O big bang e seu ovo cósmico

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Juarez de Azevedo

Perguntam se conheço as opiniões dos críticos, que investem contra a autenticidade, veracidade e a coerência científica das afirmações bíblicas. Conheço, sim senhores. Conheço e acho engraçado, às vezes.

Teólogo e exegeta não sou. Mas, por força do tipo de atividade intelectual que desde muito cedo comecei a exercer, fui obrigado a estudar lógica, de modo que não me é difícil, por um simples raciocínio de exclusão, distinguir afirmações aceitáveis de colocações absurdas.

Como coordenador de um projeto de pesquisas junto a Força Aérea dos Estados Unidos da América e chefe de um departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tive a oportunidade de dialogar com cientistas especializados em ramos dos mais sofisticados do conhecimento, e nunca os vi com críticas ou zombarias acintosas contra a Bíblia, contra a fé e contra o cristianismo.

Minha dificuldade tem sido com os medíocres, com os pseudo-sábios, doutores em livros de divulgação científica, ou que, ao lerem uma opinião de um cientista incrédulo, adotam como uma nova posição, de ataque à Bíblia, ao cristianismo, como se o mundo inteiro, de repente, ficasse cheio de burros, e ele, o novo anti-Bíblia, fosse o maior sábio existente no orbe.

Disse Voltaire: “Assombra-me o Universo, e eu crer procuro, em vão, que exista um tal relógio, e o relojoeiro não!”.

Não. Não posso entender nunca um Universo Material, diverso e complexo, sem a intervenção de um Ser Supremo, infinitamente sábio e dotado de capacidade ilimitada de criar e gerar tudo. Que os sábios levantem as suas hipóteses, mas vão se deparar com uma realidade nos confins da eternidade: Somente Deus.

Um aluno certa vez brincou com a teoria do big bang:

“- No princípio existia uma entidade chamada de NADA, o NADA formou o caos, o caos mediante leis que não se sabe de onde surgiram, formou um OVO, que por um milagre do NADA, explodiu, formou nebulosas, e essas, por sua vez, geraram os sistemas de corpos celestes, que, depois, deram origem aos animais, aos vegetais, à vida, ao homem, a mim… Logo eu vim do NADA. Por isso minha mãe insiste em dizer que eu não sou é NADA.”

O que aconteceu no passado remoto não é suscetível de teste de laboratório, a fantasia, o sonho, as hipóteses bombásticas podem substituir até raciocínios científicos sensatos, e dar lugar a posições místicas de um ateísmo fanático.

No século passado, o fundamento da ciência para combater a Bíblia estava colocado na lei máxima da química de Lavoisier, de que “nada se perde, nada se cria na natureza, tudo se transforma”. Este princípio era usado para fazer do livro de Gênesis uma piada. Toda uma gama de definições absurdas derivava do principio de Lavoisier.

Porém, a teoria da relatividade de Albert Einstein provou que a matéria não é eterna coisa alguma. Ela pode ser destruída e se transformar em energia, que ninguém vê nem pega. Para enviar luz até nós, o Sol vê 4.200.000 toneladas de sua matéria se transformar em energia, a cada segundo.

A ciência moderna parece querer ressuscitar argumentos antigos, e os mais respeitáveis compêndios de Astrofísica ensinam sobre teorias nunca dantes imagináveis, e proclamam as posições de cientistas que defendem e procuram explicar os mais variados e complicadíssimos fenômenos do Universo, mostrando que a matéria pode ter sido criada do nada.

Com as especulações provenientes da teoria do big bang (grande explosão), que dava explicação a cerca da expansão do universo, também surgiu, com base no “Princípio Cosmológico Perfeito”, a teoria do estado estacionário do Universo, que, inclusive, faz surpreendentes previsões específicas. Tal princípio estabelece que um observador, localizado em uma posição definida, em tempo qualquer, arbritariamente escolhida na história do Universo, vê o cosmo com a mesma configuração que um outro observador, situado em outra localização e mesmo em outra época da existência do Universo.

Tal colocação nada mais é que uma simples extensão da hipótese de Copérnico, de que não existem observadores privilegiados quando se olha o Universo como um todo, e o principio cosmológico, como enunciado, levou um grupo de cientistas a desenvolver o modelo que define o Estado Estacionário do Universo.

O principio, em nosso entender, é tão válido quanto tantos outros que existem por aí, principalmente quando impomos a ele algumas restrições, e consideremos o seu significado como de sentido puramente estatístico.

A conseqüência mais surpreendente da Teoria do Estado Estacionário do Universo é que a matéria está sendo, ainda hoje, continuamente criada. Mas, isso não se dá sob a forma que um químico produz água em um laboratório, pela combinação de oxigênio e hidrogênio. Negativo. A matéria está sendo criada do NADA.

Alguns cosmólogos, tomados de surpresa, com as conclusões de tão ousada quão extravagante teoria, procuram uma escapatória:

– Não, dizem alguns. – Não é do NADA que a matéria está sendo criada. Não. Existe um tal elemento chamado CAMPO C, responsável por essa travessura.

Quem entende um pouco de ciência, deve ter percebido que essa escapatória nada mais é que um argumento mal-engendrado, de caráter emocional, a fim de manter as leis de conservação da física intactas, sem a quebra que o princípio cosmológico imporia.

É elementar o cálculo da taxa de criação da matéria no Universo. Considerando-se um volume esférico de raio “r” e supondo esse raio expandindo-se a uma taxa de variação proporcional a “r”, isto é, “Hr”, sendo H a constante de Hubble, chega-se a conclusão de que a taxa de criação da matéria, por unidade de volume, é 3HPo, onde Po é a densidade da esfera que se supõe constante, durante a expansão.

Tendo Po = 10 elevado a -30 g.cm-3, chega-se ao valor 3HPo = 10 elevado a -47g.cm-3/seg.-1. Se a matéria está sendo criada na forma de hidrogênio, pode-se concluir que, no universo, “O NADA” está criando matéria a uma taxa de ordem de 1 átomo por litro a cada 5 bilhões de anos.

É… A Bíblia diz mesmo que Deus continua trabalhando. Pelo menos está criando matéria do “NADA”. Quando me perguntam de que foi que Deus criou o Universo, paro, olho para o sujeito e respondo com ares de cientista abusado: – Do nada seu bobo.

Se você não crê que o Universo foi criado por um ser Onipotente e Onisciente, você terá, pelo menos, que crer que, num tempo qualquer, no passado distante, houve um ato criador.

Admitindo-se que, no instante zero do Universo, toda a matéria, hoje existente, estava concentrada num mesmo ponto do espaço, nele estando aprisionada quantidade fabulosa de energia, que poder foi esse que autorizou a liberação dessa energia? quem a manteve aprisionada assim? que vontade atuou para dizer: “Bem, agora chegou o momento, vou fazer explodir esse ‘OVO MILAGROSO’, que vai formar o espaço infinito, criar terra, céus, gases, vegetais e animais, tudo, enfim”, quem foi? O acaso?

Bem, caro amigo, enquanto não fizerem a teoria completa, encaixando o tal “deus-acaso”, fique com o que está registrado na Bíblia: “No princípio criou Deus…” (Gen. 1:1).

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