Necessário vos é nascer de novo

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João 2
23 E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.
24 Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia;
25 E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.
João 3
1 E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8 O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
9 Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

O Evangelho de João apresenta Cristo como o Filho de Deus. O Verbo Eterno que se fez carne, ou seja, Deus em um corpo. O Messias prometido. Cada página ele evidencia que Jesus é Deus.
João apresenta Jesus como o Deus Eterno, bem como a salvação que ele ofereceu ao homem.
Os três últimos versículos do capitulo 2 do evangelho de João deveriam estar no início do capítulo 3. O assunto é o mesmo.
A multidão viu sinais e creu em Jesus. Mas que tipo de fé era aquela? Viram os feitos do Senhor, mas conheceram seus caminhos? (Hb. 3:10)
Jesus olhou a multidão e não confiava nela, embora ela estivesse dizendo crer nele. Mas era uma fé encantada… Uma fé falsa.
Jesus sabia o que havia no homem. Ele conhecia o coração do homem. Israel encantou-se também com os milagres na saída do Egito, mas não com o Senhor.

Nicodemos era um fariseu. E era mais um encantado com os milagres que Jesus estava operando.
Os fariseus eram legalistas ao extremo. Eles tinham centenas de leis criadas por eles mesmos.
E acreditavam que a prática essas leis o faziam pertencer ao Reino de Deus. Era uma religião de esforços e obras, e era somente isto.
Eles acreditavam no juízo eterno e ressureição dos mortos. Tinham regras morais e produziam algumas pessoas com qualidade.
Mas eles tinham um problema grave: A religiosidade era algo externo. Não havia uma realidade espiritual interior.
Eles não estavam mais próximos do Reino de Deus do que uma prostituta (Mt. 21:32).

Muitas de suas leis (que tinham o nome de “jugo”) eram absurdas e são exemplos do que a religião pode fazer. Eis algumas:
1. Naquela época as pessoas gargarejam vinagre para aliviar irritações na garganta. No sábado era proibido, permitindo-se beber o vinagre, mas não gargarejar.
2. Se uma galinha colocasse um ovo no sábado, ninguém poderia comê-lo. Salvo se mata-la no dia seguinte, como uma punição a galinha por ter colocado um ovo no sábado.

E eles acreditavam que a guarda de coisas como estas os levariam para próximo de Deus.
É mais fácil não comer um ovo que a galinha colocou no sábado do que amar o inimigo. Isto é impossível de ser praticado pela guarda de regras religiosas.
E Nicodemos era um mestre, membro do sinédrio, um interprete e instrutor. Praticava minuciosamente cada detalhe e ensinava ao povo.
Este homem vem a Jesus com toda sua estrutura religiosa, acreditando que aquilo tudo era algo que o tornava justo diante de Deus.
E vir a Jesus, por si mesmo, não quer dizer nada. Muitos foram a ele e saíram tão perdidos quanto antes. Muitos especulavam sobre ele e eram despertados por curiosidades.
Vir a Jesus é um começo, mas não é o fim. Crer nele é algo necessário, mas também não é tudo.
O Evangelho fala de algo mais contundente em nossa posição em Cristo. Fala de uma fé que produz um novo nascimento.
Nicodemos viu os milagres de Jesus. Foi a ele porque creu que Jesus veio de Deus. Ele disse: “Sabemos que és Mestre, vindo de Deus”.
Talvez ele pensasse que Jesus era um novo profeta. E como profeta, ele poderia dizer algumas coisas para ajustar sua vida. Esta fé não era suficiente.

Mas Jesus não dá continuidade aos elogios dele. Não comenta suas palavras. Apenas lhe diz: “Você precisa nascer de novo para entrar no Reino de Deus”.
Nicodemos ficou chocado. E pensou: Guardo todas as leis. Sou fiel a elas. Tenho feito tantas obras. Isto não serviu para nada?
Mas Jesus quis dizer exatamente isto: “Nicodemos, você não está em lugar nenhum. Diante de Deus todo seu zelo religioso é inútil, sem valor”.
Sabe o porquê disto? A religião é uma maldição de Satanás [a história das religiões começou com Caim: Ofereço a Deus o que quero, segundo meus próprios conceitos e não segundo o que Deus quer].
A religião é uma maldição. É algo sem sentido. Ela diz ao homem que ele é o que ele nunca foi. Foi isto que Jesus quis dizer a Nicodemos.

Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.
Mateus 18:3

Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
II Cor 5:17

Nicodemos ouve algo que o perturbou muito: Uma poderosa fé que gera um novo nascimento.
Toda sua estrutura religiosa estava ruindo diante dele. Suas obras externas se tornaram em pó.
Jesus fala de uma reconstrução no interior do homem.
Todo o velho homem deve ser removido com suas obras, sejam boas ou más. Nada é aproveitado por Deus. Não há nada no homem que possa agradar a Deus.
Nossas justiças perante ele são imundas (Is. 64:6). O velho homem deve ser sepultado (Rm. 6). Temos que nascer de Deus (I João 3:9).
Não podemos curar uma pessoa cancerosa pintando seu exterior. O câncer tem que ser atacado no seu interior.
Da mesma forma, o pecado é como um terrível câncer que deve ser debelado por uma operação milagrosa do Espírito Santo no interior do homem. Obras externas não tem efeito algum.

Nicodemos, atolado em sua religiosidade vazia, sabia que Jesus estava falando de realidades espirituais. Ele sabia que Jesus vinha da parte de Deus.
“Como pode ser isto?” “Como nascer de novo?” “Como voltar ao ventre de minha mãe e nascer de novo?” São perguntas de um homem agonizando em sua religiosidade. Era tudo que ele tinha.
Mas Jesus fala de um nascimento da água e do Espírito… Uma revolução no interior do homem.

Que água é esta?
No Velho Testamento a água era usada para a cerimônia de purificação. O batismo de João tinha esse significado.

Ezequiel 36
25 Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.
26 E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27 E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.

Mas Jesus refere-se não a uma lavagem com água, mas uma lavagem pela Palavra. O agente purificador é a Palavra de Deus.

Efésios 5
25 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
26 Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
27 Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.

O Espírito Santo usa a Palavra de Deus para nos purificar. Este é o batismo com o Espírito Santo.
Somos regenerados, batizados, nos tornamos habitação do Espírito Santo e somos selados por ele ao mesmo tempo.
O Batismo com o Espírito Santo é algo que faz parte da salvação. Sua distinção no livro de Atos é por ser aquele tempo um momento de transição. A promessa começou a ser cumprida a partir da primeira geração da Igreja.
Ele não é evidenciado por manifestação de dons de línguas, mas pela obra de regeneração feito pelo Senhor.
João disse: “Eu vos batizo com água… mas Ele [Jesus] batizará com o Espírito Santo e com fogo…” (Lucas 3:16)
O fogo tem seu papel purificador: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (I Ped 1:7).
Este fogo é o poder purificador do Espírito Santo através da Palavra de Deus.

Efésios 4
4 Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
5 Um só SENHOR, uma só fé, um só batismo;
6 Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.

A estrutura religiosa de Nicodemos foi abalada. Ele não podia entender isto.
Está fora do alcance das próprias obras. É algo acessível exclusivamente por uma fé verdadeira.
Atividades religiosas e estímulos emocionais não podem fazer nada. A fé pode fazer tudo.
Nicodemos, totalmente perplexo, ouve que este milagre é como a ação do vento, que ninguém sabe de onde veio e nem para onde vai. Mas ele é real. Suas ações são evidentes, embora não se possa vê-lo. Aquele que nasceu de novo expressará uma vida gerada por algo invisível ao incrédulo.

A religião pode cegar o homem. Ela pode destruir a capacidade de ver espiritualmente.
Diante de Nicodemos, Jesus dinamitou a religião: “Tu és mestre em Israel e não sabes isto?”.
Em outras palavras, sua religiosidade o deixou cego. E você é um cego que está cegando outros. Uma transmissão maldita de cegueira.

Se você quer o Reino de Deus, deve ir pela fé ao Filho de Deus. Deve ir com um coração decidido a amá-lo. Então Jesus virá a você pelo Espírito Santo e fará uma tremenda obra de regeneração. Liquidando o velho homem e fazendo nascer um novo homem, não da carne, mas do Espírito. Um novo homem que anseia por Ele e vive por Ele e para Ele.
A religiosidade com todos seus ativismos nada pode fazer, salvo produzir hipócritas que permanecem em trevas eternas.
Nicodemos saiu dali atônito e desorientado. Mas, tempos depois, Ele se converteu e foi um dos primeiros mártires da Igreja do primeiro século.
Seus olhos foram abertos. Havia em seu coração um desejo em conhecer ao Senhor.


Esta palavra é uma pequena síntese do sermão “The New Birth”, proferido por John MacArthur em 19/04/1970.
Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:
http://www.gty.org/resources/sermons/1505B/the-new-birth
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


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