. Em 1 Pedro 4: 3, lemos: “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias” E todos esses pecados mencionados aí caminham juntos.

Você nunca vê nestas listas a embriaguez colocada de fora. Faz parte do pacote. Onde há sensualidade, luxúria, bebedeiras, farras, idolatrias abomináveis, aí há pecado. Um pecado chama o outro nessa lista. Por isso, as advertências são muito, muito fortes. A Bíblia constantemente alerta para o perigo da embriaguez, pois ela leva a todos esses outros tipos de comportamentos devassos, descontrolados.

Agora, até mesmo no Antigo Testamento as advertências são as mesmas. Provérbios 20:1 diz que o o vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora e quem é enganado por ela não é sábio. A pessoa faz coisas estúpidas quando está bêbada. Diz coisas ruins, coisas idiotas que acarretam más consequências.

O capítulo 23 de Provérbios é um bom lugar para obter um tipo de resumo do que a Bíblia fala sobre embriaguez. Os versículos 19 e 20 dizem: “Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração. Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne.” Não se mantenha perto de pessoas que se embebedam.

Os versículos 29-30, dizem: “Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.”

Tudo no versículo 29 soa para mim como uma briga de bar, não é mesmo? Ais, tristeza, disputa, reclamações, feridas sem motivo e vermelhidão dos olhos. É uma briga de bêbados. Quem experimentará esses danos de que trata o versículo 29? Aqueles que se demoram perto do vinho. Aqueles que andam buscando vinho misturado para beber. Não olhe para o vinho quando está vermelho e resplandece no copo e se escoa suavemente. Ele morde como uma serpente, pica como uma víbora. Seus olhos vão ver coisas estranhas. Sua mente vai proferir coisas perversas. Você será como o que se deita no meio do mar, ou um como que se deita no topo de um mastro. Que idiota iria no topo de um mastro e tentar tirar uma soneca? Só um bêbado.

É o lugar mais perigoso no navio! Quem tira um cochilo em um mastro? Um bêbado. O que alguém faria lá em cima? Mas isto é o que bêbados fazem. No versículo 35 lemos: “E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez.”

Advertências a Escritura nos dá acerca da idiotice e da loucura da embriaguez. Isaías capítulo 5 fala sobre os líderes que são bebedores, homens de honra que são bebedores que estão bêbados, que fazem julgamentos errados. Isaías 5, Isaías 28, Isaías 56, Oséias 4, todos os tipos de avisos sobre embriaguez. É uma armadilha.

Agora, por outro lado, queremos ser fiéis ao quadro completo das Escrituras. Há no Antigo Testamento, Levítico 23 e Êxodo 29, as ofertas do fruto da videira oferecidas a Deus. Juízes 9 faz referência ao vinho ser uma bebida agradável. Isaías usa o vinho no capítulo 55, nos versos 1 e 2, muito familiares, como uma linguagem simbólica de bênção.

O vinho era uma parte da vida diária nos tempos bíblicos, foi mesmo usado medicinalmente, você se lembra do bom samaritano? O homem que foi ferido? O vinho foi utilizado como antisséptico em suas feridas. As Escrituras reconhecem o vinho. Ele tem um lugar na sociedade, mas tem um potencial que pode ser altamente prejudicial.

Não foi tão prejudicial nos tempos antigos, porque as pessoas não dirigiam carros. Mas já era danoso, pois as pessoas poderiam se machucar a si mesmos e a outros em brigas e até cometerem homicídios. Mas, os embriagados daquela época não tinham o mesmo potencial de causar dano que as pessoas que estão alcoolizados hoje.

E quero acrescentar apenas uma palavra significativa, que houve algumas pessoas nos tempos do Antigo Testamento e, aparentemente, nos tempos do Novo Testamento, que nunca beberam nada alcoólico. Você pode dizer: “Bem, se o vinho era tão comum, quem não o bebia?”

Bem, eu quero apresentar-lhe o grupo número um dos que não bebiam, em Levítico capítulo 10, versículo 9. O Senhor disse a Arão, o Sumo Sacerdote, que era o cabeça do sacerdócio Aarônico, que não bebesse vinho (“yayin”), ou bebida forte (“shakar”), nem ele, nem seus filhos “quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações”. Uau! Não beba qualquer coisa que seja alcoólica quando você vir aqui, ou você pode morrer, porque este é um lugar sagrado…

“Será um estatuto perpétuo nas vossas gerações”. ‘Não apenas para você, Arão, este mandamento é perpétuo. Isto continua para todos aqueles que se apresentam como sacerdotes para Deus, a fim de fazer uma distinção entre o santo e o profano, o imundo e o limpo. Para ensinar os filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por meio de Moisés. Você tem uma responsabilidade muito importante de ensinar toda a verdade divina revelada a você para os filhos de Israel, o povo de Israel. Você precisa ter a mente clara, direção clara, e você precisa ser o maior exemplo de santidade’.

No sexto capítulo de Números, passamos daqueles que estavam em posições de liderança como sacerdotes, que eram os oficiais do Reino teocrático, para aqueles que desejassem tomar o voto mais elevado, para viver o santo chamado do voto Nazireu, significando que seriam separados.

Quando um homem ou uma mulher fizesse um voto especial, o voto de um Nazireu, para dedicar-se ao Senhor, este era o mais alto nível de dedicação e devoção ao Senhor. A pessoa deveria se abster de vinho e de bebida forte. Nem vinagre, nem qualquer coisa feita a partir de vinho ou bebida forte, qualquer sumo de uvas ou uvas frescas ou secas, todos os dias da sua separação.

Não poderia comer qualquer coisa produzida pela videira ou a partir de suas sementes, até mesmo para a pele. E havia mais algumas outras coisas. Então, se a pessoa fizesse o mais grave de todos os votos, ela nunca iria beber qualquer coisa que viesse da uva ou comer da fruta.

Outra proibição a usar vinho ou bebida forte está em Provérbios 31, que é o famoso capítulo para o qual nos voltamos para aprender sobre o papel da mulher. Mas, a primeira parte do capítulo, está falando de reis, governantes. E quando se trata de governantes, existem palavras específicas no versículo 4: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel” Lemuel era um rei, com base no versículo 1, o Rei Lemuel. Isto é o que sua mãe lhe ensinou. “Não é dos reis, ó Lemuel, não é dos reis beber vinho ou para os governantes para beber ou desejar bebida forte.”

Por quê? Para que eles não bebessem e esquecessem o que está decretado e pervertessem o direito de todos os aflitos (v. 5). Os versículos 6-7 dizem: “Dai bebida forte ao que está prestes a perecer (como um anestésico para aliviar sua dor) e o vinho aos amargurados de espírito. Que beba, e esqueça da sua pobreza, e da sua miséria não se lembre mais.”

Isaías 5:22 traz julgamento sobre a liderança de Israel, porque eles estavam envolvidos em consumo de álcool e que tinham pervertido sua liderança. Na verdade, eles são designados, por seu consumo de álcool, para julgamento: “Ai dos que são heróis em beber vinho e valentes em misturar bebida forte.” Significa que julgamento vai vir sobre as cabeças das pessoas em posições de liderança que estão bebendo.

Observe o Novo Testamento, em 1 Timóteo capítulo 3. Falamos da embriaguez na vida dos líderes, governos, de um modo geral. Mas, vamos falar sobre as pessoas em posições de responsabilidade na vida da igreja. Vamos falar de um pastor, um bispo, um ancião aqui. Em 1 Timóteo capítulo 3 é dito que tal líder deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, que é um homem de uma mulher só, temperado, prudente, respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar, não dedicado ao vinho … não dedicado ao vinho. E isso é sobre os anciãos, os líderes mais velhos.

E quanto aos diáconos? E sobre a responsabilidade dos diáconos? É menor? Os Diáconos, no versículo 8 do capítulo, devem ser homens de dignidade, não de língua dobre, nem escravizados a muito vinho, ou cheios de torpe ganância.

O vinho é um problema aqui. É uma questão para os sacerdotes. É um problema para os reis. É um problema para as pessoas que tomam o mais alto nível de devoção. É um problema para os governantes. É uma questão para os pastores. É uma questão para os diáconos. Por que? Porque há sempre o potencial de embriaguez, e embriaguez leva à devassidão.

Isso leva à loucura, a palavras descontroladas e ações descontroladas. E se você voltar para Efésios, capítulo 5, onde começamos toda esta discussão, entendemos que temos sido chamados por Deus para a sabedoria. Efésios 5:15: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios”. Verso 17: “Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” Ou seja, não seja tolo, não fique bêbado! A embriaguez garante a ausência de sabedoria e presença de tolice.

Assim, a Escritura é cristalina sobre este assunto de embriaguez. E também é cristalina sobre a questão das pessoas que exercem liderança ficarem longe do álcool, porque eles têm responsabilidade diante de Deus, não só para fazer julgamentos corretos e ensinar com precisão a verdade, mas para estabelecer um exemplo puro.

Paulo está dizendo: “Andar de um modo digno”, capítulo 4, estando em humildade e amor, unidade e santidade, uma caminhada na sabedoria espiritual, na vontade de Deus, como eu acabei de ler, significa que o cristão não deve se colocar em um estado alterado de consciência por estar bêbado. Em que ponto você está bêbado? Quando você perde o seu autocontrole, em qualquer ponto. Embriaguez está relacionada ao velho modo de vida. Nós não vivemos desse jeito.

Essa foi a introdução, ok? Agora, isso leva à questão que eu quero trazer diante de você. Ficar bêbado é um pecado, estamos de acordo com isso. Qualquer embriaguez em qualquer nível é um pecado. E eu pesquisei esta semana para descobrir o que a literatura diz. E, basicamente, três cervejas e você está começando a perder o controle. Provavelmente essa quantidade pode variar, mas é algo assim, apenas como uma ilustração.

Então, se nós bebermos, mas evitarmos a embriaguez, teremos feito a vontade de Deus? Bem, há algumas perguntas que temos de fazer. Eu tenho oito perguntas, ok? Hoje à noite eu vou fazer uma. (Risos) Você vai entender o porquê. Esta é a questão que tem de ser respondida e que muitas vezes não é respondida. É a bebida alcoólica hoje a mesma que era nos tempos antigos? Será que estamos comparando maçãs com maçãs aqui?

Porque as pessoas que defendem o fato de que os crentes são livres para beber bebidas alcoólicas sempre dizem que há respaldo na Bíblia, que havia ingestão de bebidas alcoólicas no Antigo e Novo Testamento. Pessoas beberam vinho no Antigo Testamento e no Novo Testamento. Os discípulos beberam vinho. Jesus bebeu vinho. Podemos beber vinho, dizem eles. É isso aí!

Isso, então, levanta a questão: era o vinho consumido no Antigo Testamento e no Novo Testamento o mesmo que as bebidas alcoólicas de hoje? E, novamente, a questão é muito importante porque você ainda tem uma declaração em Deuteronômio 14:26, que diz que a pessoa poderia comprar o vinho, se quisesse. Poderia comprar a bebida forte, se quisesse. Ou seja: ‘se você quiser fazer isso, você pode fazê-lo.’

Quando estamos falando de vinho e bebida forte no mundo antigo, estamos nos referindo ao mesmo vinho e bebidas de hoje?

Deixe-me dar uma ilustração. Salmo 150 nos diz para dançar ao Senhor. Nós não fazemos isso. Por quê? Bem dança folclórica hebraica é um grito distante da dança sensual da cultura moderna. Igrejas há muito tempo abandonaram a dança. Nós não crescemos em uma cultura simples folclórica fazendo uma dança popular? Algumas pessoas fazem isso. algumas pessoas gostam de dançar quadrilha e fazer uma dança folclórica. Talvez uma dança escocesa ou irlandesa tradicional … nós entendemos isso. Isso está a um milhão de milhas do modo sensual da dança na cultura moderna.

Se a dança fosse feita da forma como era no Velho Testamento, seria honroso para Deus. Não seria sexual ou sensual. Mas a dança desaparece com o tempo e não chega ao Novo Testamento. Você nem sequer tem alguém se referindo a dançar no Novo Testamento. Você não ouve falar de ninguém a dançar na igreja primitiva. Eles estão louvando ao Senhor, falando para si em salmos, hinos, canções espirituais. Eles estão tocando instrumentos. Mas não há dança. O mundo mudou e a cultura mudou.

Outro exemplo seria a escravidão. Era permitida a escravidão do Antigo Testamento. Mas, as pessoas não eram capturadas a força para serem transformadas em escravos. Mas a escravidão no padrão do Velho Testamento seria um serviço onde alguém iria vir para viver e trabalhar para uma pessoa e dar a sua vida em trabalho e emprego em troca de uma casa, cuidados, comida , uma família, uma vida e segurança e um futuro. A escravidão no Velho Testamento, como praticado por Israel, foi benevolente. A alternativa a ser um escravo era miséria, pobreza e fome. Pessoas iam para alguém e diziam: “Posso viver aqui e te servir?

A escravidão era um meio socialmente benevolente de cuidar de pessoas que de outra forma seriam aniquilados. A Escritura fala sobre isso no Antigo Testamento. Mais uma vez, a escravidão não era como conhecemos nos tempos modernos na nossa história recente. Pessoas não eram sequestradas, vendidas e compradas contra a sua vontade. Mas Oséias fala sobre um mercado de escravos. E para algumas pessoas, era sua única esperança. No caso de Oséias, ele encontrou um escrava e se casou com ela. Essa é a coisa mais benevolente que você jamais poderia fazer.

O Antigo Testamento faz elevar a responsabilidade de mestres para cuidar de seus escravos e escravos para ser obedientes aos seus senhores. E, por vezes, essa relação era tão maravilhosa que um escravo iria para seu mestre e dizia: “Eu quero te servir o resto da minha vida, eu nunca quero sair, porque você me ama e eu te amo”, e ele punha a sua orelha contra o batente e um furador seria batido pelo meio de sua orelha e ele teria um buraco em sua orelha e, sem dúvida, um anel neste buraco para simbolizar que ele tinha voluntariamente se comprometido com esse mestre para o resto de seus dias.

E, a propósito, a cada sete anos, no Antigo Testamento, todos os escravos eram libertos. E adivinha? Se olharmos para a história, muitos deles não queriam ir, porque o sistema era a única maneira através da qual eles poderiam sobreviver. Eles não podiam fazê-lo por conta própria. Era uma disposição benevolente, social. Mas a escravidão por captura, a escravidão por sequestro, como conhecemos nos séculos recentes, era proibida.

Gente, a escravidão no Antigo Testamento não tinha relação com a exploração, com tráfico de seres humanos que marcou a Idade Média e continua ainda hoje. Sem comparação com a exploração dos africanos por outros africanos, visto que eles foram os primeiros comerciantes de escravos, as primeiras pessoas a venderem os africanos eram outros africanos. Você entende isso. Aqui está uma tribo, aqui está uma outra tribo … esta tribo diz vamos matar essa tribo porque eles nos odeiam. Então eles iam guerreando por gerações.

Alguém, então, teve a ideia: por que devemos matá-los? Se nós os capturarmos, podemos obter dinheiro com eles, vendendo-os aos traficantes de escravos árabes. A única razão pela qual a escravidão floresceu, foi porque as tribos capturavam as outras tribos e os vendiam para os comerciantes de escravos. E esses escravos eram comprados por proprietários de escravos europeus e americanos. Essa escravidão é algo muito feio.

Então, hoje, você diria isso? “Eu vou adquirir alguns escravos, porque a escravidão era algo permitido na Bíblia. Sim, eu vou comprá-los, onde posso comprá-los? A quem devo pagar? Posso colocá-lo em meu cartão de crédito? Posso comprá-los on-line?” Ninguém vende pessoas. As pessoas não podem vender-se a você. Você não tem alguém batendo em sua porta dizendo: “Eu sou muito pobre, você poderia me comprar?” As pessoas tinham escravos nos tempos bíblicos. Assim, devemos ter escravos?

Você vê? Não é tão simples assim. Ninguém diz isso. Ninguém iria mesmo defender isso. Nós temos outras maneiras de cuidar de pessoas. Ninguém defende a escravidão em nossa cultura, porque a versão de escravidão a que estamos familiarizados agora é tão inaceitável, nós não estamos falando sobre a mesma coisa que costumava ser nos tempos bíblicos.

E eu realmente acredito que você tem que ver toda a questão do consumo de bebidas alcoólicas do mesmo modo, fazendo a pergunta: “Será que o que nós conhecemos hoje como vinho era o que as pessoas conheciam e bebiam na Bíblia? Ou temos algo completamente diferente? ”

Tudo certo. Uma pequena ressalva aqui: existem algumas culturas, culturas agrárias, culturas agrícolas, que cresceram gerações após gerações em torno do cultivo de uvas e da produção e consumo de vinho. E o vinho tornou-se parte dessa cultura, muitos deles na Europa … muitos, quase toda a Europa, também América Latina. E até hoje as pessoas nesses países e nessas culturas ainda bebem vinho junto com uma refeição. Eles não apenas bebem, mas é uma parte da cultura. E eles bebem moderadamente em uma refeição, como parte dessa tradição.

Eu não vou condenar essa prática. Não é disso é que estamos falando aqui. O ato de beber vinho, feito por famílias locais em sociedades agrárias culturalmente, tradicionalmente, não tem relação com a multinacional indústria de produção do álcool, que é comercializado em todo o mundo.

A indústria do álcool não se procura fornecer um produto inofensivo para uma refeição. Mas, ela fornece um produto com alta capacidade de embriagar. E este produto é produzido em enormes quantidades, porque a indústria quer vendê- lo em grandez quantidades e quer que você compre em enorme quantidades e consuma-o.

Será que eles sabem o poder destrutivo de álcool? É claro que sim. Ele destrói os indivíduos. Todos nós sabemos disso. Conhecemos pessoas destruídas pelo álcool. Ele destrói famílias, casamentos, casas, carreiras, vidas. Oitenta mil pessoas por ano em nosso país morrem em decorrência de doenças ou acidentes relacionados com o consumo de álcool.

Segundo dados recentes (de uma semana atrás) fornecidos pelos Alcoólicos Anônimos dos EUA, há trinta e oito milhões de alcoólatras em nosso país. E o álcool é produzido em massivos volumes para que haja uma oferta ilimitada na nossa sociedade com bebidas de muito mais elevado teor alcoólico do que bebidas similares no mundo antigo.

Além disso, como veremos, bebidas alcoólicas fermentadas em tempos antigos foram projetadas para produzir segurança, não para prejudicar. Elas eram concebidas para produzir e proteger a vida, não para produzir a morte. Como se dava isto? Bem, o vinho era de baixo teor de álcool. A vinícola familiar típica que você encontraria em tempos antigos, os tempos bíblicos, do Antigo Testamento, do Novo Testamento, era um cultivo local, de uvas, em que uma família teria algum tipo de um recipiente em uma casa e que nele seria armazenado o suco das uvas por dois ou três dias. Esse tipo de vinho tinha de 2% a 4% de teor de álcool.

Já os gregos fabricavam e consumiam um vinho com mais teor alcoólico, cerca de 12% a 14%.Mas, na cultura da Bíblia, o vinho tinha baixo teor de álcool. E a oferta do vinho era limitada e não ilimitada, como nos dias de hoje. Por exemplo, você se lembra de João 2, nas bodas de Caná? Eles tinham um casamento para toda a aldeia e, supondo que houvesse 500 pessoas na aldeia, todos eles viriam para o casamento. O vinho acabou.

O vinho acabou. Esse era o maior evento na aldeia, que era o maior evento para o povo e eles não tinham vinho suficiente para uma semana. Um casamento durava cerca uma semana. Então, a oferta de bebida alcoólica ficava limitada para o período da festa apenas. Hoje há uma oferta ilimitada.

Agora, deixe-me dizer mais uma coisa sobre o álcool. Foi após mil anos depois do Novo Testamento que o processo de destilação foi desenvolvido e inventado … mil anos mais tarde. O que a destilação fez com o vinho? Aumentou o teor de álcool drasticamente para 40 % até 75%. Isso é o que a destilação fez.

Um pouco depois disso, durante o tempo de Napoleão, um tipo de processo conhecido como “chapitalization” foi desenvolvido, o que adicionou cinco por cento de álcool às bebidas destiladas. É assim que são produzidas as bebidas como o uísque, licor, de alto teor alcoólico. Hoje os vinhos podem ter de vinte por cento de álcool e ainda maior do que isso. O que é um teor muito elevado. Então, para começar, estamos falando de uma quantidade diferente de bebida à disposição. Estamos falando de um teor alcoólico diferente.

Outra coisa que você precisa entender, muito importante. O vinho em tempos antigos era fervido ou misturado. E eu não estou apenas dizendo isso porque os escritores da Bíblia falam sobre isso, eu estou lhe dizendo isso também respaldado na história secular. Todo mundo que conhece história sabe que era assim. Então, se pegava o vinho, que tinha tipicamente 2-4 por cento de álcool e o fervia, logo, o que acontecia com o álcool? Desaparecia, evaporava. O que restava era uma pasta que podia ser remisturada com água.

O vinho era misturado com água numa proporção de 3 partes de água para 1 de vinho e isso diluia o teor de álcool significativamente. E eu digo, nos tempos antigos, o vinho era ou cozido e assim retirado todo o seu conteúdo de álcool, ou ele era misturado.

Professor Samuel Lee, da Universidade de Cambridge diz que “yayin”, a palavra hebraica para o vinho, ou “oinos” a palavra grega, não se referem apenas às bebidas alcoólicas feitas pela fermentação. Mas ambas as palavras, mas, em particular “yayin”, refere-se a um xarope não intoxicante ou a uma pasta espessa produzida pela fervura e redução do vinho, para torná-lo armazenável.

Esta substância espessa, densa, era, então, armazenada em uma espécie de sacos de armazenamento feitos de peles de animais. Era um xarope bem espesso. Os entendidos no assunto dizem que tinha a consistência de uma geleia e, uma vez que era colocado nesses recipientes feitos de pele, que é flexível, podia ser espremido para fora e passado no pão como um tipo geleia de uva, ou dissolvido em água e misturados para se tornar uma bebida. É o que diz o professor em Cambridge e ele descreve isto a partir de citações feitas por Plínio, um dos maiores historiadores do mundo antigo.

Outro escritor antigo, de Atenas, citado por Robert Stein, dizia: “Os deuses têm revelado o vinho aos mortais como sendo uma grande bênção para aqueles que sabem usá-lo direito. Pois, ele alimenta e fortalece seus corpos e mentes. Mas, para aqueles que o usam sem medida, é o inverso. Na medicina, seu uso é mais benéfico. Pode ser misturado com o líquido e drogas e que auxiliam no tratamento de feridas. Na vida diária, para aqueles que o misturam e o bebem moderadamente, ele dá o bom ânimo. Mas se você passa dos limites, traz violência. Basta misturá-lo meio a meio [metade vinho, metade água] e você começa a loucura, o colapso corporal. ”

Plutarco em suas “Symposiacs” , afirma que o vinho, como uma bebida, sempre foi pensado como uma bebida mista. Citação: “Nós chamamos de uma mistura de vinho, embora o maior dos componentes seja a água. A proporção de água pode variar “, diz Robert Stein, “mas apenas bárbaros bebiam sem mistura e uma mistura de vinho e água em partes iguais era visto como bebida forte, partes iguais, metade água, metade vinho era vinho forte . O vinho “ “oinos” no mundo antigo não quer dizer o vinho como a entendemos hoje, mas era o vinho misturado com água ou a partir de uma pasta, sem qualquer poder inebriante, porque tudo tinha sido fervido e o álcool evaporado. ”

A bebida forte, então, era obtida a partir da mistura do vinho com a água em proporções iguais, meio a meio, ou feita totalmente sem mistura. Por exemplo, era inaceitável para uma pessoa culta beber bebida forte, inaceitável. Um documento chamado “A Tradição Apostólica” indica que a igreja primitiva seguia este costume, consumindo apenas vinho misturado sem poder inebriante, a partir de uma pasta de xarope ou uma base líquida.

O vinho dos tempos bíblicos era não intoxicante feito a partir de uma base de xarope, ou com levíssimo poder inebriante, porque seu teor alcoólico era muito reduzido através da fervura e da mistura. Tomando uma estimativa muito conservadora, por exemplo, se a mistura fosse de 3 partes de água para 1 de vinho, o nível de álcool seria entre 2,25% e 2,75%, o que é bem abaixo do 3,2% do álcool necessário para ser classificado como uma bebida intoxicante. Então, a única maneira possível de alguém ficar bêbado seria consumindo muita quantidade, volumes desse vinho.

Agora, o que estamos dizendo? Homero, Platão, Plínio, outros escritores antigos detalham a prática da diluição do vinho com água, também de fervê-lo e reduzi-lo até formar uma pasta. Na Odisséia, Homero se refere a misturas tão diluídas como 20 partes de água para 1 do suco fermentado.

Os gregos descreviam como bárbaros [cultura grotesca, inferior] aqueles que bebiam vinho não diluído com água. O Mishnah judaico, que é a codificação das leis judaicas que são impostas ao povo judeu, estabelece a regra que o vinho da páscoa, p. ex., deveria ser feito a partir da mistura de quatro copos de vinho para duas ou três partes de água. Assim, o vinho consumido na Páscoa, chamado Modzug, leva duas ou três partes de água. E novamente, geralmente o vinho era fervido, para que todo o álcool evapora-se. O resíduo era uma pasta misturada com água, sem álcool, comum em Roma, comum no Egito, comum na vida judaica chamado “yayin” pelos judeus.

Quando você olha para a Escritura, você vê isso. Cantares de Salomão fala a bela conversa entre o noivo e da noiva sobre o vinho misturado … da mistura de vinho. Provérbios 23:30 fala sobre mistura de vinho. Isaías 65:11, novamente, vinho misturado.

Em Provérbios 9:1-2, é dito: “A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas. Já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, e já preparou a sua mesa”. Versículo 5: “Vinde, comei do meu pão, e bebei do vinho que tenho misturado.” Vinho misturado é importante na Bíblia. É sábio fazê-lo. Mas o vinho sem mistura, a bebida forte, é perigoso.

Em Apocalipse 14:10, temos uma figura do vinho da ira de Deus, que é misturado com toda a força no cálice da sua ira. Mesmo quando Deus fala sobre o vinho da sua ira, é vinho misturado.

Ok, agora por quê? Por que eles o misturavam? Alguns podem dizer: “Eles tiravam toda a diversão! Nós gostamos da sensação gostosa que a bebida alcoólica produz no corpo, na mente!. Nós gostamos do sabor, se você colocar água, vai estragar o sabor, você tira toda a diversão!!”

Deixe-me dizer-lhe por que eles misturavam com água. E eu só vou apenas citar 4 razões:

1. Para aumentar a quantidade, o suprimento.

2. Aqui está um que você provavelmente não vai imaginar, era para aumentar o sabor. Sim, para aumentar o sabor. Isto foi um choque para mim, já que eu não bebo qualquer coisa que tenha qualquer tipo de conteúdo de álcool nele, eu não conheço o sabor, qualquer que seja.(apenas de vez em quando, e aconteceu em poucas situações, quando eu participo da Ceia em outro lugar, eu provo um pouco do vinho, e aí conheci o sabor muito modestamente).

Argumentar que misturar com água reduz o sabor é pensar o contrário do que realmente ocorre. Para os antigos, o verdadeiro sabor do vinho estava na mistura que faziam.

Um artigo do New York Times, em julho de 2010, dizia: “A água é um potencializador de sabor em duas bebidas, o vinho e o café.” Estudos em laboratório mostram que a água misturada com café e vinho libera o sabor e subjuga a amargura.

3. Para purificar a água. O vinho era misturado com água para funcionar como um antisséptico. O propósito de misturar o vinho com a água era para desinfetar a água. Leia o livro “O Grande Influenza” e ele vai mudar a sua visão do mundo, quando você percebe até o século XIX ninguém sabia qualquer coisa sobre a existência de bactérias e vírus.

Ninguém nunca teve uma doença diagnosticada com precisão até o fim do século XVIII. Eles não sabiam nada sobre de onde as doenças infecciosas vinham. Mas, Deus sabia. Parte da maldição advinda pela queda do homem foi produzir fermentação, porque com a queda as bactérias foram soltas no mundo e elas eram potencialmente destrutivas e mortais. A fermentação fornece um antisséptico para o aparelho digestório que tem o poder de matar bactérias. Nesse sentido, a fermentação é um presente para um mundo decaído.

Da Universidade Estadual do Oregon, dois microbiologistas abordaram este problema e isto está disponível para leitura a partir de outubro do ano 2002, na Sociedade Americana de Microbiologia. Estes dois microbiologistas descobriram patógenos inativados virulentos do vinho e os reproduziram laboratório e eles constataram que estes patôgenos do vinho conseguiram matar bactérias como a E. coli, Salmonella, Staphylococcus, e Klebsiella (e outros microrganismos) dentro de 30 a 60 minutos.

Agora aqui é a parte interessante. Seus estudos determinaram que não é o álcool que faz isso. No processo de fermentação, ácido málico e tartárico são produzidos e estes são o que aniquilam as bactérias, de modo que esses ácidos permaneciam na pasta produzida pelos antigos, mesmo após todo o álcool ter sido evaporado pelo cozimento.

Na verdade, eles são tão convencidos disso que eles estão trabalhando atualmente, senhoras, em um desinfetante com base no vinho para matar as bactérias em torno de sua cozinha, sua casa, e nos hospitais e os testes provaram que ele pode ser tão eficaz quanto peróxido de hidrogênio. Então, o vinho se torna um presente de Deus para que as pessoas pudessem beber água em segurança no passado.

Outros ainda dizem que as uvas e as cascas das uvas têm resveratrol, que auxilia nos casos de úlceras. Então, Deus deu vinho como uma forma de beneficiar a saúde e prevenir doenças no mundo antigo.

Você diz: “Bem, então por que você não bebe o vinho misturado com água hoje?” Bem, nós vivemos em outra época e em um mundo com normas sanitárias, certo? Nós não vivemos no mundo em que eles viviam. Não há necessidade disso. Foi necessário, mas não é necessário agora.

4. A quarta razão pela qual o vinho era misturado com a água seria para evitar a embriaguez.

Então, como o vinho disponível na época era em menor quantidade que hoje, os antigos o misturavam com água ou com leite, sendo levemente alcoólico. Hoje não é necessário. Há fonte infinitas de venda: postos de gasolina, lojas de conveniência, mercados, etc.

Hoje, o teor alcoólico mais baixo seria o da cerveja, de 4% a 5%, indo até os 75% em alguns uísques (!!). E o que me perturba é que os produtos são especialmente projetados para vender para quem? A parte mais irresponsável da população, quem são eles? Os jovens. Os comerciais de bebidas geralmente põem mulheres seminuas e homens machistas, certo? Nada é dito sobre a cerveja em si mesma nestes comerciais.

Ora, aqui está o que é interessante sobre tudo isso. As pessoas até mesmo em nosso país estão começando a despertar para o fato de que beber é muito perigoso. De acordo com o Estudo de Saúde Pública de Harvard, e isso é muito recente, 50% das pessoas nos EUA não bebem bebidas alcoólicas. Abstinência de álcool é mais comum nos Estados Unidos do que em qualquer outro país ocidental. Isso é bom.

Essa abstinência se deve ao fato de os bem jovens estarem descobrindo que eles podem morrer, que o álcool mata. Eles não estão fugindo, a propósito, dos males destrutivos de sexo ilícito, nem das drogas. Mas eles estão fugindo do álcool. Não deixa de ser bom.

A propósito, 23% dos bebedores de álcool consumem 76% das bebidas alcoólicas produzidas. A maioria desses bebedores são do tipo farristas. Eles bebem para ficar bêbados. Assim, qualquer incentivo à bebida acaba incentivando esses farristas, porque eles são o maior percentual de pessoas que bebem e eles são os mais autodestrutivos e os que mais provocam danos a outras pessoas.

Em face disso, é surpreendente para mim que agora temos uma geração de jovens chamados pastores autoproclamados incentivando seus jovens a beber álcool. Um pastor muito proeminente, Mark Driscoll, arrependeu-se publicamente por não beber álcool mais cedo (!!!).

Há um livro escrito por Darren Patrick chamado “O Plantador de Igreja”, é um livro escrito a esta jovem geração de pastores empresariais e no livro ele diz: “O maior problema entre esses jovens pastores é a embriaguez.” E ele realmente diz que se você está tendo um problema com o álcool, faça uma pausa até obter o controle sobre ele (!!!).

Você já ouviu falar em sua vida na história da Igreja que um grande problema entre os pastores era a embriaguez?!? Esta nova liberdade, esta nova ‘libertação’ é prejudicial. Pastores não deveriam estar fazendo isso. Eles não devem incentivar isso. O que eles estão ensinando não é nada parecido com o que estava acontecendo nas Escrituras acerca do vinho.

Um de seus versos favoritos dos defensores do consumo de álcool está no Salmo 104:14-15: “Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão, e o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.” Então eles dizem: ‘Veja, que é permitido curtir o efeito bom do álcool no corpo e mente.’ Supostamente para fazer você feliz.

“Não … não, não é isso que o salmista está dizendo. O que faz o coração contente aqui é o fato de o agricultor olhar seu gado saudável, sua plantação crescendo e, assim, terá comida e vinho. São estas coisas que fazem o agricultor feliz. O salmista não está dizendo que ele está se sentindo feliz por causa do efeito que o álcool faz na sua mente. Isso é muito óbvio no texto. Não se trata de estar bêbado e bobo. Há coisas terríveis sendo defendidas a partir de textos bíblicos destorcidos, que são usados para respaldar doutrinas antibíblicas como esta.

Outro argumento usado para defender o consumo de álcool entre cristãos, é: ‘Bem, beber é como comer. Você estará em apuros se você exagerar.’ Realmente! Você conhece alguém que cochilou fora da estrada e matou todas as pessoas no carro, porque tinha comido tacos demais? Acho que não. Tacos não alteram sua consciência. Ou alguém despencou de um penhasco porque tinha comido uma fatia extra de pizza… Ou alguém estuprou uma menina porque comeu demais cheeseburgers…

O potencial de perda de sentido, perda de controle, perda de julgamento especialmente com os jovens, e potencial de dependência é muito alto. Então, p.ex., nos tempos do Antigo Testamento, o rabino Eliezer proibiu o uso de qualquer vinho puro, sem mistura. De acordo com a Enciclopédia Padrão Internacional da Bíblia, a última ceia, no Novo Testamento, e na tradição de celebrar a ceia que se seguiu depois, era feita com vinho altamente diluído.

Bem, nós não estamos surpresos com isso. Assim, o ponto que eu quero fixar hoje à noite é: o vinho de hoje não era o mesmo do passado, dos tempos bíblicos. Você entendeu?


Clique aqui e leia “O cristão e o álcool – Parte 2”

Clique aqui e leia “A triste libertinagem do álcool na igreja”


Este texto é uma síntese do sermão “Christians and Alcohol”, de John MacArthur em 22/01/2012.
Você poderá ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/80-380/christians-and-alcohol?Term=Alcohol

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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