O ministério pastoral santificante

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[Palavra de John Macarthur em uma conferência com postulantes ao ministério]

Eu quero falar com vocês talvez um pouco mais a nível pessoal, se eu puder [sem seguir o tema proposto no encontro].
Quando se chega à idade que tenho, penso que se pode fazer isto. E eu só quero falar com você um pouco do meu coração.

Eu entendo a batalha espiritual contra o pecado.
Eu entendo porque eu vivi isso por um longo, longo tempo.
Eu entendo como é difícil viver uma vida santa.
Eu entendo o quão difícil é manter os pensamentos puros e santos.
Eu entendo o quão difícil é guardar a sua língua para não dizer coisas que não agradam ao Senhor.
Eu entendo como é difícil ser piedoso no ambiente mais íntimo de sua vida, em seu casamento com a mulher que você ama e aprecia, com seus filhos e com as pessoas que estão próximas a você.
Eu entendo o que é decepcionar ao Senhor e suportar a tristeza de sua própria alma ao longo desses desapontamentos que acontecem tragicamente.
Eu entendo o que é estar envolvido em pecados ostensivos e pecados secretos.
Eu entendo o que é pecar por não fazer a coisa que você deveria ter feito, deixando grandes e necessárias coisas por fazer, enquanto você está envolvido com coisas triviais.
Eu entendo a batalha espiritual. Eu vivi isso. Eu vivi o tempo suficiente para tentar ajudar outras pessoas a combater essa luta também.

Certa vez eu estava inclinado sobre a cama de um homem que tinha 78 anos e ele estava morrendo e eu lhe perguntei: “Quais são os seus pensamentos para a eternidade?”
Nos seus setenta e oito anos de idade, ele olhou para mim com lágrimas nos olhos e me disse: “Eu simplesmente nunca tive vitória sobre a pornografia.”
O quê?! Setenta e oito anos de idade!! Uma notícia triste… Isso é doloroso.

É uma longa luta. É uma longa batalha.
É uma coisa alegre andar com Cristo. É uma coisa emocionante ver a sua mão sobre a sua vida.
Ele está além da compreensão da mente. Ele é a razão pela qual nós louvamos. É algo indescritível.
Mas há uma realidade constante, sempre presente: A guerra contra o pecado, o mundo, a carne e o diabo.

Como pai, eu fui preocupado com a batalha na vida dos meus filhos, como um avô, na vida dos meus netos.
Eu fui preocupado com a luta em minha própria querida esposa.
Eu fui preocupado com a luta nas vidas das pessoas ao meu redor e na igreja que o Senhor me deu para cuidar.

Estou mais preocupado agora sobre você e seu futuro nesta batalha do que eu já estive.
Você não pode viver fazendo votos a cada semana. Esta não será a sua vida nas outras semanas do ano.
Estar sob a exposição intensa da Palavra de Deus e da vida dos servos exemplares de Cristo por uma semana é uma experiência poderosa.
E imaginar, quatro mil jovens numa conferência sobre o pecado, ouvindo homens santos e comprometidos com o evangelho faz desta uma semana gloriosa, mas isso não é a sua vida. Isto não vai te sustentar.
E meu medo diz respeito à igreja. Porque eu estou muito preocupado com o estado da Igreja.

Precisa-se de pastores para santificar a igreja.
Deus nunca pretendeu que você lute sozinho. Deus nunca pretendeu que você viva sua vida cristã sozinho. Você precisa desesperadamente de estar sob a ação santificadora da Palavra de Deus no dia a dia.
E eu temo que esta geração de pessoas que está indo em direção ao ministério pastoral não alcançará isto.
Alguns deles pensam entreter incrédulos. Serão meros comediantes.
Eu acho que nós precisamos rever tudo sobre o que é ser um pastor.
Você precisa estar sob a cobertura de um ministério pastoral santificante.

Uma das coisas bizarras que aconteceram em nosso mundo foi a proliferação de igrejas independentes.
Trata-se, por um lado, de uma coisa maravilhosa, porque é preciso haver uma ruptura do denominacionalismo liberal, que tem pregado mensagens que conduzem mais à condenação do que à libertação. Nós entendemos isso.
Nós compreendemos a razão de existir tantas igrejas independentes, mas as igrejas independentes são preocupantes por uma série de razões, uma das quais é que elas têm pastores independentes que não se submetem a ninguém.
Não há líderes experientes e maduros sobre elas. E a realização de seus líderes é ser o mais diferente que puderem ser.
Há um certo desprezo pelo passado, certo desprezo por tradições existentes.
E se começa uma igreja com esse tipo de mentalidade. E eles não sabem para onde vão.

E eu acho que nós apenas precisamos voltar a uma questão muito básica: O que um pastor deve fazer? O que um pastor é chamado a fazer?

I Pedro 5
1 Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
3 Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.
4 E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.

Pedro está falando como um apóstolo, e não apenas um presbítero. “Apascentai o rebanho de Deus no meio de vós.” Ou, seja “alimente o rebanho de Deus no meio de vós”.
Esse é o mandato. Isso é o que os pastores fazem: Alimentar o rebanho de Deus.
Nós não somos chamados à cultura. Nós não somos chamados para revolucionar o bairro. Nós não somos chamados para alterar a cidade. Isso é um efeito indireto.
Nós somos chamados para os remidos; nós somos chamados para os eleitos; nós somos chamados para o rebanho de Deus.
E os pastores vão prestar contas das ovelhas: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13:17).

E, versículo 4 diz: “Quando o Sumo Pastor aparecer, você receberá a incorruptível coroa da glória.”
A promessa de recompensa eterna está ligada à fidelidade do pastor em apascentar o rebanho de Deus.

Atos 20
28 Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.
29 Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;
30 E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.
31 Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.
32 Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.
33 De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário

Sua primeira responsabilidade é proteger a sua própria vida.
Soa como I Timóteo 4:16: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. E então o que você foi chamado para fazer: Alimentar o rebanho de Deus.

Paulo diz no versículo 29-30 que depois da partida dele entrariam no meio de deles lobos cruéis e que não poupariam o rebanho. E que entre eles já havia tais lobos que atrairiam as ovelhas para si.
Parte de pastorear o rebanho é uma proteção contra aqueles que vêm de fora e influenciam o rebanho.
Eles podem ser pastores em outra cidade; eles podem ser pregadores na televisão; eles podem ser pregadores no rádio; eles podem fazer isto através de diversas literaturas e etc.
As influências externas têm a tendência de corromper a congregação. E deve ser protegida pelo pastor. Você deve ser um protetor das ovelhas contra todos esses tipos de influências destrutivas.
Mas a perversidade pode surgir dentro da própria congregação.

E o primeiro dever de um pastor é alimentar. O segundo dever de um pastor é guardar ou proteger.
É por isso que o versículo 31 Paulo diz: “Vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós”.
Ele completa dizendo que não cobiçou nada de ninguém para si mesmo. Ou seja, sua obra não foi por dinheiro, tal como Pedro falou: “Não por torpe ganância”.

Efésios 4
11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
13 Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
14 Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

O Senhor designou ministérios. O que devemos fazer? Qual é a nossa responsabilidade?
Para o aperfeiçoamento e edificação dos santos. Para a edificação do corpo de Cristo.
Qual o objetivo? Até que todos cheguem à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus e a medida da estatura de Cristo. Para que as ovelhas não sejam carregadas por doutrinas de homens fraudulentos.

Você mede o ministério de um homem não por quantas pessoas ele tem na sua congregação, mas por como são as pessoas em sua congregação. Se elas estão crescendo à medida da estatura de Cristo. Essa é a única medida.

Há apenas uma ferramenta para isto: A Palavra de Deus.
A medida de qualquer ministério é a maturidade daquela congregação.
Isso por si só diz que o ministério de uma congregação que Deus lhe deu é uma experiência de longo prazo.

Você poderia fazer a pergunta, “O que o Senhor Jesus quer de nós como pastores? Qual é o desejo do Senhor que redimiu sua igreja com seu próprio sangue? Eu acho que a resposta para isso vem em João 17.

João 17
12 Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.
13 Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.
14 Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
15 Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
16 Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
17 Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

Você sabe o que o Senhor Jesus Cristo quer para as suas ovelhas? Proteção do mal.
Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, ele citou um pedido de livramento do mal (Mateus 6:13).
O Sumo Pastor quer seu povo espiritualmente seguro. Ele quer para seu povo santidade e virtude.
Em uma palavra, Ele quer para eles Cristo. Isso é o que Ele orou: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). Esse é a ordem.

Estamos seguindo o Sumo Pastor como sub-pastores. É desejo do Sumo Pastor que Seu povo seja santificado. Isto Significa separado do pecado e de Satanás por meio da Palavra.
O versículo 18-19 de João 17 diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade”.

Jesus diz: “Eu me santifico.” Ele é a única pessoa no universo que pode dizer isso.
Temos de ser santificados por Ele; Ele santificou a Si mesmo. Ou seja, ele manteve em sua própria perfeição a fim de que possamos ser santificados.
Ele ora e intercede para a nossa santificação. Ele trabalha para a nossa santificação.

Como pastor, eu entendo que a minha responsabilidade não é com a comunidade.
Não é com a cultura. Não é para com as pessoas da rua.
Eu não tenho que ser divertido para elas e nem inteligente o suficiente para atraí-las.
Eu não fui ordenado para redefinir a igreja para que os incrédulos gostem dela.
Minha responsabilidade é muito simples: Seguir o Sumo Pastor na busca da santificação do seu rebanho através da Palavra.
Esse é o meu mandato, e minha recompensa será baseada na fidelidade a isso. Ou a minha falta de recompensa será baseada na infidelidade a isso.

A igreja é um povo adorador. E a essência da adoração é a obediência.
Nós não estamos apenas tentando conduzir reuniões. Nosso esforço tem por objetivo um povo santificado.
Isto é adoração e o culto verdadeiro se manifesta em obediência consistente.
Jesus disse: “Eu santifico a Mim mesmo.” O que você acha que ele quis dizer com isso?
Bem, a santificação é conformidade com a vontade de Deus, e isso era verdade em Cristo, não foi?
Ele viveu em perfeita harmonia com a vontade de Deus. Isso é santificação. Isso é adoração.

Enquanto o mundo está se tornando mais poderoso, a igreja em vez de fugir do mundo está correndo em direção a ele.
A santificação do povo de Deus é a responsabilidade da igreja.
O que estou dizendo é que precisamos focar no óbvio. Precisamos focar no povo de Deus.
Deixe-me dar-lhe um outro comentário óbvio. A Bíblia foi escrita para os crentes. Surpreendente?
A Bíblia foi escrita para os crentes. Talvez você nunca pensou que a Bíblia não foi escrita para os incrédulos
E o que muitos fazem para atrair pessoas que não gostam da exposição da Bíblia?
Buscam todo tipo de atrativos para que o evangelho pareça agradável aos incrédulos.

A Escritura é para os crentes. A Escritura é para pessoas regeneradas. É para os eleitos. É para os remidos. Pregamos a Palavra para os cristãos.
Olhe para II Timóteo 3 por um momento: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (v.16). Para que? Qual a finalidade? “Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (v.17).
Agora olhe para II Timóteo 4: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (v. 1-2). Para que? Veja nos versículos seguintes: Fortalecer o povo de Deus contra as heresias.
Onde estava Timóteo? Em Éfeso. E ele não estava conseguindo fazer isso.
Ele tinha que ouvir isso, “Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (II Timóteo 4:5).
Paulo exorta para que Timóteo pregasse a Palavra a tempo e fora de tempo, corrigisse, exortasse etc., alertando que estava próximo o tempo em que os ouvidos de muitos não suportariam mais ouvir.

Necessidade de proteger as ovelhas. Pregar a Palavra de modo que elas vão se movendo em direção a semelhança de Cristo, através da sua exposição continuada da verdade.
Nós somos como pastores santificadores do povo de Deus, através do poder do Espírito Santo.

I Coríntios 2
14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
16 Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.

A mente de Cristo está exposta na Bíblia; que diz exatamente como Cristo pensa e exatamente como Deus pensa.
O homem regenerado entende perfeitamente. Compreende porque é espiritual, e aquele que é espiritual avalia todas as coisas espiritualmente.

Você não pode pretender que um incrédulo rebelde entenda a mente de Cristo. Ele vai rejeitá-la.
E então o que a igreja está fazendo? Abandonando o puro ensino das Escrituras em seu esforço para atrair incrédulos. Elimina tudo aquilo que o povo de Deus precisa num momento em que o esgoto do mundo tenta sufocá-lo.

Jesus foi o maior mestre e pregador que já viveu. As pessoas disseram a respeito dele: “Nunca um homem falou assim como este homem” (João 7:46).
Mas Jesus disse que “não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (João 2:25). Ele sabia exatamente o que elas estavam pensando.
Havia algumas centenas de crentes na Galiléia e cento e vinte crentes em Jerusalém, mas a nação se levantou contra ele e o matou.
Ele chorou ao ver a malignidade do pecado e a dureza de coração dos homens.

Jesus disse aos religiosos hipócritas: “Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra” (João 8:43).
Qual o motivo? “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai…” (João 8:44).
E Jesus completa: “Mas, porque vos digo a verdade, não me credes” (João 8:45). É uma declaração surpreendente.
Qual era o problema deles? “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus” (João 8:47).
Você não pode ensinar as Escrituras para os incrédulos.
E quando a Bíblia diz: “Pregue a Palavra”, ela está falando sobre a responsabilidade que temos para alimentar o rebanho de Deus para que a Palavra o santifique.

Você deve estar pensando: “E sobre o evangelismo?
O poder do evangelismo vem do testemunho de vidas piedosas e transformadas. Da proclamação da gloriosa razão para essa transformação. O evangelho de Jesus Cristo que sai dos lábios de vidas dignas de crédito.
A Palavra é a verdade que santifica. E as Escrituras podem ser recebidas, cridas e aplicadas apenas naqueles a quem Deus chamou. Fora da igreja ela é odiada.

Por que há tanta resistência e hostilidade à Palavra de Deus por parte dos homens?
Eles são inimigos de Deus (Tiago 4:4) e, portanto, são inimigos da Bíblia, que é a revelação de Deus, de sua pessoa e de sua vontade.
Mesmo os judeus do Antigo Testamento se ressentiram, odiaram e rejeitaram a verdade divina e mataram os profetas.

Jesus contou uma história incrível (Mateus 21:31-41), no final do seu ministério, sobre um homem que tinha uma vinha e arrendou para algumas pessoas. Disse que estaria de volta para recolher o que era seu por direito. Ele enviou mensageiros, que foram feridos ou mortos por aquelas pessoas.
E Ele pensou: “Bem, eu vou enviar o meu filho, a este respeitarão”. E aquelas pessoas mataram seu filho.
Jesus está retratando o tratamento dados aos profetas e ao Messias de Israel.

Há uma força controladora, dominante, irresistível e pecaminosa no coração humano caído que torna a Palavra de Deus inacessível a mente natural.
Então, se você quer ter uma igreja bem sucedida, cheia de incrédulos e falsos discípulos, minta para eles.
Mas assim que você começar a desembalar a verdade, eles vão te derrubar ou eles terão ido embora.
Não faz sentido realmente tentar inventar uma mensagem para dominar o que é natural.
A hostilidade virá daqueles que estão mortos em seus delitos e pecados.
Eles são duplamente cegos, tendo sido cegados pelo deus deste mundo (2 Coríntios 4:4).
Também os pensamentos do homem caído, naturalmente, correspondem aos pensamentos de Satanás e não de Deus.
Toda resistência à verdade das Escrituras procede do interior do coração caído do homem e de sua ligação com Satanás.

Agora, mesmo como cristãos, temos de enfrentar a realidade de que temos ainda parte dessa natureza caída em nós.
Uma das coisas atrativas no céu é a ausência do pecado.
A batalha nesta terra é longa e cansativa. E o pastor tem que ajudar as pessoas a avançar na Palavra.
Paulo expressou isto: “Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (II Coríntios 11:28).
Isso não é carga administrativa, essa é a paixão do seu coração para o cuidado do rebanho.
Você sabe o que é o cansaço do ministério? O cansaço do ministério está em tentar mover pessoas de seu próprio coração para a semelhança de Cristo e ter que lidar com todas as falhas, todas as fraquezas e todas as lutas.

Eu digo às pessoas, às vezes: “Eu não vou morrer tentando fazer isso porque eu não posso chegar lá. Mas eu vou dar tudo que eu tenho na vida para tentar movê-lo em direção a Cristo”.
Nossa tarefa é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus, pois só este rebanho pode receber e crer na Palavra.
Só ele pode ser transformado. Então, ele pode sair para o mundo em uma vida que glorifica a Deus e a Cristo, para que outros sejam atraídos para Cristo por seu testemunho.
Como o filósofo alemão disse: “Mostre-me sua vida redimida e eu poderia estar inclinado a crer em seu Redentor.”

Quais as armas do rebanho? “As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos [idéias], e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (II Coríntios 10:3-5)
Nós somos humanos, mas nós não usamos armas humanas.
A nós foi dada a responsabilidade de destruir “fortalezas, idéias e altivez contra o conhecimento de Deus”.
Como um homem pensa, assim ele é. Nossa posição é destruir idéias. Que tipo de idéias? “Todo entendimento que se ergue contra o conhecimento de Deus.”
Nós tomamos a Palavra de Deus, e nós usamos a Palavra de Deus, a verdade, para esmagar toda idéia ímpia. E trazer “cativo todo pensamento à obediência a Cristo.”
Fazer a vontade de Deus que nós obedecemos assim como Cristo obedeceu.
Estamos encarregados com a santidade da igreja.

Paulo expressou isto em Gálatas 4:19: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”.
Isso é um mandato pastoral. Eu tenho dor até Cristo ser formado em vós.
Eu sinto isto com a minha própria vida. Eu sinto isso por meus filhos. Sinto por meus netos. Eu sinto pelas pessoas ao meu redor. Eu sinto pela igreja. A dor nunca vai embora.

Estar no ministério é encontrar um povo em quem eu possa derramar toda a minha vida até que Cristo seja formado neles.
Como você trata o rebanho que Deus lhe deu é como você trata Cristo. Cristo vem para você em cada pessoa e cada ovelha.
“E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” (Mateus 18:5).
Meu relacionamento com eles é um relacionamento com Jesus Cristo. Como eu me importo com o indivíduo é como eu respondo a Cristo, que vem a mim nesse indivíduo.
Eu sou para eles, para edificá-los, para honrar a Cristo que neles há, e para trazê-los para a plena conformidade com o próprio Cristo que vive neles.

Mas há uma responsabilidade pesada: “Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar” (Mateus 18:6).
Seria melhor para eu morrer dolorosamente, com uma morte horrível e assustadora, do que criar barreiras para a santificação de uma das ovelhas do Senhor.

Spurgeon disse isso: “Conjuro-te nunca mais ser o meio de levar outra pessoa ao pecado. Se pecarmos por si só, já é ruim o suficiente. Mas se nós pecamos na companhia de outros, nós temos não só que responder pelos nossos pecados, mas também pelos pecados dos outros.”

O santificante pastor compreende o poder da carne e é protetor das ovelhas contra ela.
Ele entende o poder do mundo e é protetor das ovelhas contra ele.
Ele entende o poder de Satanás, o maligno, e é protetor das ovelhas contra esse poder.
Compreende o poder da verdade das Escrituras. Ele entende o poder do Espírito Santo. Ele entende o poder da oração. Ele entende o poder do confronto. E ele entende o poder do exemplo.
Enfim, ele pode dizer: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (I Coríntios 11:1).
Seja um exemplo para o rebanho para que eles possam seguir a sua fé.

Pai, nós Te agradecemos pelo poder da verdade. Obrigado pela consistência das Escrituras.
Eu oro por esta geração para que tenham pastores santificantes.
Ó Senhor, levante tais pastores. Manda embora todos os falsos pastores.
Manda embora todas as pessoas que querem fazer algo diferente disso.
Senhor; queremos ser fiéis para lhe servir. Nós queremos que o Senhor seja glorificado em sua igreja manifestando sua própria beleza e glória.
Santifica o teu povo. Amém.


Este texto é um resumo do sermão “The Sanctifying Shepherd”, de John MacArthur, em 15/06/2009
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
http://www.gty.org/resources/sermons/CONF-RC09-08/the-sanctifying-shepherd-2009-resolved-conference?Term=The%20sanctfying%20shepherd
Tradução e síntese realizadas pelo Site Rei Eterno



[Nota do tradutor: Temos ouvido muitas mensagens de John MacArthur sobre o ministério. A marca de seu ministério é o ensino da Palavra. Ele entende que é esta a função do pastor. Ele tem feito, ao longo de 40 anos, um minucioso, consistente e continuado estudo das escrituras.
Não que o pastor não atenda outras necessidades das ovelhas, mas sua função indelegável é o ensino da Palavra. Isto é, alimentar as ovelhas.
Quando o pastor foca seu ministério em administrar problemas das pessoas e perde o foco naquilo que é sua função, o prejuízo para a Igreja será terrível e o próprio pastor não suportará este terrível fardo.
Por outro lado temos os “pastores” que são semelhantes a administradores, profissionais de marketing, intelectuais ou animadores de auditório, que abandonaram a sã doutrina e exercem o papel de encantadores de almas, oferecendo às pessoas um alimento corrompido.
Pedro resumiu, em poucas palavras, um ministério edificante:
Atos 3
2 E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.
3 Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.
4 Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra
.]


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