Marcas do verdadeiro cristão – II

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João 13
31 Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele.
32 Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar.
33 Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo também agora.
34 Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
36 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás.
37 Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.
38 Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes.

Agora por meio de uma breve revisão da parte 1 desta mensagem (Clique aqui e leia), vimos que no versículo 31 Jesus dá seu discurso de despedida aos onze. Judas foi tirado do pequeno grupo em reunião no cenáculo.
É a noite antes da crucificação de Cristo e Jesus dá a sua mensagem final a seus onze discípulos fiéis.
Ele realmente dá-lhes quatro coisas dentro desta mensagem: Instruções, promessas, advertências e alguns mandamentos.
Este é o último conjunto de ordens que Cristo deu aos onze discípulos antes da cruz. Isto vai até o final do capítulo 16 de João.
Há muitas palavras aqui que são singularmente importantes, não só para aqueles discípulos, mas para nós também, pois Jesus falou como um discípulo verdadeiro realmente é. Eles são princípios eternos.

Já vimos que as marcas de um verdadeiro cristão são, antes de tudo, que ele é totalmente preocupado com a glória de seu Senhor. Em segundo lugar, ele está totalmente preocupado com o seu amor. E hoje veremos principalmente que ele está preocupado com a sua lealdade.

A glória do Senhor, o amor e a lealdade são os ingredientes que marcam um discípulo comprometido.
Você pode voltar para a primeira parte do capítulo 13 de João e ver que outra marca de um discípulo é a humildade. Nós conversamos sobre isso há algum tempo (Clique aqui e leia).

Vimos, no domingo passado, que um discípulo comprometido está preocupado com a glória de seu Senhor.
Ele não está preocupado com ele próprio. Ele não está preocupado com a sua própria glória.
Ele não está preocupado com o seu orgulho. Ele não está preocupado com o que traz honra a ele.
Ele não está em busca de popularidade. Ele não está tentando subir na escada de reconhecimento dos outros.
Ele não está tentando obter algo maior e melhor para si mesmo. Sua maior preocupação é a glória de seu Senhor.
Ele vive de modo que tudo o que faz é para dar glória a seu Senhor. E nós vimos isso no versículo 31 e 32.

Vimos que há três aspectos da glória de Deus e da glória de Cristo. Número um, Cristo estava prestes a ser glorificado. Número dois, quando Cristo foi glorificado, Deus foi glorificado em Cristo. E o número três, Deus ainda glorificará a Cristo novamente algum tempo no futuro.

Agora percebemos que a primeira afirmação no versículo 31, quando Jesus disse: “Agora é o Filho do Homem glorificado” era uma referência a sua cruz.
Quando Judas convidou Judas a sair (João 13:27), Jesus sabia que ele estava indo consumar a traição.
E assim Jesus estava antecipando a cruz dizendo: “Agora”, ou seja, o momento planejado antes da fundação do mundo (Apocalipse 13:8) havia chegado. Sua morte glorificaria a ele e ao Pai.

Nós conversamos sobre o fato de que parece um pouco estranho e paradoxal que uma cruz poderia ser uma glória, mas na verdade era.
Porque, quando Jesus morreu na cruz, ele carregou sobre si os pecados do mundo, derrotando o pecado (Romanos 6).
Ele derrotou Satanás e destruiu o poder do diabo, que era a morte (Hebreus 2:14).
Ele realizou o maior ato de que alguém já tinha feito na história do universo, redimir toda a raça humana (Apocalipse 5:9).

Em seguida, vimos que Deus foi glorificado n’Ele. Todos os atributos do Pai foram manifestos na cruz.
Na cruz de Cristo estavam os atributos de Deus, que são a sua glória: Sabedoria, amor, justiça, misericórdia, santidade e outros. E assim também o Pai foi glorificado.

Então vimos no versículo 32 que Deus iria glorificar a Jesus Cristo após sua morte na cruz.
E mesmo quando Jesus estava dizendo que, após a cruz, ele seria glorificado em sua ressurreição, ascensão, e exaltação, estando agora sentado à direita do Pai, mas, finalmente, haverá uma plena glória quando ele voltar.

Assim, a glória do Senhor é a preocupação do discípulo verdadeiro.
Deus é glorificado e Cristo é glorificado através dos detalhes do evangelho.
A maior glória que Deus pode receber ou Cristo pode receber é por meio do evangelho.
Cristo morreu, ressuscitou, foi exaltado e voltará de forma triunfal, isso é o evangelho, que é a boa notícia e que é a glória final para Deus.
Portanto, a melhor maneira para que você pode dar glória a Deus é declarar o evangelho para que ele irradie a glória de Deus.

E temos dito a vocês há algum tempo que nossa adoração está em nosso testemunho.
Quando nós declaramos o evangelho, estamos irradiando os aspectos da glória de Deus.
Deus é mais evidente no evangelho. Seus atributos são mais claramente visíveis no evangelho.

Quando Deus quer mostrar aos anjos sua sabedoria, ele aponta para a igreja, homens resgatados e diz: “Vejam o que o evangelho tem realizado, uma prova de minha sabedoria” (Efésios 3:10).
Quando Deus quer mostrar a Sua maravilhosa graça, Ele aponta para a igreja.
A morte, sepultamento, ressurreição, exaltação e a volta de Jesus Cristo é o evangelho e mostra mais claramente a glória de Deus, portanto, quando você declara o evangelho, você está adorando a Deus no mais alto sentido.
A adoração é muito mais que cantar canções.
E assim, o discípulo comprometido está preocupado com a glória de seu Senhor. E, como resultado, seu testemunho é forte. Ele vive como uma testemunha, como um embaixador do céu.
Por muito tempo em minha própria vida eu me atrapalhei por aí tentando descobrir como adorar a Deus.
E então eu descobri o princípio de que a adoração é testemunhar. É a forma mais elevada de adoração.

Em segundo lugar, e estamos revendo ainda a parte 1, o discípulo comprometido está preocupada com o Seu amor.
Versículo 34: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.
Agora aqui é a marca visível e real de que o mundo pode perceber que pertencemos a Jesus. “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”.
Se você não tiver amor para outro, o mundo não vai saber que você é um discípulo de Jesus.
O nosso testemunho depende de nosso amor. Devemos amar uns aos outros. Como? Como o Senhor nos amou.
Que tipo de amor? Amor sacrificial, indiscriminado, puro… Divino.
A marca do discípulo de Jesus é o amor. Devemos amar e nosso testemunho é um testemunho de amor.

O livro de Atos registra o cenário da Igreja vivendo em amor:
“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (Atos 4: 32:35).

A igreja em Jerusalém tinha a mesma mente… Um só coração, uma só alma. Um único tipo de vínculo.
Não há provas que qualquer outra igreja em toda a era da igreja primitiva fez o que a igreja em Jerusalém fez.
Eles eram terrivelmente perseguidos. Eles não tinham qualquer escolha. Eles perderam seus empregos imediatamente. E muitos dividiram suas posses com os necessitados.
A unidade e o amor fizeram com que eles tivessem um testemunho tremendo.

A pequena igreja em Tessalônica tinha um marca do amor: “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai” (I tessalonicensses 1:3) e mais: “Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros” (I tessalonicenses 4:9).
Este testemunho era um impacto em vários lugares: “De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia. Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma” (I tessalonicentes 1:7-8)

João, em sua primeira carta, nos ajuda a entender algo do caráter deste amor: “Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I João 2:10-11).
Que terrível cegueira: Alguém andar na escuridão e pensando que está enxergando algo.
O que impede o amor, tal como Caim em relação a Abel? “Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas” (I João 3:12).
Há apenas uma coisa que o impede de amar: O pecado. E na maioria das vezes é o pecado do orgulho.

Então, vimos a medida do nosso amor e o exemplo do nosso amor: Jesus Cristo.
O efeito do nosso amor: O mundo saberá que nós pertencemos a Cristo.
E não podemos esperar que o mundo creia até nos amamos assim.
Podemos nos levantar e dar todas as respostas para o mundo, mas sem o amor tudo será inútil.
Precisamos mostrar ao mundo um amor visível.
Um amor que pode nos levar arrependido ao um irmão e dizer: “Perdoe-me por não te amar.”
E um amor que pode nos levar a um irmão que não nos ama e dizer: “Eu te perdôo por não me amar”.

Até aqui foi feito uma pequena síntese do que vimos no domingo passado (http://www.reieterno.com.br/?p=2998). Vamos avançar para os versículos de 36 a 38 de João 13. Vemos a terceira marca de um verdadeiro cristão comprometido: Lealdade.

Discipulado é mais do que um tipo de lealdade prometida. É mais do que isso apenas.
Pode-se fazer, e com frequência, uma promessa a Deus de forma leviana.
Discipulado exige uma lealdade praticada e ativa. Um discípulo comprometido não vive prometendo lealdade, mas vive uma lealdade diária e prática ao Senhor.

Pedro estava perturbado porque Jesus iria embora. Lá no versículo 33 Jesus tinha dito: “Para onde eu vou não podeis vós ir…”. Pedro não podia suportar a idéia de Jesus ir embora.
Quando Jesus disse aos discípulos “que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Mateus 16:21), Pedro reagiu dizendo “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso” (Mateus 16:22).
Mas Jesus respondeu a Pedro: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23).
Satanás tomou a boca de Pedro em um esforço para tentar desviar Cristo da cruz.

Quando Jesus estava sendo preso, “Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18:10-11). Jesus disse “Deixai-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou” (Lucas 22:51).
Então, o que você tem é uma atitude no coração de Pedro. Ele não queria que Jesus os deixasse.

Após a ressurreição, Jesus fala a Pedro: “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me” (João 21:18-19).
Em outras palavras, ele diz quando você era jovem, você tinha o cuidado de si mesmo, mas alguém cuidará de você, esticando suas mãos e te colocando em um lugar que você não quer. É uma imagem da crucificação em que Pedro morreria.
Pedro, então diz: “Senhor, e deste que será”? (João 21:21). Referindo-se a João.
Em outras palavras: “Senhor, se eu tiver que morrer na cruz, o que vai acontecer com João? Não pode ser justo se eu tiver que ir e João não. Quero dizer, João vai com você e só eu tenho que ficar por aqui e morrer na cruz?”
“Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu” (João 21:22)
Seu amor por Jesus é admirável, mas sua beligerância é tolice.

Voltando ao capítulo 13 versículo 36, ele não está disposto a aceitar a resposta de Cristo e diz “Por que não posso seguir-te agora?”. Ele havia percebido que Jesus falava sobre a morte.
Ele completa: “Por ti darei a minha vida.” Ou seja: “Senhor, se tudo que vais fazer é morrer, eu vou ser feliz em morrer contigo”.
Seu coração ele está queimando com amor por Jesus, mas simplesmente não tinha a direção do Espírito. Ele estava agindo na carne.

Então Jesus lhe disse no versículo 38: “Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes”.
Isto foi tão chocante para Pedro que ele não diz mais nada, a não ser desmentir a Jesus e repetir que nunca o negaria: “Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo” (Mateus 26:35). .
Pedro falou tão poderosamente que todos os discípulos entraram na conversa e disseram “Iremos todos morrer contigo, se for necessário.”

E então? Todos os discípulos morreram por Ele? Não. “Todos os discípulos, abandonando-o, fugiram” (Mateus 26:56).
Agora, você vê, não foi uma grande diferença entre a lealdade prometida e a lealdade real?
Há um contraste entre o que Pedro disse e o que ele fez. Em vez de dar a sua vida por Jesus, ele vai tentar salvar a sua vida, negando Jesus, recuando.
E ele não apenas fez isto pelo silêncio, mas em voz alta diante de muitas testemunhas.

Ele falhou miseravelmente no teste de lealdade. E eu quero mostrar-lhe as quatro razões que o motivou a isto. São quatro razões que podem ser aplicadas a sua vida para determinar se você passará ou não no teste de lealdade.
Quatro coisas que Pedro fez: Primeiro ele se gabou demais, segundo, ele orou muito pouco, terceiro ele agiu muito rápido e quarto, ele seguiu Jesus de muito longe.

Primeiro de tudo, ele se gabou demais.
Jesus o havia alertado: “Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo” (Lucas 22:31).
E Satanás queria testar Pedro e ver se ele era um discípulo verdadeiro. Satanás gosta de fazer isso, você sabia?
Quando o “Senhor disse a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal” (Jó 1:8), Satanás respondeu: “Estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face” (Jó 1:11).

Você sabe o que Satanás passa muito do seu tempo fazendo? Acusando os servos do senhor diante de Deus (Apocalipse 12:10).
E Satanás deve ter feito isto aqui, porque Jesus diz: “Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo”.

[Nota do tradutor: Cirandar é o mesmo que peneirar. E Peneirar vem da palavra grega “siniazo” e significa: “agitar, sacudir”. Nos dias de Jesus, a colheita do trigo era algo muito demorado e cansativo. No fim, os grãos eram bem peneirados para remover qualquer impureza. Satanás queria Pedro moído, sacudido como teste de resistência. Pedro passou por grandes adversidades, conflitos, até chegar a ser o grande apóstolo]

O Senhor realmente sabia o que Satanás ia fazer e permitiu-lhe fazê-lo.
E assim, o teste começou: “Mas eu roguei por ti que tua fé não desfaleça e quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lucas 22:32).
Jesus profetizou que Pedro iria negá-lo. Mas Jesus também profetiza que Pedro iria retornar ao caminho de um discípulo verdadeiro.

Mesmo diante de tudo, Pedro ainda exclama: “Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e à morte” (Lucas 22:33).
Lá está ele novamente. E você sabe qual era o problema de Pedro? Ele se gabava muito. Ele se vangloriou. Ele cria em suas próprias forças. Ele se considerava forte.
É uma coisa muito perigosa se vangloriar. E é isso que Pedro estava fazendo. Ele se vangloriava em sua carne. “Eu vou fazer isso pelo Senhor, Deus. Eu vou fazer isso pelo Senhor, Deus.”
E ele não estava em posição de fazer qualquer coisa, pois ele estava crendo na força de sua carne.
“Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva” (II Coríntios 10:17-18).

Segundo problema: Pedro orou muito pouco. Ele se gabava muito e, em seguida, ele orou muito pouco.
Logo após Pedro afirmar que nunca trairia o mestre, “Jesus, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram” (Lucas 22:39). Lá, Jesus fez um alerta a eles: “Orai, para que não entreis em tentação” (Lucas 22:40).
Jesus se apartou deles para orar sozinho. Quando retornou a eles, Jesus diz: “Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação” (Lucas 22:46).

Assim como os demais discípulos, num momento de intensas lutas, Pedro adormeceu em vez de orar.
A oração é um impedimento à tentação. Se você quer saber por que você está sendo tentado por Satanás constantemente, provavelmente é porque você não está orando. Jesus disse a eles: “Orai, para que não entreis em tentação.”
Pedro confiou muito na sua força e orou muito pouco. A oração nos impede de pecar e de ser tentado.
O maior desastre que aconteceu na vida de Pedro foi porque ele foi dormir num momento de batalha.
E Pedro aprendeu isto. Ele deixou uma tremenda mensagem para nós: “E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração” (I Pedro 4:7).

Em terceiro lugar, Pedro agia muito rápido. Ele era muito impetuoso.
E nós somos assim, sabe? Dizemos “Muito bem, Deus, aqui vou eu correndo para fazer uma obra. Aqui estou eu indo ali para fazer outra obra”.
Nós apenas queremos ir fazer algo, e nós nem sequer sabemos se Deus nos quer lá ou não. Isso aconteceu com Pedro.
Pedro se gabou em sua força e dormiu quando deveria estar orando. Mas agiu rapidamente, pegando uma espada e ferindo o servo do sumo sacerdote (João 18:10; Lucas 22:50).
Jesus curou a ferida e repreende a Pedro: “Embainha a tua espada… Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mateus 26:52-54).

E Jesus pode ter dito: “Lamento meu amigo, Pedro está apenas impetuoso aqui.”
Penso quantas vezes Cristo teve que dizer isto sobre nós. “Lamento, ele não sabe o que está fazendo, ele é apenas mais um impetuoso que anda por aí.”
Lembra-me lá do plano de Davi: “Eu vou construir uma casa para Deus”.
Natã diz: “Davi, ótima idéia, você vai construir uma casa para Deus.” O profeta achou a idéia ótima.
David ficou ainda mais animado em construir uma casa para Deus. Mas Deus não havia sido consultado.
Deus vem à noite para Natã e diz: “Natã, eu não quero que Davi construa uma casa para mim. Diga isto a ele” (I Crônicas 17:1-4).
Quantas vezes agimos como Davi? E consultamos os homens, mas não a Deus.

E a quarta coisa que ele fez: Passou a seguir Jesus de longe. E este foi realmente o maior desastre de todos.
“Então, prendendo-o, o levaram, e o puseram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe” (Lucas 22:54).
Pela primeira vez em três anos Pedro estava seguido Jesus de longe. O fim natural de toda a sua fraqueza era a covardia.
“Senhor, eu irei para a prisão e eu vou morrer por você”, e quando eles prenderam Jesus, Pedro ficou distante. Pela primeira vez, Pedro afastou-se de uma proximidade com Jesus. E você sabe qual foi o efeito?
Veja em Lucas 22:55: “E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles.”
Agora ele está sentado com os injustos. Logo após ele negou que conhecia Jesus por três vezes.
Lá, ele estava à vista visual de seu Senhor, negando-lhe três vezes. E quando o galo cantou, Jesus virou-se e olhou para Pedro e Pedro lembrou-se do que Jesus lhe havia dito. Ele simplesmente fugiu e chorou amargamente (Lucas 22:56-62).

E sobre a sua lealdade? A sua aliança com Jesus? Quando você diz que o ama? Que você quer servi-lo? Que você será fiel?
Que tipo de promessas que você tem feito? E como você se comporta nos testes de lealdade?
Você quis se vangloriar? Ora muito pouco? Age rápido demais? Segue-o de longe?
Quantas centenas de promessas você tem feito para Deus e tem sido fiel a elas?
E é trágico, queridos. Eu olho para a minha vida e eu vejo as coisas que prometi a Deus e a deslealdade de tantas vezes. E eu oro por todos nós para que Deus nos ajude a sermos leais.

Após a ressurreição, Pedro passou no teste. Ele morreu numa cruz por seu amor a Cristo. Ele foi fiel a Jesus Cristo. A primeira parte da história é um pouco triste. Mas no livro de Atos vemos um outro Pedro.
E você pode mudar sua história hoje. E como Pedro, ter uma transformação em sua vida e a partir de então gabar-se menos, orar mais, agir sem impetuosidade e seguir a Jesus de mais perto.

Nosso Pai, nós te agradecemos por aquilo que aprendemos com Pedro. Nós apenas oramos para que, de alguma forma, estas verdades simples e básicas encontrem hospedagem em nossos corações. Para a glória de Cristo, em cujo nome oramos. Amém.


Este texto é um resumo do sermão “The Marks of the Committed Christian, Part 2”, de John MacArthur, em 30/05/1971
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
http://www.gty.org/resources/sermons/1543/the-marks-of-the-committed-christian-part-2

Tradução e síntese realizadas pelo Site Rei Eterno


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