Jesus, o Verbo Eterno!

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Gostaria de voltarmos nossa atenção para o primeiro capítulo do Evangelho de João. Estamos na época do Natal. É um tempo de diversões e presentes para crianças, roupas novas, confraternizações, cartões de crédito estourados, lucros estupendos do comércio etc. Nada está relacionado a Cristo.

Em Romanos 1:2-3 o nascimento de Cristo é relatado como o tempo que a palavra dos profetas na Sagrada Escritura veio a se cumprir. Em Filipenses 2, o Natal, por assim dizer, foi um tempo em que Deus condescende em grande humilhação, ao vir ao mundo.

Em Hebreus 2:14 vê o Natal como o tempo em que Satanás seria destruído, e novamente no capítulo 10, o escritor de Hebreus vê o Natal como o grande evento em que Deus proporciona uma oferta de sacrifício pelos pecados dos homens.

João, em sua primeira epístola, capitulo 4, verso 14, fala sobre ser o nascimento do Salvador do mundo. Paulo ao escrever a Timóteo, capítulo 1, versículo 15, diz que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E, em seguida, refere-se a si mesmo de um modo muito peculiar: “Dos quais eu sou o principal.”

E, então, nós estamos mais familiarizados com a narrativa do Natal feita por Mateus e Lucas, os quais nos dão detalhes históricos, como o relato sobre pastores, anjos, Maria e José, magos do Oriente, manjedoura, o Menino Jesus, Belém.

Porém, uma das mais importantes referências, certamente única, acerca do Natal é encontrada em João, capítulo 1. E João nos apresenta a história do Natal sem nunca mencionar Belém, ou Maria, ou José, sem nunca mencionar uma estalagem, ou uma manjedoura, ou pastores, anjos ou quaisquer desses elementos. Mas, realmente, esta é a história.

Esta é a história por trás, a história dos bastidores. Esta é a história que não poderia ser vista por quem estivesse no campo guardando rebanhos e ouvindo anjos. Esta é a história que não poderia ser conhecida na manjedoura, apenas olhando para aquela criança, porque teria que ter uma revelação de Deus para se conhecer este elemento da história.

Ela é rica, única, para todo o Novo Testamento, profunda e poderosa. É a realidade do Natal não visto historicamente, mas visto sobrenaturalmente. E isso responde à pergunta: quem é essa criança nascida em Belém?

João nos leva para a própria mente de Deus. Ele nos transporta para a eternidade. Deixamos a dimensão do tempo. Nós temos que sair do mundo, para descobrir a verdadeira mensagem do Natal. Mas é uma perspectiva que devemos ter, se quisermos compreender toda essa história.

Agora, João apresenta Jesus a nós em seis quadros, magnificamente retratados. Primeiro, ele nos diz que Ele é eterno. Vejamos os versículos de 1 a 3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez .”

Ora, nesses três versos tremendos, João inicia seu Evangelho nos apresentando o Salvador. Essa é sua intenção. No capítulo 20, versos 30 e 31, ele diz que seu objetivo ao escrever o Evangelho é nos apresentar o Salvador, a fim de que possamos crer e sermos salvos.

João inicia o seu Evangelho nos apresentando Jesus. E o primeiro ponto que aborda é que a criança nascida não é outro, senão O Eterno. E João vai além do nascimento dessa criança, voltando ao passado anterior à criação, atestando a preexistência de Cristo e Sua eternidade.

O primeiro verso diz: “No princípio…”. Que princípio? Suponho que João está se referindo a Gênesis 1:1, que diz: “No princípio, criou Deus”. Esse início é único princípio que podemos conhecer,  porque antes da criação não houve um começo, não havia tempo, não havia nenhum princípio de existência de nada, pois Deus sempre existiu. É uma existência eterna.

Então, no início, o único que temos conhecimento, o princípio da criação de Deus, ‘era a Palavra, o Verbo’. Em outras palavras, o que ele está dizendo é simplesmente que, quando o início começou o Verbo já estava lá. Essa é uma afirmação maravilhosa que supera a nossa capacidade de compreensão. Nós apenas cremos nisso, mas não temos como explicar.

Quando os céus e a terra foram criados, o Verbo já existia. Desde toda a eternidade, Ele já estava lá. Há uma personificação interessante da sabedoria em Provérbios 8:27-30, que poderia ser adequadamente aplicada ao Verbo. Escute isso:

Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra.Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo“.

A Sabedoria personificada neste capítulo de Provérbios nada mais é do que a Palavra, o Verbo Eterno. Então, primeiro de tudo, João nos diz que este Verbo é eterno.

Em segundo lugar, João nos diz que na eternidade o Verbo estava com Deus. No original grego,  “pros ton Theon”. A melhor maneira de traduzir essa frase é: estava face a face com Deus, em um nível de igualdade, e não sob Deus, não olhando para Ele, e não acima Dele olhando para baixo, não do lado sem ter intimidade, mas face a face com o Deus vivo.

O Verbo é eterno, e  está em íntima comunhão pessoal com o Deus eterno. E, então, João nos diz, sem rodeios: “o Verbo era Deus”. A tradução literal do original grego é: “Deus era o Verbo ou Deus era a Palavra”.

E, assim, a progressão é muito importante aqui. Primeiro, aprendemos que, quando tudo foi criado, o Verbo já existia eternamente. Depois, aprendemos que, em Sua existência eterna, o Verbo era igual a Deus, de fato, o Verbo era Deus.

Agora, por que João opta por utilizar o termo Verbo (“logos”, no grego)? Bem, eu acredito que ele assim o fez para fornecer um início dramático ao seu grande Evangelho e também porque é um ponto de identificação com seus leitores, tanto judeus, como gentios. Deixe-me explicar o porquê.

O judeu entendia o Verbo, ou a Palavra de Deus como sendo um conceito muito importante. Ao longo do Velho Testamento, quando Deus se revelou a qualquer pessoa, Ele falou. E muitas e muitas vezes, se diz: ‘O Senhor falou assim-e-assim … o Senhor falou aqui … o Senhor falou lá … e o Senhor disse isso’, e assim por diante.

Deus Se revelou através da fala. Assim, o judeu entendia a Palavra (o verbo ou logos) do Senhor como a revelação que procede de Deus. Quando o judeu pensava sobre o poder de Deus, a vontade de Deus, a mente de Deus, o propósito de Deus, o desígnio de Deus e  plano de Deus, ele sabia que tudo isso era revelado, manifesto através da  Palavra de Deus.

E assim, para o judeu, tudo aquilo que revelava Deus era a Palavra, o Verbo. E, assim, ao usar esse termo para se referir a Cristo, João alcança a mente do judeu, dizendo que a vontade de Deus, a mente de Deus, o plano de Deus, o propósito de Deus, o projeto de Deus,  o poder de Deus, que é a Sua auto-revelação,  veio para você.

Em outras palavras, João está dizendo que se você quiser ver a Palavra de Deus, se você quiser conhecer o poder criativo de Deus, se você quiser ver a Palavra que trouxe o universo à existência, que dá a mente de Deus aos homens, ela está aqui e seu nome é Jesus.

Mas, a palavra logos (verbo) era também excepcionalmente comum para os gregos. Eles filosofaram o “logos“, e o entendiam como uma força impessoal, que emanava de alguma divindade, e que gerou tudo o que existe. Assim, eles entendiam o “logos” como o poder impessoal que trouxe tudo à existência.

Heráclito escreveu sobre o logos. Os estoicos escreveram sobre o logos. Para eles, esse poder era totalmente impessoal, em nenhum sentido era uma pessoa, não possuía personalidade, mas era algum tipo de força, algum tipo de poder que veio a ser a causa de tudo o que existe no Universo, a força que trouxe tudo à existência e que sustenta tudo que existe.

Fílon refere-se ao logos como “o poder de criação, o leme através do qual Deus dirige todas as coisas, o intermediário entre o mundo e Deus, o sacerdote que mantém a alma diante de Deus.” Isso era o “logos” para os gregos. Era o poder da palavra, razão, mente e vontade.

Então, o grego conhecia bem o termo logos. E João está lhes dizendo, em outras palavras: ‘vocês têm usado esse termo durante séculos, bem como pensaram, falaram,  escreveram,  discutiram, sonharam e filosofaram sobre este  poder do universo, o poder pelo qual os homens existem, pensam e têm contato com Deus. Quero dizer a vocês que Ele é Jesus.’

E assim, usando o termo logos, João é bem compreendido tanto por judeus, como por  gregos. E ele ainda acrescenta: este Verbo é eterno,  estava no princípio com Deus e É Deus. É um pensamento maravilhoso!

Aí vem o versículo 3: “Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez.” A grande prova de que o Verbo é Deus é que o Verbo criou tudo o que existe. Deus criou tudo, logo, quando João se refere ao Verbo, está se referindo a Deus.

Então, João quer nos apresentar o Verbo, a força no universo que fez tudo, aquilo que emana de Deus, que é a revelação que vem de Deus, que é a manifestação que vem de Deus, que expressa a vontade de Deus, a mente de Deus, o poder de Deus, o propósito de Deus, o desígnio de Deus, o plano de Deus. João quer que conheçamos essa força poderosa.

E, então, ele diz algo mais sobre o Verbo no versículo 4: “Nele estava a vida…”. Obviamente, sendo Ele o criador da vida, Nele estava a vida. Assim, João inicia seu Evangelho, sua história de Natal, dizendo que a criança não é outro, senão o eterno Deus, que fez todas as coisas, que tem vida eterna em Si mesmo e que concedeu vida e existência a tudo o que existe.  Atos 17 coloca dessa forma: “Nele [em Jesus] vivemos, nos movemos e existimos.”

João tem algo mais a nos dizer. O que ele está introduzindo a nós não é apenas o Verbo eterno, mas também o Verbo revelado. Veja o versículo 4 novamente e o 5: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”

Agora, esta é uma declaração muito importante. A vida era a luz dos homens. Esta é a revelação. “A vida” neste texto está se referindo ao Verbo. Em outras palavras, a vida é algo muito além dos homens. De nenhuma maneira poderíamos compreender a vida eterna que vem de Deus.

Mas, vem a boa notícia: “E a vida era [tornou-se] a luz dos homens.” A vida aí é comparada à luz vindo para iluminar a escuridão. O Verbo vivo, é o Deus vivo plenamente revelado na escuridão. Onde está a escuridão? Bem, você vai notar o que dizem o versículo 4, “A vida era a luz dos homens”, e versículo 5, “A luz brilha na escuridão.”

Você pode equiparar ‘a luz’ no versículo 4 e ‘a luz’ no verso 5, bem como ‘os homens’ no versículo 4 e ‘escuridão’ no versículo 5. A escuridão é o mundo dos homens. A luz veio ao mundo dos homens. A luz veio ao mundo escuro dos homens. Escuro, porque é um mundo pecaminoso, é um mundo habitado por demônios, é um mundo dominado por Satanás.

E João diz que esta luz veio à escuridão. A luz que brilha na escuridão ilustra a vida chegando à morte. Ele é a vida. Ele é aquele que dá a vida. E Ele veio ao mundo dos homens, a luz se manifesta na escuridão, a luz brilha na escuridão. Vinte e uma vezes em seu Evangelho, João fala sobre essa luz.

E observem, a luz brilha na escuridão. Você já percebeu como a escuridão não pode conter a luz? A escuridão não pode extinguir o menor fragmento de luz. Não pode extinguir a menor vela. Não pode apagar a menor luz. A noite mais densa não pode apagar a menor vela.

Assim, para o mundo dos homens, o mundo sombrio dos homens, veio a luz. E foi a luz da vida, o Deus vivo invadindo a escuridão humana. O versículo 5 diz que a escuridão não poderia prevalecer contra ela, expulsá-la.

Em João 3:18, Jesus diz: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” E, então, Ele explica que condenação seria esta:

E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.“(vv. 18-20).

Portanto, a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, mas mesmo assim, a escuridão não poderia apagar a luz. Então, quem é essa criança? João diz que, antes de tudo, Ele é O Eterno. Em segundo lugar, Ele é O Revelado, ou O Manifesto.

A eternidade entrou na dimensão do tempo através de Cristo. E nós sabemos disso porque a luz brilhou nas trevas e as trevas não poderiam colocá-la para fora. João diz que o Verbo é eterno e que a prova disso é que Ele criou tudo. Ele diz que o Verbo foi revelado, como a luz invadindo as trevas, e a prova disso é que a escuridão não poderia apagar a luz. E o mundo sabe que a luz veio ao mundo. Eles podem tentar negá-la, mas não podem extingui-la.

Em terceiro lugar, João nos diz que o Verbo é O Prometido. Observe o que diz o verso 6: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João.” Aqui, é o apóstolo João referindo-se a João Batista.

Agora, como testemunha de tudo o que disse até aqui, João introduz em sua narrativa o mais supremo de todos os profetas, o último profeta do Antigo Testamento. Ele veio depois de 400 anos de silêncio, num período longo em que não tinha havido nenhuma voz profética. Ele veio e a respeito dele Jesus declarou, em Mateus 11:11, que era o maior dos ‘nascidos de mulher’.

João Batista é o maior homem que já viveu. Ele veio ao mundo por uma razão: foi enviado por Deus para anunciar a vinda do Messias, a chegada da Luz,  da Vida, do Verbo vivo. Essa foi sua missão.

Verso 7, diz, com referência a João Batista: “O mesmo veio como testemunha…”. Essa é a razão pela qual ele veio. Ele não tinha outro propósito na vida, realmente. Ele veio como testemunha, para dar testemunho, para dar testemunho da luz, “para que todos cressem através dele”, isto é, através de João Batista.

Em outras palavras, ele veio para chamar as pessoas para que, através de seu testemunho, elas pudessem crer na Luz. Ele não era a Luz, mas foi enviado para dar testemunho sobre a Luz. E o Apóstolo João está dizendo que Jesus é O Eterno – fato comprovado pela criação -, Ele é O Revelado – é a  luz no meio das trevas -, Ele é O Prometido – comprovado pelo fato de que o maior de todos os profetas atestou que Ele era.

O Evangelho de João é carregado de vários testemunhos acerca de Jesus. Há o testemunho do Pai, o testemunho das palavras e obras do Senhor, o testemunho da Escritura do Antigo Testamento, o testemunho de pessoas que conheceram Jesus, o testemunho dos discípulos e o testemunho do Santo Espírito.

E, então, aqui começa toda essa cadeia de testemunhos, com o testemunho de João Batista, a primeira testemunha referida no Evangelho de João. Ele atesta que o logos veio e é a verdadeira luz do mundo.

O versículo 7, então, nos diz que João Batista veio para dar testemunho de Cristo, a Luz, para que os homens cressem através desse testemunho. O que é crer? O verbo ‘crer’  é usado uma centena de vezes no Evangelho de João. É a essência de tudo. Significa colocar fé, atestar como verdadeiro. Crer significa dizer ‘sim’ à Palavra viva, que é Jesus, e a tudo o que Ele é e a tudo o que Ele tem feito.

João Batista não era a luz, e ele sabia disso. Ele disse que no capítulo 3:28 e 29:  “Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido.

Em outras palavras: ‘eu não sou parte do casamento, eu sou apenas o melhor amigo do noivo (o padrinho). Ele deve crescer e eu devo diminuir.’ Ele sabia quem ele era e quem não era. Ele era uma candeia, como Jesus atestou no capítulo 5:35,  luchnos, no grego, uma pequena lâmpada. Mas, Aquele que João Batista anunciou era como a luz de um bilhão de sóis ardentes. João Batista era como a Lua, um pequeno refletor da glória do Sol.

E alguém poderia neste momento dizer: ‘Bem, desde quando a luz precisa de um anúncio? Desde quando você tem que dizer às pessoas que a luz está acesa? Não é óbvio que todos saibam que a luz esteja acesa?’ Realmente, você não teria necessidade de anunciar a presença da luz, a menos, é claro, se ela está acesa num ambiente de cegos.

Em 2 Coríntios, capítulo 4:4, o apóstolo Paulo diz: “…o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” A um mundo em escuridão e cegueira precisava ser dito que a luz havia chegado. João Batista foi o encarregado de dizer.

Em quarto lugar, João nos revela que o Verbo é tambêm O Rejeitado. Essa luz que veio era a luz verdadeira, ‘alethinos no grego, ou seja, genuína, real. Existiram algumas velas tremeluzentes antes de a verdadeira luz brilhar. Houve alguns mensageiros de Deus, alguns vislumbres da luz, mas agora a verdadeira e plena luz chegou.

E, então, João declara, no versículo 9, que essa luz verdadeira “…ilumina a todo o homem que vem ao mundo.”  A chegada da luz, literalmente, quebrou a escuridão, iluminando todo  homem que vem ao mundo. Essa parte do verso 9 é um tanto quanto difícil de traduzir do grego para a nossa língua. Ela pode ser traduzida, ao menos, de duas maneiras.

Uma delas é que João está dizendo, basicamente, que ‘esta era a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem ao mundo’. Em outras palavras, a única luz que pode iluminar a qualquer um é a verdadeira luz. Não há salvação sob nenhum outro Nome, só em Jesus.  Esta é a única verdadeira luz que existe.

Isso quer dizer que é uma luz exclusiva, que todos os outros sistemas religiosos são trevas, de modo que, se alguém foi iluminado, ele o foi  por essa luz. Ele é a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo.

Mas, o texto pode ser traduzido na simplicidade do que exatamente  diz. Nesse sentido, não abrange apenas os que foram salvos, iluminados pela luz, mas abrange todos os homens, sejam salvos, sejam perdidos.

Ou seja, a luz de Cristo é tão abrangente e tão ampla, que dissipa a escuridão. Tem a ver com Romanos 1, onde se diz que temos conhecimento suficiente de Deus para sermos indesculpáveis, certo? Todos os homens, todos nós temos tanto conhecimento de Deus que  estamos em perigo e em juízo por causa do que temos ou não temos feito com a luz que temos.

Vejo este verso 9 no mesmo sentido de Romanos 1. O que João está dizendo é que a luz é tão abrangente e é de tão grande alcance que, cada alma na face da terra, seja salvo ou perdido, teve a luz revelada para si. Agora, se os homens vão ou não viver de acordo com a luz, é uma outra questão.

Ocorre que, em alguns casos, a luz irá dissipar as trevas e trazer salvação e, em outros casos, a luz vai brilhar apenas para revelar o mal que será levado a juízo mais tarde. Cristo é a luz que ilumina todo homem que entra no mundo.

Ele ilumina alguns para a salvação. Ele ilumina outros para juízo, revelando sua maldade. Mas, Ele é a luz. Ele é a única luz que pode  iluminar um coração. Ele é a luz que ilumina a todo homem. Deus revelou o suficiente de Si mesmo a cada pessoa, a fim de que cada um seja responsável por seus pecados diante Dele. Jesus é a luz, seja para a salvação ou para juízo.

Veja os versos seguintes (10 e 11): “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” Ele veio para iluminar o mundo.  Ele veio para iluminar todo o homem que veio ao mundo e o mundo não O recebeu. Essa declaração é muito triste, de partir o coração.

Ele estava no mundo. Isso é o que nós vimos nos versículos 4 e 5, a luz na escuridão, a vida chegando ao mundo dos homens. O mundo foi feito por Ele, vimos no verso 3, mas o mundo não O conheceu. A escuridão permaneceu na escuridão e tentou até mesmo para apagar a luz. Não houve reconhecimento.

E quando se diz que o mundo não o conheceu, isso não significa que eles não sabiam quem Ele era, isso significa que eles não tiveram uma relação pessoal íntima com Ele. A palavra “conhecer” usada no Evangelho de João e em muitas outras partes da Bíblia, carrega a ideia de uma comunhão pessoal muito íntima.

O texto se aplica a Israel, é claro, mas Israel é  apenas um símbolo de todo o mundo dos que rejeitam a Cristo. Tive contato com alguns judeus que parecem transmitir um medo acerca de Jesus, no sentido de não terem tanta certeza de que Ele não era o Messias, como diz o judaísmo.

Lembro-me de conversar com um rabino e quando eu mencionei o nome de Jesus Cristo, ele saltou de sua cadeira e colocou o punho na mesa e disse: ‘Nunca mencione esse nome na minha presença!’. Agora, há algo errado quando alguém reage assim.

Na verdade, o rabino Ben Ezra escreveu uma oração, que eu acho muito interessante, anos atrás: “Tu, se Tu foste Ele que veio na vigília da meia-noite através da estrela brilhante, sendo chamado por um nome duvidoso, e se pesado demais com o sono e com medo, ó Tu, se o martírio caiu sobre Ti, que vieste a pegar o que era Teu e nós te demos a cruz, quando deveríamos ter Te dado o trono, Tu és o juiz.”  O pensamento sobre a possibilidade de eles terem rejeitado o  Messias assombra suas mentes.

Ele veio para os Seus e os Seus não O receberam. O Eterno, essa criança, O Revelado, O Prometido, é também O Rejeitado. Porém, o plano não foi frustrado. Deus não estava de  forma alguma frustrado pela incredulidade dos homens. Sua vinda foi bem-sucedida, pois ao mesmo tempo foi para rejeição, mas também para resgate, redenção.

Mas … oh Eu amo isso… ,  verso 12,  “a todos quantos o receberam…”, e tal recebimento é definido no final do verso, “aos que crêem no seu nome”, isto é, eles O receberam, eles creram no Seu nome. O que quer dizer crer “em seu nome?” Significa crer em tudo o que Ele é, tudo o que Ele afirmou ser, tudo o que fez, tudo o que Ele disse.

Aqueles que creram que Ele era tudo o que Ele disse e fez, estes O receberam. Eles estavam dizendo a Ele: sim. “E deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”

A existência de tantas religiões de uma ponta a outra do globo demonstra que os homens querem conhecer a Deus. Infelizmente, eles querem conhecê-Lo em seus termos, não nos Dele. Assim, eles rejeitam as condições estabelecidas por Deus. Mas, aqueles que aceitaram Seus termos, tornaram-se filhos de Deus. Não apenas amigos, não  associados ou membros de uma sociedade, mas filhos.

O objetivo da vinda do logos à terra foi trazer as pessoas para a intimidade com o Deus vivo. E é por isso que o apóstolo Paulo diz que somos “coerdeiros com Ele”, com Cristo. Somos filhos de Deus suspirando “Abba, Pai“.

Em 1 João 3, o apóstolo diz  que seremos semelhantes a Ele e O veremos como Ele é. Estamos atraídos para essa intimidade, pois a Sua plenitude habita em nós e possuímos a natureza divina.

Ele nos fez filhos. Fez a quem? “Aos que creem no seu nome”. O que é o nome Dele? O nome Dele é tudo o que Ele é. Essa é a nossa parte nessa história: crer em Seu Nome. Mas, o versículo 13 nos mostra a parte de Jesus nessa história. Quando você creu no nome Dele, em tudo o que Ele é, você se tornou um filho de Deus.

Isso não aconteceu porque você herdou esse direito. Não foi algo vindo da “da vontade da carne.” Isso não aconteceu porque você ansiava por Ele e tinha fome Dele e O desejava. Não proveio também “da vontade do homem.” Homem algum poderia forçar você a crer. Ele não veio até você, porque alguma ação humana ou instrumentação humana tornou isso possível.

Não foi devido a algum direito herdado de alguém. Não foi devido ao seu forte desejo. Não foi devido a outros recursos humanos. Você veio por causa de Deus, que é o que o versículo 13 diz. Assim, o verso 12 diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.” Ou seja, os que O receberam creram Nele.

Porém o verso 13 diz: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” Em outras palavras: ‘se você foi feito um filho de Deus, não foi porque você desejasse isso, nem porque alguém desejou isso para você, nem foi porque você herdou tal direito, mas foi por causa de Deus’.

Então, você tem já no início do Evangelho de João a introdução da relação entre o poder soberano da eleição de Deus e a fé do indivíduo. No versículo 12, somos salvos porque cremos. No versículo 13, é tudo vontade de Deus. Nem o nascimento humano, nem o desejo humano, nenhuma identidade racial, nenhum recurso humano pode nos trazer a salvação. É um ato soberano de Deus. Ele faz isso. Mas, é sempre acompanhado pela fé pessoal em tudo o que o Verbo vivo é e fez.

Então, Ele é o único Salvador. Como é maravilhoso! Essa é a história do Natal contada pelo apóstolo João. Quem veio ao mundo? O Eterno Criador, O Revelado, O Prometido, O Rejeitado, O Salvador. Aqui está a conclusão dessa história de Natal, no versículo 14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Oh, que grande declaração!

Essa é a história do Natal. O Verbo, O Eterno se  tornou O Revelado, porque Ele era O prometido e, embora tenha sido O Rejeitado, Ele é O Salvador. O único. Ele é o Verbo que através do poder, vontade, mente e sabedoria de Deus,  se fez carne.

O infinito tornou-se finito, o invisível tornou-se visível, Deus se fez homem, a poderosa força divina criativa, que foi a causa de tudo o que existe, tornou-se carne humana.

Então, depois de entender essa deslumbrante história por trás da história do Natal, você vai olhar para aquela manjedoura e verá algo diferente, estarrecedor, surpreendente: o Deus todo-transcendente, todo-sábio, onisciente, onipotente, santo, todo-glorioso  deitado como uma de suas próprias criações.

E notem que: “O Verbo se fez carne“. Isso nos mostra a Sua preexistência. Ele não veio à existência, Ele só veio a ser carne. E quando Ele veio para ser carne, Ele não deixou de ser o que Ele era. Este é o mistério. O Verbo se fez homem e não deixou de ser Deus.

E habitou entre nós”. A palavra ‘habitar’ usada nesse texto é askenos, no original grego, significa ‘armar a tenda’. Ele armou Sua tenda entre nós. E, aqui, vem o testemunho de João, o apóstolo: “E nós vimos a Sua  glória.” Nós vimos Deus!

Assim, quando o Verbo se fez carne, nós vimos Deus. Jesus se manifestou em carne cheio de graça e de verdade. Não parcialmente, mas cheio. Completa deidade, perfeito. É maravilhoso e há duas dimensões sendo reveladas aqui: primeiro, Jesus é revelado como Deus em essência, pois Ele “estava com Deus e era Deus”. Segundo, Jesus é revelado em Sua glória moral, em Sua graça e de verdade.

Ninguém conhece a verdade e a graça, exceto pela revelação de Deus. E quando o Verbo se fez carne cheio de graça e de verdade, vimos a Sua glória essencial, vimos Deus. Onde vimos Deus em Cristo? Vimos Deus em Seus atos, em Suas palavras, em Suas emoções. Vimos Deus quando Ele se transfigurou e revelou Sua glória no monte, como testemunhou Pedro.

E vimos a Sua glória. Vimos Nele a glória de Deus que foi manifestada a nós em verdade e graça, e não em verdade parcial e graça parcial, mas em plena verdade e graça completa. Ninguém conhece a verdade, a verdade sobre Deus, a verdade sobre o destino, a verdade que precisamos tão desesperadamente saber.

E ninguém conhece graça, além da revelação que veio na Palavra encarnada. É por isso que Paulo diz aos Colossenses: “Nele habita toda a plenitude da divindade.” É uma declaração monumental, Colossenses 2:10. Nele habita toda a plenitude da Divindade, corporalmente, completamente, cheio de graça e de verdade.

Então, João nos leva a um passo adiante, no versículo 15. Ele introduz seu Evangelho nos fornecendo estas imagens: O Eterno, O Revelado, O Prometido, O Rejeitado, O Salvador, O Glorioso. Mas, quem é Ele?

Veja o versículo 15: “João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.” Que declaração! Em outras palavras: ‘aquele que vem depois de mim é eterno’.

No versículo 27, outro testemunho semelhante feito por João Batista: “Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.” Quem é esse? É aquele de quem João deu testemunho. Aquele de quem João declarou que  era antes dele, porque existia antes de dele.

Verso 16, continua o testemunho de João Batista acerca do Verbo eterno:  “E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.” Essa é uma declaração tremenda. O que significa ‘graça por graça’ ou ‘graça no lugar de graça’? Bem, a melhor maneira de entender isso é fazendo a comparação com o vai e vem contínuo das ondas do mar.  É a onda da graça que vem sobre outra onda da graça, e assim vai.

Graça, de cor vermelho-sangue, que cancela a dívida do pecado. Graça, a estrela da esperança, que ilumina o céu escuro da iniquidade. Graça, que garante a imutabilidade do pacto de paz com Deus. Graça, o bastão em que nos apoiamos nas nossas enfermidades e fraquezas. Graça que nos inunda. Recebemos toda a plenitude dessa graça.

E, o versículo 16 contém  o testemunho pessoal do escritor do Evangelho, o apóstolo João. É como se ele dissesse: ‘registrei o testemunho de João Batista no versículo 15, mas dou meu próprio testemunho no versículo 16.’ E, no versículo 17, ele diz. “A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

Quem é esse Verbo? Quem é este Eterno, Revelado, Prometido, Rejeitado, Salvador, Todo Glorioso,  de quem João Batista deu testemunho e disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (v. 29) e “Este é o Filho de Deus” (v. 34)?

Ele é a Palavra, o Verbo. A lei veio por Moisés. E a lei trouxe parte da verdade e sem a graça. A lei só trouxe uma parte da verdade, não toda a verdade. A verdade completa não veio até a nova aliança. A verdade completa não veio até a chegada do Filho. A lei trouxe uma parte da verdade e sem a graça. Não há graça na lei, só julgamento, apenas a culpa. Mas em Jesus Cristo veio a graça e a verdade.

E, então, João resume tudo no versículo 18a: “Deus nunca foi visto por alguém… “. Nenhum homem jamais viu a Deus. Como podemos conhecer a Deus? Nenhum homem jamais viu a Deus. Esse é o fim? Não. “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” Que incrível verdade!

A criança que nasceu em Belém não é outro senão o Deus vivo revelado a nós. Em Jesus Cristo, o desconhecido se torna conhecido, o invisível se torna visível, o transcendente se torna íntimo, o intocável se torna palpável, o inalcançável se torna acessível e próximo. E Deus nunca será novamente um estranho para um coração crente.  Essa é a história do Natal, de acordo com João.

Só mais uma palavra final: você realmente entende o significado do Natal? Um estudante universitário mal preparado se submeteu a uma prova um  pouco antes das férias de Natal. Ele não estava pronto para o exame, então ele só escreveu em seu papel: “Só Deus sabe as respostas a estas perguntas. Feliz Natal.” O professor escreveu de volta: “Deus recebe 100, você obtém zero.”

Temo que o Natal seja assim para um monte de gente. Deus recebe 100, eles recebem zero. O teste do Natal, o teste de hoje. Quem é Cristo? Foram dadas todas as respostas. Se você não passar no teste é porque você optou por não ser aprovado. Oh, venha a Cristo, receba-O, creia no Seu nome e se torne um filho de Deus.

Pai, oramos para que Tu alcances aqueles a quem o Senhor deseja alcançar. E, Senhor, que todos nós possamos compreender o que realmente aconteceu em Belém, há dois mil anos. Faze o Teu trabalho em cada vida. Damos-Te a glória, em nome de Cristo. Amém.


Esta palavra é uma síntese do sermão “The Word Made Flesh”, proferido por John MacArthur em 25/12/1983.

Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/1295/the-word-made-flesh

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


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